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O amor me amou
O amor me amou
quando eu já não sabia ficar,
sentou ao meu lado no silêncio cansado, fez morada no que em mim era medo e chamou de lar aquilo que eu chamava de fim.
O amor me amou
sem pedir forma ou promessa,
tocou minhas falhas com mãos pacientes, ensinou que até o que dói pode florescer quando alguém escolhe ficar.
O amor me amou
— e nisso eu renasci:
não inteiro, não perfeito, mas verdadeiro, aprendendo que ser amado, às vezes, é simplesmente
existir sem fugir.
Antes da dor, depois da luz
O amor me amou
quando eu já não acreditava
que fosse possível amar de novo.
Quando a luz virou sombra,
a felicidade virou mágoa,
e o dia que era sol
fez noite dentro do meu peito.
Mas você chegou…
viu quem eu era antes da dor
e quem sou depois da escuridão.
Viu-me num quartinho,
feito um garotinho chorando, quebrado,
enquanto ao meu redor
era breu, tempestade e trovão.
Você não teve medo,
lutou contra meus próprios sentimentos,
gritou meu nome no meio do caos.
Olhei pra trás
e vi a tempestade
e a solidão daquele quarto.
Não saí do lugar.
Mas você se aproximou.
Me abraçou.
E tudo o que em mim estava morto
floresceu de novo.
Ficaram apenas as cicatrizes —
pois o seu abraço me curou,
me conectou de um jeito que palavras não alcançam.
“Somos a Voz”
Somos a voz que nasce no silêncio,
quando o mundo se cala e o medo grita,
um sussurro teimoso no peito
que insiste em amar, mesmo ferido.
Somos a voz que treme, mas não se quebra,
eco de dois corações aprendendo a falar
na língua frágil dos olhares,
onde o toque diz o que a boca não ousa.
Se o amor é ruído em meio ao caos,
somos o som que permanece,
a voz que se reconhece no outro
e, ao ser ouvida, finalmente existe.
Se quiser, posso deixar mais trágica, mais esperançosa… ou ainda mais íntima.
Dias longos, anos curtos
Dias longos como estradas sem fim quando estou longe de você,
o relógio arrasta correntes pelo chão da sala, cada minuto pesa como inverno sobre meus ombros,
e a saudade é um sol parado queimando devagar.
Mas quando tua voz atravessa o silêncio, os anos encolhem como cartas dobradas no bolso,
o tempo vira rio apressado
correndo entre nossos dedos,
e a vida
— que parecia extensa
— cabe inteira num abraço.
Dias longos, anos curtos:
aprendi que o amor distorce calendários, faz da espera uma eternidade suspensa
e de uma vida ao teu lado…
um instante que passa voando.
Nós nos atraímos como ferro e ímã,
mesmo quando fingimos distância,
há uma força invisível que nos denuncia.
É o silêncio encurtando caminhos,
é o acaso nos empurrando um para o outro como se o destino tivesse mãos.
Teu olhar me encontra como bússola enlouquecida, apontando sempre para o teu norte.
Resisto, mas meu corpo trai a lógica,
pois alguns encontros não pedem permissão:
eles acontecem,
como a maré obedecendo à lua.
E quando finalmente nos tocamos,
não é escolha
— é natureza.
Somos matéria rendida à própria essência, dois pedaços do mundo que se reconhecem
e se colam porque nasceram para isso.
E quando ninguém acreditou,
Eu acreditei em nós,
porque amor também é fé em movimento.
Mesmo sem aplausos,
seguimos sendo milagre,
dois corações sob o comando de algo maior.
Enquanto houver Deus no centro
e amor no passo,
vencer será apenas continuar de mãos dadas
Não te prometo caminhos sem tropeços,
mas prometo ficar quando o medo tentar te parar.
Se o mundo fechar portas,
mudamos a direção,
se o erro doer,
respiramos juntos e recomeçamos.
Amar você é aprender que coragem
nasce quando dois corações insistem.
Às vezes me perguntam por que meu amor anda em silêncio, mas ninguém viu quando abri o peito sem armadura, quando ofereci meu melhor gesto e o mundo respondeu com descuido.
Foi ali que aprendi que amar também sangra, e que nem todo toque sabe cuidar.
Corações em Alerta
Quando teus olhos cruzam os meus,
Minhas pupilas se abrem,
Como portas secretas
Que convidam a alma a se revelar.
O coração dispara sem aviso,
A respiração se perde em ondas,
E cada gesto teu desperta
Uma tempestade de adrenalina e desejo.
No calor que invade a pele,
Sinto o prazer da dopamina florescer,
E a oxitocina sussurra baixinho
Que quero estar perto, sempre perto de ti.
E nesse brilho que nasce nos olhos,
No sorriso que se entrega sem razão,
O corpo inteiro celebra teu nome,
Amando-te antes mesmo do coração compreender.
Será que estou sendo egoísta?
Será que estou sendo egoísta
Por desejar teu colo quando
o mundo pesa em mim?
Por querer teu silêncio junto ao meu,
Como se o amor também fosse descanso enão só entrega sem fim?
Será que estou sendo egoísta
Ao te querer por perto mesmo quebrado,
Ao temer te perder
antes mesmo de te ter,
Ao confundir cuidado com medo
E saudade com exagero?
Não
— estou apenas sendo humano.
Amar também é precisar,
também é falhar,
Também é perguntar quando o coração treme.
Se há egoísmo aqui,
ele nasce do amor
Que não sabe existir sem sentir.
Amigo é quem fica quando faltam palavras,
quem entende o caos sem pedir legenda,
quem segura o riso e a queda
com a mesma lealdade simples e rara.
É fácil ouvir conselhos de outras pessoas.
Difícil é quando somos nós que aconselhamos…
e o conselho é para nós mesmos.
A gente sabe o caminho, sabe a resposta,
mas, ainda assim, escolhe não ouvir.
Talvez porque seguir o próprio conselho
exija coragem maior do que apenas falar.
A casa respira quando a noite cai,
paredes rangem segredos que ninguém contou.
O relógio bate horas que não passam,
e cada sombra parece saber meu nome.
No corredor, passos sem dono se repetem,
o espelho sorri quando eu não sorrio.
Há olhos no escuro, famintos de memória,
lembrando pecados que eu jurei esquecer.
Quando o silêncio finalmente fala, é tarde:
o medo não bate — ele já mora aqui.
E ao fechar os olhos, eu entendo o horror…
o monstro nunca esteve fora de mim.
O amor,
a gente escolhe viver.
O respeito,
a gente mantém mesmo
quando dói.
A bondade,
a gente reparte sem
calcular retorno.
O perdão,
a gente pratica
para não virar prisão.
Nem todos vão retribuir
do jeito que esperamos,
nem todos sabem vestir
a roupa da reciprocidade.
Mas seguir certo nunca
foi sobre aplausos,
é sobre dormir em paz
com a própria consciência.
Porque quando ninguém vê,
Deus vê.
E quando ninguém reconhece,
Ele reconhece.
A recompensa não nasce
da mão dos homens,
vem do céu
— no tempo certo, do jeito certo.
É você...
É você quando o mundo pesa
e alguém fica.
Quando o silêncio ameaça me engolir
e uma presença basta para me lembrar
que ainda existe chão sob os pés.
Você não chega fazendo barulho,
chega ficando.
É você quando me entende sem tradução,
quando segura minha mão
antes mesmo de eu pedir ajuda.
No meio do meu caos,
é abrigo.
No meio das minhas dúvidas,
é certeza tranquila,
daquelas que não precisam prometer nada.
E talvez seja isso que mais importa:
você não me salva —
me acompanha.
Não me ensina a viver,
vive comigo.
Veio sem aviso, sem plano, sem pressa…
e ficou,
como quem escolhe todos os dias.
Quando Amar é Calar
Há amores que não se contam,
há amores que não se compartilham,
há amores que vivem em segredo,
há amores que marcam,
e há amores que temos
medo de enfrentar.
Medo de a amizade acabar,
medo de tocar no que sustenta,
pois há amores que o tempo entrelaça, e outros que o tempo,
em silêncio, desentrelaça.
No fim,
amar também é escolher o silêncio,
quando o coração grita por coragem,
mas a alma entende
que certas verdades mudariam tudo.
Confiança
Confiança é fio invisível,
tecido em gestos pequenos e verdadeiros.
Quando se rompe, não faz barulho —
mas deixa o silêncio pesado entre dois corações.
Quebrar a confiança é como derramar um copo d’água
no chão da alma: não volta para o lugar.
Fica o medo, a dúvida, o cuidado excessivo,
e a pergunta que insiste em ficar.
Reconquistar é caminhar devagar,
passo por passo, sem exigir pressa.
É provar com atitudes o que as palavras falharam,
até que o fio, aos poucos, volte a sustentar o amor.
Coração de Vidro
Tenho um coração de vidro,
transparente como o que sinto quando te vejo.
Qualquer palavra toca fundo,
qualquer silêncio reflete
em mim teu nome.
Já trincou algumas vezes,
confesso, por amar demais,
por acreditar sem medo.
Mas mesmo frágil,
ele insiste em brilhar
quando teu olhar encosta no meu.
Se um dia fores cuidar dele,
faz com calma:
vidro não suporta
pressa nem descuido.
Em troca, prometo te amar inteiro,
mesmo sendo feito
de algo tão sensível.
Ele cura feridas com um simples toque, faz do pouco um infinito em nós.
Mas cobra caro quando vira posse,
quando ama alto e escuta a sós.
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