Universo
O universo não se torna menos grandioso porque admitimos que talvez jamais compreendamos sua última arquitetura.
Talvez a mais honesta frase diante do universo seja também a mais difícil: não sabemos, e continuaremos investigando.
O homem procura sentido no universo porque talvez seja incapaz de aceitar que o universo não tenha sido escrito especialmente para ele.
O ser humano deseja certeza porque a incerteza é psicologicamente desconfortável; mas o universo não tem obrigação de adaptar sua verdade às nossas necessidades emocionais.
O absurdo nasce quando a inteligência exige uma resposta e o universo, indiferente às nossas perguntas, devolve apenas silêncio.
O homem não é um império isolado dentro do universo; sua liberdade, seus desejos e seus conflitos obedecem às mesmas relações de causalidade que governam a natureza.
A humanidade passou séculos tentando descobrir se estava sozinha no universo; talvez a pergunta mais difícil seja descobrir se ainda está sozinha dentro de si.
O universo provoca uma pergunta que a razão pode formular sem necessariamente conseguir encerrá-la: se há ordem, de onde vem a ordem, e até onde podemos legitimamente inferir uma causa?
Diante da escuridão, uma pequena luz não resolve o universo, mas altera imediatamente aquilo que os olhos conseguem enxergar.
O maior mistério do universo talvez não seja saber se estamos sozinhos, mas saber por que existimos.
O universo é tão vasto que nenhuma ordem humana pode confundir sua própria perspectiva com a ordem absoluta do ser.
Quanto maior o universo que conhecemos, menor se torna a legitimidade de confundir nossa perspectiva com a totalidade.
A consciência não contempla o universo de fora; ela é uma das formas pelas quais o universo começa a compreender a si mesmo.
O universo pode ser imenso demais para nossa consciência, mas nossa consciência é suficientemente vasta para perguntar pelo sentido do universo.
Quanto mais instrumentos criamos para observar o universo, mais evidente se torna que o maior instrumento de investigação continua sendo a pergunta.
O universo é maior que nossas certezas, e o ser humano é maior que as categorias com que tenta compreendê-lo.
Não erga os olhos apenas para contemplar o universo; erga também a razão para compreender o lugar que o ser humano ocupa na ordem cósmica e os limites jurídicos de sua própria intervenção sobre ela.
O universo pode não possuir finalidade jurídica alguma; somos nós, entretanto, que atribuímos responsabilidade aos atos humanos praticados dentro dele.
Se o universo é suficientemente vasto para abrigar inúmeras possibilidades, o Direito deve ser suficientemente racional para não confundir aquilo que é possível com aquilo que é legítimo.
