Urgência
Quero te amar com a urgência dos primeiros beijos e a calma de quem sabe que encontrou onde ficar.
Quero teu corpo perto do meu, tua boca procurando a minha, teus braços me envolvendo como se o mundo pudesse acabar lá fora e, ainda assim, nada nos alcançasse.
Quero envelhecer desejando teu toque, sorrindo para o mesmo olhar e escolhendo você, dia após dia.
E quando a vida cobrar de nós o último suspiro, que ele ainda encontre nossos corações batendo no mesmo compasso.
Porque o tempo pode levar nossa juventude, nossa pressa e até nossos dias… só não quero que leve o desejo de amar você.
Substituiu-se a busca pela certeza pela urgência em pertencer a um grupo, custe o que custar à realidade.
... nosso Criador
não tem pressa, pois, antes
de qualquer urgência, Ele prioriza
o real sentido das coisas.Afinal, sem
absorver esse sentido, não hápor que
correr; nem sequer para
onde correr!
ALLAN KARDEC E JOSÉ HERCULANO PIRES:
A URGÊNCIA DE SUA LUCIDEZ NO SÉCULO XXI.
Vivemos uma época marcada por um paradoxo inquietante: jamais a humanidade teve acesso a tanta informação e, simultaneamente, jamais esteve tão vulnerável à desinformação, ao emocionalismo e ao abandono do pensamento crítico. Multiplicam-se discursos revestidos de aparência espiritual, promessas extraordinárias, revelações sensacionalistas e teorias que, embora sedutoras, raramente suportam o exame da razão.
Nesse cenário, Allan Kardec e José Herculano Pires permanecem extraordinariamente atuais. Não porque tenham oferecido respostas prontas para todos os problemas do futuro, mas porque legaram um método para investigar, refletir e discernir.
Kardec não edificou um sistema baseado na autoridade pessoal. Seu trabalho consistiu em construir um método de investigação. Em O Livro dos Médiuns e na Revista Espírita, insistiu que nenhuma comunicação espiritual deveria ser aceita apenas porque provinha de um Espírito ou de um médium. A autoridade deveria nascer da concordância universal, da coerência lógica e da compatibilidade com os fatos observáveis. Esse procedimento ficou conhecido como Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos (CUEE), verdadeiro mecanismo de segurança contra a fascinação e o dogmatismo.
Mais do que uma doutrina religiosa, Kardec estruturou uma filosofia experimental da espiritualidade, sustentada pela integração entre ciência, filosofia e consequências morais. A ciência investiga os fenômenos; a filosofia lhes atribui significado; a moral orienta a transformação íntima. Romper essa unidade significa descaracterizar a própria proposta kardequiana.
Décadas depois, José Herculano Pires percebeu que o maior risco já não era a rejeição do Espiritismo, mas sua descaracterização interna. Como filósofo, jornalista e tradutor, combateu aquilo que denominava a "igrejificação" do movimento espírita: a substituição do estudo pelo ritual, da investigação pela autoridade, do pensamento pela repetição.
Para Herculano, um centro espírita deveria ser, antes de tudo, uma escola de consciência, e não um espaço de veneração de personalidades ou de dependência emocional. A Doutrina Espírita perderia sua identidade caso abandonasse o debate livre e a pesquisa séria para assumir estruturas dogmáticas semelhantes às que Kardec tanto criticara.
Esse alerta torna-se ainda mais relevante na era digital.
As redes sociais. potencializam a circulação de mensagens mediúnicas sem qualquer critério de validação. Psicografias apócrifas, previsões catastróficas, falsas revelações, interpretações conspiratórias e conteúdos emocionalmente apelativos alcançam milhões de pessoas em poucas horas. O algoritmo privilegia o impacto; Kardec privilegiava a verificação.
Nesse ambiente, o método kardequiano revela sua impressionante atualidade:
Não aceitar afirmações extraordinárias sem análise criteriosa.
Submeter toda informação ao exame da lógica.
Comparar diferentes fontes independentes.
Reconhecer que nenhuma autoridade humana ou espiritual está acima da razão.
Herculano Pires acrescentaria outro elemento indispensável: a coragem intelectual. A verdadeira caridade não consiste em aceitar qualquer afirmação para evitar conflitos, mas em preservar a verdade através do diálogo respeitoso e da crítica fundamentada.
Outro desafio contemporâneo encontra-se na proliferação do sincretismo indiscriminado. Conceitos provenientes de diversas tradições filosóficas, religiosas e terapêuticas são frequentemente reunidos sob o rótulo de "espiritualidade", sem critérios epistemológicos claros. Kardec jamais recusou o progresso das ideias; pelo contrário, afirmava que a Doutrina deveria acompanhar o avanço do conhecimento humano. Contudo, esse progresso exigia método, demonstração e coerência, jamais a simples acumulação de conceitos incompatíveis entre si.
Também diante da Inteligência Artificial e do transumanismo, a contribuição desses pensadores permanece relevante. Kardec provavelmente distinguiria entre inteligência operacional e consciência moral, lembrando que processamento de informações não equivale, por si só, à existência de um princípio inteligente dotado de responsabilidade ética. Herculano Pires, por sua vez, talvez advertisse contra o risco de substituir a busca pelo aperfeiçoamento espiritual pela ilusão de uma imortalidade puramente tecnológica.
Sua mensagem fundamental permanece simples e profundamente revolucionária: o progresso verdadeiro começa pela educação da consciência.
Mais do que repetir frases de efeito, estudar Kardec exige aprender a pensar como Kardec. Mais do que citar Herculano, é necessário exercer a independência intelectual que ele demonstrou durante toda a sua vida.
Enquanto houver fanatismo, superstição, culto às personalidades, pseudociência travestida de espiritualidade e recusa ao exame racional, a obra desses dois pensadores continuará necessária.
Seu legado não é um convite à crença cega, mas à investigação; não é um apelo ao conformismo, mas ao pensamento livre; não é uma exaltação do extraordinário, mas uma convocação permanente à lucidez.
A verdadeira fidelidade a Allan Kardec e a José Herculano Pires não consiste em repetir-lhes as palavras, mas em preservar vivo o método que ambos defenderam: observar sem preconceitos, raciocinar sem paixões, estudar sem cessar e jamais sacrificar a verdade em nome da conveniência.
"A luz da razão não enfraquece a fé; ao contrário, purifica-a. Onde o pensamento permanece livre e a consciência permanece humilde, a verdade encontra sempre novos caminhos para iluminar a humanidade."
Fontes.
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos.
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns.
Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo.
Allan Kardec — A Gênese.
Allan Kardec — Revista Espírita (1858–1869).
José Herculano Pires — O Espírito e o Tempo.
José Herculano Pires — O Martírio dos Doutrinadores.
José Herculano Pires — Vampirismo.
José Herculano Pires — O Sentido da Vida.
José Herculano Pires — Traduções das obras de Allan Kardec.
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A URGÊNCIA DE VIVER
A vida é única,
e a sua duração é como o passar de um dia,
que logo termina
sem ao menos percebermos.
Como o dia,
que só tem utilidade enquanto não acaba,
assim é a vida
enquanto dura.
Por isso, aproveite agora
a dádiva desse extraordinário dia de vida
como algo único e essencial
para pensar mais em você.
Cuide melhor da sua saúde,
alimente-se bem,
corra atrás dos seus objetivos
e acredite na sua capacidade de realizar sonhos.
Sendo assim,
que o principal motivo de você viver bem hoje
seja o fato de você
talvez não estar vivo amanhã!
Gastei noites em prantos e dias em ação, a urgência virou disciplina, a disciplina produz liberdade.
O tempo é o remédio que insiste em fazer efeito apenas quando abandonamos a urgência e acolhemos a paciência como aliada da cura.
O excesso de luz artificial do externo induz à cegueira para a urgência da lanterna que precisa ser acesa no interior.
O tempo não apaga a memória, mas ensina a conviver com a ausência sem perder a urgência do presente.
As minhas mãos percorrem
o teu corpo
com a urgência das marés cheias,
e o teu corpo responde
em ondas que quebram, insistentes,
na areia quente do teu ventre.
As nossas bocas procuram-se
como se o mundo fosse acabar
no próximo segundo,
línguas que escrevem promessas
no sal da pele arrepiada.
Somos dois abismos
à beira do mesmo precipício,
caindo um no outro
sem medo da queda.
E quando o prazer nos atravessa
como um relâmpago a rasgar o céu,
não há mais nome, nem forma,
apenas o pulsar desmedido
de carne, desejo e entrega.
Depois, exaustos e ainda a arder,
repousamos na brasa suave do pós-fogo, sabendo que basta um olhar
para que tudo comece outra vez.
Mairiporã transmite magia; ao desacelerar o compasso da urgência paulistana, passamos a observar o jardim secreto do tempo, onde o canto dos pássaros não é música, mas o eco do silêncio que finalmente aprendemos a ouvir.
Reno Fioraso
Precisamos implantar com urgência cotas para mulheres cis e trans negras e brancas para combater a desigualdade de gênero, a misoginia e a escravidão moderna. Precisamos de mulheres professoras, médicas, policiais, diplomatas, juízas, promotoras e desembargadoras com salários compatíveis com a competência de cada mulher.
O governo brasileiro precisa implantar com urgência cotas para mulheres cis e trans negras e brancas, pois na escravidão moderna as mulheres são mais vulneráveis ao tráfico humano.
Preciso aprender, com urgência, a usar o ‘não’ de forma literal. Isso vai me livrar de muita coisa ruim.
A urgência do agora
Quando for tarde demais
Quando for tarde demais,
tu chegarás atrasado.
Não haverá tempo para abraços,
não haverá tempo para despedidas,
não haverá tempo para pedidos de desculpa,
não haverá tempo para explicações.
Será depois —
e o depois é passado.
Será uma urgência perdida,
uma vitória fracassada,
lágrimas dispensáveis.
Hoje, agora,
é tudo o que existe.
O resto são lembranças,
saudades que o tempo não perdoa,
não esquece,
não morre.
Vive o presente,
que é dádiva.
Se o amanhã existir,
será um novo tempo.
