Versos Românticos

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De todas as paixões baixas, o medo é a mais amaldiçoada.

As paixões ensinaram a razão aos homens.

Os homens que se emocionam com as paixões são capazes de ter mais doçura na vida.

Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença.

As nossas paixões são verdadeiras fênix. Quando a mais antiga arde, renasce uma nova das cinzas da primeira.

Quando alguém se apaixona pensa em tudo, menos no que está pensando.

Não há paixão que abale tanto a sinceridade dos juízos como a cólera.

Nos dias de hoje, apenas nos ateus sobrevive a paixão pelo divino. Nenhum outro se salvará.

Reta ação é a praticada sem apego, sem paixão, por dever, não por prazer, nem ódio, nem proveito próprio.

O espírito egoísta do comércio não conhece países e não sente paixão ou princípio excepto o do lucro.

O gênio sem paixão é o asceta da poesia, não é o poeta.

A paixão transforma, muitas vezes, o mais hábil dos homens num louco e torna muitas vezes mais hábeis os mais tolos.

Tudo o que não é paixão tem um fundo de aborrecimento.

A curiosidade é a última paixão das pessoas velhas.

O mais odioso da guerra é a paixão que por ela se tem.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, Bertrand, 1992

A ambição individual é uma paixão infantil..

A juventude é a paixão pelo inútil.

O álcool cria no homem um heroísmo muito superior a ideologia e a paixão; não sem razão é chamado de espírito.

A verdade frequentemente sofre mais pela paixão de seus defensores que pelos argumentos de seus oponentes.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes
Antologia Poética. Rio de Janeiro, 1960