Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende

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"Estou diante de uma encruzilhada
Há na minha frente três caminhos sombrios:
Direita, esquerda e centro, mas prefiro ficar no vazio.”

"Eu sou o assassino mais sujo.
Eu sou a contemplação de uma sombra no escuro.
Eu sou o vento frio que causa dor na espinha.
Mas no fim sou a regra maquinaria da própria hipocrisia."

"Dentro dos seus olhos eu vi refletir uma linda jovem de calça xadrez a sorrir.
Dentro do seu corpo eu sinto o universo em mim,
dentro do seu cheiro eu não quero partir
e ao seu lado tudo teve um fim."

"Quando a aversão encontra uma alma ferida
Quando entre Deus e o homem há uma mentira
Quando os bons ventos entram em sua vida
Quando a honestidade é trocada por malícia.
O que faremos e por quê?
O preço da ignorância é a escravidão, a escravidão.’’

"Nada pode ser mais verdadeiro do que uma contradição
De poder errar, de poder parar, de poder dizer não."

"Quando chegar muito perto de uma estrela não a toque, porque você ficará cego e sem os dedos da mão."

" Você só tem uma vida e não vai fazer aquilo que deseja?.. então não viveu bem..."

Eu sou uma alma profundamente
poética e romântica.


Não daquelas feitas de palavras ensaiadas
ou de gestos moldados por circunstâncias,
presas à conveniência de datas comemorativas.


O meu lirismo e o meu romantismo
se impõem de forma natural,
quase instintiva,
sem regras, sem horários,
sem datas marcadas no calendário.


Como quando, pela manhã,
olho pela janela
e encontro o céu cinéreo,
com uma chuva fina anunciando,
tímida, quase sem querer "incomodar",
a chegada do outono.


E então me aproximo do vidro,
suspirando versos,
tomada por uma imensa gratidão
pela beleza de ser e existir,
em comunhão com as estações do mundo
e com os ponteiros secretos do relógio
do meu próprio âmago.


✍©️@MiriamDaCosta

O ser humano
está tão animalizado,
que resgatar um mínimo
de humanização,
torna-se uma tarefa
imensa,
senão
uma utopia.
✍©️@MiriamDaCosta

O espelho retrovisor
não existe apenas
para retocar o batom ou rímel.


Ele é
uma pequena janela
aberta sobre o que ficou atrás.


Ali cintilam
avisos tardios,
movimentos súbitos,
sinais discretos
de perigos que se aproximam
pela retaguarda do tempo.


Na estrada da vida
ele funciona
como um painel silencioso
de advertências.


Mas o destino
não se revela
no que ficou para trás.


Por isso seguimos
com os olhos voltados
para o horizonte,
inevitavelmente chamadas
pelo futuro,
sem esquecer
que os vestígios do passado
ainda piscam
no pequeno espelho
da memória.


✍©️@MiriamDaCosta

Me pergunto se ainda há quem faça uso de uma caneta para escrever sobre páginas virgens...


Se ainda há quem coloque água para ferver na chaleira para passar o café no coador de pano...ou que antes de coar no bule ,
cozinhe o café por alguns minutos
inebriando o olfato do ambiente
e dispersando o aroma té chegar ás narinas mais distantes...


Semana passada , uma amiga da adolescência veio me visitar, ficou surpresa ao me ver preparar um café à moda antiga
(com chaleira, coador de pano e bule)
falando da praticidade da cafeteira elétrica...


E observou também os blocos, cadernos e canetas na minha escrivaninha , em vez do notebook ( que está fechado dentro de uma gaveta)...


Um dia desses
vou abri-lo e fazê-lo viver novamente
sob as minhas digitais poéticas...


As vezes me auto defino pré-histórica 😂 (podem até não acreditarem...mas é verdade!) , nem o tal do PIX eu tenho,
mas ... sei que vai chegar o dia
em que vou ter que me modernizar,
mas enquanto der ...
vou vivendo sem essa forma de pagamento, como de outras modernidades...


O que fazer?! ... Sou de Nanã 💜
(para quem não sabe...) é a Orixá
mais antiga/ancestral da Umbanda.


O que eu escrevo, na verdade,
não é sobre o café e nem sobre a caneta.
É sobre ritmo. É sobre tempo.
É sobre presença.
É sobre o pulsar da vivência.
E isso não é pré-histórico.
É ancestral.


Quando eu falo da água
fervendo na chaleira,
do pó cozinhando antes de ir ao coador,
eu penso em algo que não cabe
na pressa da cafeteira elétrica: o ritual.


O cheiro que se espalha pela casa
como se fosse memória líquida,
isso é quase uma liturgia doméstica.


Quando afirmo que sou de Nanã 💜
isso faz todo o sentido.


Nanã é lama primordial, é o barro antigo,
é o tempo que antecede o tempo.
É a senhora das águas paradas, profundas, densas. Ela não tem pressa. Ela tem paciência.
Ela é "alérgica" á pressa.
Ela sabe que tudo retorna ao útero da terra.
Ser de Nanã não é ser atrasada ou antiga.
Ser de Nanã não é parecer velha nas preferências e ações.


É ser terra fértil e ser raiz.
O mundo corre, eu decanto.
O mundo digitaliza, eu tatuo a página.
O mundo paga com PIX,
eu pago com dinheiro vivo
e presença ativa .


Modernizar-se não precisa significar abandonar o que me constitui.
Pode ser apenas acrescentar ferramentas
sem entregar a alma.


O notebook pode viver sob minhas digitais poéticas, mas a caneta continuará sendo a extensão do meu pulso, do meu corpo,
da minha respiração, do pulsar do meu âmago.


Há algo profundamente político nisso também; escolher o tempo lento
num mundo estantâneo que monetiza a urgência.


Eu não sou pré-histórica,
sou guardiã de um modo lento de existir
que o mundo tenta esquecer....


E no mundo?
Sim!
Ainda há quem escreva à mão.
Ainda há quem ferva água na chaleira.
Ainda há quem escolha sentir o aroma
antes da praticidade.
E isso não é resistência ao progresso.
É fidelidade ao próprio tempo e história.
É lealdade ao próprio ser e existir.
✍©️@MiriamDaCosta

Dar forma ao pensamento por meio das palavras é um ato de resistência contra o esquecimento. Uma ideia registrada em um livro é uma voz que continua sussurrando séculos depois de o autor ter silenciado. Mais do que deixar riquezas, o nosso maior desafio é garantir que o pensamento humano continue respirando através das histórias que decidimos contar.
(Marcelo S. Cruz)

Uma ideia registrada em um livro é uma voz que continua sussurrando séculos depois de o autor ter silenciado."
— Marcelo Cruz

nossa liturgia.

Entre nós há uma distância
que nenhum mapa saberia medir,
porque não se mede em léguas
o que duas almas precisam conter
quando nasceram querendo se encontrar.

Há cidades entre nossos passos,
noites inteiras entre nossas mãos,
e uma espécie de silêncio
que aprendemos a chamar de prudência
para não chamar de paixão.

Tu sabe.
Eu sei.

E talvez seja justamente isso
o que torna tudo tão difícil
não há dúvida que nos salve,
nem inocência que nos proteja.
Há apenas essa certeza mútua,
quieta e quase cruel,
de que se fosse fácil,
nós já teríamos vivido tudo.

Porque há um amor reprimido
morando no intervalo das palavras,
um incêndio educado pela distância,
uma vontade que baixa os olhos
toda vez que o desejo ameaça dizer seu nome.

E quando penso em ti,
não penso somente no encontro.

Penso naquilo que viria depois dele
a demora dos dedos,
o repouso da cabeça junto ao peito,
o abraço que não teria pressa de acabar,
como se nossos corpos finalmente descobrissem
uma língua que a boca jamais aprendeu.

Talvez nossas mãos já se procurem
sem que saibam.

Talvez, em alguma noite distante,
quando o sono demora e o quarto se cala,
tu também imagine minha presença
chegando devagar,
como quem atravessa a escuridão
sem querer acordar a saudade.

E eu te imagino fazendo o mesmo.

Dois desejos separados por quilômetros,
dois corações fingindo serenidade,
duas vontades absurdamente próximas
vivendo em geografias diferentes.

É estranho amar assim.

Ter alguém tão perto do pensamento
e tão longe da pele.

Saber o caminho até os olhos,
mas não poder percorrê-lo.
Conhecer a curva do sorriso,
mas não poder guardar o rosto entre as mãos.
Querer dizer fica
quando tudo ao redor insiste em dizer longe.

E talvez seja por isso
que nosso amor pareça tão pequeno por fora
e tão imenso por dentro.

Porque aquilo que poderia ser vivido
precisa ser imaginado.

O beijo se torna hipótese.
O abraço, memória de um futuro.
O toque, uma espécie de oração
que ambos fazemos em silêncio.

Mas há uma coisa que a distância não conseguiu levar

a vontade.

Ela permanece.

Permanece quando conversamos,
quando nos despedimos,
quando fingimos que certas palavras
não carregam segundas intenções.

Permanece naquela fração de segundo
em que nossos olhos se encontram
e ninguém sabe muito bem
quem desviou primeiro.

E se um dia a distância ceder,
se o acaso for gentil conosco,
se as estradas finalmente resolverem
terminar no mesmo lugar,

não haverá muito o que explicar.

Talvez apenas silêncio.

Porque depois de tanto tempo
reprimindo o que sentimos,
o primeiro toque dirá tudo.

E haverá nos nossos corpos
a estranha familiaridade
de quem esperou demais
por algo que sempre soube reconhecer.

Então talvez descubriremos
que não era exagero,
nem carência,
nem fantasia.

Era somente amor
sem espaço suficiente para acontecer.

E quando houver espaço,
quando não houver mais quilômetros
entre a tua mão e a minha,

não haverá pressa.

Haverá fome de presença.

Haverá o abraço demorado
de quem finalmente pode tocar
aquilo que passou tanto tempo
amando de longe.

E talvez seja essa a nossa tragédia

não nos falta amor.

Se ele tenta ser um navio? Sonhador, você está concretado. Se ele tenta ser uma onda? você não tem força para isso farol volte a me orientar

Há caminhos que não escolhemos conscientemente.


Acreditamos estar seguindo uma direção porque decidimos, porque planejamos, porque desejamos chegar a algum lugar. Mas, em silêncio, existem passos sendo dados muito antes de compreendermos para onde estamos indo.


Talvez o destino não esteja à frente.


Talvez ele esteja escondido naquilo que repetimos sem perceber.


Nos encontros que evitamos. Nas pessoas que nos despertam. Nas portas que se fecham. Nas perdas que nos obrigam a abandonar versões antigas de nós mesmos.


O buscador aprende, depois de muito caminhar, que nem tudo o que parece desvio é afastamento.


Às vezes, perder o caminho conhecido é a única maneira de encontrar aquilo que sempre nos encontrou em silêncio.


Existe uma inteligência misteriosa nos ciclos que insistem em retornar.


A vida repete a lição até que a consciência pare de chamar destino aquilo que ainda é escolha inconsciente.


E talvez seja exatamente nesse ponto que algo desperta.


Quando percebemos que não estamos apenas caminhando por uma estrada.


A estrada também está caminhando através de nós.


Há decisões que tomamos com a mente, mas existem outras que parecem nascer de um lugar mais profundo um lugar sem nome, anterior às palavras, onde a alma talvez reconheça aquilo que o pensamento ainda não consegue compreender.


Por isso, nem sempre saber para onde ir é sabedoria.


Às vezes, sabedoria é perceber o que dentro de você está conduzindo seus passos.


Porque aquele que busca apenas chegar pode atravessar a vida inteira sem perceber quem está caminhando.


Mas aquele que silencia e observa começa a enxergar os sinais.


E então entende:


Talvez eu não esteja perdido.


Talvez eu esteja sendo desconstruído da pessoa que precisava acreditar que sabia o caminho.


E, no momento em que deixamos de exigir respostas para todas as perguntas, algo invisível começa a se revelar.


Não como certeza.


Mas como presença.


E somente quem já se perdeu dentro de si compreenderá que existem caminhos que não levam a lugares.


Levam a despertares.


E talvez você já esteja exatamente onde precisava estar...


Mesmo sem saber.

Lapidar uma pedra preciosa é fácil, o mais difícil é manter o seu real valor, assim é a vida em todos os sentidos!

“Quando a injustiça entra na vida de alguém, a omissão dos outros transforma uma violação individual em fracasso coletivo.”

“Uma Constituição é a promessa de que nenhuma vida será pequena demais diante do poder do Estado.”

“A maior vitória do Direito não é punir quem destruiu uma vida, mas construir uma sociedade na qual destruir uma vida nunca seja fácil.”