Versos de Tempo

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Como serpente
O poeta,
como serpente
sofre metamorfose sazonal
de tempo em tempo
troca a pele,
uma força imensa
lhe impele
e ressurge
do barro criativo
do efêmero comum,
da vida breve
rescreve outro texto
outra vida
reinventa
outro motivo...

Inserida por EvandoCarmo

Não tenho um passatempo predileto,
prefiro ignorar esta alusão. O tempo não existe simplesmente, fomos nós que lhe demos esta função. Nas horas de sossego e de regalo, não ligamos em contar a sua ação. O tempo é uma vítima do descaso, dos homens que não perdem a razão.

Inserida por EvandoCarmo

CONSOLO PARA QUEM NÃO TEM UM FILHO NOBRE

Dizem, alguns pais,
" fui pai no tempo certo
e avô no tempo errado..."

E isso acontece, não raro
porque o filho não seguiu
o bom exemplo do pai.

Devia ser uma questão de DNA
como se espera da natureza
que árvore boa fruto bom produz.

Mas não se dá desta forma
ao juntar o caráter de pai e mãe
para criar outro ser humano
a porção boa se desgasta
e é certo que o filho
mesmo que se esforce
nunca será cópia fiel
de um apenas...

Aí entra o grande paradoxo,
o de que o amor
nem sempre soma as virtudes
o amor, quando acontece assim
pode ser a causa da involução
natural dos bons costumes!

Inserida por EvandoCarmo

CREPÚSCULO DOS DIAS

Na infância da existência
nossa consciência de tempo
e espaço nos iludia fácilmente
nos fazia ouvir sons inefáveis
de promessas de prosperidade
víamos imagens de um futuro sem dor
o sofrimento dos outros era só uma ideia
algo que não poderíamos compreender
nem lamentar.

Como criança, brincávamos
com sol durante o dia,
à noite com as estrelas
como se ambos fossem para nós
eternos amigos,
leais companheiros de viagem
rumo à eternidade.

Contudo, chega o crepúsculo dos dias
quando olhamos para trás
e enxergamos um por do sol,
outrora colorido
agora sombrio e cinza,
com um olhar distante e melancólico
reconhecemos que o tempo é inexorável
um pássaro mudo, que não canta mais
a canção favorita dos homens
os sinos que agora tocam
são ecos sem melodia definida
nossos ouvidos céticos não ouvem mais
os acordes da esperança.

Evan do Carmo 23/08/2018

Inserida por EvandoCarmo

"O inexperiente põe fé em tudo que ouve." Diz um provérbio de Salomão...Neste tempo de graves erros de avaliação, sobretudo em virtude da amplificação virtual do que dizem e pensam as pessoas, fica quase impossível saber se ainda existe alguém de bom senso, neste mundo polarizado, mundo em que o ego e a intolerância se faz presente nos espíritos beligerantes.

Temos sempre a ideia certa, a de que "o inferno são os outros."

Inserida por EvandoCarmo

Convive com os tolos,
em pouco tempo será um deles

Inserida por EvandoCarmo

MEU PAI

Em teu rosto posso ver o amanhã
tuas rugas são marcas do tempo
que revela a tua senil bravura
tua luta incomum pelo incerto
neste mar de ilusões e de agrura.

Sei das dores que velas escondido
na candura do teu velho coração
de um desejo por ti já reprimido
a incerteza da vida e do pão.

Tuas mãos calejadas de plantar a paz
de espalhar sementes de esperança
no teu fazer diário, como uma prece
que da fé carece homem e criança

Há em ti um enigma divino
que explica facilmente a eternidade
neste elo infalível de amor
onde o PAI cumpre o acerto da vontade
de no filho imprimir a sua alma
na perpétua lição de uma verdade

Inserida por EvandoCarmo

⁠SOBRE A SAUDADE
Nem me fale da saudade
Que arrebenta com a gente
Neste tempo diferente
Que a ausência se firmou
Como alma penitente
Sempre ao lado do senhor.
A saudade roí sem pena
Fez morada aqui no peito
Nem por força vai embora
Já não tenho este direito
De viver as alegrias de outrora
Quando o mundo era perfeito.
Hoje só respiramos por sorte
Quando a dor não está presente
É a saudade dos amigos
Dos filhos-netos e de parente
Mas o que de fato doí é saber
E viver como indigente.
Desprezado sem um abraço
Já que somos feitos assim
De carne e osso, sangue e afeto
Precisamos de carinho, olho a olho
De um sorriso bem contente
De alguém que esteja perto.

Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

Sobre a Einstein e a sua relatividade da noção de tempo e espaço.

Sim, podemos dizer que era poeta no mais alto conceito da poesia, um filósofo quântico. Contudo, sem metafísica explicita... hoje entendo o tempo como um metrônomo para marcar a felicidade...

Inserida por EvandoCarmo

⁠
MEU SONHO

Eu tenho um sonho, hoje ficou mais no campo dos sonhos...Contudo, houve um tempo, antes da pandemia, quando me dedicava totalmente à literatura, esse sonho era como um projeto de vida, e muitas vezes o vi realizado.

Hoje tenho dedicado muito tempo à música, que é, de fato meu primeiro projeto de vida dentro da arte como um todo...

Ah, vocês querem saber qual era meu sonho-projeto? Tenho pensado nele ultimamente, parece um sonho, para alguns beira à loucura, mas há sempre razão na loucura, e a minha, nesse campo, é ganhar um Nobel de Literatura.

Você deve se perguntar: Que obra tem este cara presunçoso para almejar tão delírio?

Bem, procurem meus livros, mas leia-os com verdeira motivação, e, se for bom conhecedor de literatura saberá, desde já, que meu sonho é algo provavelmente factivo.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Não importa quanto tempo passe
Se uma paixão não tiver se esvaído
No sacrossanto leito da cumplicidade
Se ainda não se consumiu no frio da ausência
Cedo ou tarde ela ressurge como um Vesúvio
Com mais força, mais dolorida, sem calma e paciência.

Inserida por EvandoCarmo

⁠
VESÚVIO

Não importa quanto tempo passe
Se uma paixão não tiver se esvaído
No sacrossanto leito da cumplicidade

Se ainda não se consumiu no frio da ausência
Cedo ou tarde ela ressurge como um Vesúvio
Com mais força, mais dolorida, sem calma e paciência.

A quem devemos a vida nos escravizamos facilmente
Quando somos pegos como vítima da paixão
Entregamos tudo nas mãos da criatura amada.

Nos redemos ao objeto dos nossos mais secretos desejos
A paixão é o encantamento mais sublime
Que acontece entre duas almas.

Fenômeno que descobrimos,
Mas que nunca dominamos
Nem entendo como surge.

Nem de onde vem esta vontade indomada,
Que às vezes dorme por décadas
Mas que de repente explode.

E arrebata o ser ferido ao inexorável conflito
Que mais uma vez fica sem saber o que fazer.

Se escolhe morrer sozinho e consigo levar seu mal eterno
Ou se dessa vez mergulha no fogo impávido da paixão
Evira fósseis de pompeia.

Inserida por EvandoCarmo

⁠O TEMPO LEVA TUDO

As coisas efêmeras, como a paixão humana e a dor de consciência, costumam mudar rapidamente suas intensidades. Isto se dá de acordo com os pontos de vista de quem as sofrem. Até as coisas materiais, como rios, mares e montanhas, podem ser despercebidas quando um viajante cansado se enfada de admirar a paisagem.

Neste caso, a culpa é sempre do viajante que não consegue travar um diálogo perene. Segundo Rochefoucauld, assim se dá com os sentimentos, como o amor e amizade.

Os homens andam muito cansados para carregar para sempre o peso de uma amizade; e um grande amor pode emagrecer e até desaparecer se for apenas alimentado com mares, rios e montanhas de saudade.

Inserida por EvandoCarmo

⁠⁠CONTRA O EGO


Fui menino, em algum tempo
logo homem me tornei
tive que aprender bem cedo
que a vida é uma escola
onde ainda eu nada sei.

Fugi da guerra do ego
tive medo de lutar
contra a cruel tirania
de outro cego me guiar.

Neguei toda metafísica
dos sábios do além-mar
aprendi com a natureza
que para se ver a Deus
não é preciso rezar.

Inserida por EvandoCarmo

⁠O SAMBA NÃO PODE MORRER,

Eu faço samba noite a dentro
Não perco tempo
Espero raiar o samba

Já fui um bamba
Na ladeira da Rocinha
A letra é minha,
Só me falta a melodia.

O samba se harmoniza
Mas não morre
Quem me socorre
É a poesia

Se alguém perguntar por mim
Diz que subi o morro
Pra cantar com o meu povo
Um samba novo, pra lançar no carnaval.

Do fundo do quintal
Escuto a voz de um coral
A me dizer, que o samba não pode morrer.
Que ele precisa renascer.

Que é preciso ver de novo
A alegria deste povo
Na Estácio, na mangueira.
Na ladeira da Rocinha
Já fui um bamba, hoje o samba
É quem dita a minha vida.

Na ladeira da Rocinha
Subi o morro para cantar
Junto com povo
Para aprender um samba novo
Para lançar no carnaval.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Oh, Nietzsche, filósofo tão sublime,
Nosso tempo ainda se curva a tua mente.
Teus pensamentos nos levam a um limite,
Ao ideal do super-homem, tão potente.

Pois o homem é um ser demasiado humano,
Limitado por crenças e valores.
O espírito livre, contudo, é soberano,
Encontrando a verdade em seus próprios amores.

Não há quem possa compreender,
A grandiosidade que está em nossas almas.
O caminho a seguir é se desprender,
E alcançar o ápice de nossas jornadas.

Sejamos então mais fortes a cada dia,
Que nasça em nós o melhor como guia.

Inserida por EvandoCarmo

Pré-socráticos

⁠A sabedoria dos pré-socráticos
É como o tempo, imensurável
Sua busca pelo imponderável
Os levou a lugares improváveis

Heráclito, um rio em constante fluxo
Enquanto Parmênides busca o imutável
Empédocles com seu amor impensável
E Demócrito vendo o mundo microscópico

Anaxágoras acredita no infinito
E Pitágoras nos números sagrados
Tales busca o elemento primordial

Filósofos que buscaram o incerto
E em seus pensamentos, o inimaginável
Porém, deixaram um legado inesgotável

Inserida por EvandoCarmo

⁠INVENTO E DISFARÇO

Passaste, tão bela, qual brisa ligeira,
Deixando um perfume que o tempo não leva.
Teu rastro, um enigma que o peito me crava,
Teus olhos, abismos, meu mundo exilado.

Nos labirintos onde me deixaste,
Procuro teu eco, a sombra que parte.
Não sei se existes ou foste miragem,
Mas vives em mim, como tatuagem.

És som no meu canto, segredo que guardo,
O perdão que não peço, o silêncio covarde.
Te perco e te acho na arte que faço,
E a cada suspiro, invento e disfarço.

Inserida por EvandoCarmo

⁠O Limiar

No limiar, onde o tempo hesita,
o vento não sopra e o silêncio grita,
há um abismo entre o que fui
e o que, talvez, nunca serei.
Ali, os dias se dobram em espelhos,
refletem rostos que nunca usei,
são máscaras deixadas pela alma
no altar daquilo que não ousei.
No limiar, a luz é frágil,
um fio tênue entre o claro e o escuro,
e os passos ecoam no vazio
como perguntas sem futuro.
O que há além? Um nome? Um rosto?
Um eco que devolve a vida ao posto?
Ou apenas o silêncio denso,
onde tudo cessa, até o intento?
No limiar, encontro-me nu,
despojado de sonhos, de medos, de véus.
Sou pó, sou tudo, sou nada,
um grão perdido entre céus.
E quando cruzo, se cruzo,
não levo certezas, mas sinto o pulsar:
um suspiro que rasga o infinito
e deixa o agora se perpetuar.

Inserida por EvandoCarmo

⁠O Artista e o Abismo

Se afasto a mão do ofício,
treme a lâmina do tempo.
As cores desbotam nos olhos,
as notas desafinam no vento.
]
É no vício do traço e da pena
que a ruína ainda se sustenta.
Se largo o verbo, me perco,
se calo o canto, me ausento.

E o mundo? Ah, o mundo...
segue órfão de beleza,
tropeçando no silêncio
sob a sombra da tristeza.
Quem se aparta do fogo,
gela na sombra do nada.

Quem solta o pincel ou a lira,
caminha sem luz, sem estrada.
Não me peçam que pare,
não me exijam o exílio.
Minha arte é meu fôlego,
meu abismo e meu alívio.

Inserida por EvandoCarmo