Vc foi muito Falso Comigo
Quem não verte uma lágrima em transes de emoção e dor, foi forjado em ferro frio, ou então disfarça muito bem, por fora.
A MENINA E O PATINHO
Um dia, um poeta foi pai
De uma menina pequenina
Engraçadinha e redondinha
Que era o seu ai, ai.
Dava-lhe tudo o que ela pedia
Mesmo quando a menina cresceu
Em idade e sabedoria
Pela graça que Deus lhe deu.
E a menina cresceu, cresceu
E ficou sempre pequenina
E redondinha
Mas não de fala mansinha.
E o poeta lembrou-se do antanho
Quando lhe comprou um patinho
Pequenino, amarelinho
E fez-lhe um pequeno laguinho
Onde ela e o pato tomavam banho.
Um dia, o patinho morreu.
A menina, graças, ainda é viva
Mas muito cruel e altiva.
Então esse poeta como eu
Resolveu
Não querer comprar mais patinhos
Amarelinhos
Nem fazer mais laguinhos.
(Carlos De Castro, in Outeiro de Pena, 29-06-2022)
E L E
Era ele, de canastro robusto,
Sempre o foi, mas de cintura fina,
Calçava no pé, com perna de menina,
Quarenta a quarenta e um de justo.
Isto, é história dos anos de fusto:
Forte, baixote e de rosto sisudo,
Cantando e declamando poetas de rudo,
Mas moço bom de ímpeto augusto.
Poeta, por favores e epítetos tais,
Em recriações de fugidios tempos,
Tornados tormentos de amores reais.
Pouco desfrutou ele de galais eventos
Com luzes malignas, de cores fatais:
Por ser amante do escuro dos mortais.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-01-2023)
PÁSCOA SEM PASSAGEM
Foi Páscoa.
Só dei por ela e pela aragem,
Na singeleza do nome passagem,
Só mesmo, sem mais,
Neste mundo dos mortais.
O sol, estava tão triste,
O vento, sem ação,
E se a memória resiste
Caía uma melancolia
Na cruz erguida,
Ferida, do meu coração.
Páscoa, para mim,
Não é doce nem salgada,
É assim
Como quase tudo do nada
Em desprender de vícios
E estrupícios
Na minha fé amansada.
Que interessa Páscoa
Se na passagem
Da mensagem,
O mundo vive em clausura
Mesmo sem grades,
Nestas minhas saudades
De uma Páscoa pura?
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-04-2023)
DORA DA MINHA DOR
Clamei por ti noites inteiras.
Eras a Dora
Da minha hora,
Que foi amar-te nas clareiras
Das selvas em que vivi.
E eu sempre a chamar por ti.
E a Dora que agora
Me desadora,
Esta perfumada e rica senhora
De berloques de jóias gamadas,
De mamas por gigas sustentadas,
Faz de conta que não existo
Na sua memória cruel!
Não adiantou eu dizer: Sou o Manel,
O que te aliviou o "vírgulo"!
Pelo visto e sem mais vírgula
É triste lembrar assim
Quem não se lembra de mim...
Ah, Dora, mulher fatal,
Que matas qualquer mortal
Como me mataste por fim!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 31-05-2023)
ESPERANÇA E VIDA
Ando por cá, pela esperança,
Já porque a vida
Prometida,
Foi-se esvaindo
Desde o passado findo,
Rumo a um sonho de mudança.
Um poeta jamais descansa,
Sempre que descreve as dores
Que o espetam como uma lança,
No peito dos seus fervores.
Foi uma vida de dissabores,
De desgostos e alguns amores,
Num nascimento talhado
Debaixo dum pobre telhado,
Numa noite fria e breve
E dizem que caía neve
Gélida, branca e borralheira,
Nas mãos da minha parteira.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 26-11-2023)
Quando chegaste em ninha vida foi risonho,
Em teu abraço e toque esperto, esperei esse sonho
Viva comigo como composição literária
Humorismo do nosso amor, será expressão diária.
Feliz aquele que não têm medo de dizer dos proprios sentimentos. Se a vontade de viver foi perdida, é porque ainda há vida. Ame a si como o amanhã que não existe e como o passado que tão longe faça o hoje vale viver!
Mãe, que saudade.
Tudo parece que foi ontem mesmo, tudo lembra você.
A saudade bate tão forte que arrancar lágrimas.
Um amor que não sei como começa e que não terá mais fim.
Racismo
A contemporaneidade com suas evoluções do saber, não foi possível elucidar à todos à necessidade de eliminar definitivamente o racismo.
A violencia gratuita que as pessos de pele preta são expostas constantemente, é a degradação do ser humano ao ser humano! Não é possível calar diante dos fatos onde haja grande aversão pela cor da pele. Somente cabe respeito mutuo entre as pessoas.
Os resgistros da história da humanidade, traz tanta dor e maus tratos, muitas vezes com requinte de crueldade, não pode simplesmente ser sufocada com um mero reconhecimento que há uma dívida, que dificilmente será sanada, se não for adotado medidas de reeducação de toda sociedade, onde a cor da pele não defina a pessoa e não a coloca em posição de vulnerabilidade.
Ela acreditava que tudo era sobre estudar para vencer.
Não foi assim, não houve o incentivo, não houve o mestre.
O preconceito 'a matou' por conta da cor da pele.
Hoje, realmente as lágrimas dela molham o papel, sem nem um pouco de esperança.
Betânia
Minha querida, em minha vida, o dia mais memorável foi quando você passou a fazer parte dela.
Entre erros e acertos, você é a expressão do que deu certo!
Enquanto você estava em formação no ventre, falava para Deus que queria que tivesse a pele alva como neve, longos cabelos negros, olhos brilhantes como as estrelas e pupilas negras como a noite, com o conjunto da obra perfeito, munido com inteligência, sapiência e elegância de uma rainha.
Teu sorriso é lindo, sorria mais!
Tua destreza de organizar e delegar, é fascinante!
Tua resiliência de ressignificar para o bem, é extraordinário.
O equilíbrio que há em ti, é excepcional!
Naquela noite, a gente foi o ácido nítrico e o ácido sulfúrico E o nosso beijo foi explosivo.
Por um sacrifício de um homem nos foi dado a salvação. E através da salvação é necessário o sacrifício.
Ensina-me a partir, pois não desejo mais ficar.
Este lugar nunca foi meu, e bem sabes disso.
Por que me aprisionas, confundes o que não entendo?
Manipulas minhas ações, punes e castigas impiedosamente.
Retira a venda que cobre meus olhos, desfaz os nós em minhas mãos.
Quebra as correntes que aprisionam minha mente e meu coração.
Mostra-me, através de tua voz, a verdadeira melodia do teu coração.
Quero despertar dessa ilusão, não mais ser refém deste cativeiro.
Por que me encontraste?
Após uma longa jornada para curar minhas feridas, unir os pedaços quebrados e remendar o que estava descosturado,
Tu chegas sem compaixão e me desmontas, apenas por causa do teu ego?
Ou me punes pelos desamores que outros te causaram?
Sinto que descontas em mim todas as mágoas acumuladas.
Deixa-me ir, mostra-me o caminho para partir.
...e delicadamente, ela foi se embalsamando daqueles óleos essenciais que volatilizavam de forma única em contato com a sua pele...Foi pintando-se vagarosamente de uma maneira que só ela podia fazer, toda particular. Reinventando-se em cada pincelada, em cada iluminada ou escurecida, em cada detalhe era permitido se ver o cuidado que só ela poderia ter com ela mesma.
Acontece que o nosso amor nunca foi real. Não posso dizer que acabou, porque, na verdade, ele jamais existiu entre nós. A verdade é que não fomos feitos um para o outro. Confesso que não sei como me sentir em relação a isso, mas talvez algum dia eu descubra.
É estranho perder algo que nunca tive. É estranho desejar você assim. É estranho senti-lo como uma parte de mim que não foi e que nunca será minha. Como lidar com o fim de algo que nem sequer começou? Reconheço o quão estranho tudo isso é.
Com o tempo, quem sabe, eu consiga apagá-lo da minha vida. Talvez um dia eu consiga desviar minha atenção de você. Talvez eu encontre um novo caminho, diferente do seu. Pode ser que meu coração aprenda a bater em um ritmo mais calmo, caso um dia eu esbarre em você. E, talvez, só talvez, eu consiga superar tudo isso sem sentir meu peito arder de tanta dor.
