Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende

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"Para o uso da inteligência artificial, é necessária uma inteligência natural, sustentada em conhecimento real."

Meia noite e cinquenta


Razão...
Um cérebro.
Uma massa encefálica.
Ligações neurais.
Emaranhado de neurônios.
Eletricidade.
Raciocínio.


Como posso eu
Nascer de tal barro?
Ser filho da racionalidade?
E em meio a madrugada
de uma segunda-feira
Não conseguir dormir
Por causa de você


Como posso eu
mesmo sabendo
que terei de acordar cedo,
Que estarei cansado
Escrever um poema
Por causa de você


Mas é claro que eu,
Eu sei a resposta
E me sinto à vontade
de dizer para ti


Não consigo dormir
Por causa do teu xampu de amêndoas
Por causa do teu riso descontraído
Por causa do que vivemos até aqui


Não consigo dormir
Por causa da tua voz que ecoa no quarto
Por causa dos teus olhares que desarmam
Por causa do teu toque que me acende


Não consigo dormir
Por causa da nossa vida
E dessa minha racional memória
Que me lembra que estou sozinho


E é por isso que em meio a madrugada
Meia noite e cinquenta
Me sinto na rua
Mesmo sob macio colchão


E é por isso que perco o sono
Por causa de você
E sei que isso não será explicado
Razão...

A cidade respira em mim como uma ausência iluminada — janelas acesas que não aquecem, prédios que se erguem como lembranças que não voltam — e no meio desse concreto, há um silêncio que grita teu nome, como se Hilda Hilst sussurrasse ao pé do ouvido que amar também é perder-se em si, enquanto Caio Fernando Abreu me ensinaria que a dor tem um jeito bonito de permanecer, quase digna, quase fé, e ainda assim, caminho — meio quebrado, meio inteiro — porque existe algo maior que essa penumbra que insiste em ficar, algo que pulsa mesmo depois da despedida, algo que H. G. Wellington talvez chamasse de força invisível: essa estranha coragem de continuar, mesmo quando tudo dentro de mim ainda está indo embora.

Um milhão de mundos

Em São Paulo, no mesmo dia,
atravessei um milhão de mundos.

Havia uma cidade em cada esquina,
uma vida atrás de cada vidro,
um adeus parado no semáforo
e um sonho correndo atrasado
entre ônibus, prédios e buzinas.

Passei por lugares
onde ninguém sabia meu nome,
mas todos carregavam nos olhos
alguma coisa que também era minha:
a pressa, o medo, a esperança,
a vontade secreta de chegar.

A cidade mudava de rosto
enquanto eu seguia.

Ora era cinza.
Ora era ouro.
Ora era uma menina sob a chuva,
um homem dormindo na calçada,
uma senhora segurando flores
como quem ainda acreditava no mundo.

E eu, tão pequeno
dentro de tanta imensidão,
levava comigo cidades inteiras
que ninguém podia ver.

Porque há viagens
que não se medem em quilômetros.

Há dias em que atravessamos
um milhão de mundos
sem sair da mesma cidade.

E, quando a noite finalmente caiu
sobre São Paulo,
eu já não era aquele
que havia saído de casa.

Era todos os caminhos.
Todas as perdas.
Todas as luzes acesas
nas janelas dos outros.

Era uma cidade também.
Sao Paulo 13 de julho de 2026
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Uma vez peguei no sono e morri; quando fui ver, acordei nesse corpo, renasci.

A sombra é uma referência da natureza para te lembrar que você é a sua melhor e mais leal companhia.

Estar vivo é uma dádiva; viver é um privilégio.

Tudo é uma única existência, e todos nós somos existências de tudo.

A velhice é uma tristeza,
para quem viveu de aparência;
e uma alegria,
para quem viveu de amor.

Penso com o coração, pois a razão foi programada a viver uma ilusão.

O medo é uma barreira invisível; ou você atravessa, ou essa ilusão te impede.

O apego é uma das causas mais profundas dos problemas emocionais, porque, ao nos apegar a algo, geramos o medo de perder aquilo que seguramos. Esse medo alimenta a ansiedade, a insegurança e a dor. Normalmente, nos apegamos a sentimentos, pensamentos, ações, a eventos do passado, a expectativas do futuro, ao tempo que passou ou ao que ainda está por vir, a pessoas, a lugares, ao lar, ao conforto, ao trabalho, à família, aos amigos, aos objetos e até ao nosso próprio corpo. Quando nos apegamos, ficamos presos a essas coisas, como se dependêssemos delas para nossa satisfação ou identidade. E, ao não querer soltar, nos tornamos reféns do que nos segura, o que impede qualquer mudança verdadeira em nossas vidas.


Esse apego cria um ciclo: quanto mais seguramos, mais nos tornamos prisioneiros do que não conseguimos libertar. Apegados, nos fechamos para novas experiências, para o novo que poderia nos trazer crescimento, aprendizado e autonomia. O apego nos impede de mudar, de crescer e, consequentemente, de aliviar o sofrimento que ele próprio cria. Porque, enquanto mantivermos esse apego, o problema continuará a se manifestar, de forma repetitiva, até que sejamos capazes de desapegar, de soltar aquilo que já não serve mais. A verdadeira mudança vem quando aprendemos a liberar, a desapegar, a permitir que o fluxo natural da vida aconteça sem medo, sem resistência. Só assim a gente para de sofrer, fica mais tranquilo internamente e aprende a viver sem ficar tão apegado as coisas.

Há uma "doença psicológica" para quase tudo, então, por que não criar uma para os gananciosos que roubam trilhões das pessoas ao redor do mundo? Devemos colocá-los em uma camisa de força, tomando injeção, dentro da cadeia.


Porque não é sinal de saúde mental correr atrás desesperadamente de tanto dinheiro, quando sabemos que toda essa riqueza ficará para trás quando a vida terminar.

Se uma pessoa é capaz de me desanimar de algo, talvez esse algo não era algo que eu no fundo gostava tanto assim...
Ninguém é capaz de me desanimar de algo que eu no fundo quero.

A mídia, ao colocar os holofotes sobre a política, funciona como a mão visível de uma distração cuidadosamente orquestrada. Enquanto isso, a outra mão, invisível aos olhos da maioria, pertence aos verdadeiros dominantes: banqueiros, filantropos, mega-empresários, grandes investidores e financiadores. São eles que movem as peças nos bastidores, longe das câmeras e do debate público, moldando decisões que lentamente esvaziam nossos direitos e conquistas.


Esse jogo é como um truque de mágica: somos levados a focar na mão que está à vista — debates políticos, brigas partidárias, escândalos e promessas — enquanto a verdadeira ação acontece fora do nosso campo de visão. É nesse movimento escondido, silencioso e estratégico, que os direitos desaparecem, que as leis mudam, que as condições se tornam cada vez mais desfavoráveis ao povo.


Quando finalmente percebemos o que foi feito, o truque já está completo, e os danos já foram causados. Mas poucos se perguntam como aconteceu. Por que não notamos? Porque estávamos distraídos, mirando a mão que gesticulava para chamar nossa atenção, enquanto ignorávamos a mão que realmente conduzia o espetáculo.


A questão é: quando vamos parar de nos deixar distrair por esses movimentos óbvios e começar a observar o que realmente importa — os bastidores, as conexões, os interesses maiores? Afinal, a mágica só funciona enquanto acreditarmos no que nos é mostrado e não olharmos além do que nos é permitido ver.

A política é como uma peça de teatro... Os políticos são um conjunto de atores que interpretam, falam e agem conforme os diretores e roteiristas querem. E os diretores e roteiristas são os banqueiros, investidores, megaempresários, financiadores de campanha, que não se expõem ao público, que estão atrás da cortina, nas sombras, no escuro, apenas escrevendo, ditando e orientando o que os políticos, os atores, devem fazer para entreter e fantasiar a peça para o público. E o público somos nós, que pagamos para ver essa peça diariamente, influenciados pelos cartazes que divulgam essa peça: a mídia. Uma peça que nos distrai, distorce e muda a realidade, para que fiquemos abobalhados, assistindo ao teatro e comentando, intelectualizando apenas o que estamos vendo, que são os atores, esquecendo que quem escreveu, ditou e orientou esses atores, está atrás das cortinas, planejando, investindo, financiando, chantageando e criando novas peças para fantasiar, iludir, enganar, superficializar e imbecilizar o público cada vez mais com um teatro barato, visando o lucro à custa dos seus espectadores.

Apenas uma sugestão:


O termo "obrigado" antigamente tinha um sentido de pergunta, algo como: "foi obrigado?" E, normalmente, a pessoa respondia: "não, de nada."


Com o tempo, esse termo foi se transformando e passou a ser usado como um cumprimento ou uma forma de agradecimento. Então, hoje em dia, a gente diz "obrigado" e a resposta costuma ser "de nada."


No entanto, o uso constante e repetido da palavra "obrigado" acaba influenciando a nossa percepção, principalmente de forma inconsciente. A repetição desse agradecimento começa a transformar a palavra em uma ordem, em uma rotina, algo que sentimos que precisamos fazer, quase como uma obrigação. E, sem perceber, acabamos nos tornando "escravos" dessa obrigação de agradecer de maneira automática, sem realmente sentir o significado por trás. Em vez de ser um agradecimento espontâneo, ele se torna algo mecânico, deixando de ser uma expressão livre e natural de gratidão, e se tornando uma obrigação imposta pela própria rotina.

A alma e o corpo são uma única junção: A vida.

O sofrimento interno é a paz que não aceita sentir em uma determinada situação; aceitando a paz nessa situação, o sofrimento passa.

Quer ajudar uma pessoa de verdade mesmo? Entre na mesma situação que ela e mostre como sair; se você não sair, é porque precisa de ajuda também.
E quem precisa de ajuda não pode ajudar quem precisa.