Use o Silencio quando Ouvir

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Falta ainda a linguagem do gosto!
Que gosto terá sua boca quando
colada na minha?
Que indizível prazer devo sentir ao te percorrer?
Que doce delírio sentir tua boca,
todo o meu corpo morder...
Falta ainda a linguagem do tato!
Como será o entrelaçar das nossas
trêmulas mãos?
O abraço tão apertado que poderemos
ouvir nossos corações,
pulsando sôfregos e descompassados
em meio a tão arrebatadoras emoções...
Falta ainda a linguagem do cheiro!
Não o cheiro da minha ou da tua
preferida colônia.
Mas o nosso cheiro, natural,
hormonal, quase animal.
Falando da premência da entrega,
assim sem nenhuma cerimônia...
Porque eu já conheço a tua voz acariciante.
Porque eu já conheço a tua
melancólica expressão.
Porque eu já conheço o seu jeito complicado sentir.
Porque eu já conheço a tua férrea razão.
Mas que presunção a minha,
eu achar que te conheço.
Não porque falte o tato, o olfato e o paladar.
Eu só poderei dizer que realmente te conheço
quando, olhos nos olhos,
a tua Alma eu puder sondar.

“Talvez a alma seja justamente aquilo que permanece quando todas as versões que criamos de nós mesmos desaparecem.”

— Juliana Hoffmann Liska

O aleijado só dá muito valor a muleta quando cai.

Havia uma pessoa que levaram quase tudo.
Levaram a beleza que ela tinha quando era jovem.
Levaram o tempo que não volta mais.
Levaram o emprego, a rotina, o chão.

E por um tempo ela achou que tinha ficado sem nada.

Mas ninguém conseguiu levar o que ela é por dentro.
Ninguém levou a força de levantar quando dói.
Ninguém levou a sabedoria que só a vida ensina.
Ninguém levou a luz que acende nela mesmo nos dias escuros.

A juventude foi embora, mas ficou a maturidade.
A beleza mudou, mas ficou a dignidade.
O emprego acabou, mas não acabou a capacidade de recomeçar.
O tempo passou, mas o que importa é o que ela ainda vai fazer com o tempo que resta.

Ela não é o que perdeu.
Ela é tudo o que sobreviveu.
E quem sobrevive, reconstrói.
Devagar. Um pedaço por vez.

Porque no fim, o que ninguém pode tomar...
é a chance dela de se reencontrar.

Quando Descobri Que Deus Ainda Me Esperava

Há uma verdade que me acompanha todos os dias.
Quanto mais conheço a bondade de Deus, mais conheço também as minhas fraquezas.
Durante muito tempo imaginei que a maturidade espiritual me impediria de cair.
Hoje sei que não.
Continuo tropeçando.
Continuo errando.
Continuo descobrindo, dia após dia, o quanto ainda preciso da misericórdia de Deus.
Às vezes pensamos no pecado apenas como grandes escolhas erradas.
Mas a vida me ensinou que ele também se esconde nas pequenas coisas.
Numa palavra impensada.
Num julgamento precipitado.
Num orgulho silencioso.
Numa indiferença que machuca.
Num olhar que se afasta daquilo que Deus nos convida a contemplar.
São pequenas escolhas que, pouco a pouco, revelam a fragilidade do coração humano.
Não escrevo isso para condenar ninguém.
Escrevo porque reconheço essa realidade primeiro em mim.
Todos os dias descubro que ainda tenho muito a aprender.
Todos os dias percebo que ainda existe algo em mim que precisa ser transformado.
O mais impressionante, porém, não é a minha fraqueza.
É a paciência de Deus.
Antes mesmo que eu tropece, muitas vezes sinto que Ele já me alerta.
A consciência fala.
O coração percebe.
A verdade se apresenta diante de mim.
Mas, mesmo assim, nem sempre escolho o melhor caminho.
Não porque Deus tenha se calado.
Mas porque, tantas vezes, prefiro ouvir a minha própria vontade.
E, quando finalmente percebo o erro, descubro que Deus não se afastou.
Continua ali.
Esperando.
Chamando.
Acolhendo.
Foi então que compreendi algo que mudou a minha maneira de rezar.
A oração não é apenas um momento para pedir.
É um lugar onde a verdade encontra a misericórdia.
Quando me coloco diante de Deus sem máscaras, reconhecendo aquilo que sou e aquilo que ainda preciso mudar, acontece algo difícil de explicar.
Não escuto uma voz com os ouvidos.
Mas sinto uma paz que nenhuma palavra humana conseguiria produzir.
É como se Deus respondesse ao meu arrependimento com um abraço silencioso.
Há dias em que os olhos se enchem de lágrimas.
Há dias em que apenas um profundo alívio invade a alma.
Não porque eu mereça esse perdão.
Mas porque Deus nunca deixou de amar quem eu ainda estou aprendendo a ser.
Talvez seja esse um dos maiores mistérios da fé.
Quanto mais conheço a minha pobreza espiritual, mais descubro a riqueza da misericórdia de Deus.
E quanto mais descubro Sua misericórdia, menos desejo permanecer no mesmo lugar.
Não mudo por medo.
Procuro mudar porque fui amado.
É por isso que hoje acredito que a oração é uma das maiores dádivas que Deus nos concedeu.
Ela não muda apenas o que dizemos.
Muda o nosso coração.
Cada oração sincera abre uma porta para a graça.
Cada pedido de perdão rompe um pouco do orgulho que nos afasta de Deus.
Cada lágrima derramada diante d’Ele nos lembra que nunca somos fortes o bastante para viver sem Sua presença.
Hoje já não me aproximo de Deus porque me considero digno.
Aproximo-me justamente porque reconheço que preciso d’Ele.
E talvez esta seja uma das mais belas descobertas da minha caminhada:
O perdão de Deus não é uma recompensa para quem nunca caiu.
É um presente oferecido àquele que, depois de cair, encontra coragem para voltar.
Enquanto houver esse caminho de volta, haverá esperança.
E enquanto houver esperança, haverá sempre um Pai esperando por mim de braços abertos.

A religião é a arma mais perigosa que existe, quando é usada para substituir a consciência individual pela obediência cega, transformando fé em submissão e espiritualidade em controle.

“O sentido da vida não é deixar algo para quando você partir… é viver tão profundamente que nada precise permanecer.”

Tem batalha que liberta.
É quando você diz não pra quem te diminui.
É quando você corta o que te prende.
É quando você escolhe sua paz ao invés da aprovação dos outros.
Essa dói no começo, mas cura pra sempre.

“Quando a liberdade é ameaçada, ser preso por permanecer fiel à verdade não é vergonha; é testemunho, como aconteceu com José, Daniel, Paulo e Silas, que mostraram que a fidelidade a Deus vale mais do que qualquer cadeia humana.”

“Crônica do Inferninho”

Eu estava prestes a sair do trabalho quando decidi chamar um Uber para me levar para casa. Assim, poderia relaxar um pouco no caminho de volta, depois de um dia bastante cansativo.

Quando o Uber chegou, entrei no carro e disse:
Boa noite!
O motorista respondeu educadamente:
Boa noite, senhor!

Seguimos em direção à minha casa.

De repente, o motorista me fez uma pergunta:
O senhor não gostaria de passar pelo inferninho antes de chegar em casa?

Respondi imediatamente:
Não, obrigado!

Pouco depois, ele perguntou novamente:
Tem certeza de que não quer passar pelo inferninho antes de ir para casa, senhor?

Tenho! Quero chegar em casa o mais rápido possível!

Mais uma vez, o motorista insistiu:
Tem certeza mesmo de que não quer conhecer o inferninho, senhor?

Já com certa irritação, respondi:
Não! Quero ir para casa. Estou muito cansado e quero descansar.

Mas, novamente, o motorista tocou no assunto:
Tenho certeza de que o senhor vai gostar do inferninho.

Dessa vez, alguma coisa despertou minha curiosidade.
Afinal, o que é esse tal de inferninho?

O motorista respondeu com um sorriso nos lábios:
O senhor precisa ir até lá para conhecer.

E completou:
Quem vai ao inferninho gosta muito.

O senhor não quer ir lá conhecer?

Não! Quero ir para casa, por favor!
respondi, já bastante irritado.

Claro, senhor. Não vou mais falar do inferninho.

Fez-se um silêncio total dentro do carro…

Mas, de repente, fui eu quem ficou com vontade de perguntar:
Onde fica esse inferninho?

O motorista respondeu:
O senhor gostaria de ir até lá?

Mas me diga primeiro: que diabos é esse inferninho?

Ele respondeu:
O senhor precisa ir lá para descobrir.

Você não pode simplesmente me dizer o que é esse inferninho?!

Não. O senhor tem que ir até lá!
exclamou o motorista.

Sério?! Eu tenho mesmo que ir para descobrir o que é?

Com uma voz muito convincente, ele respondeu:
Tenho certeza de que o senhor nunca viu um lugar como o inferninho.

Aquilo aumentou ainda mais a minha curiosidade.

E o motorista completou:
Tenho certeza de que o senhor vai gostar!

Pronto. Minha curiosidade foi parar nas alturas.

Comecei a imaginar que devia ser um lugar cheio de mulheres, muita bebida, música alta… uma verdadeira zona!

Fiquei pensando naquele inferninho durante alguns minutos e, finalmente, perguntei:
Você pode pelo menos me dizer o que tem lá?

O motorista respondeu:
O senhor precisa ver com os próprios olhos. Não posso dizer nada.

Aquilo me deixou com a pulga atrás da orelha.

Que lugar seria aquele? Até o nome era uma tentação! Devia ser bom demais. De repente, até o meu cansaço havia desaparecido.

E agora? O que eu faço???

Minha mulher pensa que estou trabalhando…

Hum…

O que eu faço???

Uma coisa era certa: se eu não fosse conhecer aquele inferninho, aquilo ficaria martelando na minha cabeça pelo resto da vida. Afinal, a curiosidade de um homem que se preze pode ser maior do que qualquer outra coisa!

Mas não.

Não cometi esse erro.

E ponto final!

Está bem falei para o motorista.
Pode me deixar em casa.

E ele me levou.

Mas aquele inferninho ficou na minha cabeça, me perturbando…

E tenho certeza de que ainda vai me perturbar por muito tempo.

Afinal…

Que diabos é esse inferninho???

E você?

Teria ido para casa… ou teria pedido ao motorista para levá-lo ao inferninho?

quando te vi, algo em mim já sabia...
que esse dia mudaria todos os outros
em minha vida



meu perfume lembra os teus olhos
mas os teus olhos em mim
me lembra o amor


daqueles pra vida inteira
com uma linda descendência
como acordar em uma manhã de natal


para meu querido peps

Sentir-se perdida é um inferno.
Quando a única coisa que te faz fugir da realidade, por mais curto que seja o tempo, é também o que você não pode ter.
Tão perto dos olhos,
tão longe das mãos.

"Quando a fogueira está muito alta, é hora de começar a apagar pelas beiradas."

Sou o Filho da Luz.
Escrevo o que a mente livre pensa quando recusa o domínio.
Acredito que o impossível é só uma porta: é só abrir, seguir em frente, abrir de novo e chegar do outro lado.
Em busca da verdade em vida. Sem máscara, sem medo.

Quando um país se endivida cada vez mais, a pergunta não é apenas quanto deve. A verdadeira pergunta é: quem pagará esse preço e quais oportunidades deixarão de existir?

"Uma sociedade não é medida pelos prédios que ergue, mas pelas mentes que desperta.
Quando mais de um milhão de pessoas não conseguem ler uma página, a pergunta deixa de ser 'quem é o culpado?' e passa a ser: 'quem se beneficia de um povo que não consegue ler a própria história?'
A verdadeira pobreza não é a falta de dinheiro. É quando o conhecimento deixa de ser um direito e passa a ser um privilégio.
Toda geração escolhe o legado que deixará: construir escolas... ou perpetuar o silêncio.

"Quando eu era apenas crítico, via inimigos por toda parte.
Quando aprendi a refletir, comecei a enxergar seres humanos."


"A maturidade não me fez abandonar as perguntas.
Apenas me ensinou a desconfiar também das minhas próprias respostas."

O poder raramente precisa controlar o resultado. Basta controlar a narrativa.
Quando milhões de pessoas acreditam que um jogador é o escolhido, uma seleção é a favorita ou um herói merece encerrar a carreira com um título, cria-se uma atmosfera emocional poderosa. Essa atmosfera influencia torcedores, imprensa e até atletas.
Mas uma narrativa não é uma garantia.
A história está cheia de roteiros perfeitos que fracassaram.


"Por que sentimos necessidade de acreditar que alguém escolheu o vencedor?"
Muitas vezes o ser humano prefere acreditar numa conspiração organizada do que aceitar a existência do propósito. O acaso nos dá insegurança. Uma conspiração, por mais assustadora que seja, pelo menos oferece uma explicação.
Como escritor, eu acredito no processo das escolhas e também não nego os imprevistos da vida...
"Quando o resultado parece grande demais para ser obra do foco, os homens inventam um mestre dos fios. É mais fácil acreditar num manipulador invisível do que aceitar que o destino não pede licença a ninguém."

É fácil dizer para alguém não ter apego material quando você tem tudo!
É fácil dizer para alguém que é só uma fase ruim quando você nunca passou por ela!
É fácil criticar e julgar alguém apenas por ser sincero quando na verdade o seu desejo era dizer o mesmo mas por covardia, status ou interesse você se cala e aceita que defequem sobre seus ouvidos!

A origem do caos não está apenas na escassez de recursos, mas na escassez de consciência. Quando a mente se rende ao medo, à dependência, à ignorância ou à ambição desmedida, nasce um sistema que perpetua o desequilíbrio. Alguns se tornam escravos da pobreza; outros, escravos do poder. Ambos alimentam o mesmo caos.