Use o Silencio quando Ouvir

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⁠Eu sei

Eu sei,
que você é tudo que tenho,
e não há engenho intelectual quando digo isso.

Ao acordar, quando lhe sirvo o café,
sinto que o dia só começa
quando seu olhar repousa em mim.

Ah, meu anjo,
minha sorte,
meu guia neste escuro existir.

Quis voltar ao poeta simples de outrora,
livre do peso das palavras pensadas,
mas já não sei ser sem sentir.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Aquilo que somos só se revela quando há a ameaça de perder o que temos.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Quando Deus Se Chamava Lear

Disse-se outrora que houve um rei cujo nome não era nome, mas sentença. Chamavam-no Lear — embora esse som não bastasse para contê-lo. Não era homem, nem rei apenas: era a imagem que o mundo fazia de Deus em ruína.

Governou por anos uma terra que se curvava ao gesto de sua mão. Mas, como todo soberano que envelhece, quis dividir o poder antes que a terra o dividisse a ele. Três filhas. Três mundos. Pediu amor, mas em voz alta. Pediu afeto, mas diante da corte. Queria ternura, mas com pompa. Queria certeza — o que só os deuses buscam quando estão à beira da dúvida.

As duas primeiras disseram o que ele queria ouvir. A terceira, não disse.
E foi expulsa.

Desde então, Lear vagou por campos de vento e neblina, coroado apenas pela ausência. Aos poucos, descobriu que a coroa que pesava sobre sua fronte não era de ouro — era o silêncio.

Chorou pela primeira vez numa noite sem estrelas, onde os trovões respondiam às suas perguntas com risos. Gritou aos céus: “Sou mais pecador ou mais punido?”. O céu não respondeu.

Mas ali — no barro, na lama, no desabrigo — nasceu algo que jamais possuíra no trono: visão.
Não dos olhos, que já falhavam. Mas da alma.

Viu o mendigo e o bobo. Viu o traidor. Viu a filha fiel, que nada dissera porque tudo sentia. Viu o tempo, que não se dobra à vontade dos reis. Viu Deus, talvez — mas hesitante, escondido sob o capuz de um louco.

Quando enfim morreu, ninguém soube. Nem sinos dobraram, nem anais registraram o fim do reinado.
Mas alguns dizem que, em certos dias de tempestade, uma voz ainda ecoa pelas montanhas:

“A arte é o consolo no abismo onde o próprio Deus hesita.”

E nesse eco, dizem, está Lear — não mais rei, não mais homem,
mas lembrança.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Quando quiseres me levar, irei sorrindo.
Quando me achares digno daquele banquete onde serei o prato suculento dos vermes, fique à vontade.
Sei que poeta não deve demorar muito por aqui.
Quanto a essa ilusão que puseste no coração do homem, de ser eterno, fica no vácuo, como hiato cósmico.
Como palavra muda, impronunciável.
Que nós, por confusão mental, criamos em delírio: eternidade.

Inserida por EvandoCarmo

⁠"Quando quiseres me levar"

Ele acordou com um gosto metálico na boca e uma lucidez que parecia milenar.

Sabia. Não era intuição. Era certeza.
Hoje, a Morte viria. E ele, cansado, não a temia.

Ajeitou os papéis sobre a mesa, acendeu um cigarro que não fumava havia dez anos, e pôs uma música quase inaudível no velho toca-fitas. Era Chopin, talvez. Ou só o vento.

Deixou as janelas abertas. Queria que ela entrasse à vontade.
Morte. Senhora. Fera. Fêmea.
Ela que viesse — sem cerimônias.

No papel, começou a escrever, como quem fura o véu do mundo com uma agulha de fogo:

“Quando quiseres me levar, irei sorrindo.
Quando me achares digno daquele banquete onde serei o prato suculento dos vermes, fique à vontade.
Sei que poeta não deve demorar muito por aqui.
Quanto a essa ilusão que puseste no coração do homem, de ser eterno, fica no vácuo, como hiato cósmico.
Como palavra muda, impronunciável.
Que nós, por confusão mental, criamos em delírio: eternidade.”

Fez uma pausa. O silêncio da casa parecia escutar. A xícara de café esfriava devagar. Lá fora, o mundo seguia: os cães latiam, os pneus assobiavam no asfalto, alguém batia panela no apartamento ao lado.

Mas ele já não pertencia a isso.

Levantou-se. Pegou o espelho da infância — aquele que pertencia à mãe — e olhou-se como quem vê um estrangeiro.

“É você mesmo?”, pensou. “Ou o que restou do que chamaram de você?”

Não chorou. Apenas fechou os olhos.
Lembrou de um amor antigo.
De um poema que nunca publicou.
De uma criança que lhe sorriu na rua, semanas atrás.

Cada coisa lhe parecia uma despedida disfarçada.

Às onze e quarenta e cinco da noite, ela veio.

Não como figura. Não como caveira.
Apenas entrou no ar. Como frio.
Como verdade.

Ele sentiu.

Sorriu.

E sem mais palavras, morreu de olhos abertos, como quem enfim compreende — ou perdoa.

Na folha, sua letra deslizava até o rodapé da página.

E ali, como se deixasse ao mundo uma última gargalhada filosófica, escreveu:

"Criamos o infinito com medo do fim.
Chamamos de eternidade o que não suportamos perder."

Inserida por EvandoCarmo

⁠Confissão de um artista incompreendido

Eu só sou artista quando escrevo.

Tocar, cantar — tudo isso, por mais que me habite, me degrada. Há um processo silencioso de deterioração da minha alma artística quando tento me expressar fora da palavra. Como se algo se perdesse no ar. Como se aquilo que eu sou, no fundo, não coubesse no gesto ou na voz.

Minhas melodias? Eu as crio em catarse. Elas nascem do abismo, do indizível, mas raramente alcançam quem ouve. Alguns me dizem, com um sorriso breve: “muito legal.” Outros me parabenizam — por educação, talvez. Mas eu percebo. Eu sei. A língua que falo, com minha arte, não chega audível aos seus ouvidos.

Eles não escutam o que eu ofereço. Escutam outra coisa. Um som qualquer. Um ruído bonito, talvez. Mas não escutam eu.

É por isso que, quando escrevo, me sinto inteiro. Porque sei que um — um só já basta — um leitor, em qualquer tempo, há de entender. Há de perceber. Há de aprender a língua secreta do meu ditirambo. Porque a palavra escrita não exige pressa, não pede aprovação imediata. Ela se deixa ler por quem for capaz de ouvir o silêncio entre as sílabas.

E é ali, nesse instante invisível, que eu sou artista por inteiro.

Inserida por EvandoCarmo

⁠O amor próprio
quando desprovido de qualquer
resquício de egoísmo ou vaidade, dará origema todas as razões e aos dividendos
do amor ao próximo!

Inserida por maurotoledo

⁠É a falta de conhecimento
que torna uma ideia, um conceito,
numa grande novidade;
quando na verdade um mínimo de curiosidade
ou interesse, perceberíamos que ela
sempre esteve ali - no aguardo de nosso
mesmo que mínimo
interesse!
Quando se diz, por exemplo, que estamos
rodeados de uma peculiar nuvem de testemunhas
é porque a vida é fator participativo
povoado por grandes ideias!

Inserida por maurotoledo

⁠A dúvida quando sincera
é senha prioritária permitindo
que portas sejam abertas...
Tão só duvidar, contrariamente,
às fechará!

Inserida por maurotoledo

⁠... quando
sorrateiramente insuflada
pelos extremismos da aceitação cega,
mesmo a vulgaridade se transforma,
senão num espetáculo vicioso,
ao menos num tentador
estímulo
a ela!

Inserida por maurotoledo

⁠Verdadeira
riqueza é tudo aquilo que
conservarásdentro de ti,
quando tuas notáveis honrarias
e pertences de mundo,
por obra do destino,
não mais estiverem ao teu
alcance!

Inserida por maurotoledo

⁠A fé
em nosso Criador,
na força transformadora
sobrevindo da Verdade,
legitimam-se quando tanto a alegria
quanto a adversidade
inspirem igual
gratidão!

Inserida por maurotoledo

⁠Quando
finalmente compreendi
que levaremos desse mundo tão só
aquilo que, dignos, praticamos
e consagramos à vida... Passei a viver
e a trabalhar por questões e valores
que me cabem levar; e, entre eles,
uma custosa mas compensadora
relevância como
espírito!

Inserida por maurotoledo

⁠Quando nos alertam
as sagradas escrituras que:
"a quem muito foi dado, muito
será pedido", não se trata
de mediana operação contábil...
Mas da feliz convicção quanto
a nossa estatura e eficácia
em proporcionalmente
oferecer!

Inserida por maurotoledo

⁠... diz
a filosofia do espírito
sermos todos verdadeiros,
mesmo quando mentimos;
sobretudo porque, o ato de mentir
demonstra nossa estatura moral;
questões que pobremente atinamos...
O muito que ainda nos
falta!

Inserida por maurotoledo

⁠Tão certo
que a apatia de muitos
como por encanto se diluirá,
quandoquestões sensíveis
a sua subsistência lhes
foremusurpadas: seus bens,
bolsos, e, pior: a sua
liberdade!

Inserida por maurotoledo

⁠Sempre considerei
a frase de Jean-Paul Sartre:
'o inferno são os outros' - mesmo
quando retirada de contexto - como
perspicaz ironia...
Uma vez que, na eficaz sagadestinada
ao aperfeiçoamentodo espírito,
não serão permitidos desleixos,
omissões; nem imodestas
'saídas à francesa'!

Inserida por maurotoledo

⁠... quando
embutidos na carne,
mesmo os Seres já agraciados com
as benesses da luz, temem por si
mesmos - em razão de toda
complexidade e os infindáveis
desafios oferecidos pela
existência humana!

Inserida por maurotoledo

⁠... quando
desonestos, sorrateiros,
substituímoso verbo'otimizar'
peloverbo 'vitimizar',isso não
significaum elogiável protesto;
um repúdioàs diferenças...
Mas um convite à incultura;
ao atraso!

Inserida por maurotoledo

⁠... quando
honestamentenos ocupamos de
questões queconsideramos genuínas
e necessárias,nos tornamos
naturais realizadoresdoque
nos justifica, aperfeiçoa...
E, sobretudo, cada vez mais avessos
aos fatídicosexcessos e ocupações
queroubam-nos as horas
e o bom senso!

Inserida por maurotoledo