Use o Silencio quando Ouvir
Para plantar seus pés
em um terreno escondido
para encontrar o seu lugar
quando o outro é coroado
sentir sua mãe
em um gole de leite
e cumprimentar um irmão
quando nenhuma credibilidade é encontrada
Para encontrar sua respiração
em todas as formas de respiração
e cair para descansar
na sequência de uma tempestade
Às vezes a graça é terna
às vezes é duro
sussurro
e curvar-se a ambos os cortes
Levante seu arco
e pegá-lo no meio do vôo
não é um ver
quando seu coração está fechado
Para minerar suas cotações
da fenda do seu coração
e ser o ouro
quando seu solo não é
destilar seus pensamentos
de grãos de desdém
uma imagem que obstrui
é a imagem que você mantém
e quando seu tempo mudar
e o rio seca
e o único rosto que você conhece
te nega antes de morrer
para quebrar, para deixá-lo ir
e se amanhã for tarde
para encontrar um abrigo aqui
o pavor da sua espera
é onde seus tesouros viviam
e quando o trovão sombrio
te cospe de joelhos
esta é a amada Terra
saudade de ser beijada
Pois você deve provar novamente
o azedo da partida
e faça sua cara evitada
sua arte mais predestinada
e ver a raiz severa
que se delicia no escuro
nada menos que o da flor
parte mais profética 🌹 (em tempos como estes)
Quando os significados desaparecem
e a arte perde sua intenção
Quando os amantes traem
e amigos decepcionam
Quando nomes são perdidos
e a fama é apenas um fantasma da penumbra das memórias
Lugares lotados, mas vazios
Quando os navios estão ancorados para fumar
e começos parecem finais
Quando todas as coisas se desviarem
mas você não está nem perto do fim
Quando os sonhos conjurados falham em cumprir
a única verdade que você sempre quis
e a impermanência supera a gravidade de suas crenças
Quando a rota que você incansavelmente trilhou
te leva ao começo
Não se afaste.
Deixe o mundo morrer em você
E encontre o que resta
Você deve estar livre do mundo
No final, a morte é um professor que ensina o valor da vida. Quando em luto, tua alma sofre um dano severo e irreversível, que te faz melhorar, pois agora sabes que qualquer um pode esvair-se da existência nos próximos segundos. Essa é a vontade de existir: ignorar teus limites e medos pelos teus sonhos e, embora pareça apático, doar o amor não dito a quem ainda resta amar.
A magnitude do ser humano, em seus valores emocionais e éticos, é destacado pelo empenho de quando este – destituído de apoio externo – aceita as verdades calcinantes de sua mente e, não somente nesta máxima, age para solucioná-las, mesmo que signifique renunciar seus caprichos agradáveis do ser. Quando alcançado, eleva, portanto, seu intelecto – desenvolvendo sua sabedoria, que deforma os vetores de valores que contrapõem a ideia de incitar carne e sangue do seu esquecido e insignificante cadáver.
Foi quando me deparei: a realidade cobriu-me naquele instante, como um véu que cobre objetos e os reduz a nada, senão simples formas. Os vultos me cercavam, e um silêncio ensurdecedor ecoou nos meus ouvidos. A existência, antes anestesiada pela minha tentativa inútil de esquecer-me ou até fugir dela, penetrou-me aos olhos: já não enxergava mais nada. O breu tomou conta de minha visão, e ali já havia entendido — e, certamente, foi o estopim da fatalidade que me poderia ocorrer. Não poderia fugir; como conseguiria, se já não me havia forças para correr, muito menos direção para guiar-me? E, se os tivesse, alcançando o topo da colina mais alta e mais distante de todas, como poderia fugir de mim mesmo? Como poderia fugir da angústia que tomou completamente meu corpo naquele instante? A única coisa que poderia fazer era olhar fixamente para o nada, assim como olho para mim no espelho pelas manhãs. Sem escapatória, era apenas uma alma passando frio, ao lado de tantas outras vestidas, combinadas e esquentadas pelo calor de suas vestimentas: seus corações, que palpitavam ferozmente ao contato dentre tantas outras parecidas, enquanto o meu já não tinha forças para viver. Meu coração estava num imensurável inverno congelante, sem previsão de essência: espera-se, somente, a morte por hipotermia.
Quando me liberei das correntes que carregavam toneladas, percebi que, liberto, pulei e planei como se fosse vento. Olhei ao redor e percebi que minha vista havia mudado: agora, enxergava horizontes livres para caminhar. Caminhei lentamente e contemplei a paisagem—aquele pôr do sol, tão levemente quente ao meu rosto. Caminhei apressadamente, sentindo a necessidade de encontrar um caminho. Comecei a balançar meu corpo: estava em trote. E, quando vi, estava correndo disparadamente, até que me tornei um só com a vida. Não sentia o calor do sol, pois eu o era—tão fervorosamente majestoso e livre. Explodia luz que, ao tocar o mundo, tornava-se cor—cores vivas que pintariam a esplêndida arte da vida.
Quando regresso no tempo questiono
O que não consigo compreender
Como foi que num mundo risonho
Entreguei meu amor pra você.
Lembro as horas perdidas ao vento
E as mágoas que você deixou
A saudade meu eterno tormento
Solidão que esse amor me legou.
No silêncio das noites tão frias
Ouço as batidas do meu coração
Minha alma tão triste e vazia
Quer do amor entender a razão.
Tanta gente se entrega ao lamento
Por um pouco de ternura e paz
E você foi embora no tempo
Só porque eu te amo demais.
O amor é um sentimento abstrato
Que não tem nenhuma explicação
Por Deus é divino e abençoado
Porém desprezado despedaça o coração.
Quando surge a noite amiga e o céu muda de cor
Sinto que a vida é mais bela, quando se tem um amor.
Abro então minha janela que fica de frente para o mar
Respiro o perfume da noite e deixo entrar o luar.
Esqueço toda tristeza, que um dia alguém me deixou.
De sonhos e falsas promessas que o tempo e o vento levou.
Ao longe um farol ilumina os barcos a navegar
Raios de luz vão beijando as claras espumas do mar.
As ondas envolvem os rochedos com fúria de uma paixão
E apagam as marcas da areia, seus castelos e ilusão.
Meu olhar entristecido se perde na amplidão
Sinto o perfume da noite e acalmo o coração.
O vento sopra mansinho acariciando as dunas ao luar
Dourados dançam um bailado querendo me encantar.
Vejo o céu tão límpido que penso em estrelas alcançar
Navios levam lembranças deixando a saudade ficar.
A noite passa depressa fazendo promessa de logo voltar
Estrelas se despedindo, a lua sorrindo, o sol vai chegar.
Novo cenário surgindo, o azul do infinito se espelha no mar
Natureza tão bela, que da minha janela, não canso de amar.
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