Um Texto sobre a Mulher Maravilhosa

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Serenidade pode ser definida como um estado de alma próximo do ponto de equilíbrio: nem euforia e nem tristeza, nem excitação e nem apatia..
Serenidade é conquista difícil, derivada de grandes avanços subjetivos.
Os mais serenos se desgastam menos e são mais agradáveis no convívio.
Um elemento básico para alcançarmos alguma serenidade consiste em livrarmos das mágoas e ressentimentos que povoam nossa subjetividade.
Nem sempre é fácil reconhecermos os fatos que nos provocam enormes ressentimentos: muitos foram causados por nossos entes mais queridos.
O maior problema é conseguirmos nos livrar das antigas mágoas e ressentimentos: qualquer pequeno avanço nessa rota já trará um grande alívio.
Conseguir esvaziar totalmente nosso "pote de mágoas" talvez seja tarefa impossível.
Porém, penso que é essa a direção que deveríamos seguir.

Porque ele é mais que amigo, mais que primo, um irmão.
Porque ele me viu crescer como muitos, mais os muitos hoje, não estão do meu lado, e ele está. Muitos viram, eu dando meus primeiros passinhos, ou melhor, indo pra escola pela primeira vez. E quantos deles estão aqui comigo hoje ? Porque quando precisei de você, você sempre esteve aqui. E mesmo se não estivesse, podia estar aonde for, era só te chamar, e você vinha me acolher. E ainda vem. Porque sei que além dos seus defeitos, você tem qualidades. E são elas que te definem. E seus defeitos, que fazem você ser, o que você é hoje. Porque com você aprendi, e ensinei muita coisa pra você também. Porque sei que quando eu precisar de um abraço, é você quem vai estar do meu lado. Você esteve até hoje, e quando eu me for, não se preocupe, aonde eu estiver, vou perguntar se posso levar alguém comigo. E se perguntarem quem, com todo orgulho, eu direi: ” A pessoa que me faz muito feliz, e que sem ela, eu não seria quem sou hoje”.

— Cordeiro, conte uma história
— Houve outrora, um homem pálido com cabelos negros que estava muito sozinho.
— Por que estava sozinho?
— Tudo que existe, precisava encontrar esse homem, então, afastaram-se dele.
— Ele perseguiu tudo?
— Ele dividiu-se em dois com um machado.
— Para que ele sempre tivesse um amigo?
— Para que ele sempre… tivesse um amigo.

(História de Kindred)

“Uma vez, li em um livro de poesias antigo, que Yelda é o nome que se dá para uma noite sem estrelas, na qual aqueles que sofrem por um amor perdido ou distante permanecem acordados, suportando e encarando a escuridão interminável da noite esperando pelo nascer do sol, na expectativa de que seu amor reapareça junto com ele. Depois que te conheci, todas as noites da semana passaram a ser Yelda para mim.”

A você, Pai!

quando penso na palavra pai
me vem apenas um grande sentimento
um sentimento de amor
a quem acompanhou todo o meu crescimento.

todos os dias agradeço
por seu filho ter nascido,
agradeço, por todos os anos de minha vida,
ao seu lado eu ter vivido.

pai, meu melhor amigo
dando carinho e proteção
e me tirando do perigo.

pai, dono do meu coração
faz tudo por mim,
a todo momento me dá sua atenção.

pai, meu rei
meu maior ídolo,
tenho muito orgulho de dizer
que sou seu filho!

é você que me leva pra frente,
e meu maior desejo,
é ter você aqui, para sempre

mas são coisas da vida,
muitas coisas nem entendo,
e oque me resta é dar valor enquanto ainda tenho.

perdão meu pai por tudo que falei,
gritei, pequei, contrariei, desrespeitei
mas meu pai, eu sempre lhe amei

e pai, como te agradecer?
por tudo que por mim você faz,
por tudo que você ja fez.

me ensinou o bem e o mal
me deu chance de escolher
e é claro que eu escolhi
crescer assim igual você.

um dia também terei um filho
e quero exatamente assim
fazer para ele
tudo que o senhor fez e vem fazendo por mim.

pai, eu te amo,
e amarei até o resto dos meus anos.

Amigo

Amigo é aquele.
Aquele que nem faz parte da família,
mais e mais que um irmão.
Aquele pra quem você prefere desabafar.
Aquele que nunca vai te abandonar.
Se precisar chorar o ombro ele vai te dar.
E se você cair ele vai te ajudar a levantar.
E acima disso vai te da forças,
forças para continuar.
Por que ele só quer seu bem.

Amigo é aquele.
Aquele que se precisar chora junto com você
Aquele que não pensa em te desapontar.
Aquele que não vai trair a sua confiança
Aquele que vai te carregar com ele,
sempre e sempre, dentro do coração.
Por que é assim, amigo de verdade
Não tem medo de chegar em você e dizer,
eu te amo, você esta em meu coração.

Tenha certeza que se você tiver em amigo
e aquela insônia bater, pode para ele ligar
ele nem vai se importar de ficar acordado com você,
falar besteiras e dar risadas a noite inteira.
E se um dia muito triste estiver e de um abraço precisar,
não importa onde esteja,
não esporta o lugar,
seu amigo vai até ti,
para um abraço te dar.
Não só um abraço de amigo
Mais sim um abraço forte de irmão.

Então queres ser um escritor?

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
— devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.

Amor,

Você é um presente; teu amor, uma conquista... teu beijo, uma delícia... teu jeito, menina, me cativa, me enlouquece até os dias de hoje, teu beijo é algo que ainda sinto, delicado, forte, molhado... seus olhos inesquecíveis, os vejo em sonho, acordado, me enfeitiçam... teu abraço, coisa mais maravilhosa de sentir, seu calor, sua pele... mulher que tanto desejo... sua beleza está em seu sorriso, no seu olhar e no jogar dos cabelos, você é tudo de bom... é minha felicidade! Só para finalizar, te amo.

O LOUCO

Se discutires com um louco, é extremamente provável que leves a pior; pois sob muitos aspectos a mente dele se move muito mais rápido por não se atrapalhar com coisas que costumam acompanhar o bom juízo. Ele não é embaraçado pelo senso de humor ou pela caridade, ou pelas tolas certezas da experiência. Ele é muito mais lógico por perder certos afectos da sanidade. De facto, a explicação comum para a insanidade nesse respeito é enganadora. O louco não é um homem que perdeu a razão. O louco é um homem que perdeu tudo excepto a razão.
A explicação oferecida por um louco é sempre exaustiva e muitas vezes, num sentido puramente racional, é satisfatória. Ou, para falar com mais rigor, a explicação insana, se não for conclusiva, é pelo menos incontestável. E o que se pode observar especialmente nos dois ou três tipos mais comuns de loucura. Se um homem disser, por exemplo, que os homens estão a conspirar contra ele, não podes discutir esse ponto, a não ser dizendo que todos os homens negam que são conspiradores; o que é exactamente o que os conspiradores fariam.
A explicação dele dá conta dos factos tanto quanto a tua. Ou se um homem disser que ele é, de direito, o rei da Inglaterra, não é uma resposta completa dizer que as autoridades existentes o chamam de louco; pois, se ele fosse o rei da Inglaterra, essa poderia ser a maneira mais sábia de agir para as autoridades existentes. Ou, se um homem disser que ele é Jesus Cristo, não é uma resposta dizer-lhe que o mundo nega a sua divindade; pois o mundo negou a de Cristo.
Apesar de tudo, ele está errado. Mas se tentarmos descrever o seu erro em termos exactos, não acharemos a tarefa tão fácil como havíamos imaginado. Talvez a maneira de nos aproximarmos ao máximo dessa descrição é dizer o seguinte: que a mente dele se move num círculo perfeito, porém reduzido. Um círculo pequeno é exactamente tão infinito quanto um círculo grande; mas, embora seja exatamente tão infinito, não é tão grande. Da mesma forma a explicação insana é exactamente tão completa como a do sensato, mas não tão abrangente. Uma bala é exactamente tão redonda como o mundo, mas não é o mundo.

Mais um ano se passou e mais uma vez estamos juntos, brindando a vida e o amor que Deus nos concedeu. É seu aniversário! É mais uma vela no bolo! É mais um ano vivido! E a cada ano que passa, cresce o amor que sinto por você.
Prometo te amar todos os dias, em todos os aniversários. Prometo te amar quando estiver cansado, desarrumado, impaciente, nos dias bons e ruins.
Hoje, especialmente, te desejo muita paz, para que possa transmitir serenidade às pessoas que te rodeiam; te desejo felicidade para que possa contagiar aqueles que te cercam; desejo bênçãos para que ensine aos que estão a sua volta o verdadeiro sentido da vida.
Parabéns por mais uma data festiva!
Te amo muito!

Campanha Eleitoral (Literatura de Cordel)


Um Senador do Estado
Passou dessa pra melhor
Ou pra outra bem pior
Vou relatar o passado:
Chegando o pobre coitado
Na porta do firmamento
São Pedro disse: um momento
Tenha calma, cidadão!
Faça aqui sua opção
E assine o requerimento

Pois aqui tem governia
Tudo está no seu lugar
E você vai optar
Onde quer passar o dia
Depois com democracia
Me dará sua resposta
Fazendo a sua proposta
De ir pra o Céu ou pro Inferno
Viver de túnica, de terno...
Do jeito que você gosta!

E então o senador
Assinou a papelada
Descendo por uma escada
Entrou num elevador
E desceu com o assessor
Pra o inferno conhecer
Para depois escolher
Onde queria morar
E qual seria o lugar
Que escolheria viver

E no inferno ele viu
O campo todo gramado
Verdinho bem arrumado
Como um que tem no Brasil
Um homem grande e gentil
Disse-lhe: eu sou o Cão
Muito prazer meu irmão!
Aqui você é quem manda
E deu ordens pra que a banda
Tocasse outro baião

Encaminhou a visita
Para uma mesa repleta
Uma assessoria completa
Num alpendre em palafita
Uma assistente bonita
Cerveja, wisque e salgados.
Dinheiro pros carteados
Charutos bons e cubanos
Foi relembrando dos anos
E dos acordos fechados

Encontrou com os amigos
Dos tempos áureos de glórias
Relembrando as histórias
Que já haviam esquecidos
Wisques envelhecidos
Não paravam de chegar
Parecia um marajá
Jogando cartas e fumando
Mas já estava chegando
A hora dele voltar.

E então no elevador
Ele tornou a subir
Para então se decidir
E finalmente propor
Mas no céu o senador
Vê um cenário de paz
Com um sereno assaz
Anjinhos tocando lira
São Pedro disse confira
Escolha e não volte atrás

Era um silêncio danado
Sem wisque e sem cerveja
No máximo uma cereja
E ele já agoniado
Disse assim determinado
Já tomei minha decisão
Quero ir morar com o cão
Pois lá me sinto melhor
Não que aqui seja pior
É questão de opinião

São Pedro disse pois bem
Pode ir pro elevador
Que logo meu assessor
Fará o que lhe convém
O senador disse amém
Já pensando no sucesso
Que seria o seu regresso
Para o quinto do inferno
Lá também seria eterno
E a tudo teria acesso

E assim que ele desceu
Numa imensa alegria
Sentiu logo uma agonia
Algo estranho percebeu
Atrás desapareceu
A porta do elevador
E o pobre do senador
Só via fogo e tortura
Deu-lhe logo uma amargura
Era um cenário de horror

Nisso ia passando o cão
Deu-lhe uma chibatada
Sorrindo em gargalhada
Remexendo um caldeirão
E empurrou-lhe um ferrão
Deixando a testa ferida
E ele puto da vida
Disse: rapaz sou eu
O senador! se esqueceu?
Cadê aquela acolhida?

Eu peguei o bonde errado
Ou o cabra se atrapalhou
E para cá me mandou
Deve ter se enganado
Meu lugar é no gramado
Jogando golfe e fumando
Eu nada estou lhe cobrando
Foi você que ofereceu!!!!!!!!!!!
E o wisque? se esqueceu?
E devo está delirando

E o diabo a sorrir
Disse-lhe: seja bem vindo
E o que estás me pedindo
Eu não vou poder cumprir
Quando estivestes aqui
Naquela ocasião
Não era outra coisa não
Também não me leve a mal
Foi campanha eleitoral
E eu ganhei a eleição.

Amanheceu chovendo? O céu tah escuro e nublado? Nao tem problema! Um dia de chuva é tao lindo como um dia de sol e sabem porque? Porque quem faz o dia bonito somos nós! Deus a cada amanhecer nos concede generosamente a chance de escrevermos uma nova pagina no nosso livro da vida, só depende de nós, tudo o que colocarmos corre por nossa conta, assim como o modo o qual vemos esse dia faz toda a diferença.... Excelente dia pra voce que parou para ler essa mensagem, que seja de bençaos.

________________________ Priscilla Rodighiero

MEU UNIVERSO É VOCÊ

Eu queria ser mais que um amigo
Mas por que não me entende?
Quando fica deprimida, choro com você
E me conta suas aventuras, os seus casos antigos
Eu fico calado finjo que não ligo pra não te perder
Se me olhar no rosto vai ver
As tristes marcas no sorriso
Baby mais que a luz das estrelas
Meu universo é você
Baby ah !
Se eu puder ter a chance ah !
Eu juro todo seu amor merecer
Tenho medo que talvez descubra
Ou simplesmente me corte
Ou quem sabe a sorte, um sonho, traz você pra mim
Eu sei tudo sobre seu passado
E dos passos errados
Um amor maior é o meu presente, futuro é com você
Se me olhar nos olhos vai ver
Falar é pouco
Pra quem quer mais

"Entre Hâna e Mâna, lá se foi minha barba..."


Significado: Um muçulmano tinha duas esposas, Hâna e Mâna, uma jovem, outra velha; a ambas demonstrava igual afeto. No entanto, por ciúmes, a velha arrancava-lhe, carinhosamente, os fios pretos da barba, e a jovem os fios brancos, até que por fim o pobre homem ficou sem barba...

O meu amor é feito de luz, da mais pura alegria, de realidade e de fantasia.

Ele tem um olhar firme, o mais cativante que já vi...

Um sorriso belo, que me alegra quando sorri.

Um rosto lindo, que me apaixona cada vez mais quando o vejo, vai chegando perto, me enche de desejo, desejo pelos beijos que são únicos, os melhores que já provei, e outros lábios como aqueles eu jamais beijei!

Uma voz calma, linda que me leva as nuvens, a mais apaixonante, de todas as músicas, a mais duradoura, de todas as vozes a mais encantadora...

Meu amor é lindo, é o que amo de verdade, é único e não importa a idade, não importa o tempo seja o que for, mas será eternamente o meu amor!

Empresta

Empresta as suas mãos
Pra eu sentir a vida
Empresta a sua boca
Pra eu fazer um beijo
Empresta o seu corpo
Para que eu possa renascer
Fazer um carnaval ferver
Empresta o seu olhar
Pra iluminar a minha festa
Empresta, empresta
E eu lhe darei o céu
Se for preciso
Empresta
Pelo menos o seu sorriso

O plano dos dois era muito simples. Permanecer juntos pelo resto de suas vidas. Um plano que qualquer um, em seu círculo de amigos, concordaria que era realizável. Todos os consideravam excelentes amigos, amantes e almas gêmeas destinadas a ficarem juntas. Mas por acaso, um dia o destino havia mesquinhamente mudado de ideia.
(P.S. Eu Te Amo)

Pascásio Custódio da Costa e a Empada de Aratu: Um Patrimônio Vivo


Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe em 2021, a empada de aratu do povoado Terra Caída, em Indiaroba, transcende o sabor para tornar-se um símbolo de identidade e memória coletiva. Seu guardião é Pascásio Custódio da Costa, conhecido como "Mestre Pascásio", que há mais de meio século dedica sua vida a essa iguaria que hoje atrai turistas e fortalece a economia local.


O que muitos não veem, porém, é que essa tradição vai além da cozinha: envolve o trabalho silencioso das catadoras de aratu, mulheres que mantêm viva a técnica artesanal de coleta e preparo do crustáceo, transmitida entre gerações. É delas que nasce o catado minucioso, base não só da famosa empada, mas também de pratos como a moqueca defumada na palha de bananeira, outra joia da culinária local.


Essa rede de saberes — Pascásio, as catadoras e a comunidade de Terra Caída — compõe um ciclo cultural raro, onde gastronomia, memória e pertencimento se entrelaçam. Mais do que um prato, a empada de aratu é um eco do passado que insiste em permanecer no presente, como testemunho vivo da força e do orgulho de um povo.

⁠O diálogo é, antes de tudo, um pedido sutil de cuidado. Mesmo quando parece banal ou corriqueiro, há entrelinhas pedindo presença, escuta, consideração. Quando o silêncio chega, ele já não é mais paz — é ausência. É o eco do que foi ignorado, negligenciado, esquecido. O silêncio, nesse contexto, não é escolha, é cansaço. É o ponto final de muitas vírgulas não lidas. Ele sinaliza desistência, mostra que o outro já não enxerga sentido em tentar se fazer entender.

E quando isso acontece, você começa a perder. Perde o vínculo, perde a confiança, perde a chance de fazer diferente. Porque quem cala já gritou demais por dentro. E aqui, neste ponto, deixo de cuidar. Não por falta de amor, mas por amor próprio. Deixo de cuidar de quem não soube cuidar da minha tentativa de permanecer.

O que os olhos não vêem

Havia uma vez um rei
num reino muito distante,
que vivia em seu palácio
com toda a corte reinante.
Reinar pra ele era fácil,
ele gostava bastante.

Mas um dia, coisa estranha!
Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo
nosso rei adoeceu.
De uma doença esquisita,
toda gente, muito aflita,
de repente percebeu...

Pessoas grandes e fortes
o rei enxergava bem.
Mas se fossem pequeninas,
e se falassem baixinho,
o rei não via ninguém.

Por isso, seus funcionários
tinham de ser escolhidos
entre os grandes e falantes,
sempre muito bem nutridos.
Que tivessem muita força,
e que fossem bem nascidos.
E assim, quem fosse pequeno,
da voz fraca, mal vestido,
não conseguia ser visto.
E nunca, nunca era ouvido.

O rei não fazia nada
contra tal situação;
pois nem mesmo acreditava
nessa modificação.
E se não via os pequenos
e sua voz não escutava,
por mais que eles reclamassem
o rei nem mesmo notava.

E o pior é que a doença
num instante se espalhou.
Quem vivia junto ao rei
logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados,
funcionários e agregados,
toda essa gente cegou.

De uma cegueira terrível,
que até parecia incrível
de um vivente acreditar,
que os mesmos olhos que viam
pessoas grandes e fortes,
as pessoas pequeninas
não podiam enxergar.

E se, no meio do povo,
nascia algum grandalhão,
era logo convidado
para ser o assistente
de algum grande figurão.
Ou senão, pra ter patente
de tenente ou capitão.
E logo que ele chegava,
no palácio se instalava;
e a doença, bem depressa,
no tal grandalhão pegava.

Todas aquelas pessoas,
com quem ele convivia,
que ele tão bem enxergava,
cuja voz tão bem ouvia,
como num encantamento,
ele agora não tomava
o menor conhecimento...

Seria até engraçado
se não fosse muito triste;
como tanta coisa estranha
que por esse mundo existe.

E o povo foi desprezado,
pouco a pouco, lentamente.
Enquanto que próprio rei
vivia muito contente;
pois o que os olhos não vêem,
nosso coração não sente.

E o povo foi percebendo
que estava sendo esquecido;
que trabalhava bastante,
mas que nunca era atendido;
que por mais que se esforçasse
não era reconhecido.

Cada pessoa do povo
foi chegando á convicção,
que eles mesmos é que tinham
que encontrar a solução
pra terminar a tragédia.
Pois quem monta na garupa
não pega nunca na rédea!

Eles então se juntaram,
Discutiram, pelejaram,
E chegaram à conclusão
Que, se a voz de um era fraca,
Juntando as vozes de todos
Mais parecia um trovão.

E se todos, tão pequenos,
Fizessem pernas de pau,
Então ficariam grandes,
E no palácio real
Seriam logo avistados,
Ouviriam os seus brados,
Seria como um sinal.

E todos juntos, unidos,
fazendo muito alarido
seguiram pra capital.
Agora, todos bem altos
nas suas pernas de pau.
Enquanto isso, nosso rei
continuava contente.
Pois o que os olhos não vêem
nosso coração não sente...

Mas de repente, que coisa!
Que ruído tão possante!
Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
- Vamos olhar na muralha.
- Ai, São Sinfrônio, me valha
neste momento terrível!
Que coisa tão grande é esta
que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível!

E os barões e os cavaleiros,
ministros e camareiros,
damas, valetes e o rei
tremiam como geléia,
daquela grande assembléia,
como eu nunca imaginei!

E os grandões, antes tão fortes,
que pareciam suportes
da própria casa real;
agora tinham xiliques
e cheios de tremeliques
fugiam da capital.

O povo estava espantado
pois nunca tinha pensado
em causar tal confusão,
só queriam ser ouvidos,
ser vistos e recebidos
sem maior complicação.

E agora os nobres fugiam,
apavorados corriam
de medo daquela gente.
E o rei corria na frente,
dizendo que desistia
de seus poderes reais.
Se governar era aquilo
ele não queria mais!

Eu vou parar por aqui
a história a que estou contando.
O que se seguiu depois
cada um vá inventando.
Se apareceu novo rei
ou se o povo está mandando,
na verdade não faz mal.
Que todos naquele reino
guardam muito bem guardadas
as suas pernas de pau.

Pois temem que seu governo
possa cegar de repente.
E eles sabem muito bem
que quando os olhos não vêem
nosso coração não sente.