Versos de Porquê
Não desista!
Porque para toda tampa há uma laranja...
Não se trata de metades, mas de encontros de almas.
Não se trata de completar, mas de transbordar.
Escrevo porque sou livre.
Isso não significa que sou dona de mim ou dos meus sentimentos.
Mas sou livre o suficiente para transformar cada sensação, sentimento ou gestos em palavras.
Escrever o que sinto, sem precisar mascarar nada...
É isto que me torna livre...
E não há quem possa me dizer o contrário!
Amor
Que chegue na hora que desejar
Que não prometa
Para sempre ficar
Porque toda promessa é dívida
Cá entre nós
Prometer é perda de vida
Desejo somente
Que entre sem pedir
E que me deixe inteira
Na hora em que partir
E se não quiser partir
Que fique então
Mas saibas
Que em meu colo
Há fome de amar
Não haverás de encontrar mansidão
E se ainda assim
Quiseres ficar
Que não sintas medo...
...De me amar...
“Por trás das nuvens que tentam sufocar a noite, a lua resiste em silêncio — porque sabe que nenhuma barreira é capaz de conter aquilo que nasceu para brilhar.”
— Maurício Fernando
"Não peço a Deus nada Material,
porque isso, eu mais quero que
preciso, Deus me dá o que
preciso e que as vezes nem
sei que eu quero"
A maior mentira é que você precisa lutar para ganhar a vida.
Se você já nasceu é porque já está com a vida ganha.
Você precisa lutar para recuperar o que roubaram de você.
A nossa liberdade, hoje vivemos encarcerados acreditando em toda essa mentira.
Parto sempre em vantagem em relação aos meus opositores, porque eu,
sou sempre eu, e eles, não sabem o que são.
SAUDAÇÃO DE UM BICHO
Nunca eu vos enganei
Ó gentes do meu amar
Porque haveria eu de vos lograr
Se não sei o que sequer serei?
Tal e sempre por bem vos amarei
Com raízes espetadas no coração
Que alimentam como se fosse o pão
Vivo de esperança, ai, eu o hei!
Trago-vos vivos no meu olhar
Aqueço-vos na minha fogueira
Mesmo que ela apague a noite inteira.
É este o bicho homem a saudar
Outros da mesma massa de amassar
O pão da vida ainda por levedar...
Carlos De Castro
Finisterra, 26-05-2022.
DIZ-ME NUM VÓMITO
Diz-me, porque estás triste ?
Amor rebelde, sem meu coração
Do sangue que pedias
Com a tua espada em riste,
Nessa mão,
Tremulando
Velhinha de emoção
Como a minha ficando
Apalpando o que não existe.
Diz-me, porque estás triste ?
Assombramento meu,
Sempre ao cimo da minha cama
De penas,
Tão apenas
Nas noites claras de breu,
Quando eu tinha medo de mim
Ao subir as escadas da cama musical
De bacanais infernal,
Que dizem ser ruim,
Até a do Orfeu.
Maldito seja eu
E quem me desafia
Em euforia,
Nesta noite tão só, tão fria,
Em que vou, sem vir
Mais que tempo de ir
Sem pena
Nem pensar
De voltar.
Diz-me, porque estás triste?...
(Carlos De Castro, " in Portugal Sem Censura, No Brasil, Sim", Em 06-09-2022)
Não sei como nem porque, troco muitas vezes o nome, a graça, a pessoas como eu.
Mas quando se trata de bois, nunca lhes troco o nome, pelo contrário: anuncio-os aos quatro ventos, sem medos, comichões ou outros pruridos.
NÃO SEI
Não sei
O porquê
Da tua altivez.
Da tua barriga
De rei.
Só sei,
Que uma rosa
Com espinhos
É mais apetecível que tu.
Ela,
Tem flor
E espinhos.
Tu,
Só tens espinhos.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 04-10-2022)
F A R TO
De ter esperança em mim,
Fartei-me de ti.
Esperança de mim em ti,
Nem assim, porque sim.
Nunca mais acredito
Na bonança
De uma esperança
Feita rito
Que dizem, sem saber
Porque é a última a morrer,
Se calhar, num grito!
Como se eu não estivesse
E ao demais não parece
Farto,
Infarto,
De crer.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 21-10-2022)
C O N V I T E
Apareça, quem de mim gostar
Só hoje, sem choros, à beira do rio,
Porque amanhã cedo, o navio
Parte comigo para outro lugar.
E eu não sei se lá vou chegar.
Pode até o navio ao longe, naufragar.
Ou dar-me vontade de defecar
De pé, em cima das ondas do mar.
Aqui vos deixo o convite.
Depois, não me venham dizer
Por palpite,
Que era melhor eu ser
Sem parecer
O Eu,
Que não o Outro,
Que vos enviou o convite.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 04-11-2022)
CRUEL DESTINO
Pedem-me amor
E eu não sei o que isso é;
Porque nunca o tive ao pé
De mim.
Assim,
Não sei se ele é dor
Ou prazer do início ao fim.
Pedem-me poemas
E eu não sei o que isso é;
Porque, malditas as minhas penas:
Poemas, será gente de fé?
Não quero nada,
Porque nada sei dar
Desde menino,
A não ser meu cruel destino
De querer amar
No já,
A quem nada me dá.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-11-2022)
NA TERRA DOS ESTARRECIDOS
Lá, na minha terra, gostam de mim,
Mas muito ao de longe,
Porque ao longe,
Assim
Feito num monge,
Não lhes calco os calcanhares
Nem lhes corto os discursos,
Iguais aos dos ursos
Arraçados de muares.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-11-2022)
A quem sabe, nunca esquece.
A quem não sabe, não esquece nada, porque nunca soube nada para esquecer.
PORQUE ME LÊS
Tem cuidado,
redobrado.
É a mesma coisa que perderes-te
No emaranhado das coisas da vida,
Ou gastares cera com tão fraco defunto.
Nunca conseguirás agir e dizer-me
Ou desarmar a ratoeira preferida
Dos poetas menores de corrente suicida
Que na vida da morte, caçam o verme.
Tantas vezes as parábolas minhas esquisitas,
Digo-o, sem rebuço ou falsas conquistas,
Fazem da minha figura em termo antigo,
Aquele que ainda diz: Só sou teu amigo,
Quando me deres, o que muito me apraz,
O teu cumprimento de frente e nunca detrás...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-09-2023)
DIVAGAÇÕES
Eu já nem sei o que sou,
Porque vim e aqui estou,
Para onde vou
Neste barco que me castrou
Sem remos de princípio ao fim.
Só sei que não vim por mim...
Se viesse, não estaria aqui,
Neste degredo,
De vos revelar o segredo
De uma vida que vivi,
Sempre na escuridão do medo.
E é por isso que vou
Com meu pincel e apenas,
Borrar um quadro de penas
Na tela que Deus traçou.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-10-2023)
ESPERANÇA E VIDA
Ando por cá, pela esperança,
Já porque a vida
Prometida,
Foi-se esvaindo
Desde o passado findo,
Rumo a um sonho de mudança.
Um poeta jamais descansa,
Sempre que descreve as dores
Que o espetam como uma lança,
No peito dos seus fervores.
Foi uma vida de dissabores,
De desgostos e alguns amores,
Num nascimento talhado
Debaixo dum pobre telhado,
Numa noite fria e breve
E dizem que caía neve
Gélida, branca e borralheira,
Nas mãos da minha parteira.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 26-11-2023)
NATAL DA REVOLUÇÃO
Natal. Que revolução
Vai dentro de mim, agora:
Porque não veio o nevão
Da neve cinzenta de outrora?
Falo pelo país de mim,
Gente pobre e tão feliz,
De ser pobre e mesmo assim,
Numa esperança sem raiz.
Mesmo sem o tal nevão,
Do frio da nostalgia,
Eu prefiro ser chorão,
Que profeta da idolatria.
Haverá Natal de conceito
Sem aquela representação
Dum presépio tosco e feito,
Pela minha própria mão?
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-12-2023)
