Use o Silencio quando Ouvir
O rigor do Inverno de Vivaldi me ensina que a força, muitas vezes, é o silêncio. Um calor lento acende por dentro enquanto o vento lá fora protesta.
Hoje, o meu corpo sussurrou teu nome
no silêncio exato da vontade contida.
Quis teus beijos, teus braços,
quis o abrigo invisível do teu cheiro
me atravessando a pele.
Tão perto —
e o impossível de te tocar
fez do desejo um rio indomável,
correndo por dentro de mim,
transbordando em saudade quente.
Ah…
que ânsia de sentir tua árvore em flor,
desabrochando como chuva de prata,
tuas mãos me prendendo ao instante
com a força de quem sabe ficar.
Foi aí que entendi:
eu te amo desde aquele dia improvável,
na sala de aula,
sem aviso, sem razão,
apenas o acaso nos olhando em silêncio.
Mesmo quando meu coração tentou outro rumo,
teu nome nunca deixou de morar em mim.
E dói —
saber-te com ela,
e eu aqui,
entre o amor que existe
e o amor que não pode ser.
No silêncio, encontramos a paz para mergulhar em nossos pensamentos, e na solidão, a serenidade para acalmar a mente agitada.
É no silêncio
da noite que
elevo uma prece
Ao Criador...
Agradecendo por mais um dia
que pude sentir o
seu sublime amor.
Tati 22.10.2012
O Equilíbrio do Abismo
O Nada é o silêncio onde a visão se cria,
No tecido invisível, o Algo se faz notar.
Mas o mundo se perde em sua própria agonia,
Por ter medo do que o espelho tem a revelar.
Mergulhei no DNA, na tinta da medula,
Desconstruí o templo para o ser libertar.
Pois quem segue os escritos, na cela se imobiliza,
E esquece que a verdade só o coração pode ditar.
Não tema o delírio, nem a voz que te guia,
O perigo é o naufrágio na margem vazia:
A gente só fica louco quando não sabemos distinguir
Entre a realidade e a fantasia.
Há momentos em que toda companhia se ausenta, e resta apenas o silêncio entre você e o divino. Nesse espaço, aprende-se que a suficiência não vem da ausência de tudo, mas da presença do essencial.
Já caminhei por desertos de silêncio,
onde a esperança se escondeu nas sombras. A vida, em sua frieza, não me ofertou razões para permanecer. O amanhã parece distante, um horizonte que não chama pelo meu nome. E ainda assim, respiro, como quem desafia o vazio. Talvez não haja sentido, talvez nunca tenha havido. Mas sigo, porque até o desespero carrega uma semente de quem insiste em existir.
Sou estrela antiga, ecoando luzes que já se foram, meu coração queimando em silêncio. Cada fagulha é memória de mundos que jamais verei, cada brilho, um suspiro perdido. No vazio do cosmos, aguardo o instante em que tudo se desfaz, me transformando em poeira estelar, um murmúrio esquecido no infinito.
Plantei raízes no silêncio ansiando pelo sol da esperança, mas mãos alheias cobriram a terra, impedindo-me de florescer.Meu caule se ergueu trêmulo, buscando o céu em vão, pois a sombra de terceiros pesava mais que minha vontade. E assim sigo, metade semente, metade lembrança do que poderia ser; um destino podado antes do tempo, um sonho que ainda respira sob a terra.
Assim como a terra árida se estende em silêncio, implorando pelo alívio de algumas gotas de água, também eu me prostro diante da memória das antigas promessas que um dia me foram feitas. Elas ainda cintilam dentro de mim, frágeis e leves como plumas, como dentes de leão que o vento leva para sempre, belas como enganos. E, no entanto, é delas que me alimento, como quem bebe a própria sede, como quem encontra no vazio a única forma de sustento.
Em silêncio, imploro. Almejo o que nunca será meu. Talvez o que mais rejeito seja o que tenho de sobra, esse excesso de pensamentos, vagando como sombras num silêncio gritante, me prendendo às noites que não sabem dormir.
No silêncio dos sonhos, encontro alegrias que a realidade nunca ousou me dar. Mas, ao despertar, tudo retorna ao vazio, e o sonho se perde como outro inalcançável sonho.
Lá fora está frio e chuvoso e as ruas se encharcam de silêncio. As gotas escorrem nas janelas como se fossem lágrimas antigas que o céu já não consegue conter.
No instinto de sobreviver, o veneno se desfaz em silêncio, críticas tornam-se pó,
julgamentos se perdem no vento. E o ser, ainda de pé, atravessa a provação intacto.
Escrevo poemas tristes não por gosto, mas porque aprendi a viver assim, mergulhado em dores silenciosas, em lembranças que não se dissipam, e em uma tristeza que se tornou meu idioma, apenas transmito o que realmente sinto.
Elegantemente, vou ignorando tudo e todos, um gesto contido que guarda meu silêncio como quem preserva um relicário.
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