Uma Menina Simplesmente Apaixonada

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“Toda dúvida contrai uma dívida: depois de questionar, já não temos o direito intelectual de acreditar sem examinar.”

“Se a dúvida é o princípio da sabedoria, talvez seja porque toda dúvida inaugure uma dívida.”

“A dúvida é uma dívida com a consciência; o discernimento não a quita com certeza, mas a honra com exame.”

“Toda acusação conta uma história. Só a prova pode dizer se ela aconteceu.”

“A lei pode encerrar uma discussão sem necessariamente encerrar a razão.”

“Uma decisão pode ser legal na forma e ainda exigir explicação no fundamento.”

“Pensar o pensamento é pensar duas vezes antes de acreditar uma.”

Carlos Eduardo Balcarse

Vivemos em uma sociedade onde: aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, justificar o injustificável e defender o indefensível é prática comum. Por essa e outras, o senso comum, comumente mente!

Carlos Eduardo Balcarse

“Quando o absurdo deixa de causar espanto, o discernimento já está em perigo.”

Vivemos uma triste realidade que beira a irrealidade.

Nunca tivemos tanta informação disponível e, talvez, nunca tenha sido tão fácil fantasiar desinformação de conhecimento, opinião de ciência, crença de evidência e absurdo de verdade.

Basta acrescentar uma palavra difícil, uma explicação incompreensível, um pouco de “ciência”, alguma “física quântica”, uma promessa extraordinária e uma boa dose de convicção. Pronto, o inacreditável ganha aparência de credibilidade.

Só que o problema mais grave talvez não seja existirem pessoas dispostas a vender fórmulas mágicas. É existirem mentes suficientemente desarmadas para comprá-las.

A mente mente. E mente ainda melhor quando encontra argumentos sofisticados para acreditar naquilo que deseja acreditar.

Por isso, informação não é conhecimento. Conhecimento não é verdade. Convicção não é evidência. E inteligência, sem discernimento, também pode ser extraordinariamente eficiente na construção do próprio engano.

O senso comum comumente mente. Mas o discurso incomum também pode mentir, às vezes apenas com palavras mais difíceis.

É justamente aí que precisamos recuperar o espanto. Não o espanto de quem acredita em qualquer coisa extraordinária, mas o espanto de quem ainda consegue olhar para o absurdo e perguntar, como chegamos ao ponto de isso parecer razoável?

Porque uma sociedade que perde a capacidade de se espantar com o absurdo, pouco a pouco começa a normalizá-lo. Aceita o inaceitável, tolera o intolerável, acredita no inacreditável, justifica o injustificável e termina defendendo o indefensável.

Talvez por isso, desenvolver o discernimento tenha se tornado uma urgência educacional.

Precisamos de pensamento crítico, mas também de alfabetização do discernimento, de uma pedagogia do discernimento capaz de ensinar não apenas adquirir conhecimento, mas examinar a autoridade que concedemos às informações, crenças, emoções, narrativas e até certezas.

A guerra contemporânea é puraMENTE mental.

E, nessa guerra, talvez a derrota mais perigosa aconteça quando alguém coloca uma ideia dentro de nós e ainda nos convence de que fomos nós que a pensamos.

Pensar é necessário. Discernir é descobrir se aquilo que pensamos merece continuar sendo pensado.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

“A educação deseducadora: quando aprender não ensina a pensar”

Há uma educação que educa e há uma educação que, embora ensine, deseduca. Chamo de educação deseducadora aquela que acumula respostas sem ensinar a formular perguntas, que transmite conteúdos sem desenvolver critérios, que premia a repetição e chama isso de aprendizagem. É uma educação que pode formar pessoas informadas e, paradoxalmente, intelectualmente dependentes.

Durante muito tempo repetimos: leia mais. Mas talvez precisemos acrescentar: leia melhor. Porque quantidade de leitura não é sinônimo de qualidade de compreensão. É possível ler muito e compreender pouco; acumular autores e não construir autoria; saber citar e não saber perguntar.

O mesmo vale para o pensamento. Talvez não precisemos simplesmente pensar mais. Precisamos pensar melhor. Pensar melhor não é pensar como alguém manda. É aprender a examinar o que pensamos antes de conceder ao pensamento o estatuto de verdade.

Nunca tivemos tanta informação disponível e, ainda assim, talvez nunca tenha sido tão fácil confundir informação com conhecimento, opinião com verdade, convicção com evidência e repetição com compreensão. Nesse cenário, o discernimento deixa de ser um luxo e se torna uma necessidade. uma necessidade.

É nesse ponto que a Pedagogia do Discernimento se coloca, não como acréscimo de conteúdo, mas como uma mudança de ênfase: menos acumular, mais examinar; menos repetir, mais compreender; menos receber pronto, mais perguntar. Porque o problema não está apenas no que entra na nossa mente, mas no que encontra permissão para permanecer nela.

José Saramago falou sobre sair da ilha para ver a ilha. Eu acrescentaria: não basta sair da ilha para vê-la, é preciso sair da ilha e tirar a ilha de dentro de nós. Porque podemos mudar o lugar de onde olhamos sem mudar o olhar.

Carregamos conosco lembranças, afetos, medos, feridas, certezas, interpretações. E muitas vezes acreditamos estar observando o mundo quando, na verdade, estamos apenas reencontrando o que já estava dentro de nós. Não vemos apenas o que vemos. Vemos também com aquilo que somos.

Por isso, afastar-se não basta. É preciso perceber o que levamos conosco quando nos afastamos.

É nesse ponto que Metadiscern e o conceito de metadiscernimento se situam: não basta discernir o objeto observado; é preciso discernir também os critérios com os quais observamos. Não basta olhar para o objeto, é necessário perceber o observador observando o objeto.

Daí a necessidade de uma alfabetização do discernimento capaz de alcançar não só a leitura de palavras, mas a leitura das influências, das convicções e das autoridades que aceitamos quase sem perceber.

A mente produz, mas produzir não é provar. Pensar algo não torna esse algo verdadeiro. A mente produz. O discernimento depura.

Essa compreensão atravessa também o Método Protagonista. Ser protagonista da própria história não significa controlar tudo nem eliminar influências, mas reconhecer quais forças nos movem e escolher, com responsabilidade, quais merecem peso nas nossas decisões. Não existe protagonismo sem discernimento.

A educação deseducadora não falha apenas por falta de conteúdo, mas por ausência de critérios. E pode oferecer ao sujeito uma infinidade de janelas para enxergar o mundo, sem jamais lhe entregar um espelho.

Leia mais, sim, mas leia melhor. Pense mais, se for o caso, mas, sobretudo, pense melhor. E quando acreditar que aprendeu a enxergar, desconfie novamente dos seus olhos.

“A educação não tem segredo. O segredo está na educação.”

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador.

“A memória pode devolver uma informação sem devolver a verdade”

Evocar é trazer novamente à consciência aquilo que foi aprendido, vivido, ouvido ou armazenado. Mas recordar alguma coisa não significa que ela esteja correta, que sua origem seja confiável ou que mereça orientar uma decisão.

Talvez esteja aí uma diferença fundamental entre memória e discernimento.

A memória recupera. O discernimento examina.

Uma informação pode ser facilmente evocada justamente porque foi repetida muitas vezes. Pode parecer verdadeira porque se tornou familiar. Pode produzir convicção sem possuir evidência suficiente.

Por isso, educar não deveria significar apenas ensinar alguém a aprender e depois recordar. Existe uma etapa posterior, mais difícil: ensinar a mente a interrogar aquilo que ela própria recuperou.

O que estou lembrando? De onde isso veio? Continua válido? Existem evidências? Estou recuperando um conhecimento ou apenas repetindo uma crença?

Evocar torna uma informação disponível.

Discernir é decidir quanta autoridade essa informação merece.

Talvez uma das grandes tarefas da educação contemporânea não seja apenas formar pessoas capazes de lembrar, mas pessoas capazes de desconfiar, investigar e avaliar aquilo de que se lembram.

Porque uma memória eficiente pode recuperar conhecimento.

Mas também pode recuperar o erro.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Autor e Pesquisador

Distração é uma ação que acelera a involução!

Carlos Eduardo Balcarse

Carlos Eduardo Balcarse desenvolveu a Alfabetização do Discernimento Consciente como uma arquitetura operacional destinada à formação e à calibração do discernimento.

No trabalho de Carlos Eduardo Balcarse, discernimento é tratado como uma operação de segunda ordem que permite examinar não apenas conteúdos, mas também o peso e a autoridade que lhes atribuímos.

Pensar não termina quando produzimos uma conclusão. O METADISCERN começa justamente quando examinamos por que essa conclusão recebeu autoridade suficiente para permanecer em nós.

Carlos Eduardo Balcarse

Uma educação que ensina respostas, mas não ensina a examinar os critérios que as sustentam, pode formar pessoas informadas sem necessariamente formar pessoas capazes de discernir.

Carlos Eduardo Balcarse

O METADISCERN desloca uma pergunta fundamental: em vez de apenas “o que estou pensando?”, perguntar também “por que estou concedendo a este pensamento autoridade para orientar meu julgamento?”.

Carlos Eduardo Balcarse

O Perfil de Calibração Discernitiva parte de uma questão essencial: não basta saber quais informações alcançam uma pessoa; é preciso compreender quanto peso cada uma recebe quando ela julga, escolhe e age.

Carlos Eduardo Balcarse

Entre aquilo que nos acontece e aquilo que fazemos existe uma Arquitetura da Resposta Possível: o espaço em que condições, limites e possibilidades se encontram com aquilo que ainda podemos assumir como resposta.

Carlos Eduardo Balcarse

Alfabetizar o discernimento é desenvolver uma competência de segunda ordem: não apenas compreender informações, mas examinar os critérios pelos quais algumas recebem autoridade epistêmica e outras são desautorizadas.

Carlos Eduardo Balcarse