Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende
A velhice é uma flor, que murcha com o tempo, ela é um presente de gregos.
Mas o poeta resiste, com seu cérebro atento
Aproveitando o momento, enquanto a inspiração flui
E as palavras saem, como um rio sem fim.
(Saul Beleza,)
*Mulher, Poema Inteiro*
Faço poemas pois existe uma mulher,
desde a mãe que reza baixo ao pé da cama,
até a amada amante que acende a chama
com um só olhar de quem entende e quer.
A menina moça que carrega o mundo
no caderno aberto e no riso solto,
tropeça em sonhos, levanta em tumulto,
e escreve o futuro no segundo.
E a moça flor que desabrocha em calma,
tem pétala no gesto e raiz na alma,
perfuma a casa, a rua, a vida inteira
sem pedir licença pra ser primavera.
Faço poemas pois mulher é verbo:
nasce, cuida, luta, ama, inventa.
E quando o verso pensa que termina,
ela recomeça o ponto onde ele sentiu saudade.
(Saul Beleza)
*Toda Tarde*
Todas as tardes dos meus dias
Carregam uma saudade que machuca.
Ela acorda quando tocam antigas canções,
Aquelas que têm cheiro de nós dois.
E o sol, cúmplice, vai pro horizonte
Me chamando pra ver o dia morrer.
É convite e é lembrete:
Tudo passa, mas nem tudo vai escurecer.
Hoje eu vejo: o tempo correu.
Levou meses, levou anos, levou pressa.
Mas não te levou.
Você ficou presente desde aquela tarde
Até esse agora em que escrevo.
A saudade não apagou.
Ela só aprendeu meu nome,
Sentou do meu lado no anoitecer
E me ensinou que lembrar também é forma de ficar.
Tem memória que é ferida e tem memória que é casa. E a minha parece ser as duas.
(Saul Beleza)
*Galho*
No móvel do quarto
só tua imagem em uma foto 3X4 cabe inteira de saudade
ocupando o cômodo todo.
Na última página do caderno,
escondido como quem pede socorro,
um rabisco insiste:
"... de um galho nasce o bem querer,
e eu te quis como um louco."
Do galho torto da lembrança
brotou essa febre mansa.
Não escolhi. Nasceu.
E quis. Como quem não tem escolha.
(Saul Beleza,)
*"SAUDADE"*
(Saul Beleza)
Gente, hoje me bateu uma saudade...
Mas não é aquela saudadezinha romântica de filme, sabe?
Não. Me bateu uma saudade VIOLENTA.
Aquela que chega igual boleto vencido.
Sem avisar. 22h numa terça-feira.
Você tá de boa, comendo arroz, e do nada: PÁ!
Porque a pessoa esteve na sua vida por MUITOS e MUITOS anos.
Quando é pouco tempo, ok. Você esquece.
"Ah, foi só um verão".
Mas quando é muito tempo... meu irmão, o corpo vira HD externo.
Eu vou no mercado e meu cérebro:
"Compra aquele iogurte que ela gostava".
Mano, ela nem mora mais aqui!
Eu tô comprando iogurte pra fantasma.
E o pior é a playlist.
Toca uma música e na hora meu corpo já sabe a coreografia da saudade.
O peito faz "tum".
O olho faz "brilha".
E a dignidade faz "some".
Aí você tenta explicar pra alguém:
"Ah é que eu sinto falta..."
Falta do quê, Saul?
Falta de tudo! Falta do café que ela fazia ruim.
Falta da briga por causa de toalha molhada na cama.
Falta até do silêncio que era confortável.
Porque quando a pessoa fica MUITOS anos,
ela vira móvel da sua casa.
Você não repara até mudar de casa e perceber:
"Caramba, aqui tá vazio. Cadê o sofá?"
E o Google ainda ajuda, né?
Você digita só a primeira letra do nome e ele já completa.
Obrigado Google. Queria esquecer, mas você tá aí lembrando.
Saudade violenta é isso.
Não é que você quer voltar.
É que você queria que ela tivesse visto você hoje.
Só pra contar uma besteira.
Só pra dizer: "olha que idiota que eu sou".
E no fim... a gente ri.
Porque chorar todo dia dá espinha.
E porque se foi tanto tempo,
foi porque em algum momento valeu MUITO a pena.
Obrigado, gente. Boa noite. E se bater saudade aí, bebe água. Ajuda em nada, mas hidrata.
Sem despedida
não me cobre uma despedida.
basta que eu suma da tua vida
sem deixar marcas,
sem barulho,
sem cena.
despedida é abandono que dói,
é palavra que corta,
é porta que bate.
eu prefiro ir
como quem nunca esteve,
do que ficar na tua memória,
como quem faz doer na hora de ir.
(Saul Beleza)
Não tenho um amor,
eu tenho uma companhia.
Talvez se fosse amor,
não seria assim.
Estou amando a tua companhia,
e o amor?
Ah, o amor me acompanha
ao teu lado.
(Saul Beleza)
TAC
A teoria da Aprendizagem Corrupta não pretende afirmar uma verdade absoluta, reconhecendo a existência de exceções, mas busca demonstrar que ambientes reiteradamente corruptos exercem poderosa influência sobre a formação moral de seus integrantes
No cenário brasileiro, a recorrência de escândalos envolvendo agentes públicos suscita uma indagação inquietante: o político nasce corrupto ou aprende a sê-lo?
O homem não nasce inevitavelmente corrupto. Também não nasce necessariamente virtuoso.
Sua consciência é continuamente moldada pelas experiências, pelas instituições e pelos grupos sociais com os quais convive.
Quando o ambiente recompensa a honestidade, a virtude floresce.
Quando recompensa a corrupção, o vício tende a tornar-se comportamento adaptativo.
Talvez a maior tragédia das democracias contemporâneas não seja a existência de políticos desonestos, mas a transformação da desonestidade em método de sobrevivência política.
Uma sociedade que normaliza pequenos desvios prepara silenciosamente o terreno para grandes escândalos.
Quando uma sociedade abandona a discussão de ideias e passa a discutir pessoas, ela assina sua própria falência intelectual. O analfabetismo funcional não está apenas em não compreender palavras, mas em não compreender pensamentos. A alienação vence quando o indivíduo reage ao mensageiro e ignora a mensagem. Criticidade não é criticar tudo; é ter consciência suficiente para questionar até aquilo que se deseja defender. Uma mente que não debate ideias transforma-se em torcida, e toda torcida sem reflexão é apenas uma multidão esperando alguém pensar por ela.
“Uma sociedade que discute pessoas em vez de ideias já perdeu a capacidade de pensar. O analfabetismo funcional não é apenas não saber ler o mundo; é ler apenas aquilo que confirma a própria cegueira. Senso crítico sem criticidade é apenas preconceito fantasiado de inteligência.”
Nunca houve uma geração tão informada e tão pouco consciente; tão conectada e tão distante; tão cheia de opiniões e tão carente de pensamento. O problema da humanidade nunca foi apenas não saber — foi acreditar que sabe sem jamais ter pensado.
A era da liquidez transformou relações em rascunhos: ninguém quer construir uma história, todos querem apenas editar capítulos que não deram certo. A humanidade ficou tão preocupada em não sofrer que aprendeu a não sentir; tão ocupada em preservar a liberdade que perdeu a capacidade de criar raízes. A liquidez das relações humanas está liquidando a própria humanidade do humano.
Nunca houve tanta facilidade para encontrar pessoas e tanta dificuldade para encontrar presença. A tecnologia aproximou corpos, mas a superficialidade afastou almas. A liquidez das relações humanas criou uma geração que coleciona contatos, mas abandona conexões; que busca intensidade sem profundidade, prazer sem compromisso e amor sem responsabilidade.
“A vida é uma estrada de mão única: não existe retorno para o passado, apenas aprendizado para o presente. Revoltar-se contra o que passou é tentar discutir com uma página que já foi escrita.”
“Não existo porque penso; existo quando meu pensamento não é uma cópia, mas uma ruptura. Pensar é criar, questionar é despertar, resistir é existir.”
“Todos estamos sentenciados à morte; portanto, que a nossa maior sentença seja fazer da vida uma obra tão intensa que nem o fim consiga anulá-la.”
Vamos repensar?
Bauman — “A modernidade líquida.”
“Criamos uma sociedade onde tudo flui rapidamente, mas quase nada permanece profundamente. A liquidez trouxe velocidade às relações e retirou delas a densidade necessária para criar raízes.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vamos repensar?
Viktor Frankl — “Quando não podemos mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.”
“Nem sempre escolhemos as circunstâncias, mas sempre participamos da resposta que damos a elas. O ser humano não é definido apenas pelo que sofre, mas pelo que transforma a partir do sofrimento.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vamos repensar?
John Locke — “A mente é uma tábula rasa.”
“A mente nasce aberta, mas a sociedade rapidamente escreve nela suas verdades, medos e limitações. O desafio da maturidade não é apenas aprender, mas reescrever aquilo que nunca escolhemos acreditar.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vamos repensar?
Erich Fromm — “O amor é uma arte.”
“Uma sociedade que ensina a consumir tudo desaprende a cultivar algo. O amor deixou de ser uma construção diária e passou a ser uma expectativa imediata.”
Carlos Eduardo Balcarse
“Quem apenas repete pensamentos herdados vive uma vida emprestada; quem questiona, transforma a própria consciência em território de criação.”
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