Use o Silencio quando Ouvir

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O Eco do Silêncio Cósmico
​A televisão estava ligada, mas meus olhos vagavam por outro lugar. Na tela, uma cientista começava a relatar os primeiros resultados do JUNO, o colossal detector subterrâneo na China criado para caçar a partícula mais esquiva da física: o neutrino.
​Foi então que o tecido da realidade pareceu afinar. Antes mesmo que as palavras saíssem da boca dela, minha própria voz ganhou vida. Eu não estava apenas prevendo o que ela diria; eu estava ecoando, palavra por palavra, em um sincronismo milimétrico e bizarro. Falei sobre dados enigmáticos, anomalias que desafiam o Modelo Padrão e o vislumbre de uma nova física.
​Não foi um déjà vu comum — aquela sensação tardia de que "eu já vivi isso". Foi uma precognição em tempo real, um fork na linha de processamento do meu próprio cérebro.
​A ciência tradicional chama isso de speech shadowing, um reflexo ultraveloz dos neurônios-espelho capturando padrões. Mas ali, diante da notícia de uma máquina desenhada para capturar fantasmas subatômicos, a explicação puramente biológica pareceu incompleta. Naquele exato segundo, enquanto minha boca replicava a fala da cientista, bilhões de neutrinos reais atravessavam o planeta, as paredes do meu quarto e as sinapses do meu cérebro na velocidade da luz.
​Se o universo é, na sua definição mais profunda, um gigantesco banco de dados feito de informação pura, o que eu experimentei foi uma brecha no sistema. Uma sintonia instantânea com o espaço-tempo, onde o fluxo linear do tempo vacilou por um milissegundo. Como um neutrino que cruza a matéria escura sem deixar rastros, aquela informação apenas passou por mim. Eu não adivinhei o futuro; eu apenas li o código do presente um instante antes de ele ser rodado pelo resto do mundo.

Silencio..
minha alma chora.. grita.. implora..
vc ainda me faz falta..
vc ainda me provoca.. me toca..
e mesmo que tudo a sua volta te faça esquecer..
eu estou disposta.. a fazer vc lembrar..
que sou especial... importante..
que sou a unica, a tal.. a tua..
que sou a mulher de tua vida.. tua amada..
tua metade...

E hoje eu tô assim..
feito areia no deserto..
dia nublado..acinzentado. .
noite chuvosa..silenciosa...
Hoje eu tô assim..
calmaria...

Às vezes, as palavras parecem insuficientes, e o silêncio surge como o único refúgio seguro. Na quietude da mente, onde não há o ruído de justificativas vazias ou de cobranças desnecessárias, a gente consegue, finalmente, organizar o caos interno. O silêncio, ao contrário do que muitos pensam, não é ausência de resposta é, muitas vezes, a resposta mais alta, lúcida e categórica que podemos dar.
Enzo Ruchell

Só se perde quem não se permite encontrar.
Se encontrar no silêncio que grita e que na porta bate.
São eles, os egoístas do eu e aqueles bastardos que vivem no interior descontente que aprisiona a vontade de ser. As barreiras sempre estão ali, rompê-las é o empecilho maior, há quem diga que se perder e se encontrar é tão igual como amar e odiar e assim a história se repete num compasso em que todos estão presentes mas poucos conseguem se encontrar.

Silêncio profundo


Depois de tudo, sigo firme na estrada...
Apesar de tudo, minha alma não é segue calada.
Vou tentando rimar meu canto no vento, na brisa, no vai e vem de uma aragem sutil...
Nesse voo rasante, sem medo, sem lamento... sigo passo a passo na minha estrada.
Aqui não há distâncias, só olhares que brilham no lusco fusco do amanhecer...
Novos horizontes onde os sonhos cintilam... e se esforçam para nascer e firmes e fortes vivos permanecer...
Corpo abandonado, leve a flutuar,
deixo-me planar, além do pesar.
Liberta e solta, entre nuvens a flutuar,
minha voz encontra o mar para nele totalmente se espelhar e se espalhar.
Em cada verso, uma força reluzente...
Na tempestade, sou eu a chama ardente.
Depois de tudo, renasço em poesia,
Apesar de tudo, floresço em melodia.
No silêncio profundo, minha essência canta,
E a vida, enfim, reinventa-se forte e solene, e tudo ao seu redor encanta.

**Apague as velas**


No estranho silêncio da noite,
No escuro noturno
Sem estrelas,
Sem lua.
Uma vela segue a brilhar fracamente
Sua chama é comprida,
Maior que a vela em si
E ao redor da vela, só escuridão


Não, olhe novamente
Olhe direito
A noite está com estrelas
"Elas são tão pequenas, com a luz não dá pra ver" dizia eu quando criança
A ofuscante luz urbana apagou para exibir a beleza das luzes do espaço.


A vida precisou parar pra conseguir apreciar as estrelas
O tempo congelou, as estrelas continuam brilhando
Uma, duas, três horas
A madrugada me parece insuficiente pra olhar o vasto céu
De soslaio, a escuridão me cerca, mas meu foco está apenas na luz pura das estrelas
A paz se senta do meu lado enquanto olho as pequenas luzes
Pouco a pouco, vejo a lua ser costurada no céu


Porém, num piscar de olhos, o tempo volta a correr
Não há mais intervalo para olhar o céu
O céu, mesmo sempre estando lá, não está mais, não do jeito quando escuro
Agora os momentos que vejo as estrelas são raros
Essas lembranças são nostálgicas, longínquas
Desejo que as estrelas brilhem para mim novamente

Também na vida se aprende três coisas: o silencio, a resposta e a transparência.

⁠Minha melhor poesia fora recitada no silêncio de minha ignorância.

“Escrever com alma é deixar que as palavras respirem o invisível, transformando silêncio em sentido e emoção em eternidade.”


Roberto Ikeda - livros

Nas argênteas páginas lunares plenas
verso os meus laivos, trêmulos de estrelas,
no silêncio onde o tempo se enreda
em véus de névoa e luz serena.


Cada traço é um eco de saudade,
sussurrado ao vento sideral,
um murmúrio da alma em liberdade,
nas margens de um sonho abissal.


Riscam-se os versos em prata e ausência,
como quem canta e já se desfaz,
na órbita lenta da consciência,
que gira entre o nunca e o jamais.
✍©️@MiriamDaCosta

Pessoas de almas elegantes
nunca revidam à uma ofensa
o silêncio é virtude dos nobres.

Amar também é ser ausência,entender o outro
nos seus momentos de silêncio,sem questionar,
apenas compreender o que sua alma diz.

Um jeito ausente tão presente no olhar


Você chegou sem barulho, mas fez casa no silêncio.
Tem um jeito ausente tão presente no olhar... Corpo que foge pro mundo, olhos que ficam aqui, me achando em cada pausa.
Teu olhar não mente.
Diz "fica" quando você se cala. Diz "eu tô aqui" mesmo quando jura que foi embora.
E é nesse paradoxo que eu moro.
No amor que não faz alarde, mas permanece. Que me olha distraído e me encontra inteira.
No fundo, teu olhar é tua forma mais sincera de ficar.
E eu escolho morar nele.

" O silêncio do nosso adeus não foi ausência de palavras. Foi excesso de consciência. Quando dois espíritos compreendem que o caminho já não é o mesmo, o ruído torna-se indigno. Falar seria profanar aquilo que já estava consumado no íntimo. "

" É preciso prudência. O silêncio absoluto pode converter-se em cárcere emocional. A lágrima secreta deve ser contemplativa, não sufocada. Há momentos em que partilhar a dor é ato de humildade, não de fraqueza. O discernimento é virtude. "

"O bem praticado em silêncio é a forma mais elevada de grandeza."

"A distância não rompe o que é verdadeiro, apenas prova o que resiste ao silêncio."

CLADISSA.
CAPÍTULO IV
O SILÊNCIO DAS PEDRAS E A VONTADE DO SÉCULO.
A Úmbria do século XI não era apenas um território, mas um organismo espiritual submetido às tensões do poder imperial e às reformas eclesiásticas que se irradiavam desde Roma. As colinas que circundavam os mosteiros pareciam guardar, em suas entranhas calcárias, o eco das disputas entre o trono e o altar. A cristandade latina vivia o período que os historiadores designam como Reforma Gregoriana, cujo impulso maior se consolidaria sob o pontificado de Gregório VII, iniciado em 1073.
Cladissa, ainda jovem, percebia pouco das articulações políticas, mas sentia profundamente o peso do tempo. A investidura dos bispos tornara-se questão ardente entre o Império e a Sé Apostólica, conflito que culminaria no célebre episódio de Canossa em 1077, quando o imperador Henrique IV buscou reconciliação com o pontífice após excomunhão. Embora distante geograficamente, a reverberação desses acontecimentos alcançava os mosteiros úmbrios, onde a disciplina tornava se mais rígida e o estudo mais exigente.
No claustro onde Cladissa residia como oblata letrada, o scriptorium era o coração pulsante. Ali, sob a luz oblíqua das manhãs, monges copiavam manuscritos da Vulgata, consolidada séculos antes por Jerônimo no final do século IV. O latim ali empregado não era apenas língua, mas instrumento de coesão civilizatória. Copiar era preservar o mundo.
Cladissa, embora mulher, encontrara uma brecha rara naquele universo predominantemente masculino. Filha de pequena linhagem rural empobrecida por tributos e instabilidades feudais, fora entregue ao mosteiro não como penitente, mas como promessa de elevação intelectual. Sua instrução não era comum, mas também não era impossível. Algumas casas monásticas, especialmente influenciadas pela tradição beneditina, permitiam a presença feminina em alas separadas, sob rígida supervisão.
A Regra de São Bento, redigida no século VI, orientava não apenas o silêncio e a obediência, mas a ordem interior. Ora et labora. Rezar e trabalhar. O trabalho intelectual era considerado forma elevada de serviço a Deus. Cladissa compreendia que sua permanência ali dependia de discrição, disciplina e excelência. Não lhe bastava ser piedosa. Precisava ser irrepreensível.
Entretanto, sob a superfície da rotina litúrgica, agitavam se conflitos mais sutis. A espiritualidade medieval não era homogênea. Correntes de ascetismo rigoroso confrontavam práticas mais flexíveis. A preocupação com a simonia e com o celibato clerical intensificava se. A reforma exigia pureza. E pureza, naquele contexto, significava vigilância constante sobre desejos e ambições.
Cladissa sentia dentro de si uma tensão que não era carnal, mas intelectual. O desejo de compreender superava o de simplesmente obedecer. Ao copiar passagens do Evangelho de João, detinha se sobre a expressão Verbum caro factum est. O Verbo fez se carne. Perguntava se, silenciosamente, sobre o mistério da encarnação enquanto evento histórico e ontológico. Como o eterno pode submeter se ao tempo. Como o infinito pode caber na fragilidade.
Essas indagações não eram heresia, mas eram perigosas se mal formuladas. A linha entre contemplação e suspeita era tênue. A Europa do século XI ainda não conhecia a sistematização escolástica que floresceria nos séculos seguintes. O pensamento era teológico, porém ainda profundamente simbólico. Questionar exigia prudência.
Certa tarde, ao atravessar o pátio interno, Cladissa ouviu dois monges discutirem sobre as decisões romanas acerca das investiduras episcopais. A tensão política infiltrava se no vocabulário cotidiano. O mundo exterior não estava distante. O mosteiro era ilha, mas não era imune.
Ela compreendeu então que sua própria existência era atravessada pelo mesmo conflito estrutural que movia a cristandade. De um lado, a autoridade consolidada pelas tradições. De outro, a exigência de reforma moral e espiritual. Dentro dela, também havia tradição e reforma. Havia obediência e pensamento.
Naquela noite, recolheu se ao cubículo simples que lhe fora designado. A lamparina projetava sombras nas paredes de pedra. Tocou o pergaminho ainda inacabado e percebeu que cada letra traçada era um gesto de permanência. Em um mundo instável, escrever era resistir.
O século XI não lhe oferecia garantias. Oferecia provações. Contudo, no silêncio das pedras úmbrias, Cladissa começava a compreender que sua vocação não era apenas copiar palavras antigas, mas tornar se guardiã de uma chama interior que o próprio século, com todas as suas convulsões, não conseguiria extinguir.
E assim, entre o rigor da Regra e o tumulto do mundo, formava se lentamente uma consciência que aprenderia a sustentar se não pela força das armas, mas pela firmeza do espírito e pela lucidez da razão.

"A serenidade não nasce do silêncio exterior, nem da ausência de tempestades. Ela germina quando o ser humano reconhece que há, dentro de si, uma região mais vasta do que qualquer problema que o cerca."