Verdade
O Amor de verdade
Quando chega
Não carece de brilho no olhar
Não precisa acontecer
Numa noite enluarada
Tampouco ser perto do Mar
Ele vem assim
Sem que ninguém o traga
Vem no vento
Pela força do destino
e te encanta
Mais que tudo
Que tenhais visto antes
Aquela moça
Te faz sentir
Que não és nada
Além de um mero menino
Perdido e apaixonado
Que não precisa de mais nada
Nada além
daquela moça
Sempre ao seu lado
E pra sempre por perto
e assim, te fazer saber
Que tens sorte
Te tornar
conquistador do Mundo
Alguém mais forte que a dor
Não haverá
nada que te faça ver
a cor dos olhos
ou dos cabelos
Tanto te faz, meu rapaz
Serão sempre os mais lindos
Aquilo que te prenderá
Será o aroma
que vier da alma
E que há de te inebriar
A vida inteira
Será
O amor que tanto queria
Aquele
Que pediste a Deus, um dia
Acabaste de conhecer
O teu amor verdadeiro
Cada pessoa
Que Deus coloca neste mundo
Traz consigo uma verdade
E Deus lhe confia
A possibilidade
de melhorar
Um pouco este lugar
E dividir
Com as pessoas ao redor
Aquilo
Que de melhor puder
Trazer e dividir
Alguns fazem Ciência
Outras fazem Arte
Outras mais, exemplificam
Outras, coitadas
Por pensar
Somente em si mesmas
e não conseguirem fazer
Nada de original
e fazem igual
A quem só quem faz o Mal
E enquanto a Deus Convier
Lá de cima, Deus aguarda
Que cada homem e cada mulher
Aprenda
E enquanto isso
Cá embaixo
Uns vivem
Outros se encaixam
Conforme lhes convém
E cada um
Vai deixando no mundo
Um pouco daquilo que tem
Até não restar mais ninguém
Meu olhar pela janela
Contorna o mundo
desisto de procurar-te
Verdade
Fecho os olhos
Imprimo-te na retina
Vou te vendo e vivendo
Vivendo e sonhando
de vez em quando
Eu tenho algumas ideias
Medéia
Ah, meu Deus
Como eu queria
Viver tantos sonhos
Abro meus olhos, tristonhos
Penso em pão e poesia
Eu e ela na janela
Felizes
No final de mais um dia
Nesse tempo e nesse lugar
Um pouco de paz
Nenhuma saudade
Somente felicidade
Tudo mais
Conforme vier a vontade
a gente faz.
Um amor com sentido.
Eu quero um amor que me ame
Um amor que não me amou
Pois, a bem da verdade
Não existiu, não ensinou-me amar
Eu, por não saber o amor
Não o sei dizer como é
Eu quero que um amor me queira
Sem saber que me quer
Um amor que ame sem pensar
Que chame meu nome
De maneira inconsciente
Que fique contente ao saber de mim
Sem saber nada a meu respeito
E que mesmo assim
Esse amor me ame do mesmo jeito
Que acorde com saudade
Que se deite tarde da noite
Feliz por saber que existo
Triste por eu não estar por perto
Um amor que espreite
Atrás da grade da janela
Esperando eu passar
Tentando ser discreta
Feliz por me amar
E que não desperte suspeita
Que ama
Mas que ame sem medo
E que tenha grata esperança em meu lugar
Pois viver sem ser amado e nem querido
É coisa que cansa, mas não mata
Mas, em virtude dos amores ruins
Que eu sei que existem nesse mundo
E quando a gente pensa
Num amor que sempre quis
E sabe possível haver amor assim
Meu espírito feliz, consente
E é nesse momento
Que a vida passa a fazer sentido.
Edson Ricardo Paiva
Sobre a faculdade
Que todos nós possuímos
De crêr e pressentir e intuir
e transformar em verdade
Coisas e lugares
Onde antes havia o nada
Tudo isso acaba por conferir
Uma espécie de divindade
A cada um de nós, gente comum.
Sobre a possibilidade
de querer manipular os fatos
Acrescentar e subtrair
Algo de algo
Que há de ter existido, acontecido
e permanece abstrato
E absolutamente não levam a nada
Sempre haverão de comprovar
A nossa desastrada humanidade
A triste realidade
da nossa natureza
E toda a inferioridade
que, infelizmente
Certamente
Possuímos
Aqueles que a isso vivem
Não deveriam ter o direito
de possuir nada
Pois não tem posse
Assim como jamais
Pertenceram sinceramente
ao grupo dos que possuem direito
a estar no coração de alguém.
Edson Ricardo Paiva.
Quando houver na gente
Aquela vontade exigente
de querer saber de verdade
Como se deve agir
Pensemos, então
Será que temos a alma leve
Existe paz no meu coração?
Nesta breve existência
Não é tudo que se corrige
Não precisa haver
Sempre rima em todo poema
porém
Se não existe harmonia
nas coisas do dia a dia
A orquestra da vida destoa
Ninguém poderá pra sempre
viver somente
Aquilo que queria
E ao final não descobrir
Que por viver desigual
Viveu uma vida a toa.
Edson Ricardo Paiva.
Eu hoje acordei mais tarde
Pra falar a verdade
Não sei dizer se eu dormi
E enquanto aqui
Tranquei-me em meu escuro
Apagado em mim mesmo
Sem sentido ou ressentimento
Me anulo
Pensando em palavras bonitas
Que agora não coadunam
Porquanto jamais foram ditas
Nesse instante eu concluo
Que o ouro, em certas horas
Acaba por ser o mais importante
Mas verdade
Isso
Se diz...ou não
Promessas se perde de vista
Coração, se comove ou magoa
Riquezas se acumula
Mas amor ...
Amor se conquista
Uma vez conquistado, se preserva
Pra preservar se respeita
Amor desleal
Pé descalço deslizando em lamaçal
despedaçar joia rara
não ouvir som de lira
Fazer em cacos cristal
Tem coisas na vida
Que transformam beleza em coisa
E enquanto coisa
Torna-se a tudo mais um
Na vala comum
Um mais um não tem diferença
Apesar de tudo que se pensa
Foi-se a graça, não faz mal
Não passa de coisa igual
.
Edson Ricardo Paiva.
Anoitece outra vez
Acaba mês, começa dia
Se eu conhecesse a verdade
Contava pra todo mundo
O valor de cada segundo corrente
Existente roda do tempo
Onde cada momento
Representa a uma ínfima engrenagem
Um fragmento de fração
Eu penso em nem pensar, mas penso
No silêncio do relógio, que tiquetaqueia
Permeando o bojo da vida
Fortalecendo o fraquejar da vontade
Que eu sei, haverão de ecoar
Por toda uma eternidade
Perdidas, irremediavelmente perdidas
Por detrás do vidro convexo
Que expõe pra todos nós
E ao mesmo tempo nos afasta
Dessa relógio gigante, chamado Universo.
Impedindo-nos de tocar nos ponteiros
E parar, nem que fosse por um único instante
O tempo que se vai ...e nos arrasta
Pra algum lugar muito além
de qualquer coisa que talvez
Alguém pense em chamar de fim
E enquanto isso
Amanhece outra vez.
Edson Ricardo Paiva.
Por mais que a verdade doa
Nunca minta pra si mesmo
Como quem mente
Com tanta desenvoltura
Que chega a crer
Na verdade das próprias mentiras
E jura que viu o não visto
Quando nega ter feito o malfeito
Insiste em não ver o que vê
Mas o tempo vai passando
E desvenda o oculto
A verdade mal contada
Um dia destoa na orquestra da vida
A lágrima contida
Com certeza um dia vai rolar
Se quiser, aproveite a hora pra chorar
Todo mundo sabe
Não existe um choro reprimido
Que um dia não doa
E dor, se muito guardada
Quando manda uma notícia
Não costuma ser notícia boa
Nem sempre sorriso é alegria
Assim como rotina
Não precisa ser igual todo dia
Alguma coisa acontece
Não há nada que se faça
Ou se possa fazer, quanto a isso
Existe um compromisso
Selado, assinado e não-escrito
Aproveita o teu tempo bonito e sorria
Mais dia, menos dia
A vida acontece
E quando acontece
O igual não é mais igual
Pra bem ou pra mal
As coisas mudam
São mudanças que se queria
Quando se queria que nada mudasse
Que bom seria
Se o mundo soubesse sonhar
Pois a vida acontece
E às vezes acontece
De um jeito que ninguém
Nem sequer sonhou que aconteceria.
Edson Ricardo Paiva
Vita.
Nesta pouca vida
Quase tudo é verdade inventada
Uma grande quantidade de ar azul
Deserto suspenso, que de perto, é nada.
.
Penso ser tudo olhar da mente
Todo dia é sempre dia
de partida, chegada e olhar desatento
O mundo gira pro mesmo lado, sempre.
.
Essa vida é um castelo de cartas
Uma folha no chão
Uma pluma no vento.
.
Pluma, vento, chão , mente que mente
A gente só vê ao que quer e inventa
Quando a lente do olhar aumenta: é o nada.
Edson Ricardo Paiva.
Existe alguma coisa em minha vida
Que eu na verdade
Nunca soube entender muito bem
Parece que em algum momento
Eu devia ter caído em algum abismo
Um lugar que era frio
e não cai
mas deixei por lá uma parte de mim
O difícil em conviver com isso
É que as coisas que ficaram
Eram de lá
Me acompanha o vazio
Não das coisas que perdi
Pois nada nunca me pertenceu
Me acompanha o vazio
Do espaço oco reservado a mim
De um lugar que jamais foi meu
Mas em contrapartida
Aprendi com a vida
Não mais pertencer a um lugar
Nem a nada e nem ninguém.
Edson Ricardo Paiva
"Engraçado como são sempre os mesmos aqueles que desconfiam quando é bom demais pra ser verdade, mas aceitam sem relutância a tudo que é ruim demais pra ser mentira"
Edson Ricardo Paiva.
Um anel de brinquedo
Um amor de verdade
O bolo feito com carinho
A falta de jeito ... a ansiedade
A fotografia de um final de tarde
Explosão no Céu escuro
Lua clara no horizonte
A marca solitária dos meus passos
A palavra saudade ...só pedaço de papel
O chá que queimou-me a língua
de tão quente
O preço de tudo isso
É o quanto vale pra gente
E não o valor que o mundo lhes dá
Pois a bem da verdade
O mundo mente.
Edson Ricardo Paiva
Conhecem o ditado que diz que o pior cego é aquele que não quer ver?
Realmente é verdade...
Quantas vezes insistimos em não ver, seja por medo, seja por interesse.
Qualquer que seja a razão devemos estar atentos para que os olhos vendados não prejudiquem outras pessoas.
Jesus disse para amar os inimigos, não é verdade? Vou colocar em prática e tentar amar o meu pior inimigo: eu mesmo!
