Tudo Oque eu Sentia Acabou
Eu ainda ando pela casa desviando do lado direito da cama como se você ainda estivesse ali dormindo, porque aceitar o colchão vazio dói menos do que admitir que o homem que eu era sumiu no portão junto com você.
Eu fui trocar a lâmpada queimada do corredor ontem à noite e, quando fiquei ali no topo da escada, no escuro absoluto, percebi que o meu maior medo não era cair dali, mas sim o fato de que eu já não lembro se você preferia a luz quente ou a luz fria para a nossa casa; desci os degraus tateando a parede, sentei no chão e chorei feito um menino ao entender que o tempo está apagando os seus detalhes de mim, e que eu estou perdendo você de novo, só que agora dentro da minha própria cabeça.
A verdade é que eu não enterrei o meu passado; ele se mudou para dentro das minhas costelas. Quando a mulher que desenhou o meu destino decidiu ir embora, recolhendo os pertences e deixando apenas o vazio no apartamento, algo em mim quebrou de maneira definitiva. Não houve gritos ou portas batendo. Apenas o estalo seco de uma engrenagem vital que parava de funcionar.
Durante quase uma década, tornei-me um vigia de túmulos.
Habitei a solidão da cama de casal como quem protege um solo sagrado. Desenvolvi um pânico visceral diante de qualquer aproximação humana. Se alguém demonstrava um interesse sutil, meu estômago contraía. A simples ideia de compartilhar a rotina com outra fisionomia parecia uma heresia, um insulto à memória daquela que ainda governava os meus pensamentos. Eu me convenci de que a capacidade de entrega era um recurso finito, totalmente esgotado naquela despedida. Sentia-me um náufrago confortável na própria ilha de amargura.
Até que a vida, soberana e imprevisível, cansou do meu isolamento voluntário.
Aconteceu numa livraria de bairro, num fim de tarde cinzento. Eu procurava um título qualquer para preencher as horas mortas, quando uma desconhecida esbarrou na estante ao lado, derrubando uma fileira inteira de volumes no assoalho. O estrondo quebrou a solenidade do ambiente. Instintivamente, abaixei-me para recolher as obras espalhadas.
Quando nossos dedos se cruzaram na tentativa mútua de resgatar o mesmo exemplar, ergui as pálpebras.
Aquela senhorita de pele morena possuía traços completamente distintos, uma voz mansa e um aroma fresco de lavanda que nada lembrava o perfume antigo que passei anos tentando esquecer. Contudo, ao fitar a profundeza das suas pupilas castanhas, percebi um brilho familiar de vulnerabilidade e resiliência. Foi um impacto mudo, um solavanco térmico que atravessou minha espinha. A couraça que cultivei com tanto zelo rachou de cima a baixo.
Ela esboçou um sorriso tímido, sem cobranças, que parecia compreender a bagunça que eu carregava na alma.
Pela primeira vez em milhares de dias solitários, o fantasma da rejeição retrocedeu um passo. O peito, antes congelado, ardeu com uma eletricidade esquecida, quase juvenil. Não era a cura imediata da dor crônica, mas a percepção nítida de que o mundo continuava girando lá fora, oferecendo novas estradas para quem ousasse caminhar.
A jovem senhorita agradeceu a ajuda, recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Pouco antes de cruzar o portal, deteve o passo. Girou o corpo, sustentou meu olhar fixamente por alguns segundos cruciais e acenou positivamente, num convite implícito que dispensava vocábulos.
Permaneci estático, assimilando o milagre daquele instante. A marca da perda segue cravada na minha pele, indelével. Todavia, compreendi que carregar uma cicatriz não significa permanecer sangrando. O pavor ainda sussurra no meu ouvido, mas o desejo de experimentar o calor do sol novamente tornou-se, finalmente, muito maior.
A grande lição que a dor me ensinou é que o luto não deve ser uma sentença de prisão perpétua, mas um processo de transformação. Fechar as portas para o mundo com medo de sofrer novamente não protege o coração; apenas o sepulta em vida. Amar exige coragem exatamente porque envolve o risco da perda, e a verdadeira superação não consiste em esquecer quem partiu, mas em ter a generosidade de permitir que novas histórias sejam escritas nas páginas que restam.
MINHA ELIZA VOCE E A MINHA INSPIRAÇAO DE VIDA E FORÇA,COM AS ORAÇOES EM DEUS EU ESTOU SENDO UMA PESSOA QUE ESTA CONSEGUINDO SUPERAR A FORMA QUE EU ESTAVA BEBENDO SEM SENTIDO,MAS AOS POUCOS O NOSSO AMOR ENTROU EM NOSSAS VIDAS E TUDO PARECE QUE SE TRANSFORMA DO VINHO PARA AGUA ! VOCE HOJE MIM COMPLETA EM TUDO COMO MULHER,UMA ESPOSA DE TODOS OS DIAS,E SIM ,MIM FEZ SER HOMEM NA CAMA NOVAMENTE !
“Quando eu era criança, o tempo nunca passava. Depois que cresci, o tempo nunca para de passar.”
Tem uma coisa interessante: ela cria um contraste perfeito entre infância e vida adulta. É quase um paradoxo: quando você tinha muito tempo, parecia que não passava; quando percebe o valor do tempo, ele parece não parar.
"Deixei que o silêncio me engolisse só para descobrir que, lá no fundo, eu ainda gritava com a sua voz."
"Eu tive o melhor momento da minha vida
Nunca me senti assim antes...
Juro que isso é verdade
E devo tudo a você"
Eu não ligo mais pra você, eu não ligo mais pros seus sonhos, que se foda seus planos. Daqui a vinte anos te espero no mesmo lugar não se esqueça !
Eu gosto mesmo são dos seres mutáveis,
Aqueles que se reinventam,
Ora suportam, ora aguentam
Gosto do sabor da metamorfose,
Onde apenas sobrevivem à mudança, os fortes!
É permitido dançar com a impermanência,
Enfrentar as turbulências, testar as convivências, buscando alimentar a sapiência.
O invisível que carrego dentro de mim ocupa o espaço onde eu deveria estar, e observa-me quando tu estás perto de mim, e ainda assim não posso tocá-lo.
As cores que o tempo levou
Quando eu era criança, o mundo parecia pintado à mão.
O céu tinha cheiro de tarde quente,
e o vento parecia brincar comigo.
As cores eram vivas — não só nas coisas,
mas dentro de mim.
Agora, aos vinte e dois, olho o mesmo céu
e ele já não me devolve o mesmo brilho.
As cores continuam lá,
mas meu olhar parece cansado de reconhecê-las.
Talvez não sejam as tardes que mudaram,
mas a forma como eu as sinto.
Na infância, o tempo era eterno.
Hoje, ele corre — e leva embora o encanto das coisas simples.
Mas às vezes, quando o sol se despede devagar,
eu fecho os olhos e finjo ser criança de novo.
Só pra ver o mundo com aquele mesmo coração colorido.
Entre o que foi e o que é
Eu tô com alguém bom, alguém que me faz bem.
Mas ainda carrego ecos de quem me feriu.
Não porque eu queira voltar,
mas porque certas lembranças não sabem ir embora.
Meu corpo já entende o novo toque,
mas minha alma, às vezes, ainda procura o antigo.
E isso me confunde — me parte.
Ele me fez mal, eu sei.
Mas há pedaços de mim presos nas memórias que ele deixou.
E o amor, mesmo quando dói,
tem um jeito cruel de se fazer presente.
Talvez um dia eu acorde e o passado não pese mais.
Talvez um dia o novo amor ocupe todo o espaço.
Mas, por enquanto,
vivo nesse meio-termo —
entre o que me destruiu
e o que tenta me reconstruir.
---
Talvez, o Luar
Ele é lindo como o luar,
silencioso e distante,
brilha só o suficiente
pra eu me perder no olhar.
Seus olhos — calmaria e abismo —
guardam paz e solidão,
como quem já viveu o amor
e ainda sente sua extensão.
Os cabelos, negros como a noite,
guardam segredos que o vento não diz,
e os lábios… ah, os lábios —
tocam o ar e fazem sonhar feliz.
Seu toque é quente como o verão,
um carinho que me desarma,
um instante e o mundo some,
fica só o som da alma.
Mas ele não é meu…
ou talvez pudesse ser,
num outro tempo,
num outro céu,
onde o luar nos deixasse acontecer.
Eu não terminei porque não senti.
Terminei porque senti demais.
Porque a pureza assusta
quem já aprendeu a sangrar em silêncio.
Teu sorriso inocente
pedia um cuidado
que minhas mãos, trêmulas,
não sabiam se mereciam tocar.
Não foi sobre você.
Foi sobre o medo
de quebrar algo bonito
com minhas próprias cicatrizes.
Eu fui embora não por falta,
mas por excesso.
Porque às vezes amar
é também saber recuar.
Hoje eu lembrei de você enquanto me maquiava.
Não por saudade anunciada,
mas por um gesto pequeno,
desses que moram no cotidiano e doem depois.
O delineado seguia firme,
parava no meio do olho,
como sempre parou.
E foi aí que você apareceu —
na memória, não no espelho.
Lembrei daquele dia em que você percebeu
o detalhe que quase ninguém nota.
Metade do traço,
metade do olhar,
inteiro na atenção.
Fiquei encantada não pelo elogio,
mas pela forma como você me via.
Como quem enxerga
o que não grita,
o que não pede,
o que só existe.
É estranho como o tempo faz isso.
Meses passam,
o nome silencia,
o sentimento dorme.
Mas basta um traço torto,
uma manhã qualquer,
e o passado volta sem pedir licença.
Você não voltou.
Foi só a lembrança.
Mas ela ficou ali,
sentada no canto do meu reflexo,
me olhando terminar aquilo
que nunca chegou ao fim.
Talvez algumas pessoas
não foram feitas pra ficar.
Foram feitas pra aparecer de repente,
num espelho,
num detalhe,
numa memória que insiste
em não desaparecer.
A HIPOCRISIA DO ESPORTE BRASILEIRO
A cada dia que passa eu me decepciono cada vez mais com a sociedade brasileira. Atualmente estamos em ano de copa do mundo, claro todo brasileiro vai à loucura, não vejo nada de errado nisso até certo ponto, acho muito bom inclusive, mas minha indignação não está diretamente relacionada a isso, mas sim a uma grande hipocrisia que vem acompanhada dessa excitação. O brasileiro simplesmente esquece que o país está virado de cabeça pra baixo em diversos sentidos, nos esporte, na saúde, na educação, enfim, se for de listar tudo daria para escrever um livro.
Nós, trabalhadores, acordamos cedo todos os dias, trabalhamos duro e no fim do mês recebemos nosso abençoado dinheiro, com muito suor e dedicação. Por outro lado, enquanto isso, os jogadores da seleção brasileira estão nadando em dinheiro, e tudo bem ganhar muito dinheiro, se eles realmente fossem apaixonados pelo esporte, dedicados e acima de tudo honrassem sua camisa. Mas tem um porém muito grande nessa história, a impressão que passam é que uma grande parcela deles - que fique bem claro que não estou generalizando - não amam o que fazem, entram em campo para se mostrar para os patrocínios. Boa parte de seu pensamento está no status que receberão, e em alguns casos, parece até um desfile de moda. Esqueceram há muito tempo a verdadeira essência do futebol, não conseguem fazer o mínimo que é jogar futebol decentemente, entregando o que o torcedor espera e merece.
Quando assisto os jogos antigos de nossa seleção, chega a dar emoção, partidas incríveis aconteciam, os jogadores treinavam muito, e mesmo ganhando uma mixaria de dinheiro, eles estavam lá, porque honraram sua camisa. E se quiser uma prova disso, pergunte para alguém de umas duas gerações passadas, o que acha dos jogos do Brasil de hoje em dia. A decepção em seus olhos é clara, e na maioria dos casos nem acompanham a copa do mundo, e eu não julgo de forma alguma, já que a situação é crítica. E por que ficou dessa forma? Boa pergunta. Acredito que seja pelo fato de ter muito marketing em cima, muita marca querendo ter visibilidade fácil, talvez tenha sido aí que começou a se perder o amor em campo.
E quando falamos dos outros esportes, não tem visibilidade alguma. Já fui atleta profissional de natação e o incentivo quase não existe, não é à toa que quase nenhum brasileiro chega no topo nas outras modalidades. Me sinto péssima com isso, pois esse foi um dos motivos por eu ter deixado o alto rendimento no esporte, a natação é um desporto extremamente caro de se praticar, além de você ter de treinar muito. Hoje no Brasil não é viável viver do esporte profissional, com certeza vai passar muito aperto financeiro se escolher esse destino, a menos que você seja do futebol, de resto esquece. Além disso, vai ter que implorar por patrocínio, enquanto os jogadores lucram milhões por mês, sendo que um atleta de vôlei, natação, corrida, e outras diversas modalidades, muitas vezes fazem o dobro e não ganham nem um por cento daqueles milhões. Que fique claro que não é por falta de dedicação!
O que quero dizer aqui é, se você quer torcer pra seleção brasileira, vá em frente, torça! Acho isso ótimo inclusive, precisamos de alguma esperança, mas não se esqueça dos podres que tem por trás. Da mesma forma, não julgue alguém que torce para outro país, provavelmente essa pessoa viu naquele outro grupo, a emoção que sentia quando o Brasil jogava antigamente, e que hoje em dia não consegue sentir com o próprio país jogando. E não só por isso, tem muita gente por aí que não aceita essa hipocrisia, inclusive eu, e está tudo bem. Eu realmente queria conseguir torcer para o Brasil, é meu país, onde eu nasci, mas eu não consigo mais, não depois de tudo o que vivi e percebi.
OLHO DO FURACÃO
Como eu queria estar escrevendo sentimentos bons, mas a vida me trouxe aqui, para mais uma reflexão um tanto quanto avassaladora, com a qual talvez muita gente se identifique. Meu sentimento agora, eu diria que é deveras triste e solitário, mas dizem por aí que as melhores escritas vêm de dias cinzentos. Sendo assim, olho pela janela e me pergunto: por que as pessoas têm tanto medo? Por que insistem em se esconder atrás dele, a ponto de não estarem dispostas a viver?
Pois bem, todo ser humano desta Terra tem medo; todo mundo, sem exceção, sente, já sentiu ou vai sentir esse sentimento, e está tudo bem, é a coisa mais natural do mundo. Mas agora é que vem o problema: muita gente por aí perde a chance de sentir, fazer e experimentar por causa do pânico.
Tomemos como exemplo uma estação de trem e uma pessoa com um destino predeterminado. Se esse indivíduo não estiver na hora e no momento corretos, corre o risco de perder o trem. Chegando atrasado, pode ser que tenha a sorte de ele também estar fora do horário de partida, o que é uma rara exceção. No pior cenário, aquele que é o mais provável, infelizmente ele terá de esperar sentado no banco o próximo trem passar, porque nenhum maquinista espera ninguém infinitamente. Mas será que esse novo trem vai levá-lo ao mesmo destino? Provavelmente não, e talvez o primeiro nunca mais volte à sua estação.
Nesse compasso de espera, criam-se as desculpas para o atraso. E sim, de fato, algumas coisas está tudo bem perder, mas deixar ir tudo e qualquer coisa por se esconder atrás do medo de embarcar? O preço, no futuro, pode ser alto demais. Como eu disse anteriormente, todo mundo tem medos, mas há quem esteja disposto a enfrentá-los. Quem realmente quer, tenta, continua, persiste, dá um jeito. Por mais impossível que seja alcançar aquele vagão, por mais pedras que haja no caminho, por mais árdua que seja a caminhada, quem quer, vence! Mas aí vem a pergunta: o que eu faço com meus medos, inseguranças e traumas? Coloca no bolso e vai. Enfrenta, seja corajoso, não deixe passar a oportunidade da tua vida por causa de um sentimento desses.
Entretanto, a vida é difícil mesmo; é uma batalha diária, não é um conto de fadas para ninguém. O meu conselho para mim, para você, leitor, e para qualquer pessoa deste mundo é: viva, arrisque, permita-se sentir, mas não espere estar pronto para tudo, não espere o momento ou a fase certa da vida. Experimente tudo em meio ao caos da rotina, do mundo; enfim, vista o arquétipo do louco e vai para cima. Se não for no meio do olho do furacão, então nunca vai ser. Caso contrário, a vida cobrará o preço por meio do arrependimento, que pode não ter mais volta. Então, se prefere ficar seguro, fique; quem não sai da zona de conforto não muda a vida nem para melhor, nem para pior. Na minha visão, prefiro passar pelo medo da mudança, mesmo que isso pareça infinitamente difícil — porque é, eu sei que é —, do que ficar estagnada em um só lugar pelo resto da minha existência. O não dar certo vira experiência e história para contar; é disso que precisamos: bagagem. Que graça tem a vida sem enfrentar aquilo que tanto tememos? No final, o maior fracasso não é tentar e dar errado, e sim deixar o medo decidir por nós mesmos.
Muitos me perguntam porque eu tive 3 filhos autistas?
: você acha que foi um erro?!
para Deus foi planos perfeitos!!!!
todos tem suas próprias limitações e dificuldades
sempre fui boa em matemática até descobrir que ser boa não era suficiente para a sociedade
Descobri que a psicologia da vida não é agradar o próximo e sim ser feliz pelo o que eu sou e o que eu quero ser
Ser reconhecida nunca foi a garantia do meu sucesso como mãe, assim como não ser reconhecida não é a garantia do meu fracasso!!!
as limitações dos meus filhos nunca impediu deles ser saudáveis e alcançar o topo!!!!! ssilva
RECALCULANDO ROTA
Cá estou eu novamente, sentada em minha cama, olhando para o infinito, em uma sexta-feira à noite. Você deve estar se perguntando: o que uma jovem de 17 anos está fazendo em casa em um dia desses? Deveria estar, no mínimo, em uma "baladinha" qualquer. A minha resposta será um tanto avassaladora, talvez assuste muita gente por aí, mas é como me sinto de fato: diferente.
Já fui de sair muito, ter diversos amigos, paqueras, risadas, momentos bons, mas tudo mudou quando meu GPS interno recalculou a rota da minha vida. Comecei a ler, praticar muitos esportes, estudar, espiritualizar-me, focar muito mais em mim mesma. E meus amigos? Eu ainda os tinha, claro, mas de forma cada vez mais distante. Os interesses não se encaixavam mais; enquanto as conversas giravam em torno de quem ficou com quem, eu queria estar falando de livros, futuro, oportunidades e desejos puros. Para mim, não faziam sentido todas aquelas falas e, no fim, acabei sendo rejeitada por ser muito diferente. Não os julgo. Talvez eu sempre tenha sido dessa forma, mas me escondia atrás de uma pessoa que não tinha nada a ver comigo para ser aceita como uma adolescente normal em uma sociedade rasa. De fato, uma hora ou outra eu mesma iria me distanciar.
Tive de aprender a lidar com a solidão na marra, mas, com o tempo, isso virou solitude, o que é deveras diferente. Aprendi muito nesse meio-tempo. Entendi que nossa própria companhia é a que mais importa. Mas agora cheguei a uma fase da minha vida em que eu gostaria tanto de ter um grupo de amigos. E, afinal, onde vou encontrá-los? Não me encaixo em lugar nenhum. Um exemplo são os amigos que tento fazer no esporte. Descobri algo muito estranho aos meus olhos: só é seu parceiro enquanto você apresenta um desempenho inferior ao dele. Sim, eu sei, é triste.
Às vezes, tenho a impressão de que a vida virou uma disputa para ver quem é mais orgulhoso, quem tem o ego mais inflado, quem menos dá o braço a torcer. Esse é o valioso, dizem os idiotas. Aí é que eu quebro a cara. Para mim, amizade, relacionamento ou qualquer coisa que envolva o outro envolve empatia. E, quanto mais eu me importo com o sentimento dos outros, mais eu me machuco, mais pedradas levo e mais distante eu me torno.
E, se entrar no campo dos relacionamentos amorosos, aí desaba tudo. Sempre, em minha vida, eu fui um quase e nunca uma certeza. Não que eu tenha tido muitas oportunidades, mas, quando acontecia, era assim. Quando, de certa forma, me isolei do mundo, como diz meu pai, "foi o boi com a corda" de vez. Se me perguntar se sou seletiva, a resposta é óbvia: muito. Mas sei que ninguém é perfeito. Tem uns que chegam e, só de olhar, eu penso: "Não têm nada a ver comigo". Querem só rolo, "passar na cara", não pensam em construir algo maior. E há outros que, ao meu ver, seriam perfeitos, coisa rara de acontecer. E, quando acontece, na minha cabeça daria super certo, mas, aos olhos do outro, é impossível. Talvez o problema seja eu, uma pessoa que pensa demais, planeja demais, sente demais, ou talvez eu esteja em um mundo raso demais. Já nem sei mais o que pensar, realmente.
Pergunto-me todos os dias quando voltarei a ser um pouco mais normal, a ser aceita novamente, a socializar com facilidade, quando finalmente terei um namorado. Penso que possa estar destinada à solitude eterna. Apesar de tudo, no fundo eu a prefiro, mesmo doendo demais. Só quem passa por isso sabe.
Penso que boa parte da minha geração vive em torno somente de festas, bebidas, baladas, drogas e redes sociais. Nem falarei das indumentárias; complica demais. Como posso me encaixar nisso? Será possível não existir ninguém parecido comigo? Óbvio que existe, mas minhas esperanças, no momento, estão desvairadas. E, enquanto não encontro as pessoas certas para caminhar ao meu lado, continuo olhando para o infinito, ou melhor, escrevendo crônicas em uma sexta-feira à noite qualquer.
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