Veio e Passou como um Cometa
Por sermos indivíduos, sujeitos da razão subjetiva, acabamos sempre envergonhados e culpados de nossas escolhas e de nossos atos. Se invocamos nossos interesses, somos culpados da miséria de nossas motivações. Se invocamos princípios éticos universais (nossa tradição), somos culpados de mentir.
Achamos que não esperamos nada e quando damos conta estamos sempre à espera de alguma coisa. Depois somos confrontados com uma indiferença que não esperávamos.
Já não perco o meu tempo a tentar entender os enigmas, as coisas ocultas, as ligações secretas. São perguntas sem resposta. Ou talvez nem seja nada disto. Quem sabe as respostas são bem mais simples do que as perguntas, porém difíceis de acreditar? A seu tempo teremos consciência do que tudo isto significa. Vamos conhecer os fins, os objectivos e os propósitos. Já me ocorreu que fosse o destino a dar o ar da sua graça e pregar-me mais uma das suas partidas.
Já sei que haverá pessoas que vão dizer-me, que agora estou a culpar o destino de caminhos onde fui parar pelo meu próprio pé e sem qualquer mão do destino.
E provavelmente têm a sua razão… e eu…eu estou só à espera de encontrar a minha.
Afinal estamos sempre à espera de alguma coisa. Alguma coisa que às vezes se traduz em alguém.
O mais difícil de tudo é perdoar a si mesmo.
– Qual foi a sua maior descoberta?
– Que basta ser do jeito que eu sou.
Nosso clube do livro nas sextas à noite se tornou nosso refúgio. É uma liberdade particular perceber que o mundo se torna cada vez mais escuro à sua volta, mas que só é necessária uma vela para enxergarmos novos mundos se revelando. Foi isso que encontramos na nossa sociedade.
Amor à distância
Te amo,
Mas não te conheço
Te espero,
E nunca te vejo
E minha vida
Se limita a buscar
Entre palavras e texto,
vivo a procurar
Onde você estará?
Onde eu vou te encontra?
Pra te abraçar
Te beijar
Te ninar,
E verdadeiramente,
Te amar!
O vento não é favorável
E eu nem esperava que seria
Eu vou no compasso da batida certa
Dançando com os erros da vida
A lembrança dói. Meu cérebro tenta descobrir onde fica exatamente a dor, mas logo desiste, porque tudo dói.
Fazer nada com os amigos nunca é fazer nada, não é?
Ter saudades nem sempre representa afastamento, separação, debilidade, amargura.
Muitas vezes são fantásticas lembranças de momentos mágicos, etapas extraordinárias, e pessoas para as quais não temos definição. São recordações que vagueiam pela nossa mente. Aquelas que nos oferecem risadas, que nos fazem felizes pelo simples facto de revivermos, mesmo que apenas na nossa cabeça, momentos inolvidáveis e desiguais. Os tais momentos a que não lhes mudaríamos uma vírgula que fosse… mesmo com as reticências que se seguiram…e mesmo depois dos pontos finais.
Por vezes é preciso saber não atacar, não responder , nem tão pouco provocar. E o melhor a fazer passa pelos verbos eliminar e esquecer. Depois é só continuar e manter-se iguais a si próprios. Quem não sabe , nem quer saber lidar...nunca valerá a pena.
Transformo-me quando estou enfurecida e irritada. Quando quero algo, quero-o tão arduamente que fico obcecada até ter aquilo que desejo. Sou assim, tanto nas coisas materiais como sentimentais.
Pessoas frias não são frias porque querem ser. Aconteceu alguma coisa, ou várias coisas, para que ela fosse congelando aos poucos. Ninguém sai intacto de uma avalanche, ainda mais se essa avalanche for de mágoas. Ser frio não é uma opção, escolha ou uma moda. É uma consequência, um ato involuntário, um mecanismo de defesa.
Encontro das Águas
Vê bem, Maria aqui se cruzam: este
É o Rio Negro, aquele é o Solimões.
Vê bem como este contra aquele investe,
como as saudades com as recordações.
Vê como se separam duas águas,
Que se querem reunir, mas visualmente;
É um coração que quer reunir as mágoas
De um passado, às venturas de um presente.
É um simulacro só, que as águas donas
D'esta região não seguem o curso adverso,
Todas convergem para o Amazonas,
O real rei dos rios do Universo;
Para o velho Amazonas, Soberano
Que, no solo brasílio, tem o Paço;
Para o Amazonas, que nasceu humano,
Porque afinal é filho de um abraço!
Olha esta água, que é negra como tinta.
Posta nas mãos, é alva que faz gosto;
Dá por visto o nanquim com que se pinta,
Nos olhos, a paisagem de um desgosto.
Aquela outra parece amarelaça,
Muito, no entanto é também limpa, engana:
É direito a virtude quando passa
Pela flexível porta da choupana.
Que profundeza extraordinária, imensa,
Que profundeza, mais que desconforme!
Este navio é uma estrela, suspensa
Neste céu d'água, brutalmente enorme.
Se estes dois rios fôssemos, Maria,
Todas as vezes que nos encontramos,
Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos!...
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