Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende

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Nem toda violência quebra uma porta; algumas entram pela linguagem, assinam documentos e aguardam que a história as absolva.

O verdadeiro teste de uma Constituição não está no tratamento que reserva aos fortes, mas no limite que impõe contra eles.

Valor é a transformação percebida por alguém como consequência de uma entrega.

A civilização começa quando o poder aceita perder uma disputa sem destruir o adversário.

Toda violência institucional começa com uma pequena exceção concedida à dignidade de alguém.

"Eis a real condição do falsário: longe de representar uma ameaça real, revela-se apenas como uma figura trágica, encarcerada na própria insignificância."

- Leandra Pinheiro

“As palavras, uma vez ditas, jamais voltam a se juntar ao silêncio de onde vieram.”

Tenha uma vida de solução, não fique a espera da felicidade no vazio, a nossa vida é cheia de problemas, seja feliz enquanto você os resolve.

A vida é uma luta contra a entropia. Quanto menos lutarmos, mais livres seremos.

Uma hora, cada fragmento encontra o seu lugar e tudo o que parecia disperso revela o caminho que eu estava construindo.

A mente humana se adapta a tudo, menos a uma falta de rotina.Nesse emaranhado é que mora a loucura !




_James Richard

utopia?

Tem dias em que acordar parece menos um começo e mais uma conferência.

Antes mesmo de levantar da cama, existe uma lista invisível esperando por ele. Não são grandes sonhos escritos em papel, nem promessas bonitas feitas para o futuro. São necessidades pequenas, quase ridículas quando colocadas lado a lado, mas que juntas dizem muito sobre quem ele se tornou.

Precisa de dinheiro. Não pelo dinheiro em si, mas pela tranquilidade que ele promete. Precisa guardar, investir, construir alguma coisa que permita olhar para a velhice sem sentir que o futuro é uma ameaça. Existe uma vontade cada vez maior de sair do lugar onde está, conhecer outro país, aprender outra língua, começar de novo em algum canto onde ninguém saiba seu nome.

Precisa ser forte também.

E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis.

Porque existe uma contradição nele que ninguém vê de primeira. Por fora, aprende a ser durão. Engole certas palavras, segura algumas vontades, finge que determinadas coisas não doem. Mas por dentro continua sendo sentimental demais. Ainda se importa. Ainda espera. Ainda sente falta. Ainda consegue transformar uma conversa pequena em alguma coisa enorme dentro da cabeça.

Precisa falar com alguém.

Não necessariamente para ser aconselhado. Às vezes, só precisa encontrar alguém que também esteja cansado de guardar coisas dentro de si. Alguém que não tenha medo do silêncio depois da conversa. Alguém que entenda que existem sentimentos que não querem solução, só companhia.

Precisa escrever também.

Talvez seja por isso que transforma tanta coisa em texto. Porque quando não consegue dizer, escreve. Quando não sabe para quem falar, escreve. Quando alguma lembrança insiste em voltar, escreve. Como se cada palavra colocada no papel fosse uma maneira de impedir que alguma parte dele desaparecesse.

Precisa de uma vitória do Palmeiras, dessas que fazem o mundo parecer menos complicado por algumas horas. Precisa de uma música certa no momento certo. Precisa de uma noite em que o celular fique virado para baixo e a cabeça finalmente fique quieta. Precisa rir de alguma coisa idiota. Precisa encontrar motivos pequenos para continuar acreditando que a vida não é feita apenas das coisas que deram errado.

Precisa cuidar da família.

Precisa cuidar de si.

Precisa ter fé, mesmo quando não entende muito bem o que está esperando.

E, principalmente, precisa de carinho.

Talvez esse seja o item mais difícil de admitir.

Porque dinheiro se procura. Trabalho se conquista. Uma passagem pode ser comprada. Um idioma pode ser aprendido. Um carro pode ser trocado. Uma cidade pode ser deixada para trás.

Mas carinho não funciona assim.

Carinho precisa vir de alguém.

E talvez por isso ainda exista, em algum canto dele, aquela pergunta que não sabe morrer, será que alguém ainda gosta dele? Será que alguma pessoa ainda pensa nele quando uma música toca? Será que alguém sente vontade de mandar uma mensagem e desiste? Será que existe alguém passando pela mesma rua, no mesmo horário, carregando uma saudade que ele desconhece?

Ele não precisa necessariamente de uma resposta.

Precisa apenas saber se ainda existe alguma coisa esperando por ele do outro lado.

E é curioso perceber que, no meio de tantos planos grandes, ele ainda se pega querendo entender coisas pequenas.

Por que o coração insiste justamente onde a razão já colocou uma placa dizendo para não entrar?

E, no fim, talvez seja essa a maior contradição da vida adulta, a gente passa anos tentando descobrir como construir um futuro, enquanto continua fazendo perguntas que parecem ter sido inventadas na infância.

Ele quer dinheiro, uma casa, uma vida em outro lugar, estabilidade, conquistas, viagens, histórias.

Mas também quer ser compreendido.

Quer alguém para conversar.

Quer alguém para amar.

Quer alguém que olhe para toda essa confusão e, em vez de perguntar por que ele é assim, simplesmente diga que entende.

Talvez seja isso que ele esteja procurando.

Não uma vida perfeita.

Só uma vida em que suas necessidades não pareçam exageradas.

Uma vida em que possa ser forte sem precisar esconder que sente.

Em que possa ir embora sem sentir que está fugindo.

Em que possa construir o futuro sem precisar abandonar tudo o que ainda sente.

E talvez, no fundo, ele tenha acordado naquela manhã apenas para descobrir que ainda precisa de muita coisa.

Mas também descobriu uma coisa importante

ainda existe vontade.

E enquanto houver vontade de conhecer o mundo, ganhar dinheiro, escrever, amar, cuidar, acreditar, viajar, torcer, recomeçar e entender por que certas coisas são proibidas sem que ninguém saiba explicar direito…

ainda existe vida acontecendo.

Mesmo que, as vezes, ela pareça apenas uma longa lista de coisas que ele ainda precisa.

Estar perdida em minha própria mente deixou de ser uma confusão passageira.


Passou a ser o peso de não saber qual o meu lugar no mundo.


A sensação de estar viva, mas sem um destino exato. Onde cada escolha parece errada ou vazia.


O futuro é inconsistente e assustador.

Em alguns dias, você percebe que sustentar uma decisão é muito mais difícil do que tomá-la.

Nos afastamos sem querer daquilo que amamos. É a alma se defendendo de uma dor que ainda não sabe nomear.

O momento mais forte da sua vida não será quando você ganhar uma batalha, mas quando, destruído, você decidir se reconstruir.

Sentir falta de algo que ainda não foi embora é uma das dores mais silenciosas que existem. Tudo passa, e saber disso deveria nos tornar mais presentes, não mais ansiosos.

Vivemos tempos sombrios de uma geração que se ofende com tudo e sofre por nada. Isso é ridículo.

O curioso caso do progressismo que só traz retrocesso. Há uma ironia cruel em chamar de avanço o abandono de tudo que foi construído com esforço e acerto. No fim, o nome certo para isso é ruína.

Uma das maiores sabedorias da vida é aprender a esquecer quem saiu dela por causa de problemas, e parar de deixar que pessoas ruins do passado influenciem nosso presente.