Versos de Coração
No absoluto do Cerradão
plena sob o Pequizeiro
generosamente carregado,
Com o coração indomado,
e brio de Ipê-amarelo
plenamente em floração.
Ser escolhida ou opção,
prefiro escolher e ser
por total determinação;
Ostento o imparável
e a convicção selvagem,
não cairei em rendição.
Desfilam em noite de céu
aberto do céu olhar lindo
Acrux, Mimosa e Gacrux,
Em retribuição e destino
o céu do meu olhar Carnaval
faz com Imai, Intrometida,
Sirius e Canopus e Spica.
E Procyon, Antares, Rigel
e Betelgeuse começam
a aparecer entre olhares,
Não sei se foi um sonho
com os olhos abertos,
tenho te sentido comigo
pelos lugares, e universos.
As chuvas de março ainda
não vieram para lavar
e o coração renovar,
Guerras sempre deixam
lições para aprender,
E se eleger adversar,
o faça sem abrir frestas
para o inimigo externo
no território nunca entrar.
A paz nunca é perfeita,
e por menor que seja,
Cabe a gente preservar
como a Quaresmeira
que resiste o que passa
ao redor para a floração
neste tempo não faltar,
Espero contar contigo
para o melhor preservar.
Nós merecemos manter
o que é nosso intocado,
o amor no coração
e o olhar esperançado,
Para ninguém jamais
colocar aprisionado
o que nos move adiante
fazendo cada passo
resiliente e imparável.
LXXXIX
Quando Rodeio está em festa
o meu coração também está,
Por esta e por cada primavera
a alma sempre plena agradecerá.
Feliz por viver aqui neste rincão
que tem o Pico do Montanhão
diante da visão como inspiração.
Por hoje e por cada festa que virá
nesta terra onde a poesia perdurará.
A beleza primeira que sempre enredará.
Confissões embaladoras
com o afã de submergir,
e abrigar na sua respiração,
coração com o coração
no compartilhado silêncio.
Neste tempo talvez o mais
perigoso da nossa História,
que pede mel nas palavras
por mais que a realidade
flerte com o cruel e o covarde.
Deixar por conta os intentos
das quaresmeiras e as aleluias,
e encontrar sob a floração
da época os maiores motivos
para não apagar os sentidos.
Com o coração despreocupado
sem pedir nenhuma licença,
tenho sido o tão doce hábito.
Que no teu coração floresce
tal qual Guamirim-ornado
no ameno Outono catarinense.
Não tenho receio ou pressa,
porque a glória do amor
está escrita e nos prepara,
tudo sobre ti me faz fascinada.
Com solenidade, poesia
confiança, entrega e alegria
que a Deus pertencemos,
e só para ele nos dedicaremos.
(Agradecermos a Ele o amor
caminho ter nos ensinado.)
Iukê
O coração é Iukê batendo na terra
nas mãos dos Uapixanás
do Rio Branco até o Rio Amazonas,
O ritmo te põe hipnotizado,
pelas minhas danças embaladoras.
(De todas as existências sedutoras,
a minha é a mais encantadora).
Com os olhos e o coração
voltados para Deus
e o Hemisfério Celestial Sul,
Sempre recebo borboletas
como as melhores companhias,
A minha voz empresto sempre
a quem precisa nesta vida.
Livros, papel, caneta e poesia,
forte ligação com a Natureza
e com a minha Pátria nativa,
A influência indígena sempre
mantenho viva desde pequenina:
Assim fui, sou e sempre serei,
mantenho inquebrável esta grei.
No Médio Vale do Itajaí,
Borboleta é poema
no coração do jardim,
Do jeito que me vê
sou exatamente assim.
Não existe nenhuma
distância segura de mim;
pertenço ao coração,
à alma e ao pensamento.
No outono catarinense,
sou a flor persistente
do maracujá-silvestre
descoberta em maio.
Do sagrado ao abrir
e fechar dos teus olhos,
a insurgente favorita
e inabalável enigma.
Cada nova defesa vira
um brinquedo novo;
não me desmotiva
e alimenta a adrenalina.
Não nego que não exista
a emergência de amor,
embora a sedução convide
para o que não é só fantasia.
Existem entre hemisférios
mistérios que nos unem
Do meu coração para o seu
e do seu coração para o meu,
plenos no firmamento particular
e um paraíso amoroso a cultivar:
(Somos aves migratórias).
Disseste que amas
caminhar sob a chuva,
Para afinar a escuta
do seu raro coração;
sob o testemunho fiel
das luzes da cidade:
nos queremos com
toda a intensidade.
O prelúdio que nós
nos encontraremos
em profunda verdade,
nos ouvidos tem susurrado,
a surpresa inocente
do primeiro amor ardente.
Que está predestinado
que de mãos dadas,
nós bailaremos na chuva
e ao destino agradeceremos
com todos os doces beijos.
Com os pés descalços
nas brancas areias,
Com você no coração
navego em poemas.
(Sem testemunhas,
sem preocupações ou teoremas).
Seja na Capoeira, no Candomblé,
ou até mesmo na Umbanda,
o meu coração atende
ao toque do Barra Vento,
como fiel e protegida.
Este é o meu sentimento:
bater forte, como cada tambor
dos terreiro desta amada Pátria.
Na primeira linha de Xangô,
assumo-me herdeira
do poetinha do Brasil,
semeando esperança
para ser, sempre, vencedora
em qualquer demanda.
Depois de toda tempestade,
a bonança se anuncia,
e o meu Oxalá sempre será o maior;
só Ele é digno da confiança,
de toda glória e do mais alto louvor.
Na praça pública em exposição,
Contigo no meu poético coração.
Mesmo diante da tua silenciação,
O tempo estático como
monumento feito de bronze:
Traz para a poesia — a lapidação.
Todas as vezes que tentaram
fazer o coração quebrado,
Orgulho-me da intensa poesia
ter feito o coração intacto,
Fazendo dele preparado
para receber o seu maravilhado,
e deixar para trás todo o passado.
O meu coração é coração de palmeira
quando se trata de revolução.
Queira ou não, a primeira revolução
se começa com a barriga cheia.
Não importa o tempo e o quanto,
a vida de cada um tenha mudado,
Se no presente ainda é cobrado,
para nenhum de nós é passado.
Aqui quem vos fala é a poesia brasileira:
- Seja na dispensa ou na mesa,
voltem a plantar a palmeira Juçara!
Se a vida está cara, é porque foi
deixado para trás a alimentação originária,
e que até hoje ninguém se atentara.
Não existe o momento errado,
apenas o endereço errado.
No coração há o sentimento certo,
nos amamos e ainda nos amamos:
só ainda não não nos encontramos.
Escutando o canto da Jacutinga,
lentamente a aurora vespertina
beija docemente a Mata Atlântica,
o vento com leveza balança
a Juçara-de-espinho e a esperança.
Para recebê-lo, tenho preparado,
certamente a mais doce festança;
O que quero para nós é o que há
de mais raro e pleno de temperança
para viver do amor que jamais se cansa.
Do mesmo jeito dos místicos,
quebrando os arcos e flechas dos cupidos
e rasgando os manuais contemporâneos
de sedução que dizem ser estabelecidos
com o orgulho de ser os últimos românticos.
Os olhos e o coração
florescem, tal qual
tajy no Rio Paraguai,
sob o céu austral,
Sempre que percebo
os teus bonitos sinais,
porque a diferença
para mim tu sabes que faz.
Revoada de papagaios
neste rio que nasceu
filho dos payaguás;
Mergulho acompanhado
do amor em prelúdio,
não quero adiar mais,
porque aprecio tudo
o que sempre me trazes
em todas as tuas fases.
Nas tuas mãos quero
ser a fera macia e domada,
a harpa etérea e afinada
que ecoa a melodia cristalina
com fascinação, a magia
e a potente inspiração
que nos una a América do Sul
em sagração a cada estação.
Tudo o que pedires e me deres,
seja em silêncio ou não,
em entrega e sedução
com prazer farei muito mais
para não deixar nada faltar,
e ser o teu abrigo e fonte de paz.
Encontrar no Araguaney em flor,
como prova de amor e lirismo
latino-americano no coração,
nas tuas mãos se entregar
no embalo emotivo do Joropo,
como o curso do Rio Orinoco.
Deixar que a urgência de amar
domine absoluta os sentidos,
e que se cruzem os destinos
no mesmo passo e ritmo,
para que não se conheça
mais os anteriores caminhos.
Entender que o amor é mistério
que não precisa ser explicado,
mas que precisa ser vivido
intensamente acompanhado
com desejo, entrega e calor,
contigo gamado aqui do meu lado.
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