Trabalho Escravo
Concupiscência é desejar as coisas do mundo e possuindo-as, permitir que elas ocupem e consumam seu tempo e sua vida, tornando-se seu escravo.
"Até que ponto tanta consciência está nos sendo útil? Não podemos estar Descarteaneamente indo de encontro a uma história que verdadeiramente não nos faz justiça, e nos coloca na terrível figura do escravizante e não do escravizado."
Negritude
Ouço o eco gemendo,
Os gritos de dor,
Dos navios negreiros.
Ouço o meu irmão,
Agonizando a fala,
Lamentando a carne
Pisada,
Massacrada,
Corrompida.
Sinto a dor humilhante,
Do pudor sequestrado,
Do brio sem arbítrio,
Ao longe atirado,
Morto e engavetado,
Na distância do tempo.
Dói-me a dor do negro,
Nas patas do cavalo,
Dói-me a dor dos cavalos.
Arde-me o sexo ultrajado
Da negra cativa,
Usada no tronco,
Quebrada e inservida,
Sem prazer de sentir,
Sem desejos de vida,
Sem sorrisos de amor,
Sem carícias sentidas,
Nos seus catorze anos de terra.
Dói-me o feto imposto ao negro útero virgem.
Dói-me a falta de registro,
do negro nunca visto
Além das senzalas,
No comer no cocho,
No comer do nada.
Sangra-me o corte na pele,
Em abertas feridas,
De dores doídas,
No estalo da chibata.
Dói-me o nu do negrinho
Indefeso escravozinho,
Sem saber de razões.
Dói-me o olho esbugalhado,
No rosto suado,
No medo cravado,
No peito do menino.
Dói-me tudo e sobre tudo,
O imporque do fato.
Meus pêsames sinceros à mentira
multicolor da princesa Isabel.
Mas contudo,
Além de tudo
E muito mais por tudo,
Restou-me invulnerável,
Um imutável bem:
Ultrajadas as raízes,
Negados os direitos,
Ninguém roubou-me o lacre da pele.
Nenhum senhor. Ninguém!
Se sobrevivemos atrelado ou enraigado a outrem satisfazendo vontades de meras aparências, somos escravos desse alguém e julgamos ser amor mas é tão somente um canto de sereia que nos ilude tal qual a vida.
Dê comida e água para seu cachorro e ele será seu amigo, pague um salário mínimo para uma pessoa e ela se torna seu escravo.
Em uma sociedade de valores invertidos, somando com a necessidade de aceitação, cria-se então um legião de escravos:
Escravos do ego...
Escravos do modismo...
Escravos do álcool....
Escravos da carência....
Bendito seja o amor que derrama sobre o homem o esquecimento. Que o faz esquecer sua condição de escravo. Que faz recuar a angústia e o medo!
Minha alma velha
me arrepia os meus
ouvidos,
me deixa o meu corpo
bambo de emoções.
Já fui escravo,
sou escravo.
Minha liberdade
são meus olhos:
Capoeira!
Não ir pra frente é retrocesso, nada que vale a pena é fácil
Encara o processo, é assim que eu faço
Quem precisa de correntes de ouro pra ser Gustavo?
Quem precisa de correntes de ferro pra ser escravo?
Não suporto a virulência dos debates. Indigna-me a ideia de colonizar o outro dentro do que a mídia impõe como verdade absoluta. Ora, a verdade não é aquela coisa que liberta? Mas quanto mais buscamos-na fora da mídia, mais oprimidos nos sentimos, pois a verdade simples e cruel da história da humanidade, é que não somos livres porque as Leis e as reformas são feitas para resguardar uma minoria em detrimento da maioria; porque somos privados do direito de ir, vir, permanecer... onde quer que desejemos na Terra; porque somos escravos voluntários de um hedonismo capitalista corruptível; porque não confiamos em nós mesmos, na nossa capacidade de vencer 'os 5%' dos canalhas que têm injustamente a posse do mundo. Já alertava-nos Mark Twain, de que é mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que foram enganadas. Estar enganado é inconcebível; estar certo é tomar posse de um saber revoltante e inútil se não usado para lutarmos por nossos direitos. Saber e não fazer coisa alguma é a pior decisão que se pode tomar na vida. É permitir-se ir morrendo sem experienciar o sentido universal de existir. Pensando nisso, no valor da existência, busco-o na sapiência da borboleta que mesmo ignorante de que a flor é azul ou vermelha; sente, por ondas vibratórias, se a flor que ela sobrevoa é carnívora ou não...Escute as vibrações do seu ser e atenda ao seu íntimo chamado por justiça social, com boa vontade, sem preguiça. Analise o quanto aqueles que produzem as riquezas da Terra têm sido espoliados e assuma um lado: 'trabalhadores do mundo, uni-vos'.
Diz o bom senso que os filhos não herdam as dívidas dos pais ou ancestrais. Assim sendo, o povo que não se identifica pela cor da pele em relação aos seus pares (se os considerarmos iguais perante a Lei) não têm dívida histórica alguma, nem para com pessoas que já se foram, vítimas ou não de crimes no passado, nem para com os descendentes destes se não estiverem num regime legal isonômico (ou seja, se estes são tão cidadãos quanto todos os outros).
As favelas foram criadas pelo despreparo. . E continuam ainda hoje pelo conformismo.. Ainda somos escravos.. Os senhores de engenho hoje são os grandes empresários, derramando migalhas em nossos pratos enquanto se deliciam com banquetes regados a champanhe e a nosso suor.. Assim como era no início,tu continua na latrina, deixe de ser presa, você é ave de rapina..
FILHOS DO AMOR
"E a tua ira esta sobre aqueles
Chamados de hereges ,
sem ter uma chance e sem esperança
Filhos do amor ,
Escravos do odio.
Flores
As lutas dos negros contra a escravidão (movimentos de resistência) devem ser lembradas como fatos de muito orgulho pelo povo brasileiro.
Não dêem aos cães o que é santo, nem atirem pérolas aos porcos; eles poderiam pisá-las com os pés e, virando-se, despedaçar vocês. (Jesus)
“Para um asno, o feno é mais bem-vindo que o ouro”. (provérbio latino)
Podemos lembrar também do Mito da Caverna, de Platão, onde o escravo que se liberta das correntes e experimenta a liberdade e a realidade que até então desconhecia, sente vontade de compartilhar sua experiência e conhecimento aos demais que continuam escravos no interior da caverna. Não é compreendido por eles que por pouco o matariam.
A palavra “santo” é também traduzido por perfeito. Nem todos estão aptos para compreender coisas mais elevadas e devemos nos contentar em fazer-lhes bem dentro do possível.
A sabedoria que vos possuía
Os corpos emergidos nos solos áridos
Estavas cercados de rostos pálidos
Firmemente preso da ladainha
Dos escravos postos a trabalhar
Observados pela sinhá
Sangue e tristeza escorria
Até a estrela brilhar
Despiram suas ilegalidades
Descuidaram do teu reino
Para emergir suas felicidades
Determinados pelo pai eterno
A possuir fome de lutar
E propagar o amor fraterno
