Um Amor Amigo Companheiro
Sempre vivemos absorvidos por nós mesmo, nossos dramas patéticos e nossas ambições que sempre divergiram. Eu de um lado, lutando contra meu medo de altura, tentando escalar o pódio que você sempre vivera, e você, lustrando suas medalhas, inerte do mundo, inerte de mim.
Eu me arrasto por aí, pesada, grande demais que meu corpo. Eu estou sobrecarregada por mim mesma. Onde está meu ralo? Onde aperto para poder esvaziar?
Eu acabei comigo, por pensar que a vida pode seguir bonita como nos filmes, como ensinam para nós, quando criança. Estraguei aos poucos. Cortei, rasguei, dilacerei em silencio cada parte boa que havia em mim. E o que hoje sou? Sou sobra, resto, o que sobrou de ruim do meu bom. Virei esse amontoado precoce de pessimismo (palavras de uma pessoa próxima de mim). Amarguei cedo demais. Em uma década e alguns quebrados, retiraram de minha retina o véu que nubla nossos olhos, que faz nosso cérebro acreditar que a vida é como uma pena que flutua, rodopia no ar transparente.
Desiludiram-me rápido demais, desnecessariamente. Deixassem-me com minhas contas em paz, com meus contos mágicos, feliz. Eu, um dia, quando estivesse preparada, aprenderia aos poucos que o mundo não é assim. Mas o universo fez logo de apressar a desilusão. Abruptamente desfez meu castelo, arrancou meus vestidos, desfez o bom, o saudável que tinha em mim. É saudável viver um pouco a deriva, flutuando, curtindo o mundo. Eu ainda queria ser como fui, um dia. Aquela pessoa que acreditava em coisas melhores. Eu sou pessimismo. Eu sou desleixo, canseira. Mofo. Eu deterioro um pouco a cada dia. A cada tapa. Cada medo que me vence.
Tento manter-me tão afastada quanto os limites da terra me permitem. Evito, desvio, recomeço por outro caminho. Eu tento, eu tento. Mas o universo, com quem tenho uma terrível divergência de pensamentos, me joga no caminho, na hora, no dia – justo no dia em que você ultrapassa os seus limites e adentra minha área. Eu tenho que aparecer, tenho que chegar e nublar com o meu e o teu céu. Desculpe.
Eu sempre acho que estou fazendo tudo desandar. Eu atravanco o caminho de todos com minhas penas longas, minhas asas pesadas que não servem para ganhar o céu. Sempre acho que minhas patas, unhas, garras, estragaram o caminho de todos, se tentar acompanhar alguém. Acho que sempre prejudico, envergo tudo. Porque sempre tenho que sentir, quando encosto a cabeça no travesseiro, de madrugada, que sou um lixo?
As palavras escapam, desaguam, caem no recinto feito animal nascendo, que com violência cai no chão, na vida, nasce em meio ao caos, a pancada, a explosão. As palavras me desafiam, me humilham, esfregam em minha cara que já não tenho mais poder sobres elas. Ditam e registram aquilo que bem entendem, ou querem, ou ambos, na maioria dos casos. Descrevem, exaltam, aquele por quem elas tem afeto. Os outros, eu também, são deixados de lado, descaso escrachado, sem nenhum pudor, ou educação em tentar disfarçar a preferência.
Sabe, já tentei desistir de você milhões de vezes, mais ao mesmo tempo que você me faz muito mal, você me deixa tão bem. Quantas vezes pensei em cair fora, e não olhar pra trás, mais você sempre grita espere, por favor não vá. Eu não sei o que acontece comigo cara, que eu me deixo levar, mas quem muito brinca um dia perde, fica a dica tá ?
Andando por aí, encontrei o que não esperava encontrar, amei o que não esperava amar… te encontrei, mesmo sem querer, e te amei, como jamais imaginei.
Por mais que homens continuem a dizer que homem que é homem não chora, é quando se perde a oportunidade de se viver um grande amor é que essa frase não tem sentido nenhum.
"E eu ainda não entrei no embalo da tua musica. Mas aguarde com calma, ainda entrarei, e saberei cada passo dessa dança, cada batida desse som, porém não vou mais querer dançar no teu ritmo."
Metade do coração na terra e a outra no espaço, para que eu não perca o sentido de amar e nem a realidade de como é a dor de perder um amor.
A distância ajuda a esquecer, mas não cura dessa tal doença que faz com que fiquemos noites e noites acordados com um longo período de dor, onde achamos que a morte seria a solução de tanto sofrimento, porém, quando a noite acaba percebemos que amor não nos mata e ficamos tristes da mesma maneira. Posso caracterizar como uma doença psicológica quando está no término de uma relação de meses, ou posso dizer de uma vida. Uma vida que já era destinada de sonhos, que estava no caminho de uma realidade.
Tudo em branco. Realmente não sinto nada nem por você nem por ninguém. Parece que está tudo desligado, parece que meu cérebro está pedindo pra eu dar um tempo pra mim mesmo. Dei graças por está tudo desligado pelo menos agora posso descansar sem ter que me preocupar, sem ter essa troca de sentimentos e pensamentos que eu tinha antes. A vontade que eu tenho agora é de gritar. Pois percebi que só foi falar de você que descobri que estava errado.
Garçom, traga-me uma garrafa de rum, algumas caipirinhas, talvez uma tequila, e venha aproveitar a vida comigo! Espero, garçom, que você nunca sofra de amor. Espero que ame e seja amado. Espero que nunca prove o gosto do "não" e nem do "adeus". E a solidão? Abrace-a, ela será sua única companheira durante esses anos...Quanto ao amor, espere, logo logo ele está de volta!
