Um dia a Gente Aprende Mario Quintana
A vida vai chegar
e te sorrir, e você,
com esse sorriso perigoso
que desarmar qualquer um
que ousar em enfrentá-lo.
Vai sorrir de volta,
e mostrar que
os teus mais belos tesouros,
estão escondido em camadas
mais profundas,
como daqueles que contém
no fundo do oceano.
A melhor vista de todas
não está em um lugar,
a melhor vista de todas
é um estado de espírito,
este é, você feliz
encarando sua felicidade.
Ela é como
música popular brasileira
da década de noventa.
É composta
por um tanto de coisa bonita,
cabia tanta música
e tanta poesia nela.
Que depois dela, nunca mais
vou ouvir MPB do mesmo jeito,
ela estará em todas
as canções que ouvir.
É louco pensar que dois lábios apenas
podem parar o tempo,
louco pensar que um olhar,
te levam a vários lugares dentro de você,
de maneira lenta ou numa pressa
que você nem consegue raciocinar.
Acho que é por isso que os mais inexperientes,
tem medo de se apaixonar.
Estava no ponto
e via o mundo passar
um ou outro a se julgar,
alguns com pressa para atravessar,
outros nem sabiam
qual era seu lugar,
e era o tempo que não estava a passar,
por vezes, via até a felicidade
cruzar estranhos em sua troca de olhar,
que de tão particular
ouviam até vida anunciar.
Enquanto isso,
nada do ônibus passar.
Em um universo paralelo
E em algum momento se criou um universo paralelo, em que você seria totalmente minha, que andaria nua sempre que estivesse comigo, sem nenhuma armadura, sem nenhum disfarce. Vestiria apenas o que você escondeu durante todos os anos, traria de volta a sua criança interior e suas melhores memórias afetivas. Em algum lugar onde haveria espaço para vários erros, afinal só se aprende assim. Um lugar que não haveria desencontros. Que eu quisesse voltar de onde eu estivesse só para encontrar com sua boca e o casal mais lindo de olhos que tive oportunidade de encarar. Seria um lugar paralelo que você não precisaria se sentir perdida nem com falta de nada, que a tristeza até tentasse ter suas vezes, mas que fosse embora antes de desfazer as malas. Seria um lugar que toda a imperfeição faria parte da perfeição. E que parasse de se pegar com olhar vazio, pensando em como as coisas poderiam melhorar. Um paralelo que você como beija-flor que é, teria todos os lugares e liberdade para ir, mas que só voltasse para o meu jardim porque quisesse, não porque tivesse que voltar.
Criou-se um universo paralelo, em que você, só queria estar toda em mim.
Sempre seremos carentes
de um universo de coisas.
Mas há fartura diversa
em nossas experiências de vida.
Catarse
Vezes você não vêm até mim, mesmo que o desejo de lhe escrever exista, como se fosse um amor que fora morar longe de mim, você vaga, e eu mal pudera dizer adeus, sem chances de uma catarse.
Vezes só me restam anseios, poesia.
Enquanto a Vida Passava
imagina,
a vida passando na tv da sala.
sem pausa,
sem voltar.
um ao vivo sutil —
onde você pode sentir,
dizer,
ou apenas estar.
mas se olhar pro celular,
perde.
perde um olhar,
um gesto,
um silêncio.
perde o agora.
o celular aqui é só um nome
pra tudo o que te afasta de ti,
uma metafora.
as comparações,
as vozes que não são suas,
as urgências inventadas.
basta um segundo,
e você já não está mais ali.
está em outra vida,
ou desejando estar.
e sua história,
que é só sua,
segue passando...
sem reprise.
sem legenda.
sem aplausos.
por quanto tempo mais
você vai deixar
que a distração
se sente no seu lugar?
E sem aviso,
chegará um fim de domingo,
que a saudade
não vai mais passar,
e você não vai querer
existir em um outro lar.
A sabedoria é um presente
ofertado a nós,
que somos
frutos do fenômeno
que é viver a todas as vidas
que temos.
A sorte de um amor tranquilo
Escrevo aqui os meus votos, votos que, no momento, são apenas meus, mas os desejos são — de que, apesar de ter total consciência de que os amores não são como nos livros ou nos filmes, ainda assim hei de entregar o melhor de mim. Não farei dos sentimentos algo subjetivo, como algumas poesias; eles serão claros, diretos, como uma poesia tão bem escrita que não abre oportunidade para outra interpretação. Serão intensos, tanto nas facilidades quanto nas dificuldades.
Amarei as diferenças, entendendo que foram justamente as singularidades dela que me fizeram me perder. E, falando em me perder, hei de valorizar, mais uma vez, a sensação da paixão: o frio na barriga, o sorriso antecipado, a ansiedade ao vê-la e senti-la. Hei de valorizar os detalhes que nos fazem sentir vivos outra vez — do silêncio do beijo ao silêncio nos olhares.
Não esperarei pela perfeição, nem minha, nem dela. Mas vou ansiar por dias fora do automático, aqueles em que se vive todos os 86.400 segundos de um dia. A vida é volátil, e eu só espero que, no meio de todo o caos, eu possa ter outra vez a sorte de viver um amor tranquilo.
Somos um fenômeno
Pode parecer clichê, mas, quando se fala de amor, pensamos na "outra metade" — mas já somos completos. Não existe outra metade, existe o nós: a versão que está presente em nós mesmos e a versão que está distante do nosso íntimo. Talvez esse seja o desafio e o que buscamos como "amor". Porque amar o próximo é fácil; não conhecemos seus medos, suas vulnerabilidades, suas guerras. E, por mais que tenhamos esse conhecimento, não saberíamos, de fato, o impacto que isso tem naquela pessoa.
Mas, quando se trata de amar a nós mesmos, é necessário que seja um amor genuíno, leve e respeitoso. É impressionante tudo o que a vida e as pessoas fizeram durante todos os anos de nossa existência, permitindo que possamos refletir sobre quem fomos no passado e quem somos agora.
Porém, mesmo assim, isso não define quem somos. Então, o que eu quero dizer sobre o amor é: o ideal é que tenhamos o desejo real de amar a nós mesmos, do jeito que somos. Algo que eu sempre digo é que o ser humano é um fenômeno, e você (eu) não é diferente disso. Somos todos um fenômeno único, aprendendo todos os dias como é se amar, até finalmente partilhar desse amor com o resto do mundo.
Saudade do nosso silêncio
enquanto existe o som
do nosso corpo,
somando um ao outro,
criando caminhos
para se explorarem.
Quinta-feira de Vênus
Ela acorda assustada com o despertador, por um instate acreditou que era segunda-feira e precisava ir para o trabalho. — desativou o alarme e percebeu que ainda era só o feriado de quinta-feira. Sorriu por ter esquecido de desativar o alarme na noite passada. — Bom, já que eu acordei, então vamos né?! — Disse ela sem o menor tom de queixa por acordar cedo em pleno feriado.
O dia começara breve, mas ela não tinha pressa, já teve urgência em sua vida e percebeu que avidez, nunca te satisfez. – Aprendeu a ter calma, a sentir cada passo, dos físicos aos metafóficos. Já teve sonhos engavetados, sonhos em rascunhos, sonhos falidos e sonhos realizados. Mas a vida não assustara, não tinha medo da única coisa que a vida tem a oferecer — viver — e assim seguia seus dias. Aprendera que sua paz era mais importante do que manter um status. Na escola da vida, era uma boa aluna, levava como podia, ajudava como podia, sofria só pelo que deveria, não prolongava o que não deveria — mas o mais importante, sorria, sempre que podia.
Mulher decidida, de carater marcante. Se fosse poema, seria como a Divina Comédia escrita do Dante Alighieri - se fosse MPB, Relicário da Cássia Eller - se fosse filme, não seria uma obra concluída - ela é muito para caber em tão pouco. — Moça sorridente, com que fosse sorridente — tinha passos leves pelo feriado da sua quinta-feira. Colocava música para ouvir, andava pela casa, em sua distração entre canções e tarefas diárias, cantava e esquecia que o tempo passava — esquecia a vida lá fora — lembrava apenas dela, rodopiava entre cômodos enquanto dançava. Cantava melhor a cada taça de vinho que tomava.
A tristeza se perdia
em suas ravinas,
fazia da vida teu teatro,
aprendeu a nunca
se arrepender
de nenhum ato.
Se tivesse nascido em outra época, faria parte do Panteão de Roma — talvez a chamariam de Vênus — já era quinta-feira a noite, o dia passara, mas não sua vontade de viver ele, a noite também era sua, não temia pelo desconhecido, continuava deliciando seu vinho para afogar sutilmente algumas saudades misturada com vontades — sabia das suas prioridades, mas naquela noite so precisava de uma pausa, não queria raciocinar, não queria se policiar, seu juizo já havia dormido — no fim daquela noite, na sua banheira ela queria relaxar, no final daquela noite, ela só queria se amar.
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