Poemas de reflexão curtos que dizem muito em poucos versos
OITAVO HEXÁSTICO
poetas líquidos não enformam
voláteis são vãs plantações
semeadas em campos estéreis
espigas de milhos sem grãos
debulhadas não dar para o pão
não mata a fome de inférteis
NONO HEXÁSTICO
brisa cálida… envolvente
afasta de mim esse cálice
nunca mais o beberei
jamais quero a embriaguez
soberbia e sucesso vãos
póstumo caminho eterno
DÉCIMO HEXÁSTICO
desejo é toda potência
motor de toda existência
valor supremo dessa vida
intrínseco da natureza
convenções jamais o impedem
sagrado faz-se eterno verbo
DÉCIMO PRIMEIRO HEXÁSTICO
a dor me cobre a ossatura
invade a carne de tod’alma
s’instala na tumba da carne
alimentando pensamentos
desconstruind’identidades
valores morais sedentários
DÉCIMO SEGUNDO HEXÁSTICO
Onde some o ser humano
resta tão-somente o homem
prisioneiro do si mesmo
fluídico e sem forma própria
agrilhoado à sua caverna
é sombra sem a luz do dia
Um dia a gente cresce
A casca um dia racha
Mas a essência permanece
A felicidade pode estar escondida num familiar cheiro de mato
De quando éramos crianças
Naquele lugar que fazia a gente correr solto
Cheio de alegria entre o orvalho
Quem disse que hoje tem que ser diferente?
Como é bom descobrir que é simples ser contente!
DÉCIMO TERCEIRO HEXÁSTICO
não bastais com incompetência
até quando há de sangrar
a miserável paciência
manada rum’ao precipício
metadestino imanente
glória do rei concupiscente
DÉCIMO QUARTO HEXÁSTICO
o discurso e a modernitude
túnicas de líquidas almas
escarros de um mesmo beijo
adubam todas mentes dóceis
sombras eternas do humano
presas na tumba do decano
Perdi algo que tanto procurei,
Perdido de tantas vezes que chorei,
Palavras frias que usei,
E assim sempre me machuquei,
Aqui perdido na escuridão cheguei,
E de certa forma o enforquei,
Sobre o luar te mutilei,
Agora nesse frio me abandonei.
DÉCIMO QUINTO HEXÁSTICO
canalhas de plantão venceram!?
‒ virtude e ética não se fazem dos seus atos ‒
dignidade só restará
quando só consciência plena
no horizonte fixar a pena
de toda liberdade eterna
Expostos à efemeridade
caminhamos para onde reluz
o ponto iluminado do sentir
em passos silenciosos
essa noite você o meu sonho visitou
e como um poema surrealista
de nuvens mares e azuis meu sonho inundou
ao longe o som do vento ouvi
e a noite imensa se tornou ao tilintar do teu nome
uma palavra permanece ao nosso alcance
lá onde os sonhos habitam eternamente.
Rabisco nas nuvens
pensamentos absortos
pequenos relâmpagos faíscam
e abraçam o imponderável.
Toda palavra é precipício e salvação
chuviscos dentro da alma
invadindo o porão de lembranças.
DÉCIMO SEXTO HEXÁSTICO
minha boca tão assim calada
meu corpo tão assim distante
meu abraço jamais revelado
justificam minha desordem
imanência de qualquer nada
neste abstrato mundo líquido
Cores maravilhosas
Em nuvens formosas,
O céu brinca de me hipnotizar
Enquanto estou a olhar
Esse maravilhoso lugar,
Ninguém precisa estar
No vigésimo andar
Para poder observar,
Basta prestar atenção
E verá então
Maravilhas que parecem ilusão.
Lindas esferas de plasma no céu
E eu aqui dentro de casa "preso" como réu
Para responder ao juiz chamado céu
Pelo crime de não ir observá-lo,
Oque me diz agora meus fones dourados?
Vocês vão ficar ai parados e deixar eu ser condenado?
Toque minha playlist agora!
Para acabar com a tristeza de não ter olhado
Maravilhas celestes que me deixa tão encantado
DÉCIMO SÉTIMO HEXÁSTICO
baila com a modernidade
sem consciência quaisquer
como um anjo desgarrado
sem qualquer virtude ou ética
de toda sorte miserável
todo sujeito pós-moderno
TUDO OU NASA
a distância equivale ao peso no teorema astrofísico dum corpo em relação ao outro
no espaço em que saudade é fenômeno
legitimado pela NASA
vist' a olho cru
sob a tese da reatividade geral
cuja velocidade - em Áries -
é anti gravitacional
anti racional
mais poema
do que
ponto
