Um Poema para as Maes Drummond
trilhando algo que nem sequer é uma garantia, abrindo mão do que lhe é sagrado, desejando um coração puro e com esperanças para no fim esmaga-lo com suas próprias mãos, andando sem seu amigo pela noite que lhe acalma nas profundezas do seu abismo, olhe pra mim e diga que nada disso é real, que nada disso é um truque seu para me manter preso nessa droga de lugar. Olhe...por si só, como é revoltante sua volta a este recinto que um dia foi sua casa, sempre tudo é melancólico e sem vida? por que escrever sobre coisas que você sequer vivência para descrever?
O luto, a tristeza, a angústia, a mágoa tudo isso é algo que no seu céu cinzento te faz ser o que é, sem um teto, sem um espaço, sem um mundo. Tudo é sempre tão triste né? seu amigo ainda volta hoje pra você? eu espero que sim, ele é uma boa pessoa, uma pessoa com esperanças e desejos... você realmente quer sugar isso dele né? sua inveja é distorcida e incerta, você escreveu tão forte que a folha rasgou, seus punhos cerraram e sua raiva tomou conta do seu ser e em meio a tamanho devaneio e mobília quebrada, sua mente ainda é a mesma né? a mesma que sempre dizia pra si mesmo o quão insignificante você é pro mundo injusto lá fora, seu medo de pessoas é algo realmente perturbador...você sequer consegue conviver com alguém? o que te faz pensar que é um merecedor?
Não olhe mais pela porta pra me dizer que é a última vez, que é apenas um jogo, que é apenas seu jeito... no fundo você sabe que eu não quero seu mal.
sinto meu coração saltitar
toda vez que recebo teu olhar
sinto em mim um apertar
ao final só desejo perambular
afim de relembrar teu amor
nas vielas sujas das ruas
Na jornada da vida, amigos são tesouros,
Mas nenhum é tão leal quanto um cavalo,
Riquezas e carros, luxos e louros,
Não trazem asas nem paz como um cavalo.
Encontrar um irmão em um amigo é belo,
Mas no cavalo, achar uma mina de ouro,
Magníficos seres, em laços singelos,
Conexão misteriosa com o homem, puro.
Ter um cavalo é possuir a força para voar,
Sem asas, ainda assim, alcançar o céu,
Confiar sem palavras, apenas sentir, amar,
No coração, a verdade, mais que um troféu.
Cavaleiro e cavalo, união eterna,
Como pássaro e asa, voam juntos na luz,
Em sua ligação, uma força interna,
Um não pode voar sem o outro, a verdade conduz.
O horizonte ermo e noturno,
E eu aqui, desorientado, sem razão, No eco do silêncio, um coração soturno,
Estou perdido, num tempo já perdido, na solidão.
O medo
O medo bate a porta
Será que da janela
Alguém pode me ouvir?
Será que vem um anjo
Ou alguém interceder por mim?
Na rua escura sobre o céu estrelado
Difícil ouvir algo
Com meu coração tão acelerado
Na ida ou na volta
O medo sempre nos escolta
Será que pra casa eu vou voltar?
Ou mais um caso na TV irá passar?
Um dia novo, mas tudo igual
Na TV passa
O que parece ser normal
Solidão
Se tudo que te dissestes
De nada valerá
Caberá ao meu coração
A solidão de um esilio
Como o trem que passa no trilho
Caberá a mim a vagar
A sociedade
A sociedade exerce um poder
Como um lobo faminto
Tão rígido ao ponto de estraçalhar
Tão severo ao punir
Corpos ocos
Mentes sombrias
Infância dolorosa e fria
De quem só queria sonhar
Providência
Eu vejo cenas de um video alterado
Mudança no cenário
Não importa o pecado
Nada justifica a execução
O jovem já tinha se rendido
Pra que matar o menino
Que pediu pra não morrer
Olha lá o garoto ensanguentado
Colocaram uma arma na mão de Eduardo
E fizeram dois disparos para o lado
Três polícias acusados pela morte
Começaram a ser julgados
O que leva um crime confesso e provado
Levar dez anos para se resolver?
Justiça pelo Eduardo e outras vítimas
Que perderam suas vidas
Nessa guerra de poder
Já fiz até uma reza
Pra isso nunca mais acontecer
Predestinado
Cabeça a mil
Coração angustiado
Mais uma injustiça
Um destino marcado
Será que Deus escolhe seus afilhados?
O menino que não desistiu de sonhar
Victor era um menino
Que tinha o sonho de conhecer o mar
Ele morava no interior
Mas isso não o impedia de sonhar
Andando pra escola
Sempre a cantarolar
Enquanto ele imaginava
os seus pés tocando o mar
Ele guardava uma foto
Que passava horas a olhar
Única ideia que ele tinha
De como realmente era o mar
Um certo dia
Ele ganhou de aniversário
Da madrinha que de longe vinha
Um presente inesperado
Era uma passagem de ida e vinda
E na sua dinda deu um abraço apertado
Chegando no Rio de janeiro
Seu intusiasmo gritava alto
Ele nem podia acreditar
Que seu sonho ia ser realizado
Quando chegou na praia
E seus pés tocaram a areia
O menino começou a chorar
Sua madrinha segurou suas mãos
E continuou a caminhar
Chegando no mar
Se jogou de cabeça
Pulava todas as ondas
E tinha um sorriso de orelha a orelha
Enquanto sua madrinha o admirava
Com tanta proeza
A depressão
A depressão é como um fio desencapado
Transbordando energia de um sentimento Afogado
É como uma onda que tenta te derrubar
Você sente como se tapassem a sua boca pra Ninguém te ouvir gritar
E você luta incansavelmente até se esgotar
Lembrança?
Depois.
Pouco.
Coletivo.
Um suspiro.
Mas estarei lá.
Pouco importa.
Memória passageira.
((F...-..) palavrão).
Nunca me importei.
Para futuro todos.
((F...-..) palavrão).
Nunca me importei.
Para sempre todos.
((F...-..) palavrão).
Nunca me importei.
O que temos pra jantar?
RECURSOS NATURAIS
Somos podados todos os dias.
Arrancam os nossos frutos
E não nos dão nem um pedaço.
Somos podados todos os dias.
Sugam toda a nossa seiva
E deixam nossas feridas abertas.
Somos podados todos os dias.
Destroçam as nossas raízes
E nos vendem em pedaços.
(Guilherme Mossini Mendel)
BIOGRAFIA
Nasci em um lugar qualquer,
Compondo versos para velhos conhecidos.
Vendi mil livros para a Terra de Ninguém.
Fui premiado com o Troféu Abacaxi.
Fundei a Academia de Letras
Do povoado Cafundó do Além.
Fui traduzido para todas línguas mortas
E lido por fãs imaginários.
(Guilherme Mossini Mendel)
AINDA SOU UMA CRIANÇA
Ainda sou uma criança com medo,
Escondida em um corpo de adulto.
O tempo passou por mim
E eu não percebi.
Não me tornei um jovem,
Nem me tornei adulto.
Permaneci o mesmo –
Invariável presença do ser.
Ainda sou uma criança com medo,
Essencialmente eu.
(Guilherme Mossini Mendel)
PERSONAGEM COMPLEXO
O Eu
É um personagem complexo,
Definitivamente mascarado,
Que entra em cena
Quando se está dormindo.
Quando se está acordado,
Surge um desconhecido.
(Guilherme Mossini Mendel)
Na madrugada escura, um poeta inquieto,
Toma seu café, com a mente em seu devaneio,
Envolto em paranoias, em um mundo secreto,
Fuma seu cigarro, num vício sem receio.
As sombras dançam, conspirações no ar,
No fulgor da fumaça, surgem temores,
A mente do poeta, em seu solitário lar,
Vagueia por estradas de loucuras e horrores.
Os versos fluem, mas as dúvidas persistem,
No eco das palavras, o medo se instala,
Será a genialidade um dom que o assiste?
Ou apenas ilusão, que à mente se iguala?
A fumaça se desfaz, em volutas no ar,
Enquanto o café esfria em sua xícara,
O poeta se perde, em teias a conspirar,
Entre o genial e o insano, numa linha tão rara.
As palavras são suas armas, suas aliadas,
Mas também suas inimigas, suas prisões,
Na mente do poeta, as paranoias elevadas,
Desvendam mistérios ou criam ilusões?
Em meio à névoa densa, surgem figuras sombrias,
Personagens dos versos, em sua insanidade,
O poeta observa, confuso em suas ideias,
Entre a realidade e a ilusão, sem clareza ou verdade.
No silêncio da madrugada, sua mente vagueia,
Emaranhada em teias de pensamentos inquietos,
O poeta, entre o café e o cigarro, ideias freia,
Nesse eterno conflito, entre sanidade e seus dilemas secretos.
Assim, ele escreve, nas linhas tortas do papel,
Suas paranoias, suas angústias, seus anseios,
Um poeta em busca de um significado cruel,
Na madrugada escura, onde se perde em devaneios.
Que o café e o cigarro o acompanhem nessa jornada,
Que suas paranoias sejam apenas tintas na tela,
E que a poesia o acalme, traga luz à sua estrada,
Enquanto a madrugada testemunha sua mente tão bela
Carnaval e Amor
Aquilo que um dia foi amor,
n'outro o chamou de feio
Disse com dizeres repletos de ruins prazeres,
dos quais jamais podiam ser ditos:
Você é feio, uma pessoa horrível
Quando se pensa, se diz o que imagina
O não pensar e o falar por falar é o mesmo que nada
Além daquilo que vejo, não serei tolo
Bem sei que não só há beleza no mundo,
como também não há só feiúra
Entre o principal erro e o errar por errar
Reconhecer que não és o dono da palavra razão,
é mais do que necessário, é uma obrigação
Sem sombra de moral, muito menos de dúvidas
Se o errar é humano, desumano seria o falar por falar
Mesmo sem poder dizer que te amo, jamais irá esfriar
o sentimento que um dia foi seu, meu, nosso
Jamais irá passar o entrudo que causaste em mim,
pois carnaval e amor, são eternos mesmo com fim.
Um Amor que a Tudo Abraça
No ventre do cosmos, em luz infinita,
Brotou o amor que a tudo habita.
Sem fronteiras, cor ou nação,
Vibra em cada coração.
Não há muros na graça divina,
Sua verdade a todos ilumina.
Do mais humilde ao mais altivo,
Todos são filhos do mesmo motivo.
Caminhamos, às vezes perdidos,
Mas o amor nos chama, aos ouvidos.
Sua voz sussurra em todo lugar:
"Venham, pois todos podem voltar."
Nenhum erro é maior que a redenção,
Nenhum filho se perde na imensidão.
Na grande mesa, há um só banquete,
E a humanidade é o convite que se repete.
Assim é a verdade universal,
Um amor que vence o bem e o mal.
A salvação não é um privilégio restrito,
Mas um presente divino, infinito.
O SEU CHEIRO
aparece em todo canto,
como a doçura de um abraço
que acalma e aquece o coração.
É suave, como o toque de uma flor,
levando um sorriso,
e fazendo o dia brilhar
com um simples suspiro
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