Veio e Passou como um Cometa
Eu penso em como será
No dia em que a gente parar
Pra pensar em como teria sido
Tem horas que posso ver
Até as cores dos vestidos
Mesclados de amores vindouros
Cabelos floridos
Mulheres do passado
Homens de riscado
Talheres de ouro
Mas precisamos aceitar
Que tudo isso
Hoje é um sonho
E que está tão longe
Sorrisos guardados
Que podiam ser ridos
Esquecidos
Eu penso em como seria
Se fôssemos precavidos
E tivéssemos cuidado
de... juntos
Separar as pedras
Aquelas, que agora hão de ficar
Eternamente juntas
Nós não vamos saber nunca mais
Quão bela coleção de poesias
Poderia estar oculta
Aquelas
Que jamais vamos lê-las
Numa tarde de alegria passageira
Que podia ter sido
Eternamente verdadeira
Mas a gente foi deixando
Pra um dia depois
Eu penso em como será
Quando todo mundo perceber
Que podia ter sido
e não foi.
Edson Ricardo Paiva
Eu peço ao dia de hoje
Que ele esteja vivo
E seja livre como o pássaro
Que fugiu quando eu abri a porta
E que se a vida pudesse
Ser ao menos boa
e deliberadamente linda
Qual canto do grilo
Cantando pra Lua
Antes que finde a madrugada
E que a Lua empalideça
Grilada dos pés à cabeça
Carente daquela beleza
Que mata a gente de saudade
Mas que à luz da verdade
O morrer por saudade
Nâo seja morte que vem à toa
E quando a chuva cair
Ela jamais impeça
Que a gente peça ao dia
A presença
do pássaro que voa
Nem das flores
Que a chuva planta
Na beira das estradas
Que se percorre
durante o correr da vida
E se a vida puder ser assim
Não peço ao dia mais nada.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje
Eu ouço as vozes do passado
Claramente confusas
Como se fossem sementes
Que cairam no chão ao acaso
É preciso agora
O prazo de algumas vidas
Pois algumas vão germinar
Outras não
Mas olhando-as espalhadas
Não sei nada sobre elas
Entendo perfeitamente
Aquilo que meu coração me fala
E quando eu olho o campo das sementes
Ele apenas me aconselha
Pra eu deixá-las à distância
E jamais pisar em nenhuma delas
Desconhecendo a maneira correta
Em distinguir as boas novas
Daquelas que ultrapassaram
A iniqüidade de ser só ruins
Meu peito fala pra mim
Que afaste qualquer desejo de ir até lá
Hoje
São confusas as imagens que vejo
Como se fosse um nevoeiro sobre o campo
O Sol deponta entre nuvens
Em raios difusos
Após a chuva que caiu de madrugada
Agora, meus pés não são mais como antes
De instante em instante, passou-se a vida
E, em todo caso
Aguarda-se o prazo de algumas delas.
Edson Ricardo Paiva.
Não fico triste
Por não voar como os pássaros
E nem nadar como peixe
Penso
Imagino-me voando
Pertinho das estrelas
Deixo-me tornar todas elas
Em estrelas-do-mar
No mais profundo oceano
E vou lá
Pois os pássaros e os peixes
Não querem ser quem eu sou
Compreendo
Que as pessoas
Encontram-se perdidas
Pois estão
Mas, em segredo
Resta a mim
Meu medo
Pássaros e peixes
Não tem noção
Do ar e nem do mar
Tampouco sua finitude
Minha atitude perante a vida
É prosseguir vivendo
Sendo a mim mesmo sempre
Enquanto as pessoas
Não aceitaram ainda
A condenação
Nem mesmo
De vez em quando
Serem somente a si mesmas.
E são pássaros sem penas
Peixes sem olhos
Gente sem nada
Olhando a vida lá do alto
Sentadas em brancas estrelas
De onde caem toda manhã
E dão com a cara no asfalto
Assim que amanhece o dia
Enquanto isso
Eu dormia.
Edson Ricardo Paiva.
Eu não sei escrever
poesia bonita
Como as fazem os poetas
Mas a minha é sincera
Tão fingida
e mais mentirosa
Que as deles
Do jeito que se espera
Quando se lê poesia
Um pouco de versos
Um dedo de prosa
E inverdades
Das quais lanço mão
No formato de poesia
Deixo-as aqui
Pra não usá-las
no meu dia-a-dia
Diferente dessa gente
Que traz na ponta
da língua comprida
E não tem paz na vida
Se não conta.
Edson Ricardo Paiva.
Quando pensamos em vida
A nossa melhor comparação
Deveria ser a de saltar
Saltar, como em crianças
Apesar de toda insistência
De tentar vencer a vida
Ela não é luta
E nem concorrência
É momento, é riso, é vivência
Tem dias que é vento
Outras vezes é uma brisa
Pode ser também
Um jardim muito bonito
Mas as flores envelhecem
Exceto na lembrança
Onde permanecerão guardadas
A vida é uma estada espiritual
Não se leva nada
Não se guarda o viço
Ganha quem der mais risadas
Mas a gente tem que aprender a rir
Sem desejo de vitória
Antes, simples compartilhamento
Pra levar o amor nos olhos
Pra poder permanecer
Nos olhos de quem nos amou
E quando lembrar-se de saltar
Faça isso com a alegria da canção
E salte bem alto
E guarde esse momento
Pois a vida tem a duração de um salto
O tempo presente é abstrato
E o passado voou como o vento.
Edson Ricardo Paiva.
Deus deu asas aos pássaros
E deu a imaginação aos homens
Pra que homens
Como pássaros se vissem
E voassem mais alto
Que qualquer ave jamais imaginou
Deus deu olhos de ver
Às Águias e aos linces
E deu a inteligência aos homens
Pra que assim a gente olhasse
Com olhos da mente
Aquilo que não se vê
E enxergasse claramente
O que Deus pretendia de nós
Deus deu a intuição
Pra que todos os bichos
Soubessem onde é seu lugar
E perfeitamente adaptados
Aos seus nichos
Deixassem aos homens o mundo
Cada um
Segundo seus preceitos
Seguindo perfeitamente
Cada qual o seu destino
Conforme a vontade de Deus
E voando mais alto
E enxergando mais longe
Pensando, ao invés de intuir
Todos juntos
e sempre sozinhos
Somente o homem se perdeu
Não percebeu
nem jamais descobriu
Qual deveria ser
O seu caminho
Edson Ricardo Paiva.
Hoje o Sol
Parece meio apagado
Assim como
de vez em quando
Você tem a sensação
de ter sido
deixado de lado
E ficou sem nenhum amigo
Sorria
Feche os olhos
E voe até certos lugares
Onde normalmente você não iria
Enxergue que nesses lugares
Existe
Muita gente
Se sentindo assim, também
Elas são
Muitas mais
Que você pensa
A diferença existente
Entre você e elas
É que elas não contaram pra ninguém
E, talvez sua passagem por lá
há de deixá-las
Um pouco mais contentes
Pense somente
Que a sua solidão
pode tornar-se uma coisa boa
Pois dali
Haverão de sair
As palavras que vão melhorar
As vidas de outras pessoas
Não existe nada nesta vida
Que possa ser
pra sempre esquecida
E não há nenhuma vida
Que se possa viver à toa.
Edson Ricardo Paiva
A simplicidade
Nem sempre é uma coisa fácil
Como a menção da palavra
te pode sugerir
é bem complicado
Ser uma pessoa simples
Assim como a humildade
Te pode custar algumas quedas
Pois, nem sempre a realidade
Corresponde
Àquilo que está escrito
Simplicidade
é um estado de espírito
e é algo difícil de alcançar
por aqueles
Que enxergam somente
A superfície das coisas
e vivem a vida
Superficialmente
Simplicidade
é saber dividir
Tanto o ar quanto o ouro
é saber se doar
sem nunca esperar retorno
é aprender a aprender
Com quem aparenta não saber
é fazer sempre alguma coisa
por quem nunca fez nada por você
é entrar em contato com Deus
Mas não um Deus invisível
inatingível ou intangível
Mas saber e ter certeza
que Deus
Apesar de Preponderante
Pode sim, guiar os teus passos
e orientar a sua vida
a todo instante
Simplicidade
é não ter medo
das quedas ou das perdas
Quando se vive e quer seguir
A Aquele que te guia
desde o nascer do primeiro dia
até a hora derradeira
Simplicidade
é ir onde não se pode ir
enxergar o que não se pode ver
e quando voltar
testemunhar
Que a verdadeira fé
te faz acreditar no que não viu
pois pressente na alma
e ouve no silenciar dos ventos
A calma ardente
Que te faz querer somente
Viver a simplicidade
das coisas complicadas
e compreender que todas elas
somente são desse jeito
Porque a gente
Não tinha entendido direito.
Edson Ricardo Paiva
Imagine-se
Como se você pudesse
Fazer tudo que quiser
E pense como seria
Se acaso
Quando algo doesse
ou machucasse
A gente esquecesse em um dia
Tudo aquilo
Que só depois de anos
a gente esquece
Tente imaginar-se
Como sendo
Aquele prosaico inseto
Vivendo sua vida, quieto
Pousando de flor em flor
Buscando o seu pólem predileto
E, na sua simplicidade
Poder ser, aos Olhos de Deus
O ser mais completo que existe
Pense em quão bom seria
Poder levar
Um pouco de alegria
Ou talvez
A própria felicidade
A quem você visse triste
Liste, mesmo que mentalmente
Tudo que você faria
ou desfaria
E em quantos desejos secretos
Com o tempo, se esqueceu
E em tudo de concreto
Que a vida permitiu que você vivesse
E tenha sempre uma certeza
Que em qualquer dia desses
Você pode realizar
Todos os seus desejos
Transformar numa luz que brilha
Aqueles simples lampejos
Virar a mesa
Tudo isso sem precisar
Gritar nada disso ao mundo
Pense agora somente
Que tudo isso não está lá fora
Mas contido e escondido
No seu peito e na sua mente
Lembre-se sempre
No quanto é correto o viver
daquele inseto
Que você insiste em não ser
deixe-se invadir
Pela mera simplicidade
e espera
Que com o tempo
Teus olhos te mostrem a coisa certa
Ali se esconde toda a verdade
Pois
Só conhecendo a verdade
Você se liberta.
Edson Ricardo Paiva
Amanhã
Eu vou poder caminhar
Pra onde quer que eu queira ir
Eu vou ser como sempre quis
E ser quem eu mesmo queira ser
dai então
descobrir quem eu sou
E nunca mais vou precisar
Ser quem o vento levou
Mas serei quem sempre esteve aqui
em cada verão e cada primavera
Porém, na verdade
Nunca pode ser quem era
Sou aquele que o tempo transformou
Mas sempre permaneceu
O mesmo
Este sou eu
E apesar do cinismo da vida
Jamais se adaptou a isso
Pois eu sei
Que ainda gosto de dançar na chuva
E sou criança
e tenho medo de escuro
E ao mesmo tempo
O Mesmo
E mesmo que nada se mova
Se renova a cada dia
E preserva a alegria guardada
E continua sendo
Quem tanto queria
Aquele que não quer ser nada
Nada além daquele cara
Que ri de alegria
Ao final de cada dia
todo dia
Edson Ricardo Paiva.
Deixei de guardar as datas
Me esqueci de como fazia
Pra lembrar-me dos nomes
Faz tempo que não me ocupo
Com aquela antiga aflição
Que me fazia lembrar
Endereços e preços
Agora compreendo
Que coisas, cujo valor se mede
Não valem muita coisa
E que não existe um dia combinado
Muito menos um lugar certo
Pra que aconteça
de a vida da gente virar ao avesso
e descobrir
Que nomes ou endereços
deixam de ter importância
E que as coisas realmente importantes
Podem estar bem perto,
Ou distantes
Não existe certeza
Pra nada
Aquilo que vem
Sem nome, lugar ou hora marcada
é que realmente vai fazer
A gente acordar triste ou feliz
No meio da madrugada
Um rosto sem nome certo
Um rastro a ser seguido
Sem a gente ao menos saber
A razão de estar
Tão contente
Indiferente ao fato
de tudo que tinha guardado na lembrança
Não servir pra nada
E aquilo que tanto interessa
Não tem nome e não tem preço
endereço ou hora marcada
Não tem passado; não tem cor
Não tem medida e nem peso
Nada que explique a pressa
Nada que àquilo mensure
Existe apenas suavidade
e um tanto assim de magia
Junto a tanta alegria
e uma grande quantidade
daquela coisa que faz a gente
Não querer saber como se faz
Só da vontade de fazer
Fazer exatamente
Perfeitamente perfeito
Aquilo que nunca fez
E fazendo do jeito que vier à mente
de repente a gente olha
E vê que não tinha outra escolha
Só tinha querer
Um querer que não podia ser
Guardado ou escrito
Não estava em lugar nenhum
No tempo ou no espaço
e independia
de tudo que houvesse nos bolsos
E mesmo assim
Tinha sim
hora e lugar pra ser
Mas demorou pra perceber
Que a real felicidade
Independe da nossa vontade
das nossa lembranças
E também das nossas crenças
Pois chega do inesperado
Sem nem ao menos pedir licença
Edson Ricardo Paiva
Como se não bastasse viver
Eu fui escolher amar
É como se não
Houvesse nenhuma escolha
As coisas do coração
Sempre rumam
Em direção àquilo
Que é belo e bonito
E estava escrito
Que ao cair da última folha
Todos os castelos de areia
Não prosperariam
A gente apenas não sabia
Que aquelas pequenas coisas
Que a gente tristemente vivia
Anos à fio
dia a dia
Coisas que pairavam no ar
Um jeito triste de viver
Aquele amar
Onde inexistia
Qualquer espécie de amor
Se transforma
Num cálice transbordante
Promessas esquecidas
Triste vida
E tudo se acaba
Em menos de instante
Como se não bastasse o amor
Eu fui escolher você
Eu escolhi um viver
Que não nos basta
E o vasto mundo a trilhar
Tendo ao lado
Um pote de alegria
Me falta escolher
Uma flor pra te dar
e depois te confessar
A falta que me faz
Ter talento pra escrever
Algo bonito
Estar de joelhos
Os olhos e o rosto vermelhos
A lhe dizer
Que não tema nunca mais a solidão
Então
Eu fiz somente um sigelo poema
Não é perfeito, mas agora está escrito
E tudo que nele foi dito
Eu fui buscar
No fundo do meu coração,
Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando
Eram promessas
Dessas que se esquece
Antes de acabar o dia
Como se houvesse na vida
Algum tipo de esperança
Que pudesse simplesmente
Esvair-se
Juntamente o pôr do Sol
Podem passar anos
desejos profundos
Permanecendo latentes
Aguardando o segundo certo
Pra despertar
Num futuro um tanto incerto
Tão repentinamente
Como um dia adormeceu
Pois
A dor que um dia a causou
Não se esqueceu
Como eu não me esqueci
Eu creio que somente adormeci
Tristemente eu dormi
Aguardando assim
Que o tempo se esvaisse
Até chegar o dia
Quando após
muitos pores do Sol à toa
A lembrança muito boa
daquela triste esperança
Que hoje
Não mais me magoa
Ressurge, assim, do nada
Fazendo alarde
Em meio à mais uma das muitas
Madrugadas vazias e caladar
Gritando que hoje ainda não é tarde
E que talvez
A gente, que perdeu tanto
Por enquanto
Ainda não perdeu
Nada.
Edson Ricardo Paiva.
Quando houver na gente
Aquela vontade exigente
de querer saber de verdade
Como se deve agir
Pensemos, então
Será que temos a alma leve
Existe paz no meu coração?
Nesta breve existência
Não é tudo que se corrige
Não precisa haver
Sempre rima em todo poema
porém
Se não existe harmonia
nas coisas do dia a dia
A orquestra da vida destoa
Ninguém poderá pra sempre
viver somente
Aquilo que queria
E ao final não descobrir
Que por viver desigual
Viveu uma vida a toa.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje, assim como era antes
Eu cheguei ao lugar
Onde prossegue a espera
Mas agora eu entendo
Que não há como chegar
Ao final da jornada
Simplesmente porque
Ela não tem um fim
Me faltava saber
Que eu só preciso encontrar
O caminho que leva até mim
Neste momento eu contemplo
As dobras que fizemos
Nas mangas do tempo
Pensando em pôr as mãos à obra
Enquanto não sabíamos
Que nos cabia saber
Mas agora eu sei
Que não nos cabe ainda
Porque nunca saberemos
Antes que o tempo derrube
As colunas do Universo
E o Céu desabe sobre nós
E acabe por fazer
O que não foi feito
Do jeito perfeito
Que tanto queremos
Pode ser que ali na esquina
Debaixo daquela escada
Esteja escondido
O segredo da vida.
Edson Ricardo Paiva
Agora, assim como era antes
Não posso chegar
Ao lugar que se espera
Hoje eu entendo
Que não vou alcançar
O final da jornada
Porque
O final sou eu
Entre tudo mais que existe
Só o tempo não é eterno
Ele apenas corre eternamente
As fronteiras erigidas
Estão todas em mim
Como o vento
A soprar por sob as asas
A sustentar o voo
Enquanto a vida passa
As dobras que fizemos
Nas mangas do tempo
São apenas pra descobrir
Que existem coisas bem pequenas
Que não nos cabe saber
Nunca as saberemos
Até que o tempo corroa os alicerces
Que sustentam a esse
E a tantos outros Universos
Pra que o Céu desabe sobre nós
E acabe por tornar perfeita
A perfeição corrompida
Pelos nossos olhares tortos
Quero crer que ali na esquina
Debaixo daquela escada
Pode ser que esteja
Escondido
O segredo da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Por mais que a verdade doa
Nunca minta pra si mesmo
Como quem mente
Com tanta desenvoltura
Que chega a crer
Na verdade das próprias mentiras
E jura que viu o não visto
Quando nega ter feito o malfeito
Insiste em não ver o que vê
Mas o tempo vai passando
E desvenda o oculto
A verdade mal contada
Um dia destoa na orquestra da vida
A lágrima contida
Com certeza um dia vai rolar
Se quiser, aproveite a hora pra chorar
Todo mundo sabe
Não existe um choro reprimido
Que um dia não doa
E dor, se muito guardada
Quando manda uma notícia
Não costuma ser notícia boa
Nem sempre sorriso é alegria
Assim como rotina
Não precisa ser igual todo dia
Alguma coisa acontece
Não há nada que se faça
Ou se possa fazer, quanto a isso
Existe um compromisso
Selado, assinado e não-escrito
Aproveita o teu tempo bonito e sorria
Mais dia, menos dia
A vida acontece
E quando acontece
O igual não é mais igual
Pra bem ou pra mal
As coisas mudam
São mudanças que se queria
Quando se queria que nada mudasse
Que bom seria
Se o mundo soubesse sonhar
Pois a vida acontece
E às vezes acontece
De um jeito que ninguém
Nem sequer sonhou que aconteceria.
Edson Ricardo Paiva
Poema de compreensão.
Na vida nada se tem
Como o ar que te escapa entre os dedos
Vai rodando a longa estrada
Um dia há medo
Em momentos, coragem
A paisagem que sumiu pela janela
Coisas boas e ruins
As pessoas
Nada que se vive
A vida vem para mal ou para bem
Mas passa
Esvaindo igual fumaça
E nada se tem ou se leva
Até mesmo as lembranças evaporam
A tudo que tive
O momento mais suave da existência
Não se leva nada
Nesta estrada estreita
Só se deixa
Nossos passos vão ficando no caminho
A gente só precisa
Aprender o que não sabe
Atentar onde pisa
Para que os passos sejam leves
E as lembranças suaves
Pois
Nessa nossa breve existência
Nada se leva
Nada se deixa
Nada e ninguém nos pertence
A vida é uma curta experiência
De cujos resultados, nada saberemos
Diferente
De tudo que se pensa
Enquanto vive
Tudo passou por mim
Mas eu nunca nada tive.
Sempre
Que alguma coisa começa
Raramente a gente percebe
Tratar-se de algum começo
É como se fosse ar
Que normalmente recebe
Pra depois expirar
Sem dispensar maior atenção
Um chão sem endereço
Onde se pisa
Na hora nem atenta
Pro fato
De que vai precisar de novo
Não raro começa
Sem apreço
Coisa sem valor
Mas quando chega o amor
Não existe preço
Só vontade
Ninguém jamais poderá dizer
Onde nasceu a qualidade
Da coisa à toa
Mas que a gente não esquece
Não quer esquecer
Jamais esqueceu
de tão boa que era
Frase em frase
Quase passou despercebida
Mas o coração a recebe
No silêncio do amor que nasce
do qual se precisa pra sempre
E se quer
Sem razão ... sem porquê
Nisso consiste o querer
Não existia
Mas agora existe
E ... se for embora
Chora de triste
Um dia acontece
Normalmente acontece do nada
Provavelmente existia
Muito antes daquele dia
Mas disso, nada sabia
Mas agora sabe
Não nos cabe saber a razão
Resta apenas
Fazer que exista e exista e exista
Mais nada.
Edson Ricardo Paiva
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