Um dia a Gente Aprende Mario Quintana

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REDE DE ESTRELAS


Peguei o cordão umbilical e amarrei cada ponta em uma estrela; então, um anjo me emprestou suas asas para que eu fizesse uma rede, onde pudesse descansar minha alma no céu.
Lu Lena

O ECO DO INFINITO

No tilintar de um serafim, tua voz chamou por mim. Flutuei no infinito, viajando por mares em nuvens de algodão. Dançamos enlaçados na lua, almas errantes em busca de inspiração. Despertei desse sonho folheando manuscritos num álbum de recordação.

Lu Lena

DESATANDO NÓS...

Opiniões contrárias a minha…
me dá um nó na garganta…
E voce chora?
- Não! Desato-me em gargalhadas…

FOI APENAS UM SONHO...

Acordei com saudade de alguém…
Quem?
Não sei…sonhei!

MATIZES DE UM SONHO...

Em meu sonho preto e branco vou pincelando com todos os matizes em cores… Que dê luminescência a todas minhas angústias e dores… Finalizo com o esplendor do sol e dobro dentro de mim essa paisagem de papel e minha vida sempre tem cor quando avisto um arco Iris no céu…

Quero ser um diamante em tua vida a ser
lapidado…
e não cacos de vidro em teu coração
colado…

Somos um espelho refletido de nós mesmos em nossa vida a qual vai nos dar exatamente aquilo que a gente vive ou que já tenha vivido.

Fiz a mala e parti com todos os meus sonhos de outrora não vejo ninguém na estação de trem apenas um relógio embaçado que minha alma não consegue definir a hora.

Eu faço o que me dá vontade, depois eu vejo o estrago, pode até ser um tiro no escuro, mas também posso acertar o alvo.

Almas afins se encontram para finalizar um desencontro que parecia nunca ter fim.

Se desistires no meio do caminho, poderá perder a chance de realizar um de seus sonhos, que talvez estejam alguns passos desse trajeto.

Eu não mudo pelos outros e sim por mim, chega um certo tempo da vida que tem que ser assim.

Se sentires um vazio em mim, saiba que nesse momento me esvaziei para me preencher de ti.

Muitas vezes um galo está enrustido num pinto e vice e versa.

Calmaria no meio da tempestade é como ver a miragem no deserto de um oásis...

Pelo sim ou pelo não, vou fazendo um zigue zague com uma cordinha chamada “talvez” e nessa linha imaginária e pueril ela fica flutuante como pipa conforme o vento sopra…
Onde?
- No meu coração!

E TUDO JÁ ESTAVA ESCRITO...

Quando nascemos trouxemos junto um bloquinho de notas, lápis e uma borracha.
E vamos anotando nossa história, algumas vezes corrigimos, outras vezes apagamos e muitas vezes arrancamos uma folhinha e refazemos novamente e assim o bloquinho vai terminando. Então, decidimos comprar um caderno bonito e bem encadernado e com bastante folhas para passar tudo a limpo, mas aí a gente se dá conta que o lápis já está sem ponta e gasto (de tanto usar e apontar) e a borracha já nem existe mais…
Por que?
- Tudo já estava escrito!

VISÃO DE UM ANJO...

Ali estava fulgente e ele a contemplar
no clarão violáceo, fada? Querubim?
Dentro do seu mundo um altar esboroado
de brilhos opalinos crivados em mim.
Cores em arco íris em luz se formavam
nessa redoma de vidro entre arvores
viajores do tempo vindos de uma região
etérea. E num flash seus olhos vêem
almas errantes que vagueiam na Terra
procurando-se mutuamente sob templos
petrificados e sustenidos…
Que foi registrado através do olhar inglório
de um anjo sorrindo!

​O REVERSO DO ESPELHO
​(Um despertar inconclusivo)

​Folheando álbuns de recordações, fui resgatando épocas através de fotografias amareladas — algumas borradas, sem nitidez, carregando o peso de eras; outras de uma leveza que não consta nos mapas.
​Uma saudade estranha do que o medo me impediu de batizar, de passos que ensaiei e nunca dei, temendo que o chão fosse miragem. Recordações que marcaram histórias e esculpiram memórias.
​A nostalgia tomou conta de mim. Senti falta do que fiz acreditando no acerto, para depois descobrir que o destino ria noutra direção. É uma saudade feita de tudo e tecida com o nada; um desejo urgente de gritar enquanto a garganta dá um nó cego no tempo que ficou para trás.
​Em algum canto, a pureza da infância ainda observa. Enquanto seguro cada fotografia, em silêncio, a mulher que agora habita em mim — na maturidade dos fios brancos que teimam em dizer que o ciclo continua — decide, subitamente, sorrir e dançar entre as ruínas que se transformaram em alicerces. Tudo guardado ali, naquele álbum de retratos esmaecidos de outrora.
​Sinto saudade do que as mãos seguraram e do que escorreu pelos dedos. Saudade até do abandono, do que vivi e do que deixei morrer na beira da estrada. Habito a contradição exata entre o "sim" que me salvou e o "não" que me definiu.
​Entre um sorriso contido e uma lágrima que desce, recordo-me da pérola que eu desenhava na infância toda vez que a professora pedia um desenho do mar. Eu, automaticamente, pensava em uma sereia admirando uma ostra em suas mãos.
​Ao fechar o álbum e guardá-lo na caixa forrada de cetim lilás, olho pela porta de vidro. Os raios de sol refletem o agora, e a pergunta ecoa em minha quietude:
​O que, dessas lembranças, sobrevive em mim hoje?

Lu Lena / 2026
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​O ECO DO VILAREJO
(​Fragmentos de um tempo de Outrora)

​E a flor se abriu em rosa ao longe, muito longe, ao som do realejo. Anjos do vento trouxeram-me os sonhos que deixei em tempos de outrora naquele vilarejo. Desperto e o que vejo, apenas o rastro do que foi, uma memória que flutua na fresta da janela: que são as pétalas encurvadas dançando com o vento.

​Lu Lena / 2026
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