Vestido
Vestido de pétalas de ternura
O Amor disse à Rosa:
Sê o meu rosto na vida!
E sem temor
Cresce com doçura
No teu caule de espinhos
E a tua flor será beleza que perdura!
AGOSTO
Bate na porta o agosto
Todo vestido de cinza
Mas tudo tem o seu posto
Mesmo na geada em que pisa
Um tempo pra reflexão
Onde se hibernam dormentes
Sementes que florirão
Carregando no seu ventre
Cores à nova estação!
AGORA A LUTA É
CONTRA A VOSSA IGNORÂNCIA, pois, diante dos vossos olhos, todo negro vestido com panos e missangas é automaticamente rotulado de
kimbandeiro.
"Não sei se era o vestido vermelho que parava o lugar.
Talvez fosse o cabelo preto, ou a beleza no olhar.
Só sei que eu estava ali e ela estava lá.
A cada vislumbre, troca de olhares, era eu um mero mortal a admirar.
Pensei que a beleza fosse um veneno, pois senti meu coração acelerar.
Linda, dos pés à cabeça, cada detalhe digno de se pintar.
As palavras são pobres para descrever, a beleza narrar.
Sei de muitas coisas, mas o que não sei é se era o vestido vermelho ou a beleza dela que parava o lugar..."
Casamento
Vamos nos casar: te quero atraente.
Um vestido que te faça corpo-ouro reluzente,
branco, branco como neve.
Sapatos cristalinos, marchantes e precisos no corredor principal
Como o ritmo dos clarins te recebendo – em festa.
Num casamento não basta o amor
É necessário o visual:
Te querer mais que a mim - é o que importa.
Te olhar e desejar-te toda torta
Depois da festa
Numa festa
Só nossa.
O vestido de noiva
Guardei no armário um sonho rendado.
Branco como a nuvem, um vestido de noiva, comprado pra você, puro e esperado.
Cada ponto da costura era um plano meu.
No brilho do cetim, o "nós" que se perdeu.
Eu trazia o amor na palma da mão.
Pensei que éramos um só coração.
Mas o destino é um nó que não se desfaz.
Ele abriu o portão e entrou e não olhou para trás.
Logo vc falou, preciso entrar.
Entrou no silêncio, num passo ligeiro.
Levando consigo o meu mundo inteiro.
No quartinho de costura, entre linhas e panos.
Você teceu outra vida, outros desenganos.
A agulha que moldava o meu véu de noiva.
Foi a mesma que feriu o que a alma desagua.
Enquanto eu esperava o altar e o sim.
Você casou com ele, bem longe de mim.
O vestido descansa, guardado e mudo
Numa casa, qualquer, onde o "quase" levou o meu tudo.
Paz e amor!
Pula a janela
Visualiza
no buraco da agulha
o vestido das linhas
Vê no espelho
a falta vazia
de ausência e solidão
Sente o que contagia
Mergulha
receptivo e aberto
à utopia
e e a razão brilha bela
A carga se esvazia
e a alma, liberta,
pula a janela
A MÚSICA, é uma Linda Musa...Vestido Multicolorido e Esvoaçante...Rindo da Vida e de Todos. Momentos de Deleite Alegre ou Triste... Mas NUNCA COM O DEDO EM RISTE!!!
Migalhas
Todas as tardes
uma senhora de vestido estampado
chega ao banco da praça
com um pequeno saco de pão nas mãos.
Senta-se devagar
e começa a lançar migalhas
sobre o chão gasto de passos.
Os pombos logo aparecem
serenos, platinados,
alguns escuros, outros claros
caminhando em círculos
como se conhecessem o ritual.
A tarde passa sem pressa.
A luz se inclina nos prédios,
e o horizonte começa a escurecer.
Quando as últimas migalhas se acabam,
a senhora limpa as mãos no vestido,
levanta-se com calma
e segue pela alameda.
Não diz palavra alguma.
Também não precisa.
Entre o bater de asas
e o silêncio da praça,
tudo
já foi dito.
AROMAS DE MAIO
Todo vestido de amarelo
Enfeita ruas e avenidas
Florindo o tempo
Maio é o mais tão singelo.
Ainda na alvorada
A alegria enfeita o dia
O céu fica colorido
Com a linda passarada.
Mês das novenas de Maria
Das noivas e das mães
Mês que traz harmonia.
Que nos abençoe Nossa Senhora
Que a nossa esperança
Nunca vá embora.
Irá Rodrigues
Antes de você, meu vestido vermelho era listrado de branco; ao tentar me tirar a cor, transformei-o em um tabuleiro de xadrez , onde agora eu sou a rainha.
JOSÉ — O SONHO QUE NINGUÉM CONSEGUIU MATAR
Havia um menino vestido de promessa,
carregando nos olhos o brilho do impossível.
Seu pai o amava com ternura rara,
e o céu já sussurrava seu destino.
Bíblia Sagrada
José sonhava…
e os sonhos não eram comuns.
Eram sementes eternas
plantadas pelas mãos de Deus.
Mas nem todo irmão suporta
ver alguém carregando luz.
O ciúme transformou sangue em distância,
e o abraço virou conspiração.
No silêncio do deserto,
o filho amado foi lançado numa cisterna.
Escura… fria… profunda…
como ficam os corações feridos pela traição.
E enquanto os irmãos vendiam seu sangue por moedas,
o céu continuava escrevendo capítulos invisíveis.
José foi levado como escravo,
pisando terras estrangeiras
com correntes nos pés
e fé no espírito.
Na casa de Potifar,
trabalhou sem perder a dignidade.
Porque quem anda com Deus
não precisa perder a alma
mesmo quando perde a liberdade.
Então veio a prova do desejo.
A mulher de Potifar tentou seduzi-lo,
mas José preferiu a prisão
do que trair sua santidade.
Foi acusado injustamente.
Esquecido pelos homens.
Trancado entre grades
sem entender o relógio de Deus.
Mas até na prisão
o céu encontrava José.
Ali interpretou sonhos,
falou ao copeiro, falou ao padeiro,
e cada palavra carregava
a assinatura do Altíssimo.
O tempo passou…
até que o rei teve um sonho
que ninguém conseguia entender.
Então lembraram do homem preso.
José saiu da prisão
sem ódio, sem vingança, sem revolta.
Saiu carregando sabedoria.
Diante do faraó,
interpretou o futuro das nações.
E aquele que dormia no chão da prisão
foi colocado sobre o trono do governo.
De escravo… a governador.
De rejeitado… a instrumento de salvação.
De vendido… a escolhido.
Porque quando Deus escreve a história,
a cisterna não é o fim,
a prisão não é derrota,
e a traição não consegue matar o propósito.
Então veio o reencontro.
Os irmãos, agora quebrados pela fome,
ajoelharam-se diante daquele
que um dia haviam desprezado.
José chorou.
Não chorou pela dor antiga…
mas porque entendeu
que Deus transformou feridas
em caminho de vida.
E ao reencontrar seu pai,
o menino dos sonhos voltou a ser filho.
Os braços envelhecidos de Jacó
abraçaram o milagre que o tempo não destruiu.
José entendeu enfim:
Quem anda com Deus
pode atravessar cisternas, prisões e desertos…
mas jamais caminhará sozinho.
Porque sonhos nascidos no céu
podem até ser perseguidos pelos homens,
mas nunca serão vencidos.
...você tem o sorriso que encanta, o olhar que desnuda, o cheiro que entorpece, vestido que me desalinha e essa presença que me incendeia...
Um piano chorava no bar.
Na penumbra da noite carioca
Um piano chorava no bar
Vestido de sonho e fumaça
Fazia a cidade escutar
Johnny Alf chegava mansinho
Sem alarde, sem querer reinar
Mas o toque que vinha dos dedos
Fez a música se transformar
POESIA:
PERFIL DE DOIS AMORES DISTINTOS. BY: Harley Kernner
ELA!
Seu amor é como um vestido de seda, que desliza suave, sem pressa, sem pressão.
É como um vinho envelhecido em adega, de sabor refinado, cheio de emoção.
É a luz de um candelabro antigo, que ilumina com brilho calmo e nobre.
Palavras escolhidas, gestos precisos, cada detalhe, um cuidado que cobre.
É arte que se aprecia gradualmente, beleza que não grita, mas encanta.
É a harmonia de uma melodia suave, que no coração, para sempre se planta.
Igualmente à elegância que mora no sentir, ternura com classe e requinte.
O amor dela é poesia em cada instante, profundo, leve e infinitamente distinto do amor masculino.
EU!
Meu amor não tem roupas caras nem palavras estudadas, é feito de mãos calejadas e olhares que dizem tudo.
É arte extraída de um coração semianalfabeto e iletrado no amor.
Não sabe de regras, de modos ou de formas, mas sabe estar presente, firme e seguro.
É como a terra que segura a árvore, ou o vento que sopra sem se mostrar.
Não tem brilho de joias ou luzes de salão, mas tem força que nunca se acaba em meio às provações.
Falo o que penso, sem enfeitar a voz, faço o que sinto, sem medo de errar.
Meu carinho é um abraço apertado, um café quente, um ombro de apoio.
Não sou de promessas bonitas ou juras ensaiadas, sou de ações que falam mais do que qualquer frase.
Amor que é raiz, que cresce devagar, simples, forte e, para sempre, inteiro e capaz: renova-se a cada amanhecer.
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias e Crônicas
Escritor Particular
Tem muito lobo vestido em pele de cordeiro. E estou fora de conto de fadas para me sentir a frágil chapeuzinho vermelho. Passa amanhã!
Ainda que o seu ser seja momentaneamente vestido de escuridão, lembre-se, você é feito de estrelas.
Não era conto de fadas…
era vida real.
Cinderela não usava só vestido,
usava silêncio,
engolia dor,
varria sentimentos que ninguém quis ver
Helaine machado
SETEMBRO RAIOU
Setembro raiou, sereno,
vestido de luz e esplendor;
trouxe centelhas divinas,
bordadas de paz e amor.
Com seu colorido infinito,
que encanta e repousa o olhar,
desperta a esperança antiga
de um novo tempo chegar.
Recheia os caminhos de flores,
de ternura, perfume e calor;
os ipês, no alto das serras,
celebram a vida em louvor.
Nas montanhas policromas,
onde o horizonte faz morada,
brota a candura da alma,
em cada manhã iluminada.
E ecoa pelo firmamento
um cântico de inspiração:
é a voz do Menestrel do Mucuri
semeando poesia e emoção.
Sonho de menino do Vale,
que jamais deixou de sonhar,
faz renascer o lirismo exuberante
e a esperança florescer sem cessar.
Que setembro seja a estação
onde o amor sempre prevaleça;
e que, em cada coração,
a poesia nunca esmoreça.
