Veio e Passou como um Cometa
"Gostaria tanto de fazer com que os meus alunos compreendessem a Matemática como eu a compreendo. Mas a vida ensina-nos que nem sempre temos o privilégio de escolher a forma como os outros aprendem; resta-nos apenas o dever de nunca desistir de ensinar."
(FURUCUTO, P. D., 2026).
A maneira como vivemos o presente constitui-se no acúmulo de ações práticas que nos levarão às consequências, físicas, emocionais e espirituais, que teremos no nosso futuro e na eternidade.
O objetivo é uma fração do todo, alinhada às nossas percepções e como o entendemos em relação às circunstâncias. A perfeição é quase sempre um sinal que erramos ou que estamos ignorando algo, mas enxugar esse gelo não é inútil, já que, embora ele tenda ao infinito conforme o gelo derrete um espaço onde podemos viver com mais segurança e conforto é liberado, além de fornecer a água para nos manter vivos, bastando que a busca frenética por perfeição não nos afogue.
O que frequentemente se rotula como narcisismo não é excesso de si, mas sua carência: uma identidade que não se sustenta e precisa recrutar o olhar alheio como prótese. Não há transbordamento, há dependência; não há centro, há busca. E assim, o que parece vaidade revela, no fundo, um esforço contínuo de existir por meio do outro.
O sujeito não precisa do outro apenas como espelho que confirma sua imagem, mas como diferença que o desloca, confronta e amplia. É a alteridade que impede a consciência de fechar-se em circuito próprio. Sem esse encontro com o que escapa e contradiz, a identidade torna-se superfície repetida — lisa, estéril, incapaz de transformação. Toda subjetividade que não encontra diferença acaba apodrecendo dentro da própria imagem.
O mundo se dobra sobre nós como papel velho, e cada escolha é uma dobra que jamais poderá ser desfeita. Entre o que sentimos e o que mostramos, há um abismo silencioso, e todo gesto que acreditamos simples é, na verdade, uma inscrição daquilo que jamais ousamos dizer.
A alma é uma chama que não pertence ao corpo, mas o habita como peregrino; cada dor é apenas o vento que a faz tremular, e cada alegria, o clarão que recorda sua origem no fogo divino que jamais se apaga.
Tempos difíceis revelam nossa verdadeira natureza assim como tempestades mostram quais árvores possuem raízes profundas e quais são apenas aparência superficial.
Palavras são como pedras no rio: algumas fazem-nos tropeçar, outras nos ajudam a atravessar, mas todas moldam o curso das nossas águas interiores.
O ser humano moderno arde na ânsia de ser extraordinário, como se o comum fosse uma falha e não a própria teia do mundo. Esquece-se de que a vida não opera por hierarquias nem medalhas; ela apenas pulsa, indiferente aos delírios de grandeza. E é justamente aí que se revela o paradoxo: ser comum já é uma forma secreta de singularidade, pois nada mais raro do que existir sem precisar provar brilho algum.
O que a psicologia do self nomeia como vazio central não é preenchido por objetos exteriores — nem por status, nem por acumulação, nem pela superfície narcísica que o consumo promete restaurar. A inquietação que persiste por baixo da conquista é sinal de que o ego não encontrou ainda relação suficientemente boa consigo mesmo. Winnicott chamou de verdadeiro self aquilo que se constitui apenas onde há autenticidade — e a paz que dele emana não precisa de audiência, não requer espelho externo: sustenta-se no reconhecimento silencioso de quem sabe quem é, mesmo quando ninguém está assistindo.
O mecanismo que a clínica reconhece como adiamento existencial tem estrutura de dívida psíquica: vende-se o presente em nome de um futuro que raramente chega com a forma prometida, e o passado cobra com juros de sentido — não em moeda, mas em sonhos não realizados, em percepções tardias do que poderia ter sido. O que se perde não é o tempo cronológico, mas a capacidade de habitar o instante: o sujeito torna-se mendigo não do futuro, mas do agora — estendendo a mão não ao relógio, mas àquilo que, dentro dele, já não sabe como acessar. E assim avança empobrecido, não de horas, mas de experiência real.
O que Homero inscreveu em Thersites, a clínica reconhece como formação reativa: o sujeito incapaz de sustentar o próprio desejo projeta no brilho alheio a fonte de sua angústia. Não combate porque critica; não constrói porque corrói. A ironia do ressentimento é que ele sempre acredita estar denunciando a fraude do outro, quando na verdade está confessando a própria insuficiência que não suporta examinar. A voz que nivela por baixo não nasce da lucidez — nasce do medo de que a coragem dos outros revele o que faltou em si. Essa figura não pertence apenas ao mito; a clínica a encontra com frequência onde a impotência não encontrou outro caminho de expressão senão a demolição.
Vive-se uma época em que a liberdade — individual e econômica — é proclamada como fim supremo, enquanto, em paralelo, a autonomia é silenciosamente entregue a objetos que não pensam, não sentem, não sofrem, mas passam a orientar o modo de viver. Busca-se independência e aceita-se condução; exalta-se escolha e pratica-se delegação. E, nesse paradoxo, quanto mais se fala em liberdade, mais se normaliza a dependência que a esvazia.
Amar foi cronometrado, comprimido entre tarefas, como se coubesse no intervalo entre compromissos. Tornou-se item de agenda, gesto apressado, presença fragmentada. Mas o amor não obedece ao relógio: exige duração, atenção inteira, disponibilidade que não se mede. Quando se tenta encaixá-lo no tempo útil, ele se esvazia — permanece o ato, perde-se o encontro.
ENFIM 40
Sabe como eu me sinto?! Que "a vida começa aos 40".
Pra falar falar a verdade me sinto mais forte, leve e seguro do que quando eu tinha 20 ou 30. Só tenho que agradecer a Deus por ter chegado até aqui. " Até aqui nos ajudou o Senhor".
Parece algo tão distante, mas, acredite, é um "piscar de olhos".
Parece até que foi ontem que eu era ainda menino.
A vida não é linear como pensamos. Na verdade, são composições de fases, transições que nos vão levando a um destino... Ciclos com inícios e términos baseados em escolhas, onde cada escolha, por mais simples que seja, tem peso decisivo no resultado de sua vivência.
Se me arrependo de escolhas que fiz??! Sim, muitas! Às vezes até me lamento por isso... Se no passado eu tivesse a experiência que tenho hoje não teria errado tanto, teria feito tudo diferente ( assim dizemos nós.
Mas se não fossem os aprendizados que tivemos durante a vida, por mais dolorosas que tenham sido, teríamos a experiência e clareza que temos hoje?
Nos perdoem crianças por sermos cuidadosos, às vezes até exageradamente. Vocês não gostam quando "pegamos nos pés de vocês " mas é que não queremos que sofram como nós sofremos, nem passem o que nós passamos.
Hoje eu olho para uma criança, adolescente , um jovem e me vejo. Hormônios "a flor da pele", achando que sabem tudo, que viver o hoje é o bastante... mas o tempo passa e, acredite, é um "piscar de olhos" e chegará o tempo que você vai olhar para trás e vai dizer :
" Parece que foi ontem em que eu era apenas um menino. "
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