Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende
De repente escuta uma música que abre uma caixinha supostamente trancada: a da saudade. Advém uma dor no peito, de um sonho que partiu, virou passado, mas ficou. Dos olhos caem lágrimas — uma homenagem sincera, digna e silenciosa do coração.
Nos dias de hoje, ler boas notícias está se tornando uma verdadeira utopia; mais raro ainda é poder vê-las ou ouvi-las nos meios de comunicação. A narrativa predominante parece sempre alimentar o medo, o conflito e o desencanto, relegando ao silêncio as pequenas conquistas e os gestos que poderiam inspirar esperança. Nesse cenário, a ausência de boas notícias não significa que elas inexistam, mas sim que deixaram de ocupar o espaço que merecem na vida coletiva.
Do nada, chega uma mensagem e aí constata que foi desarquivado por um passado em que foi muito amado, porém com melancólico final. Duas hipóteses: curiosidade mórbida para saber se ainda está vivo; ou, apesar dos muitos anos passados, sugere que ficou algo de si. À luz do romantismo, a primeira hipótese.
Saber que sentiu e fez sentir bater forte um coração por amor, amou e foi amado, no singular, uma única vez, valeu toda a existência; não foi em vão. Cumpriu a missão dada pelo Universo e a ele retornará habilitado, pelo êxito.
Conhecer alguém distante, estabelecer uma conexão intuitiva e até hipnótica, sentir o estímulo para superar precipícios, construindo pontes — sendo o tempo engenheiro e o amor arquiteto — tudo lindo e bacana até a execução do projeto. Surge então o divisor de águas entre o sonho e a realidade. O tempo, esse engenheiro, será sempre o soberano da verdade.
Das cores primárias vermelho, azul e amarelo, fazemos uma infinidade de tons e matizes; assim como, a partir de cinco sabores: doce, salgado, azedo, amargo e picante, criamos combinações inesgotáveis de paladares. Agora, de um único limão, azedo ou ácido, se expande e se multiplica: adoçado, vira limonada, um refresco muito apreciado. Amassado, com casca e tudo, adicionando cachaça e açúcar, uma delícia, quase divina, a caipirinha. Sem o seu efeito, será que podemos comparar o limão ao amor?
Um menino em seu quarto, deitado na cama sob o olhar de uma lua bisbilhoteira pela janela; uma rádio de pilhas Sharp ouvindo ‘All My Loving’ dos Beatles; o mundo pegando fogo com a Guerra Fria; e sonhando em reencontrar a menina que colocou um Drops Dulcora em sua boca na matinê de domingo.
Quantos esqueceram, ou guardam uma saudade incomensurável de coisa tão simples, tão delicada, por não dizer tão lúdica: passear pela natureza de mãos dadas com quem amamos, com o sorriso das flores, a bênção do sol e a felicidade no coração.
Muita gente não percebe a verdadeira dimensão de uma amizade fraterna e sincera: uma via de mão dupla, de tráfego intenso, sob patrocínio do coração — um presente que nos damos.
Esperança é uma coisa que dá e passa? Não! A pergunta para lembrar que a Esperança é uma busca. Esperança é continuidade, é estímulo. Esperança não pode passar; tem que ficar, prosperar e se materializar. Esperança é a maior inimiga do caos e a fiel companheira da vida.
Dia após dia, num presente bobão ou autista, cujo passado esconde a saudade, sendo a realidade uma metáfora da vida, padecendo de uma perene mitomania, dentro de um sufocante avatar, que tudo dissimula num palco de alegria.
Diante de uma considerável diferença de idade, por medo, covardia ou insegurança, faz um dos amantes renunciar à união. Aí vem um genial filósofo mundano e rotula como: antagonismo temporal, fincado na pedra da solidão, e o amor, náufrago, penitenciado eternamente no mar do esquecimento.
Uma boa evidência e alerta é quando os próximos passam a ficar distantes: é o sintoma de que você virou um ‘chatão’. Aliás, que fique registrado: se os próximos não reclamaram e sumiram à ‘francesa’, nunca foram. Duas, uma: recorra à psicanálise ou ligue o ‘foda-se’, assuma o ‘chatão’ e saia do armário. Assim, quem sabe, seja realizado, feliz e passe a ter próximos, ou melhor, amigos de verdade.
Uma reflexão sobre um adjetivo e um verbo: sensorial e sentir.
Sensorial é o físico: visão, audição, olfato, tato e paladar, como o toque de um abraço, o cheiro de alguém querido, o som da voz que conforta.
Sentir é muito mais amplo: pode ser físico, emocional ou até metafísico. Não depende apenas dos sentidos; pode existir mesmo à distância, sem contato físico, como quando sentimos alguém que não está presente.
Amor é sentir.
O Ofício da Escuta
Escolher a psicanálise como profissão nunca foi apenas sobre seguir uma carreira; foi sobre atender a um chamado para habitar o humano em sua forma mais pura e singular.
Nenhum dia na clínica é igual ao outro. Entre o dito, o silêncio e o nascer das palavras, tenho o privilégio de acompanhar o desatar de nós antigos e a reconstrução de histórias que pareciam estagnadas.
Ser psicanalista é aprender a arte de escutar o que a alma sussurra nas entrelinhas, oferecendo um espaço seguro onde o sujeito possa, finalmente, se reencontrar.
Amo a psicanálise porque ela me ensina, diariamente, que a dor não precisa ser o fim, mas o ponto de partida para a transformação. É um trabalho de paciência, respeito e constante descoberta — e não há nada mais gratificante do que testemunhar alguém se tornando autor da própria vida.
-Lírio Branco-
Há em ti uma leveza
que o mundo desconhece.
Caminhas como quem já encontrou repouso,
como quem fez da paz a própria morada.
Perguntei-me muitas vezes
de onde vinha tamanha serenidade.
Então compreendi.
Deleitas-te nas graças do Criador,
tocada pela luz da Verdade,
tecida no tear do universo.
Em Deus fizeste tua morada
e, em águas tranquilas, repousaste,
ancorada para sempre no cais do Divino,
onde o mal já não alcança.
Devota fiel,
que se entrega de corpo e alma
e, despindo-se de si,
reveste-se da graça.
Doce Lírio Branco,
encontras a luz nova do que nunca foi velho:
a eterna claridade
daquele que tudo sustém
e de quem toda vida transborda.
Assim te revelas,
não pelas palavras,
mas pelo reflexo do Senhor
que transborda em teus gestos.
Na tua bondade,
na tua humildade,
na delicadeza com que atravessas os dias,
há algo que o mundo não consegue explicar.
És, sem o saber,
o maná dos que caminham sem fé,
pois tua própria vida
lhes recorda
que Deus ainda habita entre os homens.
Em uma gestão de riscos ocupacionais, um plano de ação não pode ser apenas uma carta de boas intenções; deve constituir um conjunto de medidas estruturadas a serem implementadas para garantir o controle eficaz dos riscos identificados.
Uma alma entrelaçada à minha.
Há momentos em que nem mesmo o dinheiro — e muito menos o status — consegue nos fazer bem.
Às vezes, tudo o que precisamos é estar ao lado de quem amamos, compartilhando um vinho bom e barato, relembrando histórias da infância e rindo dos micos que cometemos — por erro ou por escolha.
São risos borbulhantes, daqueles que explodem e, depois, parecem se transformar em borboletas coloridas de felicidade, levando consigo pensamentos leves e desejos de um bem maior.
E, então, a vida se torna colorida. Os sorrisos se intensificam e se transformam em gargalhadas abundantes. Porque existem momentos simples que valem mais do que qualquer dinheiro ou status.
Você sempre foi — e sempre será — uma alma entrelaçada à minha.
Te amo, minha irmã.
Te amo, Ni.
Não é porque o meu amor por uma pessoa é para toda a vida que o meu relacionamento com ela também precisa ser.
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