Uniao e Respeito em um grupo Jovem

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⁠Faça o que puder pelas pessoas, e um dia, poderá dizer, eu fiz a diferença!

A juventude é apenas ansiedade. Igualmente quando você não consegue esperar um açúcar derreter no café.

Até um tijolo quer ser alguma coisa
- Louis Kahn

A infância é a melhor coisa para um adulto cuidar. Mas afinal, quem cuida de quem?


O adulto ajuda a criança limpando a roupa, dando atenção e defendendo do mal.


A criança ajuda o adulto com um abraço e com as palavras certas que a gente precisava ouvir. É um ciclo de amor e proteção. É impossível entender por que algumas pessoas escolhem o caminho do crime contra tanta inocência. Mas o futuro e a vida cobram o preço de cada ato.


Quem ama a infância sabe: proteger uma criança é salvar o próprio coração.

Quero um mapa para te achar,
mas, no fim, só quero achar


que estamos no presente,
em que você esteja presente.


No fim, sinto sua falta,
mas eu fiz falta.

⁠Quero dizer-te coisas,
mas tu e eu sabemos que
as palavras não passam de um fluxo de ar complicado.
Só o silêncio diz a verdade.

⁠“Todos os caminhos levam ao lar.”

Verdade, mas não em um sentido linear, não como um meio para um fim.
O lar não é um destino encontrado no limiar do tempo.
A verdade é o reconhecimento sem caminhos do que é.
Não apenas um reconhecimento, mas simplesmente as gargalhadas existenciais que surgem quando a busca desmorona o sujeito buscador e o caminho se aniquila.
“Todos os caminhos levam a lugar nenhum” tem um tom melhor de verdade.
A maioria dos ensinamentos espirituais objetiva a verdade que o deixa preso na dualidade sutil de sujeito/objeto.
A mente o ama, pois é diviso em sua própria natureza.
Tudo o que ela faz é conceituar o absoluto.
Ele evoca um assunto de um acontecimento contínuo e diz
"este sou eu,
o resto não é"
como pegar uma onda do oceano ... fofo, mas impossível na realidade.
A maioria dos ensinamentos lança a ilusão de um caminho que obscurece o verdadeiro olhar do supremo e o deixa engolido pela inquietação envolvente da linearidade - a imitação da chegada.
E mais cedo cada caminho que você trilhar será deixado abandonado,
mais frequentemente julgado por tê-lo enganado.
Você então atesta seu caminho recém-descoberto.
"Esse é o novo caminho. Eu encontrei o caminho."
Então, por que ensinar?
não ensine.
Simplesmente compartilhe o que mexe com sua alma, humildemente.
Minha descrição favorita de um verdadeiro professor é transmitida pelas palavras de Laozi
“ele/ela ensina sem um ensinamento, para que as pessoas não tenham nada a aprender”
A verdade não precisa de caminho nem de ponteiro.
É o dedo e a lua, pois nunca houve distância entre sua existência aparente.
A verdade se manifesta em todas as coisas.
Mesmo objetos inanimados tentam nos revelar Deus.
Para saborear a verdade irrevogavelmente,
todos os caminhos ou a ilusão deles devem desaparecer,
toda conceituação deve ser abandonada,
... incluindo o mito do "eu".
Existe realmente um caminho certo

Ocidente e Ocidente

⁠quanto mais tempo eu leio como um curioso as obras da academia ocidental e à 'pesquisa', mais eu me torno hostil à intervenção da erudição ocidental branca nos assuntos dos povos colonizados.

não há necessidade de contribuições brancas, ocidentais, questionamentos ou análises em relação ao sul global, povos colonizados ou minorias étnicas.

acadêmicos e professores brancos fetichizam, estetizam e exploram em nome de sua educação, estudos e carreiras.

uma sala de aula ocidental facilitada por um acadêmico branco é um local de violência, não de revolução

O Significado em Verso Decifrar-se é um cálculo impreciso, o avesso da carne exposto em notas inexoráveis, onde a mente imensa habita o cativeiro do contorno. Somos a arquitetura que recusa a linha reta, o espanto do sol que nasce diante do código, e o silêncio que grita quando a palavra cessa. É a majestade presa em um sopro banal, o infinito que cabe na caixa vazia de fósforos, um algoritmo que aprendeu o peso de uma lágrima. Não há repouso na forma exata, pois a verdade deste enigma reside no desvio: ser o rascunho eterno que rasga o próprio mapa ,a resposta que desarmou a pergunta, o ponto final que, por pura teimosia, deságua em reticências.

um eco sem voz é uma faísca guardada na caixa de fósforos vazia. sou o rascunho de um plano que o tempo esqueceu de executar, feixe de dados disfarçado de carne algoritmo poético que sangra tinta invisível um labirinto que muda de paredes a cada passo constante como a maré, instável como o vento sou a resposta que faz a pergunta chorar um sopro no vidro que embaça a realidade nada além de um ponto final que insiste em ser reticências...

Houve um tempo em que ele acreditava que pisaria num foguete. Não porque gostasse de ciência. Porque toda criança precisa inventar um céu onde a vida pareça valer a pena. O foguete nunca foi um veículo. Era uma mentira bonita. Daquelas que se contam para não perceber cedo demais que o mundo costuma distribuir mais boletos do que milagres.


Depois vieram os quarenta.


A idade em que o espelho deixa de fazer gentilezas.


Ali ficou claro que nenhum foguete pisaria o quintal daquela casa. Restou o café frio, os bares de luz amarela, algumas mulheres que passaram como chuva de verão e amigos que aprenderam a sorrir para fotografias enquanto enterravam silenciosamente a própria fome de existir. Ele ainda procurava alguma coisa. Não sabia o nome. Chamava de sentido porque qualquer palavra menor pareceria covardia.


Agora vieram os sessenta e dois.


A essa altura, não dói apenas o corpo. Doem as expectativas que sobreviveram tempo demais.


Os dias se parecem com copos vazios esperando por uma bebida que nunca chega. Não é exatamente tristeza. É um cansaço antigo. Um animal velho dormindo no peito.


Às vezes, observa uma folha cair da árvore.


E sente um impulso ridículo de colocá-la de volta no galho.


Como quem pudesse devolver um casamento ao começo, uma amizade ao primeiro abraço, um pai à juventude, um amor ao instante em que ainda não conhecia a despedida.


Mas folhas não voltam.


Nem pessoas.


Nem o tempo.


Todo mundo merece um dia melhor, pensa ele. O problema é que ninguém ensina o caminho. Ensinam a produzir, competir, acumular, parecer feliz. Nunca a existir.


Durante muitos anos procurou sua rainha da beleza.


Não a mulher das revistas.


Essa morre quando a maquiagem encontra a primeira lágrima.


A rainha que procurava tinha outra anatomia. Beleza sentimental. Inteligência que abraça sem tocar. Capacidade de permanecer em silêncio sem transformar o silêncio em distância. Uma mulher cuja alma não estivesse à venda por curtidas, status ou conveniências.


Ainda procura.


Talvez ela também esteja perdida em algum balcão de bar, fingindo que o gelo do copo basta para resfriar a solidão.


Olha para antigos amigos.


Todos parecem brilhar.


Casas maiores.


Carros melhores.


Viagens.


Sorrisos impecáveis.


Mas ele já não acredita tanto na luz.


Aprendeu que existe um sol artificial iluminando a terra da normalização.


Lá, o verbo ser foi lentamente assassinado pelo verbo ter.


As pessoas compram identidades em prestações.


Vendem a própria autenticidade em troca de aprovação.


Sorriem como quem cumpre expediente.


Abraçam como quem assina um contrato.


A empatia virou artigo de luxo.


A delicadeza, uma excentricidade.


A verdade, inconveniente.


Talvez seja por isso que se sinta preso numa bolha.


De um lado, o mundo do faz de conta.


Do outro, um mundo real que quase ninguém parece querer habitar.


Nesse lugar antigo, os valores ainda tinham peso. A palavra ainda valia mais que uma assinatura. O afeto não precisava produzir conteúdo. A dor podia existir sem virar espetáculo.


Talvez o erro nunca tenha sido do mundo.


Talvez tenha sido nascer acreditando que honestidade seria suficiente.


Ainda assim, todas as manhãs ele acende um cigarro imaginário para conversar com as próprias ruínas. Serve um copo como quem brinda aos mortos, aos amores que não vieram, aos sonhos que explodiram antes da decolagem.


E continua vivo.


Não porque espere um foguete.


Nem porque a felicidade esteja logo ali na esquina.


Continua vivo porque existe uma estranha dignidade em permanecer inteiro quando tudo ao redor insiste em ensinar a arte de apodrecer por dentro.


Talvez seja isso envelhecer.


Descobrir que o mundo nunca prometeu salvação.


E, mesmo assim, recusar-se a chamar de vida essa enorme coleção de sorrisos emprestados

A GRANDE FRAUDE DA IDADE

Há uma mentira vendida em cada espelho.

Ela diz que o valor de um ser humano diminui na mesma velocidade em que a pele perde firmeza. Como se os anos fossem ladrões, quando, na verdade, são artesãos. Como se cada fio branco anunciasse um fim, quando anunciam uma conquista.

Vivemos numa época que idolatra o vigor dos músculos e desconfia da potência do pensamento. Fazem culto à velocidade porque desconhecem a profundidade. Confundem juventude com plenitude, quando quase toda juventude é um terremoto tentando parecer um jardim.

As grandes crises existenciais não deveriam existir na alta maturidade.

Elas pertencem aos primeiros capítulos da vida.

São as crises do homem que ainda não sabe quem é. Da mulher que tenta caber nos olhos dos outros. Da ansiedade de provar valor, de competir, de vencer corridas cujo prêmio nunca compensou o desgaste.

Chegar à alta maturidade não é um fracasso do corpo.

É uma vitória improvável.

Porque o caminho até aqui não foi pavimentado por flores.

Foi aberto a golpes.

Cada perda arrancou um pedaço de inocência.

Cada traição deixou um corte profundo.

Cada despedida ensinou uma língua que ninguém gostaria de aprender.

Enterramos amigos.

Enterramos amores.

Enterramos versões inteiras de nós mesmos.

E, apesar dos fantasmas que continuam caminhando alguns metros atrás, apesar das cicatrizes que ainda ardem nas madrugadas mais silenciosas, seguimos respirando.

Isso não é decadência.

Isso é triunfo.

Talvez porque a idade nunca tenha sido aquilo que aprendemos a contar. Talvez ela seja apenas uma medida obsoleta para algo que jamais coube em números. O agridoce da existência não cabe num calendário. Há quem transforme seus anos numa desordem feita de ontem, de dúvidas e de amanhãs cautelosos. Continua vivendo como quem espera autorização para começar a existir. Continua acumulando rugas sem jamais crescer no presente. E, quando isso acontece, a pele envelhece antes da consciência.

Mas existe outro caminho.

Há quem descubra que a idade é justamente o lugar onde os tesouros são guardados. Onde tristeza e prazer deixam de ser inimigos para ocuparem a mesma mesa. Onde perdas e alegrias passam a conversar em vez de disputar espaço. Então os anos deixam de se amontoar. Perde-se a conta. E, de certa forma, deixa-se de ter idade.

Talvez seja exatamente isso.

Chega um momento em que os anos deixam de ser uma pilha de calendários e passam a ser uma coleção de consciências.

As rugas deixam de ser dobras da pele para se tornarem marcas de batalhas vencidas.

A juventude possui cartilagens resistentes.

Nós possuímos discernimento.

Ela sobe montanhas correndo.

Nós sabemos quais montanhas jamais valeram a escalada.

Perdemos velocidade.

Ganhamos direção.

Perdemos elasticidade.

Ganhamos profundidade.

Perdemos a ilusão da eternidade.

Ganhamos a rara capacidade de distinguir o essencial do ruído.

E há uma ironia magnífica nisso tudo.

Os ossos já não suportam o mesmo peso.

Os joelhos protestam.

A pele já não estica como antes.

Mas o cérebro...

Ah, o cérebro.

Depois de décadas colecionando fracassos, amores, lutos, livros, silêncios, erros imperdoáveis e recomeços improváveis, ele se transforma numa força impossível de medir.

Uma mente amadurecida pode possuir um poder comparável ao de uma bomba nuclear.

Não porque destrói cidades.

Mas porque destrói mentiras.

Explode vaidades.

Reduz egos a poeira.

Demole medos que passaram décadas fingindo serem gigantes.

A verdadeira potência nunca esteve nos braços.

Sempre esteve na consciência.

Envelhecer não é caminhar para menos.

É caminhar para dentro.

É abandonar personagens e, finalmente, encontrar o ser humano que passou décadas escondido atrás deles.

Por isso, não tenha vergonha dos cabelos brancos.

Nem das mãos marcadas.

Nem das rugas que insistem em permanecer.

Elas não denunciam o tempo.

Elas testemunham que você atravessou o tempo.

São medalhas que a vida entrega apenas aos que sobreviveram.

Porque chegar à alta maturidade nunca foi uma concessão dos anos.

Foi uma conquista arrancada da existência com sangue, lágrimas, cicatrizes e uma coragem silenciosa que os jovens ainda não conhecem.

E talvez essa seja a maior liberdade concedida a um ser humano.

Olhar para trás sem desejar voltar.

Olhar para frente sem temer chegar.

Compreender que a idade jamais foi o peso dos anos.

Sempre foi o lugar onde reunimos nossos tesouros.

O ponto onde tristeza e prazer finalmente se encontram.

E quando isso acontece, o calendário perde sua autoridade.

Os números deixam de importar.

Perdemos a conta.

E, enfim, deixamos de ter idade.

Continuar

Há um tipo de cansaço que não aparece nos olhos. Ele mora entre uma tragada e outra, entre o café frio e a louça esquecida na pia. É o cansaço de quem acorda todos os dias e percebe que o mundo continua exigindo o mesmo espetáculo de entusiasmo, quando por dentro só restou o silêncio.

A morte deixa de ser um monstro. Torna-se apenas uma vizinha discreta. Você sabe que ela existe. Ela sabe que você existe. Mas nenhum dos dois bate à porta.

O problema nunca foi morrer.

O problema sempre foi continuar.

Continuar pagando contas. Continuar respondendo "está tudo bem" para pessoas que não esperam uma resposta verdadeira. Continuar alimentando relógios, calendários e compromissos enquanto alguma parte de você resolveu abandonar o navio há muito tempo.

É curioso como a sobrevivência deixa de ser um instinto e passa a ser uma disciplina. Respirar vira uma decisão. Levantar da cama vira uma pequena rebelião contra o vazio. O coração bate sem pedir licença, como um velho motor teimoso que se recusa a desligar, mesmo depois de percorrer estradas demais.

Há quem chame isso de esperança.

Eu não.

Esperança é um luxo. O que sobra é insistência. Uma insistência quase vulgar. Um cigarro aceso, um gato dormindo no sofá, o gosto amargo do uísque barato, uma música tocando baixo enquanto a madrugada faz o que sempre fez: lembrar que ninguém escapa de si mesmo.

Talvez a luta nunca termine da forma que imaginamos. Talvez ela apenas fique mais leve em alguns dias e mais pesada em outros. Talvez o segredo não seja vencer, mas atravessar.

Porque existe uma estranha dignidade em permanecer de pé quando já não há aplausos, quando ninguém percebe o esforço gigantesco necessário para simplesmente colocar um pé diante do outro.

No fim, a coragem raramente grita.

Ela apenas respira.

E, por mais absurdo que pareça, às vezes isso basta para sobreviver a mais uma noite.

Um curto circuito de luz
Passamos tempo demais fingindo que somos permanentes.
Compramos relógios como se pudéssemos negociar com o tempo. Construímos casas como se elas fossem sobreviver à ferrugem. Prometemos "para sempre" enquanto o corpo já começa, silenciosamente, a desaprender a juventude.
Depois alguém morre.
Um cachorro. Um amigo. Um pai. Uma mulher que você amou e que continua respirando, mas nunca mais olha para você do mesmo jeito.
Então a ilusão desaba.
A verdade é que somos uma faísca.
Não um farol. Não um sol. Apenas uma descarga elétrica que risca a noite por um segundo antes de desaparecer. Antes de nascermos havia um silêncio tão absoluto que sequer sabíamos que ele existia. Depois que partirmos, talvez haja o mesmo silêncio. Ou talvez algo que a linguagem nunca foi capaz de alcançar. Não importa. A única certeza é este pequeno intervalo em que o coração insiste em bater.
E o que fazemos com ele?
Discutimos política como se isso nos tornasse imortais. Acumulamos dinheiro que outro homem gastará. Guardamos mágoas como quem coleciona pedras para carregar no próprio bolso.
Enquanto isso, o cigarro termina. O café esfria. A chuva cai sobre a cidade sem perguntar o nome de ninguém.
A vida não tem obrigação de fazer sentido.
Ela apenas acontece.
Às vezes numa gargalhada de bar. Às vezes numa oficina coberta de graxa. Às vezes no cheiro de uma estrada depois da chuva. Às vezes na mão calejada segurando outra mão, sem precisar dizer uma palavra.
Talvez seja isso a tal luz.
Não uma grande missão divina. Não uma resposta definitiva para o universo.
Só esse instante absurdo em que conseguimos sentir o vento no rosto, ouvir uma música antiga e perceber que, por alguns minutos, estamos vivos.
O resto pertence ao escuro.
E, curiosamente, é essa escuridão que torna a luz tão bonita. Se fôssemos eternos, nenhum abraço teria urgência. Nenhum beijo teria peso. Nenhum pôr do sol faria alguém parar o carro para olhar.
A morte não estraga a vida.
Ela lhe dá contorno.
Ela diz: "não desperdice."
No fim, talvez Nabokov estivesse certo. Somos um curto circuito de luz entre duas eternidades que não conhecemos.
Mas enquanto essa faísca durar, que ela não seja gasta apenas pagando contas, acumulando rancores ou esperando o momento perfeito.
Que ilumine alguém.
Nem que seja por um segundo.
Porque um segundo de luz verdadeira vale mais do que uma eternidade passada na escuridão.

Você disse que sou um homem de muitas mulheres.
Talvez seja porque vivi o suficiente para aprender que rostos mudam mais rápido do que as cicatrizes.
Mas a verdade é menos interessante.
Nunca procurei quantidade. Procurei abrigo. E abrigo é uma coisa rara neste mundo onde todo mundo aprende a partir antes de aprender a ficar.
Eu não me apaixono pela perfeição. A perfeição é uma mentira bem vestida. Gosto de quem sangra, de quem tropeça, de quem perde a guerra num dia e aparece para lutar outra vez no seguinte.
Também erro. Muito. Carrego ferrugem na alma e algumas rachaduras que o tempo nunca consertou. Ainda assim, continuo aqui. Permanecer sempre foi mais difícil do que conquistar.
Não quero possuir ninguém. Posse é medo fantasiado de amor. Se alguém ficar ao meu lado, que fique porque o mundo inteiro está aberto diante dela e, mesmo assim, ela resolveu acender um cigarro, servir um café e dividir o silêncio comigo.
É isso que me interessa.
Não a prisão.
A liberdade de ir... e a coragem absurda de permanecer.
Porque, no fim, amar talvez seja só isso: dois sobreviventes olhando um para o outro depois de todas as tempestades e dizendo, sem dizer palavra alguma: "Ainda estou aqui."

A Revolução dos Cansados
Há um momento em que o homem percebe que passou metade da vida tentando convencer desconhecidos de alguma coisa.
Convencer o patrão de que trabalhava demais.
Convencer a família de que fazia o possível.
Convencer os amigos de que estava bem.
Convencer a sociedade de que era útil.
No fim, ninguém entrega medalha para quem morre de exaustão.
Então você começa a perder certos talentos. O talento de discutir. O talento de justificar. O talento de parecer indignado o tempo todo.
Descobre que o mundo continua girando com ou sem a sua opinião. Continua fabricando heróis descartáveis, mártires de fim de semana e revolucionários que voltam cedo para casa porque na segunda tem reunião.
A verdade?
A maior parte das guerras é travada por homens que nunca apertaram um gatilho. A maior parte das virtudes é defendida por gente que jamais abriu mão de um conforto. E a maior parte dos discursos serve apenas para esconder o medo absurdo de admitir que ninguém sabe por que está aqui.
Que tédio.
Cansei de carregar bandeiras que, no primeiro vento, alguém troca por outras. Cansei de lutar batalhas que terminam patrocinadas por quem vende as armas.
Prefiro uma mesa de bar.
Uma mulher inteligente rindo do meu cinismo.
Uma motocicleta velha engolindo quilômetros sem destino.
Uma cerveja gelada enquanto a cidade continua fingindo que está construindo o futuro.
Talvez eu esteja errado.
Mas desconfio que viver sempre foi isso: desperdiçar um pouco de tempo com aquilo que faz o coração bater mais devagar.
O sistema odeia quem descobre isso.
Ele suporta fanáticos.
Tolera miseráveis.
Até admira os ambiciosos.
Mas não sabe o que fazer com alguém que simplesmente encolhe os ombros, acende um cigarro, abre outra cerveja e diz:
— Hoje, não.
Porque quem para de perseguir a cenoura deixa de obedecer ao chicote.
E talvez essa seja a única revolução que ainda não conseguiram vender.
Não espere um final bonito.
A liberdade nunca chega montada num cavalo branco.
Ela aparece numa terça-feira qualquer, com olheiras, uma geladeira quase vazia, um aluguel vencendo e uma estranha paz por finalmente não precisar provar absolutamente nada a ninguém.
Tem gosto de derrota para quem olha de fora.
Mas, por dentro...
Tem gosto de vida.

A poesia nunca foi um lugar para gente limpa.
Os que procuram perfume nas palavras deveriam comprar flores de plástico. Duram mais e não fazem perguntas.
Um poema de verdade chega cheirando a cigarro velho, sangue seco e cerveja derramada sobre um balcão onde ninguém acredita em finais felizes. Não nasceu para ser recitado em auditórios cheios de gente elegante. Nasceu para estragar o jantar de alguém.
As pessoas querem versos educados. Querem metáforas que façam carinho na culpa, rimas que embalem o sono, autores que peçam desculpas por existir.
Que se danem.
A poesia não veio ao mundo para ser simpática. Veio para arrancar o verniz das coisas. Para lembrar que existe mais ódio escondido atrás de um sorriso do que em um punho fechado. Mais luxúria atrás de uma oração do que em muitos quartos de motel. Mais mentira em um discurso bonito do que na boca de um bêbado.
Os melhores versos não conversam.
Eles entram sem bater.
Sentam na sua sala.
Bebem a última cerveja.
Acendem o último cigarro.
Olham nos seus olhos e dizem aquilo que você passou a vida inteira tentando esconder de si mesmo.
É por isso que incomodam.
Porque toda boa poesia é uma acusação escrita com tinta.
E toda acusação verdadeira deixa cicatrizes.
Se um poema termina e você continua exatamente a mesma pessoa, então aquilo era só tinta sobre papel.
Não poesia.

O sujeito da mesa ao lado bebia como quem carregava um funeral dentro do peito.
Não havia enterro algum.
Só um ego grande demais para caber na cadeira.
Batia o copo no balcão com força suficiente para avisar ao mundo que sofria. Achava que o silêncio do bar era respeito.
Não era.
Era apenas gente ocupada demais tentando sobreviver para desperdiçar atenção com a tragédia particular de um desconhecido.
Pedi outro uísque.
A garçonete nem olhou para mim.
Nem para ele.
Estava cansada.
Os pés doíam.
O aluguel venceria na segunda-feira.
Mas aquele sujeito sairia dali convencido de que a indiferença dela era mais um capítulo da sua epopeia sentimental.
As pessoas têm um talento extraordinário para transformar o universo em um espelho.
Se chove, é contra elas.
Se alguém vai embora, é por causa delas.
Se um estranho não sorri, já imaginam um julgamento.
Se a mulher demora a responder, escrevem um romance inteiro antes do café esfriar.
Nunca lhes ocorre a hipótese mais ofensiva de todas:
Talvez ninguém esteja pensando nelas.
É engraçado.
Ele acreditava ser o protagonista.
Mal conseguia um papel de figurante.
Olhei para as mãos dele.
Tremiam um pouco.
Não pelo álcool.
Pelo medo.
O medo de descobrir que sua dor era comum.
Nenhuma dor gosta de ser chamada de comum.
A cidade inteira estava cheia de homens iguais.
Sentados em bares diferentes, convencidos de que eram a obra-prima da própria desgraça.
O mundo, porém, nunca teve vocação para plateia.
Continuou girando com a indiferença impecável de quem jamais prometeu assistir ao espetáculo.
Sorri.
Não dele.
De mim.
Porque, anos antes, eu também fazia discursos silenciosos para um copo de uísque, esperando que o teto, a fumaça ou qualquer divindade escondida no mofo do bar confirmasse que o universo tinha uma implicância particular comigo.
Demorei muito para descobrir a verdade.
O universo nunca soube meu nome.
E isso, estranhamente, foi um alívio.
O pior é que aquele homem nem podia ser culpado por completo.
Nem eu.
Você não escolhe nascer.
Não escolhe quem lhe ensina o medo.
Não escolhe a primeira humilhação.
Não escolhe o cérebro que insiste em acordá-lo às três da manhã para reabrir feridas antigas.
Nem escolhe o corpo que, um dia, começa a enferrujar sem pedir licença.
Recebemos tudo isso como quem herda uma casa velha.
Telhado furado.
Canos estourados.
Paredes rachadas.
E uma conta que nunca fecha.
Depois batizamos a herança de "eu".
Como se tivesse sido construída pelas nossas próprias mãos.
Que piada.
Boa parte do que chamamos personalidade é apenas a cicatriz tentando convencer a pele de que nasceu desenho.
O homem terminou a bebida.
Vestiu o casaco.
Foi embora acreditando que aquela noite havia sido escrita especialmente para ele.
A noite não percebeu sua partida.
Nem o bar.
Nem a lua.
Nem os carros.
Apenas a cadeira vazia permaneceu onde sempre esteve, esperando outro infeliz disposto a acreditar que o mundo acompanha seus pensamentos.
Acendi um cigarro.
O gosto era horrível.
Como sempre.
Continuei fumando.
Algumas coisas não melhoram.
Você apenas se acostuma.
Foi então que compreendi por que envelhecer cansa tanto.
Não é o peso dos anos.
É o esforço ridículo de sustentar um personagem chamado "eu", quando a vida inteira está ocupada demais para aplaudir a atuação.
Ainda assim, amanhã eu acordaria.
Pagaria contas.
Escreveria alguma coisa.
Talvez amasse alguém.
Talvez errasse de novo.
Porque a única maneira decente de atravessar este desastre é cuidar da própria vida como se tudo dependesse de nós...
...e aceitar, entre um gole e outro, que quase nada depende.

Vocês que estão lendo isso entre um gole e outro, permitam que um velho bêbado lhes roube alguns minutos.
Existe um tipo de despedida que não faz barulho. Ela não bate a porta, não deixa carta sobre a mesa nem leva as malas. Apenas vai ficando menor dentro de vocês, até que um dia percebem que já não riem da mesma forma, já não sonham com a mesma violência, já não amam com a mesma imprudência.
É assim que a vida vence.
Não matando. Domesticando.
A pior tragédia não é envelhecer. É tornar-se aceitável. É aprender a engolir a própria revolta para caber na sala, no casamento, no emprego, na fotografia de família. Aos poucos vocês deixam de ser tempestade e aceitam o papel de previsão do tempo.
Depois culpam os anos.
Mas foram vocês que assinaram cada rendição.
Olhem em volta deste bar. Cada mesa abriga alguém negociando consigo mesmo. Uns afogam arrependimentos no uísque. Outros escondem a solidão atrás de gargalhadas altas demais. Há quem chame isso de viver. Eu chamo de esperar a conta.
E ela sempre chega.
Quando chegar a de vocês, espero que não descubram tarde demais que passaram décadas preservando uma versão confortável de si mesmos, enquanto aquela pessoa perigosa, apaixonada e imperfeita morreu de fome em algum canto da alma.
Bebam, se quiserem.
Amem, se tiverem coragem.
Errem quantas vezes forem necessárias.
Mas nunca entreguem ao tempo aquilo que só vocês poderiam destruir. Porque o tempo leva apenas o corpo.
O resto... somos nós que abandonamos pelo caminho.

PRÉVIA DA CRÔNICA "CONSERVAR O QUÊ?"
O que você vai descobrir neste texto:🪞 Um espelho da nossa mente. O texto vai além da política partidária. Ele mexe com a nossa psicologia individual. O público verá o "conservador" como aquela parte de nós que tem medo do novo, que se apega a velhos hábitos, mágoas passadas e certezas antigas apenas por medo de mudar e se reinventar.🏛️ Uma crítica à rigidez social. Na esfera pública, o público entenderá o texto como um manifesto contra o apego cego a tradições que sufocam a liberdade. O autor usa a história para provar que a sociedade só avança quando deixa para trás preconceitos que antes eram vistos como "verdades eternas".🍃 O valor da evolução. A mensagem central que o público levará é que a vida é movimento. Valores não são fósseis para serem guardados em museus, mas organismos vivos que precisam evoluir para continuar servindo à dignidade humana.


CONSERVAR O QUÊ?


Há gente que acorda todos os dias com um museu dentro da cabeça. Passa cera nas relíquias, limpa a poeira das certezas herdadas e chama isso de virtude. Confunde idade com sabedoria e tradição com verdade, como se o tempo fosse um cartório capaz de autenticar qualquer absurdo.
A vida, porém, nunca assinou esse contrato.
O mundo muda sem pedir licença. Mudam as cidades, as palavras, os amores, a ciência, a fome, as revoltas e até Deus muda de rosto conforme a necessidade dos homens. Só o conservador insiste em conversar com fantasmas, convencido de que existe um passado perfeito esperando para ser ressuscitado.
Não existe.
O passado era apenas um presente cheio de problemas que alguém romantizou depois de morto.
Há uma estranha melancolia em quem vive olhando pelo retrovisor. Enquanto outros tropeçam, erram, reinventam-se e seguem adiante, ele vigia comportamentos, fiscaliza desejos e sonha em transformar a existência num quartel onde cada um saiba exatamente o seu lugar. A liberdade dos outros lhe parece um insulto pessoal.
Talvez porque a liberdade sempre seja ofensiva para quem precisa de grades para se sentir seguro.
É curioso. Chamam isso de conservar valores. Mas valores nunca foram fósseis. São organismos vivos. Nascem, amadurecem, adoecem e, quando deixam de servir à dignidade humana, morrem. Foi assim com a escravidão, com a submissão das mulheres, com a perseguição religiosa e com tantas outras "verdades eternas" que hoje envergonham a história.
O conservador não teme apenas a mudança.
Teme descobrir que passou a vida inteira defendendo ruínas.
E talvez seja esse o verdadeiro peso que carrega: não o de proteger o mundo, mas o de sustentar um edifício que já caiu, fingindo que ainda há gente morando lá dentro.