Versos de Porquê
O bem possui força de atração porque, consciente ou inconscientemente, todo indivíduo orienta suas escolhas para aquilo que considera desejável.
A razão aproxima os seres humanos porque procura aquilo que existe de comum entre eles, enquanto o fanatismo frequentemente transforma diferenças em fronteiras.
Nenhuma lei é verdade apenas porque foi escrita; sua legitimidade começa quando pode sobreviver ao tribunal da razão.
A lei deve limitar o poder precisamente porque o poder sempre encontrará razões para não se limitar.
Nenhum ser humano deveria transformar a própria força em direito, porque a capacidade de dominar alguém jamais produz, por si mesma, legitimidade.
Nenhum governo se torna legítimo simplesmente porque consegue fazer com que os cidadãos obedeçam; a eficácia do poder não é prova suficiente de sua legitimidade.
O conhecimento é poder porque aquilo que compreendemos deixa de ser apenas acontecimento e passa a integrar nossa capacidade consciente de transformar a realidade.
Conhecimento e poder se aproximam porque compreender as causas de um fenômeno amplia a capacidade humana de intervir sobre seus efeitos.
A experiência possui uma autoridade própria porque coloca as ideias diante da realidade e permite que a realidade corrija aquilo que o pensamento imaginou.
O respeito pela dignidade não pode depender da utilidade econômica de uma pessoa, porque a pessoa antecede sua função social.
Ninguém desenvolve sua identidade inteiramente sozinho, porque a personalidade também se forma em relações sociais juridicamente protegidas.
Um fenômeno não identificado não pertence ao segredo apenas porque foi observado por instituições militares.
O problema da consciência permanece aberto porque explicar função e explicar experiência são tarefas diferentes.
A opinião pública pode ser mais poderosa que muitas leis, porque o poder institucional governa comportamentos, enquanto a opinião frequentemente governa reputações e consciências.
Nenhuma instituição é racional apenas porque existe; sua legitimidade começa quando pode sobreviver ao exame da razão.
A verdade não se torna mais verdadeira porque possui maioria, tradição ou autoridade; torna-se intelectualmente mais resistente quando suporta a crítica.
