Versos Maternidade
Até hoje eu nunca soube descrever minha mãe, eu só sei que ainda a amo quase tanto quanto eu a odeio, ou vice-versa. Foi ela quem, direta ou indiretamente, me causou as piores tristezas que eu já tive até agora, mas, sem sombra de dúvida, as minhas melhores gargalhadas foram com ela. Caíamos na gargalhada por qualquer motivo, muitas gargalhadas, minhas e dela, e eu certamente sentirei falta disso.
Deve ser incrível ter um corpo que pode carregar uma criatura inteira dentro dele. Tomara que se pareça comigo.
Acho que meu maior objetivo é fazer meus pais rirem. Talvez seja disto que se trata: uma maneira indireta de tentar entreter meus pais, assim como fazia na sala de estar quando eu era criança.
Com essa vontade estar no controle, tudo que acontece, achamos que é nossa culpa. Ficamos achando que temos o poder e a responsabilidade pelas mudanças que virão. Mas a gente não tem. Por isso, precisamos começar a encarar as mudanças a partir de outra perspectiva.
A gente quer tudo previsto e garantido. Na nossa cultura, estamos fazendo isso de um jeito tão obsessivo, que fica difícil viver. Em vez de deixar rolar, ficamos obcecados pela perspectiva do controle.
Estava ficando farta daquele comportamento de dois pesos, duas medidas. Quando as crianças se comportavam, pertenciam ao pai; quando não, eram da mãe.
Precisávamos dizer em voz alta todas as coisas amargas, negativas e perversas que pensávamos. Os remédios, os hormônios e a constante frustração da nossa vida nos tornam babacas, e não temos permissão para sermos babacas em público, porque as pessoas não gostam.
É esquisito ter uma coisa que é minha e não é da Mãe. O resto tudo é de nós dois. Acho que meu corpo é meu, e as ideias que acontecem na minha cabeça. Mas as minhas células são feitas de células dela, quer dizer que eu sou meio dela. E também, quando eu digo pra ela o que estou pensando e ela diz pra mim o que está pensando, nossas ideias de cada um pulam na cabeça do outro, que nem lápis de cera azul em cima do amarelo, que dá verde.
A maior decisão que uma mulher pode fazer na vida não é com quem se casar, mas quem será o pai de seus filhos. É um elo para a vida toda.
Às vezes, acho que temos filhos porque queremos deixar alguém que possa explicar ao mundo quem éramos depois que morremos.
O “ser” mãe é tão intenso que, por vezes, chega a “ser” o que há de mais nobre despertado no mais íntimo do “ser” humano.
Uma mulher que entrega prontamente seu corpo para hospedar outro ser humano, que aguarda pacientemente durante 9 meses esse ser se desenvolver, que ao nascer doa o seu seio para servir de sustento, que abre mão das noites de sono por toda a vida por diferentes motivos e preocupações, que dedica toda a sua existência a zelar dos filhos enquanto respirar, a esse anjo Deus denominou o nome de Mãe!
O Deus que fez a lua e as estrelas e as montanhas e os oceanos, o Criador que fez todas essas coisas, acreditava que você e seu bebê deveriam ser um par. Isso não significa que vocês serão um encaixe perfeito. Não significa que você não cometerá erros. Isso significa que você não precisa ter medo do fracasso porque não pode falhar em um trabalho para o qual foi criada.
