Todo Amor Precisa ser Alimentado
[Cafeína]
No início de nossas vidas práticas,
imaginamos que podemos mudar
todo o universo com nossas ações.
O tempo ruge e percebemos
que a única coisa sobre a qual
realmente temos controle,
é se colocaremos açúcar
ou adoçante no café
e geralmente tomamos a decisão errada,
seja ela qual for.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
[Boa e Velha Selvageria]
Eles querem
adestrar todo mundo,
querem todos
mansos e humildes;
risadinhas,
aplausos e brindes;
risadinhas,
aplausos e brindes;
mas nosso espírito
é indomável
e não se dobra
com palavras vazias.
Só podemos
prometer a eles,
nossa boa e velha
selvageria.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Nem todo vazio é ausência, às vezes é convite. Convite para habitar lugares internos que ignoramos por medo. Mas quando os habitamos, descobrimos tesouros enterrados sob camadas de silêncio. E então entendemos que estar só é, às vezes, estar pleno.
Nem todo pai ou mãe aprendeu a amar do jeito que você sonhava… e, muitas vezes, nem do jeito que eles mesmos gostariam. Muitos carregam marcas da própria infância, silêncios que gritam, carências que nunca foram preenchidas. Mas alguns, mesmo com todas as feridas, escolhem se reinventar, quebrar padrões, reaprender o que nunca lhes foi ensinado. É um ato de coragem que nem sempre os filhos compreendem, porque crescemos esperando que eles já soubessem tudo.
Quantas vezes paramos, esperando enxergar todo o caminho…Queremos respostas antes de dar o primeiro passo. Mas o rinoceronte, mesmo de visão turva, avança a quase 50 km por hora. Nenhum obstáculo o detém quando segue a direção que sente em seu coração.Assim também somos nós: às vezes não vemos tudo, mas se confiarmos na direção que Deus nos dá, nada poderá nos parar.
Todo mundo quer ver você bem...
desde que isso não exija olhar de perto como você realmente está.
Janice Rocha
É essencial desenvolver sensibilidade para perceber o que não está sendo dito.
Nem todo silêncio é paz. Às vezes, ele é um pedido não ouvido.
Nem todo salvamento é visível… às vezes, ele chega na forma de alguém que simplesmente decide ficar.
Viver é colecionar adeuses discretos. Nem todo fim tem trombetas, muitos se vão por uma janela fechada. Eu faço inventário desses pequenos fins, para não esquecê-los. Cada adeus me ensina a salvar pedaços para recomeços. E, mais uma vez, o coração vira caixa de sobras transformáveis.
Todo fim não é um vazio, mas um terreno aplainado para uma construção de propósito muito mais sólido. O ciclo de amantes que chegam e partem nos ensina que, acima de tudo, o único amor duradouro é aquele que se aprende a dedicar à própria reconstrução.
