Poemas de reflexão curtos que dizem muito em poucos versos
Eu amei e perdi.
Amei de novo
e perdi
Amei outra vez
e perdi
Amei novamente
e perdi
Ainda amo
e perdi
Tif tif...
Quando implorava por sua atenção;
Tal quase nunca foi correspondida;
Quando clamava teu perdão;
Minhas desculpas nunca foram atendidas;
Agora que me vens a questão, em outras ocasiões me amarias?
Oque eu sinto é solidão;
Me encho em tristeza;
Me dopo em abandono;
Sinto o porre do silêncio;
Me questiono se isto é paz, ou desespero.
Podem tirar minha paz
Podem tirar minha alegria
Podem até tirar minha vida...
Podem me dar ponta pé
Podem pisar e chutar o meu boné
Nunca vou me curvar
Porque não podem tirar minha fé
- Espinhos e flores -
Te quero rosa celestial,
Margarida vital,
Do ocaso irreal.
Amo-te puro lírio,
Essência de meu delírio,
Espinho do meu martírio.
Por que poeta,
Por esta flor te encantastes,
Não sabes que com espinhos,
Ela pode perfurar-te.
Fingimento
"Vomito palavras em sua página.
Você diz não entender minhas falas,
E eu digo não compreender seus gestos".
Aquela que vos fala
"Sou a pessoa falada,
Falante,
Calada,
Lavada,
Quieta,
Distante,
Ignorada e ignorante.
A ambiguidade da verdade;
Um livro na estante."
Teus lábios;
Não finos;
Não grossos;
Paraíso;
Me entrego a isso;
Vá e não me deixe indeciso;
No seu coração ressuscito;
Como fogo ardente me prontifico;
A ti, em ti, eu vejo o paraíso.
Brilha brilha estrelinha;
Pois cansei de brilhar;
Cansei desta mania;
De tentar alcançar;
Me deixe descansar;
Quero ver você brilhar;
Brilha brilha minha estrelinha;
Quero ver você brilhar.
Canção dos rebeldes cansados
Quem sempre poupou o sapato
Jamais o viu ficar com furo.
Quem nunca esteve triste ou farto
Também jamais dançou, no duro.
Se o seu sapato se desfaz
De gasto e assim como você
Foi só pra se chutar, é mais
Feliz que você, pode crer.
Pondo o pé na cova é que nós
Bailamos com mais galhardia.
Do último furo Deus sopra
A mais bonita melodia.
Eu o sobrevivente
Sei naturalmente: apenas por sorte
A tantos amigos sobrevivi. Mas hoje à noite, em sonho,
Ouvi esses amigos dizerem de mim: “Os mais fortes sobrevivem.”
E tive ódio de mim.
tudo o que existe, acaba
inacabável, só o vazio do espaço infinito
que é feito da mesma matéria
dos amores da vida
de todos defuntos não correspondidos
Creio estar cheio de mentiras,
Pois penso demais.
Ao escrever poesias penso mais do que sinto,
Minto,
Não sou poeta,
Apenas um escritor sucinto
Eu vou pra longe.
Não vou ficar aqui.
Não vou te esperar.
Eu não vou esperar ninguém.
Só o meu próprio tempo.
Assim, eu vou embora.
Alegria
Não essa alegria fácil dos cabritos monteses
Nem a dos piões regirando
Mas
Uma alegria sem guizos e sem panderetas...
Essa a que eu queria:
A imortal, a serena alegria que fulge no olhar dos santos
Ante a presença luminosa da morte!
Interrogações
Nenhuma pergunta demanda resposta.
Cada verso é uma pergunta do poeta.
E as estrelas...
as flores...
o mundo...
são perguntas de Deus.
