Versos que Tocam o Coração
Quão insondáveis são as riquezas que habitam no coração daquele que domina a indignação e transfigura o ódio em consciência. Não por altruísmo ingênuo, mas por força — pois ajudar o necessitado sem poder é ferir-se duas vezes: uma por impotência, outra por lucidez.
O homem é consciência, e consciência é um cárcere: querer o bem ao outro não lhe garante sabedoria, pois decidir por ele é usurpar sua vontade. Ter uma rotina digna de um vencedor não me faz superior ao viciado derrotado; apenas significa que colho melhor por semear com mais força.
Vejo, porém, os que desejam justiça com as próprias mãos como filhos da fraqueza moral. Vingar-se de um criminoso é fácil; difícil seria transmutar sua natureza. Mas eis o abismo: o homem maldito prefere destruir a construir, pois criar exige força, e destruir é sempre um ato de fraqueza disfarçada de poder.
Meu coração queima, este incêndio se alastrou pelo meu peito, me destruindo por inteiro.
A dor da queimadura é insistente, mas também trás a sensação de que estou mais vivo do que nunca.
As chamas consomem meu corpo e a fumaça desse incêndio embriagou minha mente.
Já não sei mais o que é real e o que é fantasia.
Sei que tudo isso pode ser uma grande mentira,
mas meu coração clama por esse seu amor que inflama.
Mas mesmo na dor, há beleza neste seu encanto,
em cada lágrima derramada, em cada pranto.
Maléfico
Ah, maléfico coração,
Que sente amor onde não tem...
Que passa a emoção,
Sem vaivém.
Ah, estratégia do amar...
Gostaste, talvez, do mar,
E estranhaste o teu olhar?
Flor de um jardim só meu,
O que foi que eu te fiz,
Pra não me amar?
Covardia é me querer
Só como um simples amigo...
Mas não vou encarnar,
Encarar ou cantar —
Pra dizer o que sinto,
Eu escrevo...
E quando morro,
Ressuscito.
A dor ela pode ser lenta, ou dilacerar o coração, mas em finalização de ciclo ela arrebenta até aquele que pensava estar imune.
Algumas feridas demoram a cicatrizar, mas o tempo é um forte aliado e o autoconhecimento um santo remédio.
Tudo passa!
Novos ciclos se iniciam e a vida segue.
Talvez, só talvez,
eu ainda esteja aqui.
Mas por agora,
sou só eu —
de cabeça erguida,
coração batendo,
e passos firmes na direção contrária
do teu silêncio.
Pensei que morreria no dia em que você partiu.
Meu coração, em agonia, debatia-se feito ave ferida,
e o ar, rarefeito pela dor, mal encontrava espaço em meus pulmões.
Acreditei ser aquele o meu fim —
e o desespero, como mar em fúria, quase me tragou,
enquanto lágrimas silenciosas transbordavam
e afogavam cada recanto do meu leito.
Mas o sol nasceu... e eu não morri.
O sol segue nascendo, teimoso e brilhante,
e eu sigo com ele — mais firme, mais inteiro,
descobrindo que não era sua ausência que me definiria,
nem sua indiferença que me enterraria.
A vida canta, e eu… escolhi dançar com ela.
Ande com o coração descalço para sentir os detalhes.
Escute o que a sua alma diz.
Explore novos caminhos.
Crie momentos eternos.
Observe a beleza da simplicidade, pois é nela que está o sorriso.
Dance em meio as incertezas.
Abrace demoradamente, ame intensamente, e diga sem hesitar o que sente.
Sinta a poesia do universo, sinta a singela melodia do presente.
Mantenha os sonhos acesos.
Saboreie a vida, se entregue sem medo e aproveite cada instante.
Auto resgate
No silêncio, ouço meu coração —
aflito, sedento,
por respostas que não se explicam,
e se dissolvem na introspecção.
A sombra que me acompanha
esconde uma parte ferida,
como uma criança contrariada
por vontades não atendidas.
O despertar não vem em paz,
vem no grito sutil
da força que pede socorro,
dentro de mim, no mais frágil fio.
Agora é tempo de resgate,
de me estender a própria mão,
acolher minha dor calada
e renascer da solidão.
Que nesta noite a paz do Senhor inunde seu coração, afastando toda angústia, medo e cansaço. Que os anjos do Senhor acampem ao seu redor e que o Espírito Santo te conceda um descanso restaurador. Entregue seus pensamentos a Deus e confie: amanhã será um novo dia, cheio de promessas e bênçãos.
Boa noite, fique na paz e sob a proteção do Altíssimo.
"Coração em Ruínas"
Te esperei na janela da minha agonia,
com os olhos molhados, sem despedida.
Te chamei nos silêncios da noite vazia,
mas tua ausência falava mais que a vida.
Fiz de cada lembrança um abrigo incerto,
construí castelos no chão do talvez.
Tua distância era um grito tão perto,
que doía mais do que a tua vez.
Amar-te foi sede que nunca termina,
um vinho amargo servido em paz.
Meu jardim ficou sem flores, minha casa em ruínas,
e mesmo caído… eu te quis mais.
Agora sou verso que o tempo apagou,
sou a rima perdida, sou só saudade.
Teu nome ficou onde o meu se calou —
no escuro final da felicidade.
Não tenho medo de coração partido,
nem de espelho quebrado.
Tenho medo de coração vazio
e de um reflexo de mim nublado.
Não tenho medo do escuro,
nem do perigo que tu és.
Tenho medo que a sua sorte
será meu revés.
Não tenho medo de viver 1 só vida
e que meu fogo seja apagado.
Tenho medo de viver 7 vidas,
e nenhuma ao seu lado.
Quero tudo o que puder me dar,
ainda que seja azar.
Hoje, no silêncio da Quarta-feira Santa, somos convidados a olhar para o coração humano com sinceridade. É o dia em que a liturgia nos recorda a figura de Judas Iscariotes, aquele que, mesmo caminhando com Jesus, escolheu traí-lo.
Essa lembrança nos toca profundamente. Quantas vezes também traímos Jesus em nossas atitudes, omissões e escolhas? Judas representa a tensão entre o amor de Deus e a liberdade humana. Mas diferente dele, somos sempre chamados à reconciliação, ao arrependimento e ao recomeço.
Que essa Quarta-feira Santa seja um convite à conversão. Que possamos silenciar o coração, reconhecer nossas fragilidades e, com humildade, voltar nosso olhar para o Cristo que caminha para a cruz por amor a nós.
“O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Ai daquele que o trair!” (Mt 26,24)
Que o amor vença a frieza, e que a fé nos conduza à luz da Ressurreição.
Ela nasceu flor
Dona do olhar sincero,
Do sorriso iluminado,
Do coração tão valente,
Do abraço apertado.
Da esperança persistente,
Da alma sempre florida,
De frente pra luz do dia,
E de bem com a vida.
Do puro e doce amor,
Mas queima como o sol.
É o próprio poema:
Ela nasceu flor — girassol.
Carrega no peito a paz,
Perfuma até o chão.
É força que se refaz,
É pura inspiração.
Poema ©️ #Andrea_Domingues
Todos os direitos autorais reservados 16/04/2025 às 10:00h
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