Vai Ficar na Memoria
"Ás vezes um momento se torna uma memória no instante que acontece. Porque é tão verdadeiro, tão puro e significativo, que você quer guardá-lo para sempre."
Tempo e Memória em Uma Imagem
A fotografia é uma máquina do tempo silenciosa. Cada clique captura não apenas uma cena, mas a memória de um instante, congelando emoções, gestos e atmosferas que jamais voltam a se repetir.
Tecnicamente, o fotógrafo precisa estar atento à composição, à luz e aos detalhes que carregam significado. Mas a verdadeira força da imagem está na capacidade de transmitir história, sentimento e lembrança, conectando o passado ao presente de quem observa.
Ao olhar para uma fotografia, revisitamos momentos que marcaram nossa vida, seja pela beleza, pela emoção ou pelo simples registro do cotidiano. Cada imagem é um portal que nos permite reviver sensações, perceber nuances que passaram despercebidas e sentir a intensidade do instante novamente.
A fotografia, quando feita com sensibilidade, transforma tempo em memória e memória em sentimento, tornando cada registro um legado único da vida que se desenrola diante das lentes.
Espontaneidade: A Alma da Imagem
Autoral: Jorgeane Borges
Se as pessoas não tiverem vínculos profundos com sua memória ancestral, com as referências que dão sustentação a uma identidade, vão ficar loucas neste mundo maluco que compartilhamos.
Se a memória simula esquecer os mortos, o amor, albergado no coração e sempre à espreita, a qualquer sinal açoita quem sobrevive às lembranças.
Grava a minha essência como um selo sobre o teu coraçao. Que minha memória ressoe através do cerne do teu ser. Deixa-me brilhar e erguer-me através do centro da tua paixão, através das margens da tua ação, através de cada parte de ti que se torna viajante e deixa o lar. Grava-me como um monograma que alerte todo mundo: Eis o sinal da integridade, eis o sinal do amor. A força dos cosmos se oculta sob sua superficie.
Fisicamente,
habitamos um espaço,
mas, sentimentalmente,
somos habitados por
uma memória. Memória
que é a de um espaço e
de um tempo, memória
no interior da qual
vivemos, como uma ilha
entre dois mares: um que
dizemos passado, outro
que dizemos futuro.
Podemos navegar no
mar do passado próximo
graças à memória
pessoal que conservou
a lembrança das suas
rotas, mas para navegar
no mar do passado
remoto teremos de
usar as memórias que
o tempo acumulou, as
memórias de um espaço
continuamente
transformado, tão fugidio
como o próprio tempo.
Ama-se por memória.
Nota: Trecho de "Poema de canção sobre a esperança"
A UM SUICIDA
À memória de Tomás Cabreira Júnior
Tu crias em ti mesmo e eras corajoso,
Tu tinhas ideais e tinhas confiança,
Oh! quantas vezes desesp'rançoso,
Não invejei a tua esp'rança!
Dizia para mim: — Aquele há-de vencer
Aquele há-de colar a boca sequiosa
Nuns lábios cor-de-rosa
Que eu nunca beijarei, que me farão morrer
A nossa amante era a Glória
Que para ti — era a vitória,
E para mim — asas partidas.
Tinhas esp'ranças, ambições...
As minhas pobres ilusões,
Essas estavam já perdidas...
Imersa no azul dos campos siderais
Sorria para ti a grande encantadora,
A grande caprichosa, a grande amante loura
Em que tínhamos posto os nossos ideais.
Robusto caminheiro e forte lutador
Havias de chegar ao fim da longa estrada
De corpo avigorado e de alma avigorada
Pelo triunfo e pelo amor
Amor! Quem tem vinte anos
Há-de por força amar.
Na idade dos enganos
Quem se não há-de enganar?
Enquanto tu vencerias
Na luta heroica da vida
E, sereno, esperarias
Aquela segunda vida
Dos bem-fadados da Glória
Dos eternos vencedores
Que revivem na memória —
Sem triunfos, sem amores,
Eu teria adormecido
Espojado no caminho,
Preguiçoso, entorpecido,
Cheio de raiva, daninho...
Recordo com saudade as horas que passava
Quando ia a tua casa e tu, muito animado,
Me lias um trabalho há pouco terminado,
Na salazinha verde em que tão bem se estava.
Dizíamos ali sinceramente
As nossas ambições, os nossos ideais:
Um livro impresso, um drama em cena, o nome nos jornais...
Dizíamos tudo isso, amigo, seriamente...
Ao pé de ti, voltava-me a coragem:
Queria a Glória... Ia partir!
Ia lançar-me na voragem!
Ia vencer ou sucumbir!...
Ai! mas um dia, tu, o grande corajoso,
Também desfaleceste.
Não te espojaste, não. Tu eras mais brioso:
Tu, morreste.
Foste vencido? Não sei.
Morrer não é ser vencido,
Nem é tão pouco vencer.
Eu por mim, continuei
Espojado, adormecido,
A existir sem viver
Foi triste, muito triste, amigo, a tua sorte —
Mais triste do que a minha e malaventurada.
... Mas tu inda alcançaste alguma coisa: a morte,
E há tantos como eu que não alcançam nada...
Lisboa, 1° de outubro de 1911
(aos 21 anos)
Existem tempos em que o passado volta em sua memória como um filme que nem sempre gostariamos de rever, as vezes tomamos decisões que julgamos corretas apenas pelo curto período de raiva ou decepção, existem tempos em que tudo que queremos é poder voltar atrás e corrigir todos os erros, ou apenas dizer aquela frase que faltou dizer porque o orgulho não nos permitiu, e ao ver que isso não é possível, a única coisa que queremos é sumir, desaparecer; pra depois poder começar de novo, esperando que assim todas os erros e atitudes sumam também. A verdade é que todos passamos e fazemos coisas boas e ruins; e fugir dos problemas não os fazem desaparecer. Aprenda a viver da sua forma, adapte as coisas a seu favor, a vida é como um jogo e nem sempre podemos vencer, o importante é não deixar que as coisa pequenas, ou mesmo grandes problemas possam te derrubar da forma mais fácil, você pode ser mais forte do que pensa. As coisas só tem o peso que você da pra elas.
Sou apegada ao que é meu, ao que lembro, ao que minha memória guarda lava e passa com tanto carinho e esmero. Gosto de manter o que é vivo perto. E lembranças são vivas.
Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
(...)
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas...
A sua memória é um monstro; você esquece, ela não. Ela é invocada pela sua própria vontade. Você acha que tem uma memória, mas é ela que te tem.
E, quando o presente é feio e o futuro incerto, o passado vem-nos sempre a memória como o tempo em que fomos felizes.
