Um lugar Melhor no Céu

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Uma conversa estranha.

Em um belo dia de verão pairou no céu uma forma estranha, totalmente amorfa, jamais vista. Logo, tal aparição gerou as mais profundas especulações. Pessoas se amontoavam para ver a tal forma e dar um jeitinho de registrar e emitir opiniões. Se a curiosidade era tamanha, grande também era a gritaria em torno do fato. Mas tudo que é estranho, é estranho somente no início. Após, torna-se mais um elemento da paisagem. E assim aconteceu.

A forma estranha, começou a fazer parte da paisagem e quando todo o frisson inicial já havia se dissipado, a forma falou: “A verdade que os homens defendem, são mentiras repetidas a si mesmo.” O caos se estabeleceu novamente, o que a forma quis dizer com isso? Como um ser amorfo que, demonstrou ser senciente e consciente se julga capaz de julgar a humanidade, estando a tão pouco tempo entre nós?

Houve intensa discussão sobre a fala. Mas tudo que é massificado, logo perde o valor, e assim aconteceu.

Quando a calmaria se estabeleceu, nova fala: “O homem nasceu para ser escravo. Seja das suas vontades, seja das vontades alheias, seja das suas vãs necessidades criadas, seja das suas ilusões. Escravo de si, escravo dos outros, preso em si, acorrentado nos outros; acredita ser livre.” Neste momento, entre os homens, a ordem natural foi perturbada. Como algo que nem conhecemos diz-nos sermos escravos? Não podemos ficar ouvindo tais impropriedades e ficarmos inertes ante tais desaforos. Matemos a forma!

No entanto todos os esforços foram em vão, e após desistirem do intento assassino, eis que a forma novamente se manifesta: “O homem acredita que matando o tirano é capaz também de matar a tirania, ledo engano. O homem aceita a tirania de braços abertos porque possui a mente fechada e os joelhos dobrados. Só lhe abre a mente se partir teu corpo.” Os homens após ouvirem estas palavras sentiram-se novamente ofendidos. Se não havia como destruir a forma, tentariam destruir a ideia. Mas não se destrói aquilo que não foi criado, e ao tentar fazê-lo, a ideia criou forma e nascedouro em seus opostos. Se queres acabar com os deuses, basta não orar por eles. Em toda negação existe uma afirmação.

Como o ser humano cultua aquilo que não consegue destruir, nasceu aos pés da forma um novo culto, e a forma, ao perceber isso disse: Oh! Hipócritas! Por que prosternais diante mim, acaso sou digno de reverência? Me confundes com teus Deuses? Esperam de mim iluminação ou milagres? Saiam daqui! Porém antes, anotai o que direi: “O homem não consegue enxergar e nem viver sua própria verdade porque se oculta em seus pecados, seus pensamentos impuros o atormentam, sua pequenez é a si conhecida. E se envergonha. O homem age como um animal em eterno cio por bajulações e reconhecimentos, orna-se de títulos e alfaias e é despido de clareza de espírito. Paga-se para alimentar a vaidade, vive-se na miséria da razão. Se coisifica, se vende e se compra pelo melhor preço ofertado. Tu, homem, é um produto ruim em uma prateleira enfeitada. Quem não te agrada não lhe presta, como se tu prestaste! A tua própria covardia, tu nominas como humildade, prudência ou até tolerância. Hipócrita é a tua essência! Em tua falsidade, fazes o bem para barganhar com o Eterno. Se a tua covardia não o faz punir o mau, deixa à mercê de um castigador alheio que quiçá nunca virá. Tu és fraco e se ampara nos braços de quem lhe abre. Um fraco sendo conduzido por outro fraco. Tu és acostumado à chibata e aos grilhões, porque sendo incapaz de produzir um único pensamento, vive das ideias alheias e mesmo sendo incoerentes, as defende. A tua solução final você já a carrega desde o nascedouro, o cordão umbilical rompido é ligado a uma sociedade rica em absurdos e pobre em valores. Tu não consegues sequer enxergar a si mesmo, consertar o que está em ti quebrado, e quer colar os cacos dos males alheios. Oh! Raça perdida! Tu, homem, em sua importância nada és senão um pó que anda, fala e geme, e nem peso tu fazes a este planeta. Seus pensamentos são puros, como o ar puro de uma montanha, cujo solo está contaminado pelos mais diversos excrementos, mas tu dizes: Puro! Incapaz de enxergar o óbvio, aplaude de pé as obviedades, como iluminação recebida. Tenho pena de ti! Escravo de roupas bonitas.” E ao dizer isso, a forma partiu.

As pessoas que ali estavam e a tudo ouviram e anotaram, fizeram um ato de humanidade. Queimaram as anotações e foram se embriagar.

Massako.

Você existe, por isso, pensa.

Exalamos fogo, pois somos intensidade!
Almejamos mar, pois somos tranquilidade!
Buscamos céu, pois somos imensidão!

Não deixe que a terra te faça esquecer do céu.
Mas que o céu te faça esquecer da terra.

Num campo sem perfume,
há pinceladas tímidas de cor,
onde pássaros esquecem o céu
e as árvores perdem seus galhos.

O vento passa calado,
e tudo que brilhou é véu,
os sonhos se arrastam,
em tons que jamais se encontram.

Na estrada vaga
um rastro de saudade,
e por dentro do silêncio
flui a ausência das cores
que insistem em não nascer.

Eu escolho a bondade genuína. Se minha motivação para ser bom é a barganha pelo céu, pelo paraíso , etc... não sou virtuoso, mas sim um mau caráter motivado por interesse.

Como você quer passar a eternidade com Deus no céu, se não consegue passa nem 20 minutos com Ele aqui na terra?’’

"Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci"
(Mateus 7:23)

"O céu não passa de um suborno celestial, uma moeda falsa cunhada no metal do medo e da esperança humana; o homem, refém da própria vaidade e da aversão à finitude, oferta dízimos e bens à promessa de eternidade — numa transação imoral que abandona o presente em nome de um futuro inexistente, enquanto pobres e viúvas definham à porta do templo, vítimas da fé que jamais as enxergou."

Somos o elo frágil entre o céu e a terra, com a força de amar e a dor que a vida encerra.

O Inferno é adocicado e com boa aparência falando lindamente em nome de Deus, o Céu é amargo e apimentado e difícil de entrar, esquenta mas é o melhor caminho a se trilhar.

As cores que o tempo levou


Quando eu era criança, o mundo parecia pintado à mão.
O céu tinha cheiro de tarde quente,
e o vento parecia brincar comigo.
As cores eram vivas — não só nas coisas,
mas dentro de mim.


Agora, aos vinte e dois, olho o mesmo céu
e ele já não me devolve o mesmo brilho.
As cores continuam lá,
mas meu olhar parece cansado de reconhecê-las.
Talvez não sejam as tardes que mudaram,
mas a forma como eu as sinto.


Na infância, o tempo era eterno.
Hoje, ele corre — e leva embora o encanto das coisas simples.
Mas às vezes, quando o sol se despede devagar,
eu fecho os olhos e finjo ser criança de novo.
Só pra ver o mundo com aquele mesmo coração colorido.

Enquanto o Céu segurar a terra, teremos um Reino sem fim.

Mesmo sem telefone no céu,
E sem horário de visitas,
Existe comunicação direta.

Que dor sente o Filho que eu já não senti? O que temes? O céu canta de felicidade pela sua salvação, os anjos gritam: “Santo, Santo é o Seu nome, Senhor!” Está tudo construído e pronto para aqueles que são em Mim habitar. O mal há de afogar-se em suas próprias trevas, e a luz esclarecerá toda dor já sentida. Aqueles que negam a face de Deus, que infelizes serão.

Máquina do Infinito
William Contraponto


O céu repete antigos labirintos,
com lógica de um sonho recorrente,
estrelas são os cálculos extintos
de uma mente que pensa eternamente.


Os átomos se alinham no compasso
do tempo que não sabe pra onde vai,
há dúvida moldando cada traço,
e o caos revela a ordem que se esvai.


Um pensamento pulsa entre os planetas,
em código que nunca se decifra,
e o vácuo grita verdades secretas
que a razão recusa, mas registra.


O universo é só um pensamento,
máquina viva sem operador,
reflete em mim seu movimento,
sou engrenagem do seu motor.


As galáxias giram como ideias,
que buscam forma e nome sem cessar,
mas toda luz produz suas aldeias
de sombra que ninguém pode evitar.


Se o mundo é mente, somos devaneio
de um cérebro em combustão,
e a vida, esse constante entremeio
entre a matéria e a percepção.


O universo é só um pensamento,
máquina viva sem operador,
reflete em mim seu movimento,
sou engrenagem do seu motor.

Quem ganha uma alma alegra o céu; quem forma um discípulo expande o Reino

Nascidos fomos, sob um céu de cinza e bruma,
Com a exata medida para a dor sem fim.
Duas metades buscando a mesma espuma,
Um laço trágico tecido em linho carmim.
​Desde o primeiro olhar, a alma reconheceu
O espelho partido, a sua parte ausente.
Mas o destino, em escárnio, interveio,
Deixando a chama acesa, mas fria e renitente.
​És meu avesso, a chave que a dor contém,
A prova viva de um amor que não se finda,
Mas entre nós, a sombra, o que convém,
O grito mudo de uma estrada que se cinda.
​Melancolia em cada suspiro teu que ouço,
Tristeza funda em cada passo meu que dou.
Somos a tragédia do mais puro poço,
Onde a água clara nunca se encontrou.
​Ah, esta união de almas, dramática e amarga,
Que nos condena ao longe, ao eterno anseio.
Uma febre que arde e que a vida embarga,
Um abraço negado, morrendo em meio ao meio.
​E assim seguimos, dois espectros em conflito,
Ligados pela dor, não pelo doce intento.
Um poema de pranto que jamais foi dito,
O eco que restou de um amor sem sustento.

O céu não é o lugar onde você encontrará homens bons, o único homem bom a pisar na terra foi posto em uma cruz, no céu encontraremos aqueles que Ele chamou de filhos

Sonhar é tocar o céu com a mente e, com os pés firmes na terra, construir pontes até ele.

Raio ilumina o céu, surdo ilumina o caminho da resistência.

Deus Está de Ressaca
William Contraponto


Hoje o céu amanheceu trôpego,
com cheiro de vinho barato,
os anjos perderam o horário,
e o sol se vestiu de retrato.


O padre pregou sem vontade,
o crente dormiu na fileira,
o diabo tirou férias curtas,
num motel da zona fronteira.


Deus está de ressaca,
de tanto ouvir oração,
vomita promessas gastas,
no chão da contradição.
E eu, que não creio em nada,
acendo um brinde à razão,
porque a fé me dá ressaca,
e a dúvida… é meu pão.


O amor virou fé na neblina
o perdão, moeda em feira,
o homem reza por doutrina,
pra audiência inteira.


Na tela, milagre em oferta,
em nome do lucro e da cruz,
e o céu, cansado de tanto truque,
apagou sua própria luz.


Deus está de ressaca,
de tanto ouvir oração,
vomita promessas gastas,
no chão da contradição.
E eu, que brindo ao caos,
sem pastor nem direção,
prefiro o erro humano,
à divina ilusão.


Se o paraíso é condomínio,
me deixe no bar da esquina,
lá onde o pecado é sincero
e a verdade… não incrimina.


Hoje o céu fechou mais cedo,
e a lua dormiu no sofá,
Deus deixou um bilhete em branco:
“Cansei. Vou recomeçar.”