Veio e Passou como um Cometa
Entre o Silêncio e a Luz
Há retratos que não revelam um rosto,
mas desvendam uma alma.
Na quietude de um quarto envolto em sombras suaves,
alguém ergue a câmera, não para capturar o mundo,
mas para encontrar aquilo que o mundo não vê.
O instante parece comum:
uma manhã qualquer,
um tecido repousando sobre os ombros,
a luz atravessando a janela sem fazer alarde.
Mas a beleza verdadeira nunca chega fazendo ruído;
ela se acomoda devagar nos detalhes.
Há cansaços escondidos sob a delicadeza,
histórias guardadas entre os fios dos dias,
lembranças que aprenderam a permanecer em silêncio
para não interromper o curso do tempo.
E, ainda assim, existe uma força:
uma força que não grita,
não disputa espaço,
não precisa provar nada.
Ela habita os corações que continuam a acreditar,
mesmo depois das despedidas,
mesmo após os sonhos adiados,
mesmo quando a vida exige coragem
para recomeçar sem garantias.
A lente aponta para fora,
mas acaba revelando o interior.
Porque toda mulher que aprende a sobreviver às próprias tempestades
carrega no olhar uma espécie rara de luz:
aquela que não vem do céu nem do sol,
mas das cicatrizes transformadas em sabedoria.
Talvez seja isso que torna certos momentos eternos:
não a perfeição da imagem,
mas a verdade escondida nela,
a capacidade de permanecer inteira
num mundo que tantas vezes tenta fragmentá‑la.
E enquanto o tempo segue seu caminho inevitável,
ela permanece ali, entre o silêncio e a luz:
colecionando instantes,
costurando esperanças,
transformando ausências em poesia.
Porque algumas pessoas não atravessam a vida apenas vivendo,
elas atravessam‑na iluminando.
E, sem perceber, tornam‑se a mais bela fotografia
que o próprio destino foi capaz de revelar.
Sem você.
Sem vc eu sou um vazio.
Sem vc eu chorei.
Sem vc eu desabei.
Você derrubou todas as minhas berreiras que construi.
Você me clareou, e me escureçeu.
Não sei se foi sua intenção, mas doeu.
Promesas não cumpridas.
Promesas falhas.
Momentos apagados.
UM casal morto.
Promesas compridas e não compridas.
Um talvez em outra vida.
Uma amizade desfeita.
Um possivel casal arruinado.
Conversas de madrugadas, Agora esquecidas.
Medos compartilhados.
Desabafos profundos.
Uma vida juntos.
Tudo acabou em um dia.
Tudo se foi em 24horas.
VOCÊ se foi em 24 horas.
E em 24 horas eu me perdi, eu me corrompi.
Eu chorei.
Eu senti.
Eu amei.
Eu sofri.
E eu espero você voltar.
1 ano, 2 3 4 5 anos. eu estarei aqui.
Eu estarei te esperando minha princesa.
Pode estar vivendo sua vida.
Curtindo.
Festejando.
Beijando.
Mas eu sou o caso indefinido pra sempre.
Eu sou a sua saudade proibida.
EU sou sua fraqueza.
Em toda minha vida nunca pensei que seria vc.
Você me encantou em cada detalhe.
Mas se você quiser voltar... hahahah.
Meu coração agora pertence a outra.
Você teve sua chance e á desperdiçou.
Tudo foi uma brincadeira pra você não é.
A vida e o amor não é uma opção é uma escolha.
E você fez a sua.
BOA SORTE BABY.
Quando vc vê que não sou eu do seu lado na cama.
Não chore.
Não me ligue.
Não me faça sentir algo por vc.
Eu ainda te amo.
Eu ainda te quero.
Mas meu coração pertence a ela.
Irônico.
Antes era seu.
Agora é de outra.
Engraçado.
Eu so queria um amor.
Mas recebi um gelo.
E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.
Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.
"O maior tesouro que alguém pode acumular é um repertório de experiências profundas e a capacidade de enxergar a poesia escondida na simplicidade."
"Quem acumula livros, ideias e o domínio de si possui um patrimônio imutável, imune às crises fiscais e ao desgaste do tempo."
Carrego em mim palavras não ditas,
guardadas no silêncio de um olhar.
Promessas esquecidas ou perdidas,
que podem fazer sorrir ou chorar,
ou até florescer no ar.
Carrego rabiscos sem destino,
tímidos, sem coragem de sair.
Esperam virar traço e caminho,
virar cor para o mundo construir,
e alguém poder sentir.
Carrego canções ainda caladas,
vivendo em perguntas sem fim.
Leves melodias, meio guardadas,
que passam e voltam em mim,
e fazem o dia assim.
Sob as Estrelas
Sabe quando você olha para as estrelas
e, por um instante,
confessa a si mesmo um silêncio estranho?
Não senti nada.
Nenhum vestígio de sentimentalismo,
nenhuma chama de amor,
nenhum eco de paixão.
Nem medo,
nem solidão.
Apenas o vazio,
sereno e indiferente,
ocupando todos os espaços.
Como se eu estivesse suspenso
num limbo descartável,
entregando a vida à mercê de um tempo
que nem sei se possuo.
E, ainda assim,
tanto faz.
As nuvens,
com suas formas imperfeitas,
atravessam o céu
como cicatrizes que não desaparecem.
Elas me lembram
que as desconstruções do amor
também deixam ruínas.
Talvez seja por isso
que não sinto nada.
Ou talvez eu sinta demais.
Talvez o vazio não seja ausência,
mas defesa.
Porque, no fundo,
não é que eu não possa sentir.
É que, desta vez,
eu não quero.
Uma noite tão doce em clima de festa duas mãos se tocam em um
belo arraia de luz da lua que transformava nossa pele em um tom azul sem imensidão do tamanho do nosso amor que sentimos até nos simples tocar de mãos que me faz arrepiar em delírios de amor.
O amor você pode tudo, você pode beijar verdadeiramente,
abraça verdadeiramente e dá um selinho
verdadeiramente.
Você pode amar e ser amado, você pode cuidar e ser cuidado.
Além das boas emoções que o cérebro recebe por causa da energia vital do amor que alimenta o próximo fortemente e simplesmente você pode chamar de môh ou mozão e ser zelado pelo seu amor infinitamente.
Um Punhado de Poeira Cósmica
há 13.8 bilhões
de anos,
o universo vem reunindo
os átomos
em movimento constante,
de infindáveis
maneiras,
para formar galáxias,
estrelas, planetas
e vida,
em instantes únicos,
inigualáveis.
especificamente
hoje,
este instante é nosso;
único;
inigualável.
13/02/23
Michel F.M.
[A única coisa certa]
Um dia nossa vida vai acabar,
todas as vidas acabarão.
Um dia nosso planeta se encerrará,
todos os planetas encerrarão.
Um dia nosso sistema dissolverá,
todos os sistemas dissolverão.
Um dia, nossa galáxia se extinguirá,
todas as galáxias extinguirão.
Um dia, nosso universo, se apagará,
todos os universos, apagarão.
Um dia o próprio tempo terminará
E com ele, todos os dias terminarão.
Pois só há uma coisa que perpetua
E não é a vida, não são os universos,
Nem os sonhos ou sofrimentos,
Não é a infinitude, nem o tempo.
Não é o começo de nada e nem o meio,
A única coisa certa, é o fim.
13/06/23
Michel F.M.
[Mestre dos Pretextos]
Um indivíduo sociável
Em estabilidade pueril.
Não subestime a descrença,
Tudo que decorre é premeditado,
Ainda que subitamente.
Há muito, mas muito tempo,
Cerca de trinta ou quarenta minutos,
A verdade veio à tona,
Necessidade incontrolável
De mentir para ti.
Tem sido assim
Desde Eras imemoriais,
Surtos acalorados
De falsas promessas.
Uma culpa minha,
Particular e exclusiva,
Talento nato, lapidado,
A pedra bruta esculpida.
Então essa conversa fiada,
Contrastou em meus ouvidos afiados,
Combinações de palavras belas, ocas,
Dentes e bocas, um banquete aos canibais.
Comigo não, mademoiselle,
Deixe de amadorismos,
Estás num campo a desbravar,
Onde comandam generais.
Dialoguemos pois,
Frases curtas em longos textos,
Não me venha com desculpas,
Está diante do Mestre dos Pretextos.
(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)
[O Homem que Lascou a Pedra]
E assim tem sido,
Um saboroso desmembramento
Num esquecido desenrolar,
Das rupestres garatujas,
Cavernosas,
Aos hieróglifos cintilantes
Dos smartphones,
Quase sempre trata-se de algo
E alguém.
O relacionamento
Mais duradouro
Que estabeleci na vida,
Foi entre eu e minha barba.
Não inventei a roda,
Desconheço as teorias totais
Que tratam de tudo,
Pra onde vai ou de onde veio.
Não entendo de espaço
E assim despeço-me,
Da exclusiva forma que conheço,
Observando deflagrarmos
Tamanha diarreia atitudinal
Contra nossos pares.
Entre Sapiens e Sapiência, registro:
Não nasci para horários,
Agendamentos, expedientes,
Turnos, períodos, escalas,
Compromissos ou rotinas.
Já passei dias a fio
Rascunhando poesias
E tão somente fiando,
Em paz ciente, poesias,
Sem nem mesmo me dar conta,
Neste pequenino multiverso,
Que no último milhão de anos,
O dia virara noite e a noite virara dia.
(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)
[O Colecionador de Vácuos]
Quando tivermos deixado a Terra,
Um último olhar para esfera azul,
Um último sopro do vento na face,
Tesouro selado que deixa o baú.
Quando tivermos deixado a galáxia,
Se encerra o sorriso estampado no rosto.
Realizados feitos fantásticos,
Sabores longínquos para todos os gostos.
Quando varrido o universo tivermos,
Todos segredos estarão revelados,
Todas perguntas enfim respondidas,
Missão concluída, sonhos realizados.
Daí saberemos, que nada mudou.
Assim saberemos, que nada mudou.
O tédio infinito que rasga o cosmos,
Vazio incontável, buraco sem fim.
(Michel F.M. - Revolesia: Volume Único - 2023)
Rima sobre Rima
(ou a Monografia Senil
de um Inovador Ultrapassado)
Do barulho infernal,
Ao brilho cegante,
Energia estridente,
Dissipada em instantes.
Nós somos as massas
E as minorias,
Saboreamos o bônus
E as consequências.
Fomos barbárie em harmonia,
Trouxemos uniformidade e conflitância.
Regamos os buquês floridos da melancolia,
Eufóricos desenfreados, anatomistas.
Portamos as causas e as epifanias.
Éforos da argumentação,
Baboseiras intimistas,
Infinitas.
Estratagemas, pilherias,
Ardis e trapaças,
Emboscadas, astucias,
Arapucas, ciladas.
Não fazemos ideia
Dos porquês,
Ocupamo-nos
Apenas, do aroma dos buquês.
Que restem penas,
Cheiros, perfumes, odores,
Penachos, farroupilhas.
Que restem arenas,
Termas, gladiadores,
Pomares, pantomimas.
Que seja esta nossa sina.
Que reste apenas,
Rima sobre Rima.
(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos)
[Mensagem Fora da Garrafa]
O que é meu é para mim
e do teu quero um pouco,
vida estreita num segundo.
Ela se apresenta assim,
feita para alguém
e dedicada à todo mundo.
O que é seu é para ti
e do meu defeito louco,
a rudeza em tom imundo.
Invejo profundamente
pessoas que conseguem escrever
sobre a paz, em tempos de guerra,
Eu só consigo escrever
sobre a guerra,
mesmo em tempos de paz.
Tudo que se ganha é de grátis ?!
Não se engane,
o MUNDO está acabando,
Desde o princípio.
da pétala ao cabo,
só quero ser efêmero
como a flor,
porque ela pode acabar
e eu não ?!
Mas seja como for,
sei que um dia ainda me acabo,
Por aí.
O que é seu é para mim
e do teu não quero pouco,
há pureza num tom profundo.
O que é meu é para ti,
eis nosso defeito louco,
VIDA estreita num segundo.
Feita para alguém,
Ela se apresenta assim,
Dedicada à todo mundo.
(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)
[Contra-plongèe]
Toda sociedade humana
até agora,
foi caracterizada
por um elaborado sistema
de controle
e condicionamento,
que tem como fundamento
a submissão
da maioria,
para obtenção
de benefícios e privilégios
pessoais e estritamente
particulares,
de uma minoria,
que nega e sufoca
sua própria natureza social.
O que nos resta
é a desobediência,
o que nos cabe
é a insubordinação.
As regras, leis,
regulamentos, estatutos,
resoluções, moralidades,
protocolos, paradigmas,
são criados
pelos que têm poder,
para subjulgar
todo o resto.
Nosso único dever
é sobreviver,
pelo tempo que pudermos,
da melhor forma
que pudermos,
essa é nossa obrigação única
para conosco.
Emergir do furioso turbilhão,
que suga e digere toda
intenção despretensiosa,
que esfola nosso humanismo
e escalpela nossa dignidade,
oxigenando uma vez mais,
nosso fadigado sopro existencial.
19/09/23
Michel F.M.
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