Veio e Passou como um Cometa

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Praticar o bem não é uma ação episódica a ser planejada para um momento futuro, mas uma postura permanente a nortear a condução do ser social.

Quando me sinto extremamente fragilizado por um tempo maior do que o razoável para me sentir dessa forma tenho que me questionar se é a vida mesmo que está me batendo muito forte, ou se sou eu que estou me posicionando de forma inadequada frente a ela. Muitas vezes não é o mundo que é tão ruim quanto parece, mas nós é que somos fracos demais para amenizar os impactos que outros rebatem sem maiores dificuldades. Esse entendimento é fundamental para uma decisão que pode fazer toda a diferença: devo concentrar minha energia para mudar o contexto à minha volta ou o que tem que ser mudada é minha postura interior de reação? A solução pode estar na resposta a esta pergunta!

Cada qual adota o comportamento que é melhor para sua vida, e a escolha é um direito inalienável da pessoa humana. Nosso histórico de perdas e ganhos é que vai nos mostrar qual o melhor modelo, daí porque há de se buscar entender e respeitar as diferenças.

Quando não se sabe separar assuntos verticais dos horizontais, um deles acaba sempre por se transformar num grande problema.

Cada um a seu nível, o homem erige monumentos, entalha frases em árvores, imprime sua pegada no cimento ou até escreve nas portas dos banheiros. Mas
o ponto comum é que todos buscam, de alguma forma, deixar a marca de sua passagem. O maior de todos os crimes é se omitir.

O sucesso deve ser um estado buscado mas nunca atingido, já que o maior dos problemas é satisfazer-se e parar de buscar.

Não são ações radicais – ou grandes desatinos – que promovem mudanças definitivas. Um mundo mais justo se constrói pela cidadania levada aos pequenos atos de cada dia.

A vida é um drama sem meia-entrada onde uns escolhem pagar o ingresso mais caro para assistir da platéia, outros atuam nos bastidores em troca de casa e comida e os que não podem pagar nem a frisa são postos para fora.

Todo mundo tem direito de interromper um convívio por não gostar de uma pessoa e senti-la interferindo no seu emocional. Mas o desistir de alguém se mostra mais sensato quando a razão, e não a emoção, é o que norteia o rompimento, ao se concluir que a natureza irreversivelmente distorcida do outro nada nos acrescenta, tornando a distância a única garantia de preservação do bem maior, que é a nossa paz.

É mais fácil esquecer e perdoar um desatino grave - mas pontual e episódico - do que os que se mostram recorrentes, numa alternância entre malfeitos e arrependimentos que minam tudo o que antes fazia valer o relacionamento. Enquanto os primeiros o tempo naturalmente se incumbe de apagar, seu transcurso nestes últimos só reforça a certeza de que a única forma de ter a paz de volta é o distanciamento do foco gerador de maneira inadiável, decisiva e irreversível. Como já alertava Oscar Wilde, são os pequenos atos de cada dia que fazem ou desfazem o caráter.

A forma de criar um escudo protetor contra as pessoas que nos constrangem o espírito é primeiro criar para nós mesmos as regras de convívio que estabelecemos com elas e em nenhuma circunstância abrir mão delas para que descubram que não podem atingir-nos com sua prepotência, tentativas de insurgência ou poder de intimidação. A segunda medida é definir canais de contato que nos permitam refletir sobre o que nos pedem, avaliar tudo o que possa induzir-nos a erro e escolher com toda cautela as decisões que se mostrarem mais confiáveis.

Estado de graça: “Minha nossa! Nem em sonhos poderia imaginar tanta coisa grande ao alcance de um passo!”
Estado de raiva: “Mas por que, caramba, demorei tanto no pequeno, com toda essa imensidão pedindo para ser vivida?”

Algumas pessoas têm sérios problemas de expressão e interpretação para sustentar um debate de idéias com elegância. Em tais casos o silêncio os favorece com nossa dúvida, mas quando insistem em falar nos presenteiam com a certeza.

Deixa-se de ser um menino para tornar-se homem quando se faz uso de consciência e humildade para entender e corrigir erros como rito de passagem.

Constatar um erro que cometemos é sempre desagradável. Deixar de aprender com ele para não precisar repeti-lo é incompreensível e pouco inteligente. Mas cometer o mesmo erro pela terceira vez não é apenas inadmissível: exige cuidadosa análise do histórico para concluir se é caso de doença ou de pura falta de caráter.

Tanto quem concede o perdão quanto o perdoado firmam, no exato momento em que se expressam, um compromisso entre si: pelo perdoado, o de deixar no passado seus erros e partir para um novo começo; pelo que perdoa, o de valorizar a decisão como momento de mudança, não se dispondo a repeti-lo em outras ocasiões e se tornar conivente com o desvirtuamento de seu real propósito. Ao concedê-lo a Madalena, o próprio Cristo não afirmou que voltaria a faze-lo. Antes lhe disse: “Vai e não peques mais!”

Acreditei um dia que ensinar era o que me promovia integral realização até descobrir que gostava bem mais ainda de aprender... Compreendi então que o verdadeiro educador é aquele que se mostra insaciável na sua fome de conhecimento e desenvolve uma incontrolável necessidade de permanecer como eterno aprendiz.

Frente ao vazio do presente e o descrédito quanto ao
futuro, a dor pela visão de um passado irreversível pode
ser o lenitivo que preenche o sentido de se estar vivo.

Quer me mentir? Então faça-o de tal forma que, ainda que eu venha a detestá-lo um dia por ter-se mostrado o canalha que é, com certeza terei respeito pela sua capacidade de me enganar com tamanha competência. Não há nada que mais me irrite do que o mentiroso que me faz sentir subestimado em minha inteligência, pois que deixa evidente sua idiotice até para tentar bancar o esperto!

Possivelmente um sofrimento dos mais dolorosos é quando descobrimos que tivemos nas mãos a chance de sermos felizes e a desperdiçamos, por conta de razões bem menores. E essa dor se faz tão maior quanto sua irreversibilidade, posto que, sem o remédio, se transforma num mal crônico e incurável.