Verdade
A verdade é uma velha sábia,
A beira do caminho catando sementes.
Observando a mentira passar,
Causando redemoinhos.
Se explique pra sua saudade,
O que você fez com sua verdade,
Quando tive interesse em te fazer perguntas.
Amar de verdade é se desarmar por inteiro e saber que a própria pele fica exposta ao vento mais frio.
Amar de verdade é aceitar que a felicidade do outro importa mais do que a sua posse, mesmo que o custo seja o silêncio e a distância.
Amar de verdade é ter o coração partido pela própria capacidade de sentir tanto em um mundo que se contenta com tão pouco.
Tentei proteger o coração do excesso, mas quem ama de verdade não sabe dosar a entrega; ou se dá por inteiro, ou não vive.
A maior prova de amar de verdade é quando a alma dói de tanto sentir, e ainda assim, o coração se recusa a se fechar.
Riqueza de verdade é usar tecnologia de ponta para conectar milhões de mentes em prol do desenvolvimento e da dignidade humana.
Quem ama de verdade aprende que o amor puro não busca garantias; ele salta no escuro sabendo que a queda faz parte do voo.
Dói amar de verdade porque o afeto autêntico exige uma honestidade implacável com a própria alma, sem espaço para distrações ou mentiras confortáveis.
Sentimentos são estranhos.
Eles não sabem o que querem
de verdade, apenas aparecem
Sem explicação do que podem
ser e do que querem falar
de quem ou por quê.
Deveria existir uma máquina
de identificar sentimentos.
Assim eu poderia evitar eles.
Se você olhar com presença para o que se repete, vai descobrir que nada se repete de verdade. O mesmo sol nunca nasce igual, e a mesma xícara, hoje, pesa diferente na mão. Há um mistério miúdo em tudo o que insiste em parecer comum.
Acontece que a pressa cega os detalhes — e o mundo, quando não é olhado, encolhe. Vira rotina, vira parede branca, vira som de relógio sem música.
Mas se você se inclina, se chega mais perto com a delicadeza de quem escuta o segredo de uma folha, verá que há universos escondidos nas frestas. Um vento que passa entre duas árvores pode ser uma dança. Uma sombra no chão pode ser um poema que ninguém escreveu ainda.
É só questão de treino — desaprender o óbvio, reaprender o espanto. Porque o essencial não grita: sussurra. E só escuta quem vive devagar o bastante para se surpreender com o que já estava ali, pedindo para ser notado.
