Veio e Passou como um Cometa
Como se quer plenitude se no exterior o acesso é infinito, elevado nível de exigência para se ser feliz. Quem tem muito sente pouco.
Quando se cuida do interior, o físico deixa de ser o mais visível como fonte de valor. Continua a ser cuidado mas deixa de ocupar o primeiro lugar onde se procura quem verdadeiramente se é.
A vida é como a musculação: é de falha em falha que você cresce, desde que persista, descanse e volte mais forte. 💪
Sempre foi por você;
Por seus olhos lindos e tristes como uma poesia de Castro Alves;
Por seu olhar aleatório para qualquer lugar, a fim de disfarçar sua timidez;
Por seu jeito doce de tratar as pessoas.
Por sua fé e sua paz que deixa qualquer lugar mais leve;
Por seu sorriso lindo que se mostra mais lindo quando está ao encontro do meu.
Como não me apaixonar se tudo que gosto você tens?
Engraçada, inteligente, mais "experiente", sorriso lindão e de combo, veio com esses olhos azuis. Criastes em mim um padrão alto, Srta!
Mais uma vez sonhei com você e mais uma vez te perdi. Como no sonho, também te perdi na vida real, e como na vida real, a dor foi silenciosa e dolorosa.
É difícil não te ter aqui, é difícil não te amar, e mais difícil tá sendo tentar ressignificar todo esse sentimento que há em mim.
E essa loucura de te amar? Não pode ser explicado. É quase sem sentido... Como pode caber tanta verdade de sentimento em uma pessoa tão errada? Um amor desafiador, que faz a perna tremer, as mãos gelar, a voz não sair com um simples: Eu te amo.
Realmente, é estranho, é amor, e ele não pode ser entendido nem explicado, o que nos cabe é viver esse doce e louco sentimento.
" Permitir que o pensamento caminhe sem meta. Como quem senta ao fim da tarde e observa o tempo repousar dentro de si. "
O SILÊNCIO QUE VIGIA.
O teu silêncio não se limita a calar. Ele age. Instala-se como uma presença meticulosa destinada unicamente ao meu coração. Não vem para ensinar nem para esclarecer. Vem para despertar antigos medos que eu julgava sepultados. Ele percorre minhas veias com a frieza de uma água que não purifica. Apenas paralisa. Congela lentamente cada parte de mim até que o gesto mais simples se torne impossível e eu me descubra imóvel dentro de uma armadilha sem grades visíveis.
Esse silêncio não grita. Mas ressoa. E o que ressoa não é som. É pressão. É o peso de tudo o que não foi dito escorrendo para dentro da consciência. Quando transborda pelos olhos já não é choro. É rito. Cada lágrima amplia um rio íntimo onde a memória se afoga. Um Estige particular que me conduz não à morte do corpo mas à suspensão da esperança.
No íntimo da psique ele não se anuncia como violência aberta. Chega como frio constante. Um frio que rouba do corpo a coragem do movimento e da mente a ilusão de defesa. Tento compreender. Construo explicações. Mas o silêncio não dialoga. Ele observa. Espera. E nessa espera molda o medo até que o medo se torne morada permanente.
O castigo não está em sofrer. Está em saber que tudo poderia ter sido diferente por uma única conversa. Porque o que sempre desejei não foi vencer nem acusar. Foi falar. Falar para libertar. Falar para romper o feitiço da mudez que transforma o amor em sepulcro. E então compreendo. O silêncio não aprisiona quem se cala. Aprisiona quem espera. E é nessa espera que a alma aprende tarde demais que a misericórdia recusada pesa mais do que qualquer palavra dita.
O Perfume da Renúncia.
Há gestos que se dissolvem no ar como perfumes invisíveis fragrâncias da alma que ninguém vê, mas que perfumam silenciosamente a atmosfera onde passam. São as oferendas sutis dos que aprenderam a servir em silêncio, flores humanas que, em vez de buscar aplausos, se abrem ao sol do dever e ao orvalho da dor. Assim é a dedicação em renúncia: um cântico mudo da consciência desperta, um perfume espiritual que não exige olfato para ser sentido.
A flor que se doa não questiona a quem se destina o seu aroma. Ela apenas floresce. Assim também o ser que alcançou o verdadeiro autoconhecimento já não indaga sobre o retorno de suas ações, pois compreendeu que servir é o mais puro estado do amor. Sua existência se faz como uma lâmpada acesa em um aposento onde ninguém entra e, mesmo assim, continua a iluminar.
Quantos caminham entre nós nessa silenciosa via-sacra da bondade anônima? São almas que vivem a felicidade não em palavras, mas em gestos; que suportam o esquecimento com serenidade e transformam a própria dor em brisa consoladora. São aquelas criaturas cuja presença acalma, mesmo quando os lábios emudecem; cuja ausência, paradoxalmente, se faz presença no coração dos que aprenderam a sentir com o espírito.
A renúncia verdadeira não é grito, é eco. Não é ausência, é transfiguração. É o ponto onde o ser humano se despede de si mesmo para encontrar-se em sua essência. Nesse instante de lucidez interior, o coração entende que a vida não é palco, mas altar. E que cada ato de humildade é uma prece sem palavras, uma oferenda sem testemunhas, um perfume que sobe, discreto, à eternidade.
Há uma melancolia suave nessa entrega, porque o renunciante contempla a beleza e sabe que dela não fará uso. Ele toca o sublime e, em vez de retê-lo, o devolve à vida. Essa tristeza, porém, não é desespero é maturidade espiritual. É a nostalgia do Espírito que recorda, no silêncio do dever cumprido, o perfume do lar divino de onde partiu.
Quando a flor murcha, não deixa de ter sido flor; quando o perfume se dispersa, não deixa de ter existido. Assim também o amor que se doa em renúncia jamais se perde: ele permanece, invisível, sustentando o mundo em suas raízes mais secretas.
A servidão, quando nasce da consciência iluminada, não é submissão, mas liberdade. É o ato supremo de quem já não precisa ser visto, porque aprendeu a ver. O autoconhecimento, então, torna-se um espelho onde a alma se reflete e reconhece o rosto sereno da paz dentro de si.
E, nesse ponto, o perfume da flor silenciosa se confunde com o hálito da eternidade.
A EMPATIA ENFERMA.
Há quem diga que alguns seres se comprazem em cultivar a estima da pobreza, como se nela repousasse um símbolo de virtude ou redenção. Tais observações, lançadas com a frieza das conveniências humanas, soam muitas vezes como sentenças ditas sem alma e, quando atingem o ouvido de quem sente, doem profundamente.
A dor que nasce desse julgamento não é apenas pessoal: é o reflexo da incompreensão coletiva diante das almas que sofrem em silêncio. Enquanto uns observam de longe, outros carregam, nos ombros invisíveis, o peso de mundos interiores dores que não se exibem, mas que educam.
É então que se faz clara a urgência de criarmos núcleos de esclarecimento, não sobre a miséria material, mas sobre o amor ignorado. Esse amor que ainda não aprendeu a ver o outro sem medir-lhe o valor; que não sabe servir sem exigir aplausos; que ainda confunde compaixão com piedade.
Cultuar o amor ignorado é erguer templos de consciência onde antes havia indiferença. É ensinar o coração a compreender antes de julgar, a servir antes de censurar. É abrir, no deserto moral da humanidade, o oásis do entendimento.
Porque o verdadeiro amor aquele que transcende a forma e a posse não necessita de palmas, nem de discursos. Ele apenas é, e em sendo, ilumina.
E talvez seja essa a maior riqueza que possamos distribuir: a de transformar o sofrimento em escola, a crítica em semente, e o silêncio em voz do bem.
PERGUNTAS.
" Toda pergunta que te toque é como a água que acaricia a pedra suave na superfície, contínua na paciência, até que um dia no silêncio que amadurece ela finalmente te abra uma passagem. ”
PROBLEMA EPISTEMOLÓGICO: Deus como objeto não empírico.
A epistemologia clássica distingue dois campos de conhecimento:
a) O conhecimento empírico.
Aquele que depende dos sentidos, da observação e da experimentação.
b) O conhecimento racional ou metafísico.
Aquele que depende do pensamento, da inferência lógica, das categorias do espírito.
Deus, por definição, não se insere no domínio empírico não está no espaço, não ocupa matéria, não é capturável pelos sentidos.
Logo, não entra como objeto de experimentação nos moldes da ciência natural.
Kant já dizia:
Não podemos conhecer Deus como fenômeno, mas podemos reconhecê-Lo como necessidade da razão prática.
Na epistemologia contemporânea, diríamos:
Deus não é objeto de ciência experimental, mas de racionalidade transcendente e de coerência filosófica.
2. A epistemologia espírita: Deus como verdade necessária e verificável indiretamente.
Allan Kardec enfrentou precisamente essa questão.
E em O Livro dos Espíritos ele parte de um ponto decisivo:
Questão 4:
“P_ Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?”
Resposta:
“ R _ Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. (...) A grandeza da obra indica a grandeza do obreiro.”
Aqui temos o método epistemológico espírita:
• Não é uma “prova empírica direta”.
• É uma inferência racional apoiada na observação universal dos efeitos.
Ou seja, Kardec usa a mesma lógica da epistemologia científica:
se há ordem, lei e finalidade no universo, há Inteligência anterior a essa ordem.
Assim, o Espiritismo não “prova Deus” como se prova um elemento químico, mas como se demonstra a existência de uma Lei pela regularidade dos fenômenos.
3. A ausência de “cognição sensorial” não implica ausência de cognoscibilidade.
“Como provar sua existência quando estamos sem a cognição Dele?”
A resposta epistemológica é:
_ Não precisamos de cognição direta para afirmarmos uma causa necessária.
Você não vê a curva do espaço-tempo, mas deduz sua existência pelas equações da gravitação.
Você não “vê” a energia, mas constata seus efeitos.
Você não vê a consciência de outra pessoa, mas a reconhece pelas manifestações.
Assim também:
Não vemos Deus, mas vemos leis universais, harmonia matemática, consciência moral, teleonomia evolutiva.
Isso constitui uma cognição inferencial, tão válida epistemologicamente quanto qualquer outra que a ciência emprega.
4. A cognição de Deus segundo o Espiritismo: moral, não sensorial.
A Codificação explica que:
a percepção do Divino não é sensorial, mas moral e intelectual.
O Livro dos Espíritos, questão 10:
“ P — Deus é infinito nas suas perfeições.”
E, sendo assim, não pode ser percebido por sentidos finitos, mas apenas pela razão em ascensão.
A Doutrina afirma que “conhecemos Deus” na medida em que avançamos moralmente, pois:
A moral elevada amplia a consciência e refina as percepções do espírito.
Assim, a ausência de cognição sensorial não é limitação; é própria da natureza do Ser Supremo.
5. Conclusão epistemológica e espírita.
Provar Deus não é demonstrá-Lo como objeto físico,
mas necessitá-Lo como causa lógica, metafísica e moral do universo.
A ausência de cognição sensorial direta não invalida esse conhecimento, pois:
1. Deus não é objeto empírico.
2. Sua cognoscibilidade é inferencial e racional.
3. O universo funciona como “assinatura” de uma Inteligência anterior.
4. A moral e a consciência humana constituem vias internas de aproximação cognitiva.
5. Pelo Espiritismo, a evolução espiritual amplia progressivamente essa percepção.
Não é a ausência de cognição que impede o conhecimento de Deus, mas o nosso nível atual de percepção moral e intelectual.
E é exatamente por isso que o Espiritismo afirma que:
“A ideia de Deus é inata, porém se desenvolve conforme a inteligência se depura.”
" Mas eu não estou sozinho, o deserto me acompanha. "
Ele se estende diante de mim como uma memória antiga, uma presença sem voz que observa cada gesto meu com a paciência dos séculos. Caminho e sinto a areia ceder sob meus passos, como se o chão conhecesse meus pensamentos antes que eu os formule. Há algo de sagrado nesse espaço que nada exige e nada promete. O deserto não consola. O deserto revela.
A luz do fim da tarde estilhaça se sobre as dunas, criando sombras que se movem devagar, quase respirando. Em certos momentos, penso ouvir um murmúrio, talvez meu próprio coração esmagado sob pressões que não sei nomear. Noutras vezes, o silêncio é tão pleno que parece perguntar por mim, como se aguardasse uma resposta que ignoro desde a infância.
No horizonte, a linha é fina e impessoal, mas guardo a impressão de que alguém me observa dali. Não com hostilidade, mas com uma atenção profunda, como se meu sofrimento coubesse dentro de um gesto que ainda não compreendo. É estranho como o vazio pode nutrir. Como o nada pode abraçar sem tocar.
No meio dessa vastidão, descubro que não busco saída. Busco significado. E, enquanto caminho, o deserto caminha comigo, espelhando minhas inquietações de forma tão fiel que chego a temer que ele conheça minhas verdades mais sombrias antes mesmo que eu as aceite.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"A nossa história é como rabiscos de uma caneta, pode passar o corretivo mais não dá pra apagar o que já foi borrado."
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