Vazio
A dor do vazio, de não sentir nada além da insuficiência, de carregar no peito a necessidade desesperada de ajudar e descobrir, a cada tentativa, que suas mãos parecem incapazes de alcançar quem precisa, de se olhar no espelho e enxergar apenas um peso, um incômodo, um fardo que ocupa espaço e consome o ar ao redor, uma ferida aberta que não cicatriza, uma dor silenciosa e solitária que dilacera a alma sem deixar marcas visíveis, enquanto muralhas erguidas pelo medo, pela culpa e pelo próprio sofrimento impedem que qualquer pessoa se aproxime, impedem que qualquer voz atravesse a distância, impedem que qualquer abraço encontre abrigo, e o mais cruel de tudo é saber que, por trás de toda essa escuridão, por trás de toda essa sensação de fracasso e impotência, existe apenas um desejo simples e sincero, o desejo de ser capaz de aliviar a dor de alguém, de ser útil, de ser suficiente, de estender a mão e fazer diferença, mas permanecer preso entre aquilo que o coração implora para oferecer e aquilo que a alma acredita jamais conseguir entregar, condenado a assistir o mundo através das próprias ruínas, carregando a sensação devastadora de que tudo o que você é nunca será o bastante para realizar tudo o que você mais deseja ser.
"Há um vazio nos corações dos homens no formato de Cristo. Quando esse vazio é ignorado, a alma chora, geme e range dentes faminta pela aurora.”
~Davi Paixão Mendonça
@Davi.paixao.m
"A razão sem o coração pode transformar a vida em algo frio e vazio. O coração sem a razão pode conduzir a caminhos de sofrimento e descontrole".
Não há nada aqui dentro.
Só um peso vazio sozinho.
46 kg de nada.
46 kg de tanto querer.
Eu quero reter mais peso mas eu não saberia lidar com mais.
Mas o peso que eu quero é diferente.
É um peso que me garante proteção no futuro. É montar uma reserva de energia só pra mim. Ninguém vai poder tirar de mim. Isso não! Isso vai ser meu, só meu.
Será que é culpa? Mas não fui eu quem tentei tirar alguém de um outro alguém. Se isso for um peso, esse peso não é meu.
Eu só não sei ter esse outro que me protege, esse outro tipo de peso que me faz não tê-lo. Se algo der errado, esse outro peso não vai falhar. E eu não sei o que é isso.
Hora de ir para a cama, chega de ouvir rádio por hoje. Deito e a cabeça não desliga.
Esse peso é grande, forte, alto e pesado, e eu não sei o que é ter você ao meu lado.
Durma bem tesouro.
Às vezes o vazio que você sente é a marca do lugar que a pessoa ocupava em você. Não é dor aguda, mas é ausência palpável. Tipo abrir a mão e perceber que já não segura nada.
No peito, um quarto vazio,
paredes brancas esperando cor.
Não dói, mas lateja em silêncio,
como chão que pede passo.
Ontem vi que foste embora,
não em palavras, mas em ausência.
O vazio então se acendeu,
me pedindo dono, me pedindo vida.
Não vou preenchê-lo com sobras,
nem com migalhas de outros amores.
Vou preenchê-lo comigo:
minhas canções, minhas tintas,
meu riso fora de hora,
meu corpo que insiste em existir.
O vazio não será falta,
será território meu.
E onde era eco,
vai nascer voz.
Não romantizo a dor,
eu a reconheço.
O que ficou não é vazio,
é resto em estado ativo,
pulso discreto,
vida em continuação.
Eu não preciso entender agora.
Preciso apenas atravessar.
Um homem que grita como se fosse dono do mundo,
mas é só eco vazio em peito profundo.
Grande no corpo, pequeno na alma,
carrega a força, mas não carrega calma.
Veste palavras de Deus como armadura,
mas nunca deixou que elas curassem sua própria fissura.
Usa o sagrado como palco e disfarce,
mas no silêncio é o ódio que ele abraça e reparte.
A verdade dele não é verdade...
é crença inflada pela própria vaidade.
Ele acredita, então impõe.
Ele impõe, então destrói.
Bruto no gesto,
agressivo no tom,
ignorante no modo de existir ...
acha que mandar é construir.
Quem não o conhece pode até acreditar,
mas quem já viu de perto sabe:
por trás da soberba existe medo,
e por trás do medo, um homem pequeno demais para amar.
E no fim, o que se diz não é ameaça, é fato:
sozinho ele volta...
porque ninguém suporta por muito tempo
o peso de um coração fechado e exato.
Ele traz o amargo no nome,
como se já tivesse nascido marcado,
como se o destino tivesse sussurrado:
“serás peso, não abrigo”.
Há homens que aprendem a amar.
Ele aprendeu a dominar.
Confunde respeito com medo,
confunde fé com discurso,
confunde força com excesso.
Ele não conversa... Ele impõe.
Não escuta... Interrompe.
Não sente... Reage.
O amargo não está só no nome,
está na forma de olhar,
no jeito de tocar que não acolhe,
no silêncio que antecede o ataque.
Há algo nele que sempre ameaça voltar...
Não por amor,
não por saudade,
mas por necessidade de controle.
E o mais duro de admitir?
Ele acredita na própria versão.
Se convenceu de que é justo,
de que é certo,
de que o mundo é que o provoca.
Mas quem carrega ódio como combustível
não constrói... Consome.
E no fim…
o amargo que ele espalha
é o mesmo que o corrói por dentro.
Porque ninguém vive em guerra constante
sem se tornar o próprio campo de batalha.
Dizem “dar tempo” como se fosse remédio,
mas tempo vazio só deixa o tédio.
Não cura ferida, não cola pedaço,
só cria distância, só aumenta o espaço.
Amor não espera sentado na esquina,
precisa de gesto, de voz que ilumina.
Quem dá só o tempo,
sem se entregar,
vai ver que a vida levou sem voltar.
🎤
Cansei das histórias que inventam do tempo,
fuga disfarçada, vazio por dentro.
Diz que é remédio, que tudo se ajeita,
mas no fim só deixa a ferida perfeita.
Eu vi em pessoas que você testou,
o tal “tempo ao tempo” que nunca curou.
Não falo por eles, só falo por mim,
talvez eu não caiba no teu próprio fim.
Difícil aceitar, mas levo comigo:
pra você eu jamais fui mais do que um desejo.
“Quem vive o Borderline muitas vezes ama como quem tenta sobreviver ao próprio vazio.”
Do livro Borderline: A Montanha Russa das Emoções — Compreendendo o Transtorno de Personalidade Limítrofe, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O vazio interno não é falta de valor; é uma ferida que pede linguagem, vínculo seguro e reconstrução emocional.”
Do livro Borderline: A Montanha Russa das Emoções — Compreendendo o Transtorno de Personalidade Limítrofe, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O comportamento não nasce no vazio; ele se constrói no encontro entre organismo, ambiente, história e consequência.”
Do livro Behaviorismo — Das Bases Clássicas às Aplicações Contemporâneas, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“Há ausências tão profundas que a alma tenta dar corpo ao vazio para não desaparecer dentro dele.”
Do livro Bonecos Reborn — Quando a Fantasia Assume o Lugar da Realidade, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O colo vazio também fala; às vezes, fala por meio de objetos que a sociedade julga antes de compreender.”
Do livro Bonecos Reborn — Quando a Fantasia Assume o Lugar da Realidade, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O silêncio clínico não é vazio quando sustenta uma dor que ainda não pode ser traduzida.”
Do livro Pensar é Sofrer — A Psicanálise do Indizível em Bion: Dor, Vínculo e Nascimento do Pensamento no Silêncio da Mente, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O protagonismo estudantil começa quando a escola reconhece que o aluno não é recipiente vazio, mas sujeito ativo da própria aprendizagem.”
Do livro BNCC Aplicada na Prática — Conectando a Educação com a Realidade para Despertar o Interesse dos Alunos, da autora Nina Lee Magalhães de S
