Vc foi uma coisa Boa na minha Vida

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DE UM GRANDE AFETO IMPROVÁVEL

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Quase nunca, mas ocorre uma pessoa ter tanto carinho, amizade – e respeito – por outra, quase sempre de outro gênero, que acabe se permitindo certos desprendimentos e confidências, e com real pureza de propósitos ou intenções. Isso pode ser um problema, se toda essa carga de sentimento e confiança não for correspondida com exatidão pela outra parte. Aí surge aquele pé atrás e vem o distanciamento sem prévio aviso, de quem não está preparado para tanta entrega e tamanha falta de noção resultante da certeza de uma recíproca irrestrita, o que justificaria essa cumplicidade.
Temos que ter freios e filtros, para não sermos tão seguros da igualdade afetiva do outro, pelo menos até que o outro dê sinais relevantes da mesma intensidade; a mesma entrega; os mesmos tons. A coincidência do exato afeto raro na extremidade oposta é ainda mais rara do que o próprio afeto. Poucos indivíduos têm estrutura para viver algo tão delicado, belo e ao mesmo tempo tão fácil de ser confundido na linha tênue que o separa do abuso. É compreensivelmente normal que tanta gente se arme contra sentimentos tão improváveis – e suas manifestações tão peculiares –, pela natureza misteriosa dessa raridade. De fato, muitas pessoas fingem essa pureza de alma e coração, para cometerem dissimuladamente certas improbidades pseudo-afetivas.
Finalmente aprendi que o encontro de duas almas tão similares e alheias a desejos comuns é um grande acontecimento. Mas temos que ter bom senso, muito critério e profunda observação do outro, para termos certeza de que o encontro é incontestável. Não sendo o caso, as nossas demonstrações intensas de amizade extrema podem gerar temor, conflito, aversão e, às vezes, alguma medida radical. Tenhamos inteira consciência da sociedade na qual vivemos, e sendo assim, respeitemos completamente o direito alheio à não recíproca ou à relutância em relação ao caráter de nossa entrega.
Sobretudo, saibamos reconhecer o equívoco de nossas expectativas e identificar a hora de retirar os excessos... tornar comum o que é especial... tirar do plano superior o que nutrimos sozinhos e assumir uma relação como qualquer outra. É inconcebível que o ser humano desperdice comida, tempo e afeto.

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PERDÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Raivoso e no auge de uma discussão, chamei o indivíduo de cão sarnento. Gritei, mesmo, em alto e inequívoco som: “Seu cão sarnento! Seu cão sarnento!”. Ele se assustou com a minha ira e se foi. Achou melhor não continuar ali, destilando aquela ironia que me deixara transfigurado. Adivinhou meu próximo passo, que seria fazer com ele o que meninos malvados fazem com os cães sarnentos que proliferam nos subúrbios.
Mas devo confessar que, passado aquele momento refleti. Comecei a sentir um remorso imenso do que fizera. Da ofensa impensada e descabida que tanta gente nem acreditou ouvir da boca de uma pessoa que sempre tenta ser tão serena, reflexiva, social e até ecologicamente correta. Cheguei à conclusão de que fora intempestivo, cruel, truculento e desumano em meu xingamento, especialmente pela comparação que fiz.
Não demorei a vencer o brio e fazer o que era certo. Fui pedir perdão. Não tinha ideia de como seria recebido, mas fui lá. Vesti a coragem de ser humilde, assumi o risco de ser humilhado, abri meu coração e parti para o desafio às cegas. Um desafio que terminaria espantosamente bem, porque fui recebido como se nada houvera. Como se eu nunca tivesse gritado aquelas ofensas que ainda ecoavam em minha mente.
Meu alívio foi total. Tirei das costas um peso que não podia levar por longo tempo. Minha consciência me condenava duramente. Eu mesmo já me punia. Não conseguia me perdoar pelo comportamento insano. Fui surpreendido com uma lição de humildade, ao ser acolhido com afeto. Não precisei me humilhar para ser perdoado. A comunidade canina, muito melhor do que o ser humano, já me perdoara no ato da ofensa.

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LETRA NOVA PARA UMA VELHA CANÇÃO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

É tanto pranto
para chorar,
que é como ter
um mar em mim...
Guardo as águas
de muitas mágoas;
dor sem fim.

Em minha estrada
sem horizonte,
não acho ponte
pra outro amor...
Morro aos poucos,
na solidão
dessa dor.

Estou sem céu,
sem lua, estrelas,
meu caminhar
é infinito...
Abafo angústias
e meu silêncio
devora o grito.

Nem mais espero
a quem amar
como te amei
num tempo findo...
Já não vivo,
percebo apenas
que vou indo.

Agora eu sei,
não há no mundo
um sentimento
mais denso e fundo...
Este amor
é minha sorte;
vida e morte.

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VOLTANDO A CHORAR

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Passei muitos anos sem chorar. Sem verter uma lágrima; fosse de alegria, tristeza, dor. Era um ser humano impassível por fora. Cheio de sentimentos; ressentimentos; emoções contraditórias; porém, sem pranto.
Quando minha mãe morreu, a maior dor que já senti foi também minha cura. Rachaduras imensas se abriram dentro de mim, para que o Velho Chico acumulado em minh´alma entornasse todo. Fiquei surpreso comigo, ao recuperar a capacidade perdida. Sabia que não me tornara desumano, mas criara uma casca bruta, grossa e destruidora para o meu ser, que definhava dentro do corpo.
Naquele momento, eu chorava copiosamente pela mãe que tanto fiz chorar quando saí de casa. Quando fui conhecer o mundo e a fiz andar por longo tempo em meu encalço, numa luta insana para me acompanhar sem ser percebida. Para saber com quem eu andava. Quem me acolhia e dava guarida. Sobretudo, para não me perder de vista e ao mesmo tempo não negligenciar meus oito irmãos.
Chorar a morte de minha mãe foi reencontrar minha humanidade. Fazer voltar ao âmago meu eu perdido. Esquecido entre os escombros da primeira infância triste, reprimida e de violência paterna, que depois virou abandono paterno e obrigou a todos nós – meus irmãos, nossa mãe e eu – lutar com unhas e dentes contra um mundo que não nos deu moleza. Uma vida que nos testou muito além dos limites.
Mas vencemos. Foram muitos anos, e muita gente pensou que não sobreviveríamos, mas vencemos.
E a minha mãe – nossa mãe Maria de nove santos demônios revoltados por todos aqueles anos de muitas privações e quase nenhuma esperança – nunca esmoreceu. Nós os filhos, muitas vezes esmorecemos; porém ela juntou filhos, mundo e vida, carregou a todos nas costas, no colo e no coração, sempre que os nossos passos cederam ao peso de uma realidade que fechava todos os horizontes.
Depois que minha mãe morreu virei manteiga derretida. Não por coisas grandiosas nem emoções criadas para fazer chorar, mas por sutilezas. Delicadezas entranhadas nas brutalidades do mundo e percebidas por mim, que aprendi a percebê-las. Vira e mexe um acontecimento sutil, de significado ou ressignificado discreto me arranca lágrimas também discretas, e às vezes, até nem tão discretas.
Mesmo na hora da morte, minha mãe fez algo tamanho por mim. Ela me curou de não chorar. Devolveu minha percepção emocional. Fez-me rever a vida pelo prisma da simplicidade, o valor do afeto, a beleza em nuances e o quanto precisamos uns dos outros, quer sejamos família, familiares, amigos, colegas, vizinhos e até conhecidos de nos cruzarmos nas ruas em direção à padaria.
Só tive, pela vida inteira, motivos para ser grato à nossa mãe. E à vida, com todas as pedras no caminho, por todos nós, os nove, sermos cheios de graça, porque somos filhos de Maria... de Maria do Mundo.

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EXPRESSO 666

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Há um Cristo forjado entre seres de bem;
uma crista que aguça exaltações febris;
um além prometido pra este momento
em que todos precisam de alguma miragem...
Multidões enaltecem a lenda fugaz;
bradam raivas ungidas, fanatismo pátrio;
pregam paz e guerreiam redundantemente,
por efeito maciço de alguma hipnose...
Um rebanho tangido por gritos de ordem;
umas tristes ovelhas alegres de tontas;
todas prontas pro dia de seus holocaustos...
São regidas por ódio e por frases sagradas,
vão marcadas pra terem uns dias de glória
e depois amargaram seus anos de culpa...

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APELOS MODESTOS

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Quem tiver um amor sobrando aê,
uma sobra de afeto – qualquer um,
qualquer prisma, soslaio dum olhar,
venha ver quanto bem lhe faço em troca...
Serei grato por gestos e palavras,
por afagos discretos nos cabelos,
minha lavra de sonhos e carências
tem apelos modestos e sutis...
Eu aceito até beijo em minha testa;
faço festa por mão mais generosa
e não vou exigir além da conta...
Tenho tempo; quem sabe lhe seduzo,
mas me privo de abuso e peço aê,
sua esmola de afeto inicial...

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PROMISSÓRIA DO MUNDO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Uma voz me convoca pra onde não sei,
cada dia mais perto baforeja n´alma;
feito lei que se cumpre com termo de busca;
faz arresto e me cobra os impostos do tempo...
É a voz da ciência do que já vivi
ou dos passos que o mundo permitiu aos pés,
do que vi desta vida e fiz dos meus caminhos
e me dei de presente para ter futuro...
Lentamente o passado processa meu ser,
porque ser o que fui com tal fome voraz
o feriu tão a fundo pela consistência...
Promissória do mundo estendida sem dó;
uma só dentre as notas desta não canção
do silêncio da voz que fala e cala em mim...

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CAMINHOS DO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Uma troca de opostos e recusas
que se aceitam no vão das oponências,
desafiam dormências e silêncios
latejantes na sombra do querer...
O amor das impossibilidades,
dos carinhos com farpas e faíscas,
com verdades que tentam se ferir
em um ringue de abraços disfarçados...
Eis o ponto em que nossas diferenças
podem ter semelhanças decisivas,
fontes vivas de sonhos em comum...
Descaminhos se cruzam no vazio
e vazios preenchem um ao outro,
sobre o fio que logo será ponte...

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REFLOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Um amor vem distante; já consigo ver;
uma brisa me beija e fica seu aroma;
minha soma de vidas revela o que sinto,
já no broto que mama no seio do tempo...
A minh'alma grisalha teme o verde amor,
um orvalho me cobre de sonhos dormentes,
vejo dentes-de-leite na boca do espaço
e a flor dos anseios está no botão...
Mas também me conheço e me vejo sofrer
até ver que o que tenho são muitas lembranças
e serão de saudades as outras vivências...
Quanto menos tiver pra recordar no fim
será menos em mim pra secar e ruir
ou morrer de morrer de sentir novas dores...

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A MESMA PESSOA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quero em cada pessoa, realmente uma;
não importa o momento que atravesse agora,
seu outrora, o futuro que faz cara incerta
ou a mágoa recente (que não provoquei)...
Venha triste ou feliz, mas a mesma pessoa
no sorrir, no chorar e dizer o que dói,
na peleja e na loa, seja enferma ou sã,
caçarei o seu eu nos desvãos de su'alma...
Prezo cada verdade como veio a mim;
não as formas diversas, as conveniências,
a má fé ou doença do próprio caráter...
Vejo em todos os seres o que se mostrou
nos instantes da faixa de apresentação
e do show na versão que se vendeu pra mim...

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AS NATUREZAS OPOSTAS DO PERDÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quem não cobra uma dívida; não se vinga de alguém que lhe fez mal... quem finge não entender ofensas, desfeitas e desconfianças; deixa para lá o desprezo, a injustiça e a preferência que o preterem, este sim, perdoa... mesmo que não fale manso, não se forje contrito e não sorria ou abrace a contragosto, por mandamento e promessa divina.

Muitas vezes, o perdão se faz acompanhar de reaproximação e festejo; regozijo e 'reconfiança'... mas tantas outras, de uma cautela que o bom senso recomenda, para que outro evento indesejado não torne tudo ainda mais grave que antes do perdão. Isso varia de perdoado a perdoado; de perdoador a perdoador, com os seus temperamentos e as previsões baseadas em alguma reincidência, por exemplo.

Também tenhamos cuidado com a seguinte hipocrisia: acharmos perdoável quem queremos perdoar ou que alguém perdoe, mas acharmos imperdoável quem não conseguimos nem aceitamos que o outro perdoe. É nesse ponto que o perdão perde a idoneidade, por se tornar seletivo e camuflar seus conflitos de interesses.

Tudo soma-se ao fato inquestionável que nossas asas são de cera... elas se derretem ao calor de momentos e não as recompomos com facilidade. Somos inapelavelmente humanos, por mais santos que pretendamos ser aos olhos de quem nos interessa por motivos nem sempre relevantes.

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⁠VENDILHÕES DO PRÓXIMO

Demétrio Sena - Magé

Com uma trajetória marcada pelo amor, a humildade, o perdão e todo bem que fazia sem exigir nada em troca, Jesus Cristo ficou furioso apenas uma vez. Esse não era o seu normal... foi um destempero do Jesus humano, que nunca se repetiu. Ele mesmo deve ter se repreendido por perder a cabeça e agredir pessoas, ainda que por motivo compreensível.

Os cristãos raivosos e truculentos em razão de um projeto politicopartidário de poder, de uma série de preconceitos injustificáveis e do fanatismo que há muito deixou de ser apenas por questões religiosas (o que já era ruim) adoram citar o Cristo destemperado e agressivo, quando impõem seus pontos de vista extremos e radicais... quando querem ser obedecidos e ostentar comando... e isso não tem nada a ver com vendilhões do templo, pois eles próprios são vendilhões, entreguistas e negociadores inveterados da própria fé.

Esses mesmos cristãos dizem, constrangidos, que Deus É Amor, mas rasgam a boca para gritar que Ele também É Fogo Consumidor... fogo! Ira! Raiva! Destruição, castigo, pragas do Egito! Josué e seus homens invadindo cidades e dizimando seres humanos! Davi decapitando Golias após matá-lo! Sodoma e Gomorra em chamas, a humanidade afogada no dilúvio... guerras... monstros do apocalipse, o caos. Deus não Serve, depois de mandar o filho à terra em missão de paz, com palavras e práticas de amor... sem espadas e varapaus... e sem as Marias Madalenas apedrejadas.

O evangelho dos Cristãos de hoje não é o de Cristo. Cristo é cheio de mimimi, para os que abarrotam templos com suas manias de grandeza... seus espíritos extremistas de políticos e lacaios da repressão e da ditadura. Usam a figura de Cristo, por ele já não estar aqui para repreender sua truculência e má fé. Para tais cristãos, Cristo bom é Cristo morto.

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⁠DE COMO SE CRIA UMA DITADURA

Demétrio Sena - Magé

O extremismo doentio de uma fé coletiva irresponsável, comandada por líderes religiosos loucos e gananciosos aliados a um líder político nazifascista poderoso, funciona mais ou menos assim: Primeiro, com o auxílio de alguns cidadãos mais ou menos elitizados, que já são retrógrados de nascença, são arrebanhados os cidadãos mais fáceis de amoldar, para serem domesticados com falsos discursos nacionalistas, cristãos e de otimismo engessado. A domesticação inclui, entre outros recursos, uma lavagem cerebral que derruba todas as suas admirações por ícones ativistas da cultura, da educação, das artes, da política e de movimentos indignados com as injustiças e desigualdades sociais. Essa lavagem cerebral tem no cardápio, desinformações históricas e difamações pessoais inconsistentes, com argumentos como “ouvi de fonte segura e fidedigna”; “quem me contou foi um primo da prima do primo de um amigo do primo”; “Ele/ela nem deve se lembrar disso, mas estudamos juntos e você nem imagina as coisas que sei” (...).
Após domesticados, os cidadãos amoldáveis aprendem a odiar, além dos ícones difamados, os cidadãos não domesticados; os membros de religiões não cristãs ou menos massificadas; os que resistem ao fanatismo e ao corporativismo extremista; os que pensam por conta própria e sabem ver além dos quadrados; os inconformados com as injustiças; os que se preocupam com os menos favorecidos. Estes, imediatamente são tachados como inimigos da pátria, comunistas (o que na raiz é um elogio), rebeldes e ateus (o que também é um elogio e muitos de fato são). Quando finalmente se forma um exército informal, de soldados bisonhos ou milicianos populares capazes de qualquer ato por seus líderes, institui-se uma ditadura... e se um dia, os líderes quiserem se livrar do exército inicial, facilmente farão com que tais multidões fanáticas pulem de viadutos e precipícios, acreditando que O Possível Deus, em sua Infinita Ociosidade se ocupará de fazer, um a um, pousar em câmera lenta, no chão... eis a queima de arquivo.

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RESTO DE POVO

⁠Demétrio Sena - Magé

Há um povo que foge do saber,
uma gente que busca ignorância,
quer viver de mentira e de aparência
pra sentir sua treva dominar...
Um rebanho nascido para o caos;
multidão num estouro indefinido,
no desfile dos maus; dos imbecis
que o cupido das sombras seduziu...
Tem um resto indizível de país,
muita rês infeliz que vai ao nada
e rasteja sem alma e coração...
Alegria infeliz e sem sentido;
esse povo esquecido por si mesmo
tece a teia da própria estupidez...
... ... ...
Respeite autorias. Isso é lei

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⁠DESDE QUANDO NÃO SEI

Demétrio Sena - Magé

Sempre tive uma dor que não posso explicar;
também sinto saudades de nada e ninguém;
tenho vastas lembranças do que não me lembro,
como quem se perdeu do coração e a mente...
Trago muitas tristezas que não sei por que;
lambo tantas feridas que nem vejo em mim;
há um fim sem começo, muito menos meio
em minh'alma cansada porque não se cansa...
Eu me olho no espelho sem saber quem vi,
porque nunca vivi e mesmo assim sou velho
de jamais ter nascido no vão de quem sou...
Na verdade não sou no mais fundo em meu ser,
por morrer desde quando me notei brotar
neste chão que não sinto nas plantas dos pés...
... ... ...
Respeite autorias. Isso é lei

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⁠CECI

Demétrio Sena - Magé

Anteontem ouvi uma linda canção antiga - e memorável - do cantor e compositor Roberto Carlos, mas cujo início considero deplorável, quando afirma: "Você foi a melhor coisa que eu tive".
A melhor coisa que já tive na vida é a Ceci. Ceci não é uma pessoa. É uma bicicleta bem antiga da Calói, que um amigo sabedor de minha paixão por antiguidades me deu. Ela roubou o status de outra velha bicicleta, da Monark. Eu jamais diria que uma pessoa é ou foi a melhor coisa que tive ou tenho.
Chamaria dessa forma qualquer traste humano, como chamo aquela coisa lá de Brasília... mas as pessoas que amo, amei ou mereceriam meu amor, se as conhecesse, não são coisas.

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⁠A DESRECEITA DO AMOR

Demétrio Sena - Magé

Não é uma só carne. Nem um só espírito. A máxima bíblica nunca deu certo. Faltou senso de realidade à inspiração do escritor. Também a máxima popular sobre almas gêmeas ou metades da mesma laranja está equivocada e sempre pautou relações abusivas de posses recíprocas. Donos um do outro. Na verdade, as relações em que ambos ou, pior ainda, um dos dois deixa de ser indivíduo falham desde o começo. E se ambos continuam juntos "até que a morte os separe", é porque a própria morte os uniu. Ambos morreram como pessoas ou um deles matou o outro, para supostamente viverem até que a morte física chegue, para dar uma carta de alforria.
Na verdade, quanto mais prisão, mais desconfiança e tristeza. No amor, a resiliência não é virtude. É desespero. As religiões pregam prisão como fidelidade. Pregam vigilância e repressão como garantia de uma felicidade que nunca será real. Uniões conjugais onde cada um decide os passos, as vivências, os fazeres, as crenças e até a profissão do outro, são bem sucedidas como "tempo de casa" ou estabilidade, mas mal sucedidas como relações de amor. Quanto mais liberdade, mais desejo de fazer o outro feliz. Quanto mais confiança, mais fidelidade amorosa e o compromisso recíproco de não trair justamente a confiança.
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#respeiteautorias Isso é lei

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⁠NEM POR FÉ

Demétrio Sena - Magé

Nem se fosse cristão, eu compraria
uma ideia de bençãos reservadas,
alegrias guardadas em armários
para servos ilustres; mais contritos...
Eu creria num Deus imparcial,
que não tem preferências, preterências
nem a "lei marcial" impiedosa
sempre a postos por erros só do outro...
E meus cultos seriam sem rompantes
de quem acha que Deus é serviçal
dos amantes venais de shows da fé...
Caso fosse cristão, não portaria,
como nunca portei qualquer certeza,
que Deus sempre seria meu mordomo...
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#respeiteautorias É lei

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⁠AO PADRE NEUTRO

(Pela forma suspeita com que políticos incomodados pedem uma CPI contra o Padre Júlio)

Demétrio Sena - Magé

Corra um risco na vida. Prefira estar enganado, porém se manifestar. A omissão é mais vergonhosa do que o equívoco. Aprenda com o que seu colega propõe, o valor de se arriscar pelo outro. As barras da batina e da liturgia não são esconderijos dignos dos que pregam justiça.

Arrisque a fama por uma causa justa, e se você estiver enganado, mas por inocência e boa fé, terá valido sua pureza de propósito. Só não pode ser neutro e ver no que vai dar... sua neutralidade será também um julgamento... fará parte silenciosa do linchamento maciço e da condenação antecipada. Irá com a multidão, como aqueles que se juntaram, no grito e no silêncio, pela crucificação do Cristo que você prega, no porto seguro das missas.

Dúvidas propostas, ainda que por motivos duvidosos (politicopartidários, por exemplo), levantam mesmo investigações. Você não precisa estar contra a investigação... mas use a voz para dizer o que pensa. Dê a sua impressão dos possíveis buracos e das distorções que vê... sobretudo, questione as motivações possíveis da investigação de um colega inocente, ativista da justiça social, até prova em contrário.

Seu prestígio não vale nada sem a coragem de mostrar a cara fora das missas e dos palcos. Vale para você e os demais sacerdotes e lideres religiosos de todos os segmentos. Especialmente os queridos das multidões e das mídias.

Só a justiça instituída oficialmente não apenas pode, como deve ser neutra. Mesmo assim, em busca de uma resposta. Atuante pela resposta. Nós, os cidadãos, temos direito à intuição, mesmo equivocada... o dever do corporativismo vigilante, para que os poderes instituídos não façam de nós o que arbitrarem por capricho.

E você é cidadão. Famoso, porém cidadão. Cidadão líder. Esfrie um pouco as costas. Envolva-se. Quebre o silêncio acuado. Abra mão da sabedoria defensiva do seu ego, seu nome, sua fama... seu status. É um ateu que lhe fala. É uma pedra que que clama. Pense nisso e sinta vergonha.
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#respeiteautorias É lei

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⁠NÓS CONTRA NÓS

Demétrio Sena - Magé

Há um vício de guerra espargido no vento;
uma raiva sem fundo plantada no ar;
tem um mar cujas abas pelejam sem fim
por domínios que sempre nos dominarão...
Solidões que se atacam numa fúria cega;
narcisismo e ganância que regem sentidos;
sentimentos humanos perdidos no caos
de conquistas que nunca serão mesmo nossas...
Somos nós contra nós refletidos no vão
da loucura maciça que nos faz reféns
do bordão de poder que os poderes impõem...
Porque somos escravos do fazer escravos;
nossos bravos rompantes não nos alforriam
do cinismo dos donos de nossa bravura...
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#respeiteautorias É lei

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