Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende

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"Resiliência e Fé: Uma Jornada de Sobrevivência e Esperança"



⁠Flertar com a morte por mais de dois mil dias não é uma experiência que qualquer alma suporte sem cicatrizes profundas. Cada dia vivido, cada fôlego tomado, é uma vitória silenciosa, embora nem sempre celebrada. Em alguns momentos, a morte parece uma amante tentadora, sussurrando promessas de descanso e alívio. Ainda assim, não me deixei seduzir por ela.

Tenho um relacionamento regado pela fé com o Eterno, que, mesmo nos dias mais sombrios, não deixou de me embalar com promessas de dias melhores. Confesso que, em meio a esse caminho tortuoso, minha alma já se sentiu frágil, minha voz trêmula diante das tempestades internas. Mas fraqueza não é sinônimo de desistência.

Por mais que parecesse uma mulher fraca aos olhos de quem não conhece minhas batalhas, sou forte. Fui forte por mais de 48 mil horas. Tenho enfrentado um processo que parece infinito, mas sigo aqui — de pé, mesmo que com os joelhos trêmulos. Porque há algo em mim que se recusa a ceder, algo que insiste em acreditar que o amanhã pode ser melhor.

E assim sigo, um dia de cada vez, carregando cicatrizes que contam histórias, mas com a fé de que, ao final, a luz há de prevalecer sobre todas as sombras.



E se por um acaso eu sumir.
Eu estarei bem.
Só darei uma pausa no meu
cotidiano tóxico.
E me esconderei em meio aos
meus pensamentos.
Eu ficarei bem.
Assim espero eu.

Tudo é uma questão de escala de tempo. Um evento inimaginável em uma centena de anos talvez seja inevitável em um milhão de anos.

“Estou com saudade de Deus,
uma saudade tão funda que me seca”.

( do livro "O coração disparado", em "Poesia reunida". 10ª ed., São Paulo: Siciliano, 2001, p. 213.)

⁠O convite da essência


Há algo no meu olhar que é um convite silencioso, uma porta aberta para quem deseja se aprofundar na minha alma. Algo que conecta, que atrai, que decifra. E então, alguns se deixam levar, se ligam à minha essência sem que uma única palavra seja dita, compreendendo quem sou no silêncio. Outros se perdem, talvez não consigam ver o que é tão simples, tão claro, tão direto. Eu sou feita da simplicidade, da transparência, daquelas palavras que são ditas com clareza, e das que não precisam de som, porque se revelam nas atitudes — sempre objetivas, sempre claras.

Quando me encontro perdida nas dúvidas, me recolho. Mergulho dentro de mim, me redescubro, busco entender o que há de mais profundo, o que precisa ser revelado. Não desejo apenas passar pela vida; quero deixar nela minha marca. Quero deixar um pedaço de mim em cada pessoa que cruzar meu caminho, em cada lugar que visitar, em cada olhar que encontrar.

E, ao final, quem se conectar a mim, de alguma forma, saberá que um pedacinho ficou. Em algum canto, um pouco de mim permanecerá, como uma lembrança compartilhada.

Fotografar é Ver Com a Alma


Eu vejo o mundo de uma maneira única, como se houvesse sempre uma nova perspectiva sobre a mesma coisa. Para mim, a fotografia não é apenas capturar uma imagem; é sobre enxergar o que os outros não conseguem ver. Acredito que o olhar de um fotógrafo tem a capacidade de transformar algo simples em algo valioso, essencial, e é isso que tento passar em cada clique.

Minha sensibilidade me permite ver além do óbvio, e é essa percepção que tento compartilhar com o mundo. Quando vejo uma cena, busco encontrar a alma daquele momento, algo que muitas vezes passa despercebido, mas que, para mim, é o que dá significado à imagem. É como se eu estivesse dando voz àquilo que só eu consigo enxergar, tentando transmitir um pouco da minha alma através do meu olhar.

Eu quero que as pessoas, ao olharem minhas fotos, consigam enxergar aquilo que elas mesmas não conseguem ver, que sintam a essência do momento. Acredito que a verdadeira beleza está na percepção, e é isso que tento capturar – uma nova maneira de olhar para o mundo.

Além da Imagem: O Olhar que Transcende

A fotografia não é apenas uma imagem congelada no tempo. Não se trata apenas de uma foto; é a tradução visual de um sentimento, uma história que vai além do que o olho pode ver. É um olhar profundo sobre o mundo, uma forma de revelar aquilo que muitas vezes escapa à percepção cotidiana. Cada fotografia carrega uma parte da minha alma, uma expressão única de como vejo e sinto o mundo ao meu redor.

A diferença entre jornais escritos e literatura, é como a diferença entre uma fotografia em preto e branco, e a mesma, colorida.

⁠O Ônus e o Bônus do Silêncio

O silêncio pode ser uma arte — uma escolha sábia quando as palavras seriam navalhas afiadas. Mas já parou para pensar no turbilhão de pensamentos de quem espera, desesperadamente, ouvir ao menos uma palavra?

Há uma tortura cruel em tentar decifrar o que se esconde nesse vazio. O que se passa no outro lado do silêncio? Talvez seja um ato inteligente calar-se quando tudo o que temos a dizer reflete dor ou ressentimento. Mas será que já pensamos no quanto esse silêncio pode ferir profundamente quem escolhe sufocar suas palavras, engolindo cada sentimento como se fossem cacos de vidro?

Existe toxicidade no silêncio? Sim, quando ele se torna uma prisão que sufoca experiências não verbalizadas e necessidades não atendidas. Quando não dizemos o que nos incomoda, essas emoções se acumulam até explodirem de forma destrutiva.

Silenciar e esperar que o tempo resolva tudo é uma ilusão cômoda. É angustiante esperar que o tempo cure feridas que poderiam ser tratadas com um diálogo consciente e empático. Às vezes, bastaria a vontade de escutar — e ser escutado.

Por outro lado, o silêncio pode ser transformado em arma. O tratamento de silêncio é uma forma cruel de manipulação, abuso e punição. Ele faz com que o outro se sinta inseguro, ansioso, rejeitado, invisível e, muitas vezes, culpado por algo que nem compreende.

É preciso sabedoria para respeitar o silêncio do outro, mas também coragem para verbalizar esse respeito, validando os sentimentos de ambos.

Então, o silêncio é sabedoria ou covardia? Depende. O mérito está em saber quando calar — e quando falar, pode libertar.

Reflexos da Alma: A Arte de Capturar e Expressar

⁠Cada imagem é uma janela aberta para o íntimo, uma fração de alma capturada em um instante. A fotografia, como uma linguagem silenciosa, fala ao coração de quem a observa, conectando sentimentos que palavras às vezes não conseguem. Mas, assim como uma imagem, as palavras também carregam o peso do que não se vê, traduzindo o invisível em sentimentos tangíveis. Quando unimos esses dois mundos — a visão e a expressão escrita —, criamos uma ponte entre o visível e o intangível, onde as emoções se encontram e se revelam.

Só te digo uma coisa: não te digo nada. E ainda te digo mais: só te digo isso...

Quando somos ensinados que a segurança está na semelhança, qualquer tipo de diferença parece uma ameaça.

bell hooks
Tudo sobre o amor: Novas perspectivas. São Paulo: Elefante, 2021.

É preciso uma coincidência qualquer para que o amor se instale. Existe um certo milagre nos encontros. Não é tolo dizer que o amor é sagrado.

Carla Madeira
Tudo é rio. Rio de Janeiro: Record, 2021.

Nós todos carregamos estrelas em nossos corações. Luz e trevas sempre acompanham uma a outra, se você estiver com medo das trevas, mesmo um pouco, e lhes mostrar uma lágrima, as trevas se tornarão imensas e perseguirão e engolirão toda a sua luz.

Libriana

Ela era uma libriana
De olhos castanhos claros
Com opiniões fortes
E pensamentos no qual eu passaria horas ouvindo.

Seu jeito desajeitado, todo largado,
Faziam meus olhos brilharem.
Ela era um pouco louca
E mesmo com alguns defeitos,
Eu amava cada detalhe dela.

Sinto que passarão anos e meu coração ainda será dela.
Mesmo que eu me apaixone um dia por outra,
No final sempre será ela que irei amar.⁠

Temos uma tendência muito grande de olhar defeitos e faltas. Começa a olhar as suas qualidades, no que que você tem de bom. O que é bom em você? O que que você faz que beneficia a si e aos outros? E onde é que está faltando? Você sente que as pessoas não gostam de você? Você sente que você é menos do que alguém? É porque você ainda está comparando. Então é você deixar de lado as comparações. Você é quem você é! Resultado de todas essas experiências, inclusive da ancestralidade que faz com que você seja quem você é neste momento e perceba que é perfeita(o) como é… Que ao mesmo tempo está em transformação e que pode ser cada vez melhor.

Lições de Motim
DONA COTINHA: Viver sozinho vicia. Chega uma hora que gente incomoda. Dá uma espécie de gastura, e é essa gastura o primeiro passo para a solidão. É claro, só gosta de solidão quem nasceu pra ser solitário. Só o solitário gosta de solidão. Quem vive só e não gosta de solidão não é um solitário, é só um desacompanhado. Solidão é vocação, besta de quem pensa que é sina. Por isso, tem que ser valorizada. E não é qualquer um que pode ser solitário não. É preciso ter competência pra isso. Pra viver bem com a solidão temos de ser proprietários dela e não inquilinos. Quem é inquilino da solidão, não passa de um abandonado. Não é que eu não goste de gente, eu não suporto é ser usuário, o que é bem diferente. Minha solidão tem um nome: renúncia. Eu renunciei ao gênero humano. É simples e só. Perdi a crença nas pessoas. O certo é que eu sou um descreste de gente, só isso. Tirei as pessoas da minha vida, como tirei o açúcar de minha diabete. Minha solidão é medicinal.

Quem sou eu? sou uma gota perdida
de quem o mar se esqueceu!
Sou um concha fechada,
no vazio do nada,
perdida sozinha e abandonada na estrada!
Oh estrada da vida, destino acabado
caminho sem ver, olhando com saudade o passado!
Quem sou eu? nem o espelho reflete o meu ser
apenas minhas lagrimas indicam meu sofrer!

Tanta gente reclama que a vida nunca lhe deu uma segunda chance... Já seria muito se ela fosse obrigada a dar uma primeira.

Chega uma hora que a gente cansa, cansa de tentar agradar, cansa de ter medo, cansa de se importar, chega uma hora em que tudo que queremos é ser livres, é errar sem medo, é viver como se não houvesse amanhã, chega uma hora em que se quer arriscar, quer apostar todas as cartas sem medo de perder, chega uma hora em que a gente quer deixar de existir, para começar o viver.