Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende
Em uma profunda lucidez, não estamos vivendo, na verdade estamos morrendo a cada segundo que passa, talvez essa compreensão lhe faça viver melhor.
Crônica
O Amor Que Muda de Endereço
Existe uma verdade sobre pais e filhos que raramente é dita em voz alta.
Eles se amam muito mais do que conseguem demonstrar.
Talvez porque o amor familiar não seja feito apenas de abraços e palavras bonitas. Muitas vezes ele vem disfarçado de preocupação, de cobrança, de conselhos que ninguém pediu e até de discussões que parecem não ter fim.
Quando somos crianças, enxergamos nossos pais como gigantes.
Eles sabem tudo.
Resolvem tudo.
Protegem de tudo.
Mas o tempo passa.
E os gigantes começam a parecer pessoas comuns.
Começamos a enxergar seus defeitos, suas limitações, seus erros e suas fraquezas.
É justamente aí que surgem os conflitos.
Os pais acreditam que os filhos ainda precisam de orientação.
Os filhos acreditam que já sabem caminhar sozinhos.
E entre uma opinião e outra, muitas palavras deixam de ser ditas.
O pai que queria dizer "tenho orgulho de você" acaba perguntando apenas se o trabalho está indo bem.
A mãe que desejava dizer "sinto sua falta" limita-se a perguntar se o filho está se alimentando direito.
E os filhos, por sua vez, também escondem sentimentos.
Querem agradecer.
Querem reconhecer.
Querem demonstrar carinho.
Mas imaginam que ainda haverá tempo.
E assim os anos passam.
As conversas tornam-se mais curtas.
Os encontros mais espaçados.
As responsabilidades mais numerosas.
A vida segue seu curso.
Como sempre segue.
Até que um dia acontece algo curioso.
Os filhos tornam-se pais.
E aquilo que antes parecia exagero começa a fazer sentido.
As noites mal dormidas.
As preocupações silenciosas.
Os medos escondidos.
Os conselhos insistentes.
Tudo ganha uma nova interpretação.
Pela primeira vez, eles conseguem enxergar o mundo pelos olhos de seus próprios pais.
Mas a vida ainda guarda outra surpresa.
Os netos.
Ah, os netos...
Eles chegam sem pedir licença e transformam novamente a dinâmica da família.
É como se abrissem uma janela que permaneceu fechada durante anos.
Aquele pai sério torna-se brincalhão.
Aquela mãe exigente transforma-se em uma avó paciente.
As regras ficam mais leves.
As broncas mais raras.
Os abraços mais demorados.
E os filhos observam tudo isso em silêncio.
Às vezes sorrindo.
Às vezes refletindo.
Às vezes sentindo uma pontada difícil de explicar.
Porque não é inveja.
Também não é mágoa.
É apenas a percepção de que aquele carinho tão espontâneo talvez tenha existido dentro dos pais o tempo inteiro, mas não encontrou espaço para ser demonstrado daquela forma.
Os avós, por sua vez, também mudaram.
A experiência ensinou que o tempo corre depressa.
Que as oportunidades não voltam.
Que algumas palavras deveriam ter sido ditas.
Que alguns abraços poderiam ter sido mais longos.
E sem perceber, acabam oferecendo aos netos aquilo que a vida lhes ensinou tarde demais.
Não porque amem mais os netos do que os filhos.
Mas porque aprenderam a amar de maneira diferente.
Os filhos observam.
Sentem.
Refletem.
E, no íntimo, compreendem mais do que dizem.
Porque a maturidade ensina algo importante:
Nem todos os vazios serão preenchidos.
Nem todas as explicações chegarão.
Nem todos os pedidos de desculpa serão feitos.
E está tudo bem.
A vida não é uma novela.
Não existem roteiristas escrevendo finais perfeitos.
Não há música tocando ao fundo quando percebemos nossos erros.
Não existe um capítulo seguinte para corrigir cada palavra mal colocada.
A vida real é mais simples.
E também mais dura.
Ela é feita de pessoas imperfeitas tentando acertar.
De pais que amam, mas nem sempre sabem demonstrar.
De filhos que sentem, mas nem sempre sabem falar.
De famílias que carregam cicatrizes e, ainda assim, continuam caminhando juntas.
Podemos passar a vida inteira nos torturando pelo que faltou.
Ou podemos compreender aquilo que existiu.
Porque, apesar dos conflitos, dos desencontros e dos silêncios, o amor sempre esteve lá.
Talvez escondido.
Talvez desajeitado.
Talvez tímido.
Mas presente.
E quando vemos nossos filhos correndo para os braços dos avós, percebemos uma das maiores lições da existência.
O amor não desaparece.
Ele apenas muda de forma.
Muda de linguagem.
Muda de endereço.
E continua seguindo seu caminho através das gerações.
Talvez não exatamente como gostaríamos.
Mas exatamente como a vida permite.
E, no final das contas, aprender a aceitar isso também é uma forma de amar.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
Março chegou com 31 dias na bagagem, 31 possibilidades de fazer mais uma vez, 31 oportunidades de fazer do jeito certo.
"Diante de grandes problemas, mais importante do que a ânsia de resolvê-los é adotar uma estratégia correta, calculada e bem planejada."
A Vida Entre o Quase e o Aconteceu
Existe uma curiosidade sobre a vida que só percebemos quando olhamos para trás.
Quando somos crianças, acreditamos que tudo é possível. O mundo parece pequeno diante da nossa imaginação. Um cabo de vassoura vira cavalo, uma caixa de papelão transforma-se em castelo, e uma simples tarde de chuva é suficiente para criar aventuras que nem os adultos conseguem compreender.
Nessa época, os sonhos não conhecem limites.
Queremos ser astronautas, jogadores de futebol, cantores, heróis ou qualquer coisa que nos faça sentir especiais.
O mais bonito é que acreditamos de verdade.
Mas o tempo passa.
E a infância, sem pedir licença, entrega lugar à adolescência.
Talvez seja aí que os primeiros desencontros aconteçam.
O espelho começa a mostrar alguém diferente.
O coração passa a bater mais forte por motivos desconhecidos.
Surge aquele amor impossível pela menina da escola, pelo rapaz da sala ao lado, por alguém que muitas vezes nem sabe da nossa existência.
Passamos horas ensaiando palavras que nunca serão ditas.
Criamos diálogos perfeitos que jamais acontecem.
Vivemos encontros imaginários e colecionamos desencontros reais.
Mas seguimos em frente.
Porque a juventude tem essa estranha capacidade de transformar decepções em combustível.
Então chega a fase em que acreditamos que já sabemos tudo.
Escolhemos profissões.
Fazemos planos.
Desenhamos o futuro como quem traça uma estrada reta em um mapa.
Só esquecemos de um detalhe.
A vida raramente segue o mapa.
Ela prefere os atalhos.
As curvas.
Os desvios inesperados.
Muitos encontram o emprego dos sonhos.
Outros descobrem que o emprego dos sonhos não era exatamente aquilo que imaginavam.
Há quem encontre o amor cedo.
Há quem espere anos por ele.
Alguns constroem castelos.
Outros precisam aprender a reconstruí-los depois que desabam.
E assim vamos colecionando experiências.
Os anos passam.
Os encontros continuam acontecendo.
Novos amigos surgem.
Outros seguem caminhos diferentes.
Algumas pessoas chegam para ficar.
Outras apenas passam, deixando ensinamentos que só compreenderemos muito tempo depois.
Também existem as frustrações.
A promoção que não veio.
O negócio que não deu certo.
O namoro que terminou.
O projeto que ficou pela metade.
A oportunidade perdida por poucos segundos.
São momentos difíceis.
Porque ninguém cresce imaginando os "nãos" que ouvirá pelo caminho.
Mas eles chegam.
E quando chegam, doem.
Porém existe algo curioso nas derrotas.
Elas quase sempre ensinam aquilo que as vitórias nunca conseguem explicar.
Então a vida continua.
Casamos.
Criamos filhos.
Mudamos de cidade.
Mudamos de opinião.
Mudamos de sonhos.
E, sem perceber, vamos mudando a nós mesmos.
Chega uma fase em que passamos mais tempo lembrando do que planejando.
As conversas ficam mais profundas.
As prioridades mudam de lugar.
Aquilo que parecia indispensável perde importância.
E coisas simples passam a valer ouro.
Um almoço em família.
Uma ligação inesperada.
Uma tarde tranquila.
Um abraço sincero.
Percebemos que a felicidade nunca esteve tão longe quanto imaginávamos.
Ela apenas se escondia nos detalhes.
Mesmo assim, a vida continua nos surpreendendo.
Porque sempre existe algo por acontecer.
Um novo amor.
Um novo trabalho.
Um novo projeto.
Uma nova amizade.
Uma nova chance.
Talvez seja esse o grande segredo.
A esperança.
Ela é a única companheira que atravessa todas as fases da nossa existência.
Está presente na criança que sonha.
No adolescente que ama.
No jovem que planeja.
No adulto que trabalha.
E também naquele que já viveu muito e continua acreditando que o amanhã pode ser melhor.
A esperança não envelhece.
Não se aposenta.
Não desiste.
Ela permanece sentada em algum canto do coração, esperando o momento certo para nos lembrar que ainda há páginas em branco para serem escritas.
E talvez a vida seja exatamente isso.
Uma sucessão de encontros e desencontros.
De expectativas e frustrações.
De planos que dão certo e de caminhos que precisam ser refeitos.
Mas, acima de tudo, uma jornada onde a esperança nunca deixa de caminhar ao nosso lado.
Porque enquanto houver esperança, sempre existirá um novo capítulo esperando para acontecer.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
Fé não é ausência de medo, mas sim a convicção que existe uma força maior operando a favor de quem crê no impossível de Deus.
Existem milagres que acontecem em silêncio e fazem toda a diferença:
Despertar sem sofrer.
Uma profissão que te dignifica.
A confiança que o melhor está por vir.
A fartura na mesa.
O carinho de quem nos quer bem.
A segurança do retorno para casa.
Deus costuma responder não com grandiosidades, mas com delicadeza.
O incrível sempre habitou o simples, só precisamos lembrar de prestar atenção.
Silvio Bueno.
A vida é o intervalo sagrado entre o nascimento e a morte, uma oportunidade de lapidar a alma até que ela esteja pronta para regressar à Fonte de onde veio.
O TEMPO.
A lentidão do tempo é uma tortura para os que esperam, e de uma rapidez exagerada para os que tem medo, longo para os lamentadores, um tanto curto para os que festejam. Mas para os que sabem o verdadeiro sentido de saber amar ELE é eterno. Por isso não vou mais me perder nas dúvidas, pois ela já me fez perder muito pelo simples medo do risco... E hoje já no limiar de minha vida não tenho mais tempo para temer nada, muito menos o desconhecido.
Naquele momento.. Pela primeira vez na minha vida... Senti que estava tendo uma conversa de verdade com outras pessoas.
- Blue Period
Escolher fazer o bem às pessoas é uma escolha e tanto.
Neste mundo de ruínas humanas, que possamos cultivar flores nas rachaduras do asfalto. Escolher não piorar as situações e tentar oferecer sorrisos leves. Sem julgamentos, sem pesos desnecessários.
Há pessoas cuja alma é delicada e forte, mas que, por não se sentirem seguras entre as ruínas, acabam se desumanizando a ponto de desistirem da própria vida. Que o amor ao próximo nos lembre da importância de olhar para o outro e abraçá-lo, independentemente de qualquer coisa.
Às vezes, o mundo de alguém somos nós. Por isso, devemos escolher nos tornar mundos melhores.
Que possamos educar a nós mesmos e aos nossos filhos para combater as dores que infligimos ao outro.
Pela preservação da vida.
' DOR DE SAUDADE '
Sem você a noite é fria
A saudade é uma dor que dilacera
No meu peito arde e espera
Quem sabe, um dia você voltará.
Só conhece a dor da saudade
O coração que chora em silêncio
De tanto tanto amar !
Contemplo a lua, as estrelas...
E cada vez tenho mais certeza
Desse grande amor sem fim
O tanto que te desejo,
Aqui pertinho de mim.
É Então que minh'alma voa
Voa longe pensando em ti.
Seja noite, seja dia
Estás sempre em minha mente
Mesmo que não esteja presente
Logo meus lábios sente
O gosto de seus beijos
Impregnando-me de amor
Como uma abelha que beija a flor !
Então me dou conta de como a
Saudade doi sem você aqui,
Nesse anseio chego a sentir seu calor,
Mas nada é tão difícil
ou impossível
Que não possa viver novamente
Contigo esse nosso amor!
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98
O casamento é um compromisso em que o casal se une para crescer junto, construindo uma história de conquistas, com respeito e companheirismo.
30/06/26
Xícara de Café
Sinto-me solitária,
como uma xícara de café
esquecida num canto qualquer
de uma mesa bagunçada,
cercada por papéis importantes.
Parece que tudo ao redor
merece mais atenção do que eu.
Escrevo porque dói.
Não é uma dor do corpo.
É uma dor que atravessa a alma,
que se instala na mente
e encontra abrigo no peito.
Dói tanto
que as palavras se tornam pequenas demais
para explicar o que sinto.
Talvez seja por isso
que eu recorra à fumaça.
Não porque eu goste dela,
mas porque sua breve brisa
anestesia aquilo
que já não consigo suportar.
Não sou alguém forte o bastante
para fingir que está tudo bem.
Sou apenas alguém frágil.
Tão frágil
que evita até cruzar o olhar da própria mãe,
com medo de encontrar, nos olhos dela,
uma decepção
que talvez exista apenas dentro de mim.
E isso dói.
Dói de um jeito
que minhas mãos quase desistem
antes mesmo de terminar este poema.
Estou com o coração ferido.
E, enquanto tento sobreviver,
sou julgada
por não saber
como deixar de doer.
O que faltou?
O que me moldou?
Onde me falhou?
O que me mandou?
Só parar de sentir
Por uma só vez
Já que não tenho a mentir
O que eu posso dizer?
Para você?
Me faltou algo sim
Mas o que foi que fez faltar?
Não tenho ninguém aqui
Para dizer e me soltar
Com tudo que sinto
Eu não queria trancar
Leve a carruagem
Das minhas mágoas
Para além da margem
Pois ninguém vai nas lagoas
Ninguém saiba do tremor
Que causa toda minha dor
Ah não, eu temo isso
Só queria abraço ao meu lado
Que não me faça me sentir sufocado
Mas na cabeça, me faço de palhaço
Problemático, confuso e lunático
O que me faz sentir?
Por que dessa vez?
Eu posso mentir
No que eu posso dizer?
Vai ficar tudo bem?
O que me faltou?
"Os erros não são uma prova de falha de nós, é apenas um reajuste natural daquilo que você precisa desistir de persistir."
Uma vida inteira
valida as decisões de um segundo.
Qual a vida?
Qual o segundo?
Qual a história contarei?
A história é o agora
O tempo é a ponte
E as certezas são todas inúteis
Pois teríamos que inventar a verdade
para ter certezas úteis!
“A vida pode se tornar uma bela aquarela quando escolhemos enxergar o mundo com um olhar colorido e livre de preconceitos. São as diferenças que pintam as mais belas obras.”
Dom Veiga
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