Veio e Passou como um Cometa
AMOR
como não viver o amor
se o amor é o ar que respiramos...
como não comer
se do amor nos alimentamos...
como não querer
se o amor é o verbo, é o substantivo...
como desanimar, o amor é lenitivo...
o amor é uma escada que te leva ao céu,
são as asas que de uma forma
ou de outra Deus deu ...
o amor é contemplar e perceber grandes feitos,
é desejar ajudar e perdoar os defeitos...
amor é a essência maior do ser humano,
a maior proeza dos fortes é dizer te amo...
NAIR
Minha mãe
Era como o papel de seda cobrindo a pipa,
Era o milho verde feito canjica
Canela em pó por cima da papa
Bife mal passado sobre arroz branco,
Figado acebolado cheirando
Café coado no pano,
As doces canções de moacir franco ...
Cabelo em desalinho,
Zêlo em forma de carinho
Cocada morena e branca
Em forma de coração
Como uma declaração
De amor a humanidade
Sua voz marcante e grave,
No ofício de nossa senhora,
Minha mãe carregaria se fosse preciso,
O mundo sobre os seus 44 quilos;
Abraçaria ao olhar, adotaria ao sorrir...
Minha mãe Nair
Mãe dos meus irmãos,
Mãe das suas irmãs...
Mãe da sua mãe!
COMO ÍNDIO
O que acontece de repente
Quando ela se pinta diante do espelho,
Batom, sobrancelhas e cílios...
Tomara que caia justinho,
Cambraia estampada,
Nem lembra dos filhos
O que fantasia, tão bela diante do espelho
Com poses e closes pra postar no face,
O marido disfarça, fingindo reler um jornal antigo,
Mas instiga, seus risos e bicos,
Meu amigo malandro metido a filósofo
Dizia que mulher é como índio
Quando se pinta quer guerra
E a vejo tão bela com a escova
E um decote generoso
Falando em lift e massagem
E uma taruagem na coxa,
Poxa ninguém é de ferro e parece provocação,
Mas tem a tal “maria da penha”
O que fazer com o ciúme
Se trejeitos e excesso de perfume
Me fizerem perder a cabeça?
Meu amigo dizia por experiencia própria
Que mulher é como índio
Quando se pinta quer guerra...
Juarez, pronuncie como se começasse com “R”, ele sempre fez questão disso; amigo de infância que eu não via há tempos, apareceu repentinamente aqui em casa; Sempre foi um cara “cabeça”, um bom papo, só um pouco, “Maria- vai- com as outras” conversamos muito falamos do passado depois ele me segredou: Tadeu eu tô no pó”; fiquei pasmo, Juarez não era disso, era aquele tipo de cara: “mente sã corpo são...” “No pó Tadeu, tô no pó”, ratificou me entregando uma cédula de cem reais; “ sei que aqui consegue-se com facilidade; compra lá pra gente...” saí e voltei com um pacote, preparei algumas gramas pra ele, ele cheirou, aspirou ávido depois começou a pular, a falar a sorrir e gargalhar: cara eu tô legal! Eu tô legal Tadeu! Me levantou lá em cima: “você é o cara!” Prepara outra aí! Preparei ele aspirou, ficou mais entusiasmado ainda: “cara essa é da pura! Arde bem pouquinho nas narinas...” pulava e cantava: “everybody want you..” do fundo do baú... no final da tarde se despediu me agradecendo penhoradamente; devolvi seu dinheiro; ele reagiu surpreso:” faço questão de pagar Tadeu”. “Não precisa, é um presente pela nossa amizade”, respondi. Saiu cantando feliz: “Euclides, fala pra mãe...” não tive coragem de dizer que o que ele tinha consumido, era goma...
O MONSTRO
Sei do que se passa,
Não sei como mas sei...
E morro de saudade
Nem sei de que
E é por isso que às vezes escrevo
E nem descrevo
Porque nem sei o que é isso
Ás vezes um monstro emerge do lago
E eu tenho medo
Mas me fascina e eu escrevo...
O CÉU DE MACAPÁ
Ela era tão bela quanto o mar
E tinha os olhos tão azuis
Como o céu de Macapá
Solitária como Piripirí,
Pobre como o Piauí
E tinha o rosto de anjos
Como quando os anjos tinham rosto,
E falava manso
Como quando os anjos falavam com o Senhor
E fazia-nos pensar no amor
Como quando conseguíamos pensar
E era triste como a Aldeota
Como uma jangada sem rota
Na imensidão do mar,
Só tendo o norte como referência,
Como quando tínhamos norte...
Agora na imensidão do tempo
Ela não é mais bela,
Não temos mais céu como o de Macapá
Não temos mais janela pra Piripiri,
Não temos a nobreza do Piauí,
Não temos mais rosto...
Ela era tão bela...
OLHOS DE VALLADOLID
Eram de uma noite tão negra
Como se o inverno chorasse
Todas as suas chuvas em suas madrugadas
E eram tão tristes
Como se abrigassem todos os mendigos
E eram melancólicos
Como se chorassem todas as saudades
E eram pobres como as árvores do outono,
Solitários como sua esperança,
Assustados como uma gazela
E eram de uma solidão divina
Não somente de ser só,
Mas de não ser compreendidos
MULHER
Eu te quero tanto agora
Como a aurora de ontem e anteontem,
Como a chuva de todos os invernos
Que alimenta o nordeste
Eu te quero como a tarde
Que arde de desejo
Sob o sol da primavera
Que as papoulas enrubesce
Eu te quero como as noites
Que alimentam os amante
Como as mães que seus filhos amamentam
Que amam seus maridos
E satisfazem seus homens
E se consomem nos partos
E morrem com seus abortos
Eu te quero como a vida
Que sai de suas entranhas
E sustenta a existencia da humanidade
Nesse ciclo que se renova
No teu beijo e abraço
Nessa essência de se dar e se fazer
MULHER
SAGA
Meu bem, me diz que a vida é bela
E o amor é como o diamante
Que reluz no teu dedo
E amar não tem segredo
É só se dar e acreditar no amanhã...
Me diz amor que seremos felizes
E não haverá dor nem deslizes
Na nossa história,
Nossas memorias
Serão lembranças inesquecíveis ...
Me diz amor que a vida é linda
E mesmo que não dure é infinda a sua saga
A vida é tão bonita
Que brinca de luzir no teu olhar
A luz da lua
Me diz amor que a rua é minha e tua
A noite é eterna e o amor é infinito...
Acho que a noite é infinita
como o meu amor
e quando penso
que a noite é tão bonita
o dia já chegou
eu acho que te amo
eu acho que te amo,
não sei por quanto tempo
mas já faz tanto tempo
que eu acho
acho, faz mais de trinta anos...
Gosto do frio que faz ser só,
das palavras perdidas e amargas como jiló
da frieza inesperada de nunca mais
eu gosto de reminiscências
da inconsequência de amores impossíveis...
eu gosto de ficar olhando a chuva
e imaginar que os deuses choram de solidão
eu gosto de ser triste,
de imaginar-me um boneco de neve
perdido numa montanha
depois de uma avalanche...
essa rajada de vento gelada
compõe o meu espírito
eu gosto de ficar olhando o infinito
faço o meu verso
como se soubesse
que amanhã é sexta feira santa,
a sexta feira da paixão,
como se a santa da feira,
com seus olhos azuis turquesa
e peras por sob a blusa
ornamentndo seu colo
não alimentassem a rima
que completam a minha estrofe
deixando a mente confusa
tornando paixão tão forte
pra santa de qualquer dia
faço esse poema
como se houvesse harmonia
e a santa da novena
santa como santa maria
de filho pregado e morto
e no horto sepultado
deixando alma vazia
e coração angustiado
por mais que se prometesse
um Deus ressuscitado
que aliviaria as mentes
e lavaria os pecados
mas mesmo a mãe de Deus
sofreria por seu filho
porque carne é carne
assim como o meu poema
que sangra queima e arde
e assim faço o meu poema
que também se sacrifica
e crucifica a gramática
mas é um verso sincero
terno suave e austero
dentro da realidade
ROSA
Rosa está tão só no jardim
Que ouço seu soluçar
E bater seu coração
Como se a rosa no espinho
Arranhasse a solidão
Que arranha suas pétalas
E espetá-las assim
Com rima de verso e prosa,
Com a brisa do verão
Que acalanta a roseira
Lacrimeja no olhar
E faz de Rosa a rosa
Dos delírios a quimera,
Da estação primavera,
Das flores a mais formosa
ENQUANTO HOUVER SONHOS
Ontem ela virou a esquina como se fosse dona do mundo, levou a lua e a estrelas com seu magnetismo, e eu fiquei ali com um copo e os meus fantasmas; éramos anjos do mesmo éden, ela seguiu com a luz e eu fiquei comigo mesmo e a noite; falavam de corrupção, insegurança, criminalidade; todas essas coisas que a gente vê diariamente na mídia, e particularmente eu tinha solução paratudo isso. para combater o tráfico e a fragilidade do sistema carcerário; estávamos todos ali diante de um jogo de dama e um dominó; de vez em quando uma o outra piada sobre as preferencias clubísticas de um ou de outro, sobre deslizes e infidelidades de alguma esposa e brincávamos com coisas seriíssimas, como se fossem banalidades; como se aquilo não abalasse nossas estruturas emocionais.
Tomei mais algumas doses e cantarolei alguns boleros, como se assim, ninguém percebesse como me abalou a sua altivez, a sua aura, sua indiferença. Ela passou como um cometa, como se fosse parte integrante do sistema planetário; como se sua presença fosse parte indispensável à harmonia etérea . fiquei ali doendo a minha insignificância, tolerando sorrisos fáceis e palavras levianas; um falatório gratuito sobre a essência corrupta e indolente do nosso povo; sem o idealismo nato por honra e dignidade; afinal era o que me restava; mudo fiquei com minha mágoa, jamais falaria dessa paixão, e então a vida continuaria insignificante... não, não; jamais a vida seria insignificante enquanto houvesse sonhos e paixões; mesmo aqueles estavam ali, ébrios e desesperados, amuados com suas crises e seus vícios; desesperançados, mas se houvesse sonhos e paixões... se houver sonho provavelmente há paixões. O sonho faz orvalhar em qualquer deserto; paixão e sonho frutifica em qualquer solo. Ontem ela virou a esquina como se fosse um sonho; orvalhou sobre a minha paixão... parecia indiferente, mas era só dissimulação, era um jogo; o jogo jogo que me trazia aquela ansiedade, o jogo irresistível e fascinante do amor.
AMOR
Deixa eu te dizer que o amor é lindo
É como a tarde dourando o firmamento
E a poesia canta os passarinhos a gorjear fogosos
Ah! o amor é tão lindo, que eu prometo eterno
O mais terno amor e se for triste
Porque triste é o amor, infinito será
Porque amor é assim assim...
Te direi todas as manhãs
Quando abrirem-se as rosas húmidas de orvalhos...
E as cambaxirras cantarem
Os primeiros raios do alvorecer
Porque no alvorecer o amor se expressa
Então entenda que os seres viventes,
As águas, o vento, o fôlego
Que conserva e harmoniza essa vida
Só é possível porque existe o amor
Milputasiuma é capital de Hamilputápolis que tem Cornópolis e Piranhópolis como seus maiores municípios; Vagabundagenhense é um de seus bairros; no centro da capital muitos bares e bordeis onde se ouve músicas bregas num volume alto, mulheres com maquiagens carregadas, trajando saias muito curtas e decotes exagerados, ingerem bebidas alcoólicas com olhares perdidos na abstração de suas vidas miseráveis. nas praças elas fumam suas ansiedades e confidenciam seus descaminhos que lhes conduziram às drogas e a prostituição.
Vagabundagenhense tem como pilar o tráfico que alimenta a prostituição e recruta jovens adolescentes para a vida do crime; tudo decorre numa total normalidade e por conta de guerras entre facções, jovens são executados muitas vezes por estarem em lugares errados na hora errada; repito, tudo dentro da maior normalidade.
Mas tudo Isso é ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
VERDE OU AZUL
Ainda acontece como se minha alma
afugentasse a calma...
Já adolesci faz tempo, faz tanto tempo
Que as tardes agora ardem de saudade
De algo que agora caminha nesse teu caminhar...
Quero entender toda a magia do verde ou azul
Que agora abriga a minha alma...
Sabe o que é ser tão triste, tão triste,
Profundamente triste de felicidade...
Ainda acontece caminhar sobre as águas...
Esta coisa divina me leva
Como se todas as coisas fossem novas,
Como se paixão fosse novidade
Fico na expectativa de que todos os dias sejam sábados
De que o céu tenha esse azul ou o mar tenha esse verde
E o que se perde entre o olhar e o sentir vire encanto
Sonho que todos os dias sejam sábados
E que todos os sábados sejam assim,
Mágicos, verdes ou azuis eu não sei...
Ou não tenho certeza mas hoje é sexta feira
E amanhã já é sábado de novo...
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