Use o Silencio quando Ouvir
Encontrava-me no Hospital de Tambara 2, aguardando do lado de fora, quando uma enfermeira, com a voz carregada de rotina, questionou uma jovem: 'Quantos anos tens?' A resposta veio imediata: '18 anos.'
A enfermeira, sem hesitar, dirigiu a mesma pergunta a outra rapariga: 'E tu, quantos tens?' '15 anos,' respondeu ela.
A sequência repetiu-se: 'E tu, quantos tens?' '16 anos,' ouviu-se em resposta.
Mais uma vez, a enfermeira insistiu: 'E tu, quantos tens?' '17 anos,' respondeu uma rapariga.
Presenciei estas cenas com uma profunda mistura de tristeza e frustração, mas também com uma dolorosa compreensão. Estas jovens estão inseridas numa cultura que, infelizmente, ainda perpetua a ideia de que o destino da mulher se resume a casar cedo, cuidar do lar e trabalhar na machamba. A culpa não reside nelas, mas sim nas tradições arcaicas e numa sociedade que, por vezes, inadvertidamente, fomenta os casamentos prematuros.
Refleti sobre a árdua jornada que Moçambique enfrenta para alcançar o progresso. Como podemos avançar quando tantas crianças, provenientes de famílias de baixa renda, são forçadas a amadurecer precocemente?
E mesmo aqueles que conseguem prosseguir com os estudos, muitas vezes, deparam-se com a falta de oportunidades de emprego, restando-lhes apenas a venda de mangas como meio de subsistência.
Enquanto isso, nas cidades, os filhos das elites nascem com o futuro assegurado, independentemente dos seus méritos. Como podemos construir um futuro próspero para Moçambique quando o talento e a inteligência de jovens da classe média baixa são desperdiçados nas ruas, vendendo frutas, sem sequer terem acesso ao capital inicial para iniciar um negócio?
Acredito que a chave para a transformação de Moçambique reside na união entre os cidadãos de todas as classes sociais. Se os jovens da classe média baixa e os da cidade se unissem, poderíamos desvendar o potencial adormecido da nossa nação e construir um futuro mais justo e promissor para todos moçambicanos.
Lembro-me da frase da minha avó quando criança: 'Cresce para ver'. Hoje, vivencio a rigorosidade da vida, especialmente para as pessoas honestas. É notável como, muitas vezes, a balança parece pender para o lado dos desonestos. Observo que, nos relacionamentos familiares e amorosos, o dinheiro se tornou um alicerce, e o valor das pessoas é frequentemente medido pelo seu nível financeiro. Esta é a dura realidade para muitos que se encontram na média baixa."
O bom cordeiro, quando ganha dois pães, ele divide com o outro; o mesmo cordeiro, quando recebe somente um pão, ele o doa.
O país somente se tornará uma NAÇÃO de verdade quando os governantes se comprometerem com a EDUCAÇÃO de verdade, contudo eu não acredito que isso aconteça tão cedo - talvez nunca aconteça pelo desandar da carruagem.
Quando depende só de nós não agimos e nem sequer reagimos - seguimos com nossas culpas e desculpas e nada fazemos.
Nossas crises antes de mais nada são ética, moral e civilizatória.
Quando analisamos com um pouco mais de profundidade, nos deparamos com a triste realidade.
Não é uma questão ideológica e sim de lógica racional.
A desumanização desconecta o homem de sua verdadeira essência - quando há isso ocorre o homem perde a conexão
com a realidade real.
Quando nós nos desagradamos para agradar os outros, nós nos degradamos e ao nos degradarmos, nos desgraçamos!
Os altos nos rebaixam, e os baixos nos elevam - isto é quando estamos dispostos e despertos! A dor é transformaDORa, e o agente dessa transformAÇÃO somos nós. Acorda senão a corda vai te sufocar!
- Relacionados
- Textos de aniversário para amiga que dizem tudo que ela merece ouvir
- Quando me Amei de Verdade
- Silêncio
- Fico feliz quando estou ao seu lado
- Às vezes quando tudo dá errado (mensagens de motivação)
- Frases de briga: quando tudo termina em paz
- Frases de combate à violência que rompem o silêncio e promovem mudança
